Garota de programa é detida por golpe ‘Boa Noite, Cinderela’ contra francês no Rio

Garota de programa é detida por golpe 'Boa Noite, Cinderela' contra francês no Rio

Garota de programa é detida por golpe 'Boa Noite, Cinderela' contra francês no Rio

Um crime chocante abalou a cidade do Rio de Janeiro no final de 2024, quando um turista francês foi vítima de um golpe violento na região central da cidade. A suspeita, identificada como Haina Rocha da Cruz, de 19 anos, foi detida por agentes da Polícia Civil na manhã de 1º de maio de 2025, no bairro Miguel Couto, em Belford Roxo, Baixada Fluminense. O caso, que envolve o famoso golpe conhecido como “Boa Noite, Cinderela”, expôs a vulnerabilidade de turistas em áreas turísticas movimentadas, como a Pedra do Sal. As autoridades agora investigam a participação de outras pessoas no crime, enquanto a vítima ainda se recupera dos graves ferimentos sofridos.

O turista, cuja identidade não foi revelada, conheceu Haina e duas outras mulheres na noite de 24 de dezembro de 2024, durante uma roda de samba na Pedra do Sal, no bairro da Saúde. Após horas de conversa, o grupo convenceu o estrangeiro a acompanhá-las até um hotel em Copacabana, na Zona Sul carioca. Lá, ele foi dopado, perdeu a consciência e só acordou no dia seguinte, internado no Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, com sérias lesões.

O caso ganhou destaque pela brutalidade e pela ousadia das suspeitas, que não apenas roubaram pertences valiosos, mas também agrediram a vítima. Entre os itens subtraídos estão:

  • Um celular de alto valor;
  • R$ 150 em dinheiro;
  • R$ 50 mil transferidos de contas bancárias da vítima.

A prisão de Haina marca um avanço nas investigações, mas levanta questões sobre a segurança em pontos turísticos e a necessidade de maior proteção para visitantes estrangeiros no Rio.

Detalhes do crime na Pedra do Sal

A noite de 24 de dezembro começou como uma celebração para o turista francês, que aproveitava a atmosfera vibrante da Pedra do Sal, conhecida por suas rodas de samba e importância histórica. Ele foi abordado por Haina Rocha da Cruz, que se apresentou como garota de programa, acompanhada de duas mulheres, uma delas identificada apenas como Gabrielle. As três estabeleceram rapidamente um clima de confiança, convidando o estrangeiro para continuar a noite em outro local. O grupo seguiu para um hotel em Copacabana, onde o crime foi consumado.

No quarto do hotel, o turista ingeriu uma bebida oferecida pelas mulheres, que continha uma substância química capaz de causar inconsciência. Segundo relatos, ele não teve chance de reagir. As suspeitas aproveitaram o estado de vulnerabilidade para roubar seus pertences e realizar transferências bancárias. A violência, no entanto, não parou por aí: o francês foi agredido e arremessado de um veículo em movimento, o que resultou em ferimentos graves.

A Polícia Civil, por meio da Delegacia Especial de Atendimento ao Turista (Deat), usou imagens de câmeras de segurança do hotel para identificar Haina e suas comparsas. O mandado de prisão preventiva, expedido pela Justiça, acusa a jovem de roubo qualificado e lesão corporal grave. A operação que culminou na captura envolveu agentes da Deat e da 33ª DP (Realengo), que monitoraram a suspeita por semanas antes de localizá-la em Belford Roxo.

Modus operandi do golpe

O golpe “Boa Noite, Cinderela” é uma prática criminosa que combina sedução, manipulação e o uso de substâncias químicas para incapacitar vítimas. No caso do turista francês, as suspeitas utilizaram uma abordagem comum: identificar alvos vulneráveis, geralmente estrangeiros, em locais turísticos movimentados. A Pedra do Sal, com sua atmosfera festiva, tornou-se um ponto estratégico para esse tipo de crime.

As investigações revelaram que Haina e suas comparsas agiam com planejamento. Elas escolhiam vítimas que pareciam desavisadas ou pouco familiarizadas com a cidade, ganhando sua confiança antes de oferecer bebidas adulteradas. Entre os itens mais visados estavam:

  • Eletrônicos, como celulares e laptops;
  • Dinheiro em espécie;
  • Acesso a contas bancárias por meio de aplicativos ou cartões.

A violência empregada no caso do francês, incluindo a agressão e o abandono em via pública, indica um nível de ousadia que preocupa as autoridades. Casos semelhantes têm sido registrados em outros pontos do Rio, como a Lapa e Ipanema, sugerindo a existência de grupos organizados especializados nesse tipo de golpe.

Ação policial em Belford Roxo

A prisão de Haina Rocha da Cruz foi resultado de um trabalho conjunto entre a Deat e a 33ª DP, que mobilizaram equipes para monitorar a suspeita. A operação ocorreu sem resistência, no bairro Miguel Couto, uma área residencial de Belford Roxo. Os policiais chegaram à localização após cruzarem informações de inteligência e analisarem imagens captadas por câmeras de segurança.

Haina, que já era alvo de um mandado de prisão preventiva, foi levada para a delegacia, onde prestou depoimento. As autoridades ainda buscam as outras duas mulheres envolvidas no crime, incluindo Gabrielle, cuja identidade completa segue sob investigação. A Polícia Civil também apura se o grupo tem ligação com outros casos de “Boa Noite, Cinderela” registrados na cidade.

O delegado responsável pela operação destacou a importância de proteger os turistas, especialmente em períodos festivos como o Réveillon e o Carnaval, quando o fluxo de visitantes aumenta. A Deat intensificou as ações de patrulhamento em áreas como a Pedra do Sal e Copacabana, com o objetivo de prevenir novos incidentes.

Impacto na vítima

O turista francês enfrentou consequências devastadoras após o crime. Internado no Hospital Municipal Miguel Couto, ele foi atendido com ferimentos graves, incluindo traumas causados pela queda do veículo em movimento. O estrangeiro relatou às autoridades que não se lembra de grande parte da noite, apenas de ter aceitado a bebida oferecida pelas suspeitas.

Além das lesões físicas, o prejuízo financeiro foi significativo. A perda de R$ 50 mil, transferidos de suas contas bancárias, representa um golpe duro, especialmente para alguém em viagem internacional. O celular roubado, um modelo de alto valor, também foi um item visado pelas criminosas, que provavelmente o venderam no mercado paralelo.

A vítima, que estava no Rio para aproveitar as festas de fim de ano, recebeu apoio da Deat para registrar o boletim de ocorrência e iniciar os trâmites para recuperação de parte do prejuízo. O caso reforça a necessidade de assistência especializada para turistas que enfrentam situações de violência no Brasil.

Histórico de golpes semelhantes

O golpe “Boa Noite, Cinderela” não é novidade no Rio de Janeiro, mas sua recorrência preocupa as autoridades. Em setembro de 2024, outra mulher, Lorrane Miranda Freitas, de 21 anos, foi presa por aplicar o mesmo golpe em dois turistas italianos e um francês em Ipanema. Ela também usava a tática de dopar as vítimas para roubar pertences, ostentando o dinheiro nas redes sociais.

Em março de 2025, a Polícia Civil deteve Claudia Mayara Alves Soliva, apontada como líder de uma quadrilha especializada no golpe. O grupo atuava em locais como a Pedra do Sal e a Lapa, tendo como alvo principal turistas e estudantes. Um dos casos investigados resultou na morte de um turista colombiano, vítima de overdose de substâncias químicas.

Outros episódios recentes incluem:

  • A prisão de Larissa Medeiros da Silva, em setembro de 2024, enquanto tomava sol na Praia do Arpoador;
  • A detenção de duas mulheres na Lapa, em agosto de 2024, que tentavam dopar um turista alemão;
  • Um caso em Ipanema, em novembro de 2024, onde um norueguês e um alemão foram roubados após serem dopados.

Esses incidentes evidenciam a necessidade de estratégias mais eficazes para coibir o crime e proteger os visitantes.

Áreas de risco no Rio

A Pedra do Sal, onde o turista francês foi abordado, é um dos pontos turísticos mais tradicionais do Rio, mas também tem sido palco de crimes contra visitantes. Localizada no bairro da Saúde, a área atrai multidões para suas rodas de samba, especialmente às segundas-feiras, quando o local fica lotado. A presença de turistas, muitas vezes desavisados, facilita a ação de criminosos.

Outros locais frequentemente associados a golpes semelhantes incluem a Lapa, conhecida por sua vida noturna, e Ipanema, onde a combinação de praias e bares cria um ambiente propício para abordagens. Copacabana, destino final do turista francês, também registra casos recorrentes, especialmente em hotéis e pousadas frequentados por estrangeiros.

A Polícia Civil recomenda que os visitantes evitem aceitar bebidas de desconhecidos e mantenham seus pertences em locais seguros. A orientação é reforçada em períodos de alta temporada, quando o número de turistas cresce significativamente.

Medidas de prevenção

As autoridades têm trabalhado para orientar os turistas sobre como se proteger do golpe “Boa Noite, Cinderela”. A Deat, em parceria com hotéis e guias turísticos, distribui materiais informativos em inglês, espanhol e francês, alertando sobre os riscos de aceitar convites de pessoas desconhecidas. A campanha “Acorda Cinderela”, lançada em São Paulo, também inspira iniciativas no Rio, com foco na conscientização sobre drogas usadas em golpes.

Algumas recomendações incluem:

  • Não deixar bebidas desprotegidas em bares ou festas;
  • Evitar acompanhar pessoas recém-conhecidas a locais isolados;
  • Usar aplicativos de transporte confiáveis em vez de veículos desconhecidos;
  • Informar amigos ou familiares sobre o itinerário da viagem.

A Polícia Militar também aumentou o patrulhamento em áreas como a Pedra do Sal, com viaturas e agentes à paisana para identificar atividades suspeitas. A colaboração com o setor hoteleiro tem sido essencial para monitorar a entrada de visitantes acompanhados por desconhecidos.

Perfil da suspeita

Haina Rocha da Cruz, de 19 anos, é descrita como uma jovem que atuava como garota de programa, mas usava essa atividade como fachada para cometer crimes. Nascida e criada na Baixada Fluminense, ela se mudou para o bairro Miguel Couto, onde foi localizada pela polícia. As autoridades ainda investigam se ela tem antecedentes criminais ou vínculos com outros grupos organizados.

A suspeita demonstrou habilidade em conquistar a confiança das vítimas, utilizando sua aparência e carisma para desarmar os alvos. Sua participação no crime foi confirmada por imagens de câmeras de segurança, que a mostram entrando no hotel em Copacabana com o turista e suas comparsas. A Justiça considerou que Haina representa um risco à sociedade, justificando a prisão preventiva.

A busca pelas outras duas mulheres envolvidas continua, com a polícia analisando registros telefônicos e movimentações financeiras para localizá-las. A identificação de Gabrielle, uma das comparsas, é uma prioridade nas investigações.

Resposta das autoridades

A prisão de Haina é parte de uma série de operações conduzidas pela Deat para combater crimes contra turistas. A delegacia, criada especificamente para atender visitantes estrangeiros, tem intensificado o uso de tecnologia, como reconhecimento facial e análise de dados, para identificar suspeitos. Em 2024, a Deat registrou mais de 50 prisões relacionadas a golpes como o “Boa Noite, Cinderela”.

O governo do estado também anunciou investimentos em segurança pública, com foco em áreas turísticas. A Secretaria de Turismo do Rio trabalha em parceria com a Polícia Civil para criar campanhas de conscientização, distribuídas em aeroportos e pontos de informação. A meta é reduzir a incidência de crimes contra visitantes, que podem prejudicar a imagem do Rio como destino turístico.

A operação que resultou na prisão de Haina foi elogiada por sua eficiência, mas as autoridades reconhecem que o problema é maior. A existência de quadrilhas especializadas exige uma abordagem integrada, envolvendo não apenas a polícia, mas também o setor privado e a sociedade civil.

Repercussão na comunidade

A notícia da prisão de Haina gerou debates entre os moradores do Rio, especialmente nas redes sociais. Frequentadores da Pedra do Sal expressaram preocupação com a segurança no local, cobrando mais presença policial e iluminação pública. Alguns destacaram que o ponto turístico, apesar de sua relevância cultural, sofre com a falta de infraestrutura para lidar com o grande fluxo de visitantes.

Comerciantes da região, por outro lado, temem que o caso afaste turistas, impactando a economia local. Bares e restaurantes da Pedra do Sal dependem da movimentação gerada pelas rodas de samba, e incidentes como esse podem desencorajar visitantes. A Associação de Moradores do Bairro da Saúde planeja uma reunião com as autoridades para discutir medidas de proteção.

A imprensa local também deu ampla cobertura ao caso, com reportagens destacando a brutalidade do crime e a necessidade de ações preventivas. O caso do turista francês foi comparado a outros incidentes recentes, reforçando a percepção de que o golpe “Boa Noite, Cinderela” é um problema persistente no Rio.

Papel do setor hoteleiro

Hotéis em Copacabana, onde o crime foi consumado, têm enfrentado pressão para melhorar a segurança. Após o incidente, a administração do hotel onde o turista foi dopado anunciou a instalação de novas câmeras de segurança e a revisão dos protocolos de entrada. A identificação de visitantes acompanhados por desconhecidos agora é feita com mais rigor, incluindo a exigência de documentos.

A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) no Rio de Janeiro emitiu um comunicado reforçando o compromisso do setor com a segurança dos hóspedes. Treinamentos para funcionários estão sendo oferecidos, com foco na identificação de comportamentos suspeitos. A colaboração com a Deat também foi intensificada, com hotéis compartilhando imagens de câmeras para auxiliar nas investigações.

O caso do turista francês expôs falhas na fiscalização de entrada em estabelecimentos hoteleiros, especialmente em períodos de alta demanda. A expectativa é que as medidas adotadas reduzam a vulnerabilidade de hóspedes a crimes semelhantes.

Dados sobre crimes contra turistas

O Rio de Janeiro, apesar de ser um dos principais destinos turísticos do Brasil, enfrenta desafios relacionados à segurança. Em 2024, a Deat registrou cerca de 300 casos de crimes contra turistas, sendo o “Boa Noite, Cinderela” um dos mais frequentes. A maioria das vítimas é de origem estrangeira, com destaque para europeus e norte-americanos.

Os prejuízos financeiros variam, mas casos como o do turista francês, com perdas de R$ 50 mil, não são incomuns. Eletrônicos, como celulares e laptops, são os itens mais visados, devido à facilidade de revenda. As transferências bancárias, realizadas por meio de aplicativos, também têm crescido, com criminosos usando a inconsciência das vítimas para acessar contas.

A violência física, como no caso do francês, é menos comum, mas preocupa as autoridades. A combinação de roubo e agressão eleva a gravidade dos crimes, exigindo respostas mais duras do sistema judiciário. A prisão preventiva de Haina reflete essa abordagem, com a Justiça buscando evitar novos incidentes.

Esforços de conscientização

A Secretaria de Turismo do Rio lançou, em 2025, uma campanha voltada para turistas estrangeiros, com materiais distribuídos em cinco idiomas. Folhetos e vídeos curtos alertam sobre os riscos do golpe “Boa Noite, Cinderela” e orientam sobre como agir em situações de risco. Aeroportos como o Galeão e o Santos Dumont exibem cartazes com dicas de segurança.

Organizações não governamentais também têm se mobilizado. A campanha “Acorda Cinderela”, que começou em São Paulo, ganhou adeptos no Rio, com voluntários distribuindo panfletos em pontos turísticos. A iniciativa destaca a importância de compartilhar informações com viajantes, muitos dos quais desconhecem os riscos de golpes no Brasil.

A participação da mídia é outro fator crucial. Programas de televisão e portais de notícias têm dedicado espaço para reportagens sobre segurança turística, com entrevistas de especialistas e vítimas. A cobertura do caso do turista francês, por exemplo, foi amplamente divulgada, gerando alertas para outros visitantes.

Avanços tecnológicos na investigação

A prisão de Haina Rocha da Cruz foi facilitada pelo uso de tecnologias avançadas pela Polícia Civil. Câmeras de segurança, instaladas no hotel em Copacabana e em ruas próximas à Pedra do Sal, forneceram imagens claras das suspeitas. O sistema de reconhecimento facial, implementado em algumas delegacias do Rio, também auxiliou na identificação da jovem.

A análise de dados financeiros foi outro recurso importante. As transferências bancárias realizadas pelas criminosas deixaram rastros que a polícia conseguiu rastrear, confirmando a participação de Haina no crime. A colaboração com bancos e empresas de telefonia acelerou o processo, permitindo a localização da suspeita em Belford Roxo.

O uso de drones e monitoramento por satélite, embora menos comum, tem sido testado em áreas de grande circulação, como a Pedra do Sal. Essas ferramentas ajudam a mapear movimentos suspeitos, especialmente durante eventos com grande público. A expectativa é que a tecnologia continue a desempenhar um papel central na prevenção de crimes contra turistas.

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