Após 10 anos, System of a Down estreia no Brasil com performance avassaladora em Curitiba

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System of a Down Foto: System of a Down - Foto: Instagram

Fãs de todas as idades lotaram o Estádio Couto Pereira, em Curitiba, na noite de 6 de maio, para testemunhar o retorno triunfal do System of a Down ao Brasil. Após uma década sem pisar em palcos brasileiros, a banda armênio-americana abriu a etapa nacional da turnê Wake Up! com uma performance que reuniu cerca de 40 mil pessoas. O show, pontual e sem pausas, entregou duas horas de puro rock, com um setlist de 31 músicas que atravessou a carreira do grupo. A energia do público, que cantou do início ao fim, transformou a noite em um marco para a capital paranaense.

A devoção dos curitibanos era visível. Muitos vestiam camisetas da última passagem da banda pelo Brasil, em 2015, enquanto outros, estreantes, vibravam com a chance de ver Serj Tankian, Daron Malakian, Shavo Odadjian e John Dolmayan ao vivo. O show de abertura, comandado pela banda brasileira Ego Kill Talent, aqueceu a multidão, que incluía fãs de outras cidades, atraídos pela dificuldade de conseguir ingressos para as apresentações no Rio de Janeiro e em São Paulo.

  • Destaques da noite:
    • Setlist com 31 músicas, incluindo clássicos como “Chop Suey!” e “Toxicity”.
    • Mensagens políticas projetadas no telão, reforçando o engajamento social da banda.
    • Som impecável, com graves potentes e vocais precisos de Serj Tankian.

Retorno após uma década

A última vez que o System of a Down se apresentou no Brasil foi em 2015, durante o Rock in Rio. Desde então, os fãs aguardavam ansiosamente por um novo show, especialmente após o hiato de lançamentos de álbuns, que persiste desde 2005 com Hypnotize e Mezmerize. A turnê Wake Up!, que já passou por Colômbia, Peru, Chile e Argentina, trouxe a banda em sua melhor forma, com uma produção técnica de alto nível e uma performance que não deixou espaço para descanso. Em Curitiba, o Couto Pereira, conhecido por sediar jogos de futebol, se transformou em um caldeirão de energia roqueira.

O público começou a chegar cedo, ocupando as arquibancadas e a pista com entusiasmo. Antes do show principal, a multidão se divertia com “olas” nas arquibancadas e cantava músicas de outras bandas, como Linkin Park, que ecoavam pelo sistema de som. A pontualidade da banda, que subiu ao palco exatamente às 21h, foi um diferencial, mostrando o profissionalismo do quarteto.

Abertura explosiva com Daron Malakian

Daron Malakian, guitarrista e vocalista, abriu o show com sua frase icônica: “Diretamente de Los Angeles, originalmente da Armênia, nós somos o System of a Down e esse é o jeito System of a Down de fazer rock n’ roll!”. A multidão respondeu com gritos ensurdecedores, e a banda emendou “Attack”, do álbum Hypnotize, incendiando o estádio. A sequência inicial, com faixas como “Suite-Pee” e “Prison Song”, estabeleceu o tom da noite: visceral, político e intenso.

A energia só aumentou com a dobradinha “Violent Pornography” e “Aerials”, que fez o público cantar em uníssono. A performance de Serj Tankian, com sua voz alternando entre guturais poderosos e melodias agudas, foi um dos pontos altos, enquanto os solos de Malakian ecoavam com clareza cristalina. O baixista Shavo Odadjian e o baterista John Dolmayan mantiveram a base rítmica sólida, com graves que reverberavam pelo corpo dos fãs.

Mensagens políticas no telão

O System of a Down nunca fugiu de temas políticos, e o show em Curitiba reforçou essa característica. Durante faixas como “Deer Dance” e “B.Y.O.B.”, o telão exibia mensagens impactantes, como “SOFRIMENTO HUMANO, AGORA EM 4K!”. As projeções, que misturavam críticas sociais e imagens de conflitos, conectaram as letras da banda às questões atuais, como desigualdade e militarismo.

A escolha do setlist, que incluiu músicas de todos os cinco álbuns de estúdio, foi um aceno aos fãs de longa data e aos novos admiradores. Faixas como “Genocidal Humanoidz”, lançada em 2020 como single, mostraram que o grupo ainda tem relevância, mesmo sem um novo álbum. O público respondeu com entusiasmo, especialmente nas músicas mais conhecidas, como “Hypnotize” e “Chop Suey!”, que transformaram o estádio em um coral gigante.

  • Mensagens exibidas no telão:
    • Críticas à guerra e ao consumismo.
    • Frases sobre desigualdade social.
    • Imagens de protestos e conflitos globais.
    • Conexão com a causa armênia, recorrente na história da banda.

Setlist de 31 músicas sem pausas

Uma das marcas do show foi a ausência de pausas. As 31 músicas foram executadas em duas horas, conectadas por transições instrumentais ou por interações de Daron Malakian com o público. A decisão de não incluir um bis, prática comum em shows de rock, reforçou o ritmo frenético da apresentação. O setlist passou por clássicos como “Toxicity”, “Sugar” e “Lonely Day”, além de faixas menos frequentes, como “Streamline” e “Roulette”.

A qualidade do som foi outro destaque. Os graves de Shavo Odadjian eram sentidos no peito, enquanto os solos de Malakian cortavam o ar com precisão. O piso das arquibancadas tremia com a vibração dos fãs, que pulavam e cantavam sem parar. A voz de Serj Tankian, muitas vezes questionada em shows recentes devido à idade, provou estar em plena forma, navegando com facilidade entre os tons exigidos pelas músicas.

Ego Kill Talent aquece o público

Antes do System of a Down, a banda brasileira Ego Kill Talent teve a missão de abrir a noite. Formada por Jonathan Dörr (vocal), Jean Dolabella (bateria), Raphael Miranda (baixo), Niper Boaventura (guitarra) e Theo van der Loo (guitarra), o grupo entregou uma performance enérgica, com músicas como “Sinner’s Dream” e “The Call”. A receptividade do público foi positiva, especialmente entre os fãs mais jovens, que reconheceram o peso das guitarras e a presença de palco da banda.

O show de abertura durou cerca de 40 minutos e serviu como um aquecimento perfeito para a intensidade do System of a Down. A escolha de uma banda brasileira reforçou a conexão com o público local, que aplaudiu e cantou junto em vários momentos.

Devoção do público curitibano

A paixão dos fãs em Curitiba foi um dos pontos altos da noite. Para muitos, era a primeira vez vendo o System of a Down ao vivo, o que explica a entrega total do público. Camisetas de edições antigas de shows, bandeiras da Armênia e cartazes feitos à mão coloriam as arquibancadas. A presença de fãs de outras cidades, como Florianópolis e Porto Alegre, também destacou a importância do show, já que os ingressos para as apresentações no Rio de Janeiro e em São Paulo se esgotaram rapidamente.

O Couto Pereira, com capacidade para grandes eventos, foi uma escolha acertada. A estrutura do estádio permitiu que o público tivesse uma boa visão do palco, mesmo nas arquibancadas mais altas. A organização do evento, comandada pela produtora 30e, foi elogiada por fãs, que destacaram a facilidade de acesso e a segurança no local.

  • Perfil do público:
    • Faixa etária variada, de adolescentes a fãs na casa dos 40 anos.
    • Muitos estreantes em shows do System of a Down.
    • Presença de fãs de outras cidades e estados.
    • Devoção expressa em cânticos e interação constante com a banda.

Próximos shows no Brasil

A turnê Wake Up! segue agora para o Rio de Janeiro, onde o System of a Down se apresenta no Estádio Nilton Santos no dia 8 de maio. Em São Paulo, os shows estão marcados para os dias 10 e 11 de maio no Allianz Parque, com uma data extra no Autódromo de Interlagos no dia 14. A procura por ingressos foi intensa, com as primeiras datas esgotando em poucas horas. A apresentação em Interlagos ainda tem entradas disponíveis, mas a expectativa é de lotação, dado o sucesso do show em Curitiba.

Os fãs das próximas cidades podem esperar uma performance tão intensa quanto a da capital paranaense. A banda parece estar no auge de sua forma ao vivo, com uma produção que combina som de alta qualidade, projeções impactantes e a energia característica do quarteto.

Turnê System of a Down no Brasil
Turnê System of a Down no Brasil – Foto: Instagram

Produção técnica impecável

A qualidade técnica do show em Curitiba merece destaque. A iluminação, sincronizada com as músicas, criava climas que variavam entre o caótico e o melancólico, acompanhando as mudanças de tom do setlist. O telão, além das mensagens políticas, exibia imagens ao vivo da banda, permitindo que mesmo os fãs mais distantes acompanhassem os detalhes da performance.

A equipe de som trabalhou com precisão, equilibrando os instrumentos e os vocais de forma que nenhuma parte da música se sobrepusesse. A escolha do Couto Pereira, com sua acústica adaptada para grandes eventos, contribuiu para a experiência sonora, que foi descrita por fãs como “avassaladora”.

  • Detalhes da produção:
    • Iluminação dinâmica, com cores vibrantes e efeitos estroboscópicos.
    • Telão de alta definição com projeções ao vivo e mensagens.
    • Som equilibrado, com destaque para graves e solos.
    • Estrutura do estádio adaptada para receber 40 mil pessoas.

Repertório equilibrado

O setlist de Curitiba foi um reflexo da carreira do System of a Down, com faixas de todos os álbuns, desde o autointitulado System of a Down (1998) até Hypnotize (2005). A inclusão de músicas menos tocadas, como “A.D.D.” e “Forest”, surpreendeu os fãs mais dedicados, enquanto os hits como “Psycho” e “Sugar” garantiram a animação do público casual.

A banda também deu espaço para momentos mais introspectivos, como “Lost in Hollywood” e “Roulette”, que contrastaram com a energia explosiva de faixas como “I-E-A-I-A-I-O” e “Cigaro”. A escolha de encerrar com “Toxicity” e “Sugar” foi estratégica, deixando o público em êxtase ao final das duas horas de show.

Expectativa para Rio e São Paulo

Os shows no Rio de Janeiro e em São Paulo prometem repetir o sucesso de Curitiba. No Estádio Nilton Santos, a banda deve encontrar um público igualmente apaixonado, com a vantagem de um espaço conhecido por sediar grandes eventos musicais. Em São Paulo, o Allianz Parque oferecerá uma experiência mais intimista, enquanto o Autódromo de Interlagos permitirá uma produção ainda mais grandiosa, com espaço para um público maior.

A turnê Wake Up! reforça a relevância do System of a Down, mesmo sem novos lançamentos. A combinação de letras engajadas, performances intensas e uma base de fãs leal garante que os shows no Brasil serão lembrados como alguns dos mais marcantes de 2025.

  • Datas e locais dos próximos shows:
    • 8 de maio: Estádio Nilton Santos, Rio de Janeiro.
    • 10 e 11 de maio: Allianz Parque, São Paulo.
    • 14 de maio: Autódromo de Interlagos, São Paulo.
    • Ingressos para Interlagos ainda disponíveis, com alta procura.

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

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