Europa

Cardeal Prevost assume como Leão XIV: como o papa escolhe seu nome e quem decide

Rober Francis .
Foto: Rober Francis . - Foto: Riproduzione

Em um momento histórico para a Igreja Católica, a fumaça branca subiu da chaminé da Capela Sistina, anunciando ao mundo a eleição de um novo papa. No dia 8 de maio de 2025, o cardeal americano Robert Francis Prevost, de 69 anos, foi escolhido como o 267º sucessor de São Pedro, adotando o nome Leão XIV. A decisão, tomada após intensas deliberações no conclave, marcou a primeira vez que um norte-americano assume o papado, um evento que capturou a atenção global. A escolha do nome Leão XIV, uma homenagem a predecessores como Leão XIII, conhecido por suas reformas sociais, sinaliza possíveis prioridades para o novo pontificado.

O processo de eleição papal, conhecido como conclave, é um dos rituais mais antigos e sigilosos da Igreja Católica. Realizado na Capela Sistina, no Vaticano, ele reúne cardeais eleitores com menos de 80 anos para decidir quem liderará os mais de 1,4 bilhão de católicos no mundo. Em 2025, 133 cardeais participaram do conclave, que culminou na eleição de Prevost na terceira votação. A escolha do nome papal, feita pelo próprio eleito, é um momento crucial, carregado de simbolismo e intenções.

  • Sigilo absoluto: O conclave ocorre em total isolamento, com os cardeais jurando segredo sob pena de excomunhão.
  • Fumaça como sinal: Fumaça preta indica votação sem consenso; a branca, a eleição do novo papa.
  • Tradição milenar: A prática remonta ao século XIII, formalizada pelo papa Gregório X em 1271.
  • Nomeação imediata: Após aceitar o cargo, o papa escolhe seu nome na chamada “Sala das Lágrimas”.

A eleição de Leão XIV reacendeu o interesse global sobre as tradições do papado. Desde a escolha do nome até os detalhes do conclave, cada etapa reflete séculos de história e simbolismo. O novo pontífice, com sua experiência missionária no Peru e trajetória no Vaticano, assume em um momento de desafios para a Igreja, como a necessidade de diálogo inter-religioso e questões sociais globais.

Significado histórico da escolha do nome
A escolha do nome Leão XIV carrega um peso histórico significativo. O último papa a usar o nome Leão foi Leão XIII, que liderou a Igreja de 1878 a 1903 e ficou conhecido como o “Papa Social” por sua encíclica Rerum Novarum, que defendeu os direitos dos trabalhadores. Prevost, ao adotar esse nome, sugere uma possível ênfase em questões de justiça social e diálogo com o mundo moderno. A tradição de escolher um novo nome remonta ao século VI, quando Mercúrio, eleito em 533, optou por João II para evitar associações com um deus pagão.

O nome papal não é apenas uma formalidade; ele reflete a identidade que o novo líder deseja projetar. Por exemplo, João Paulo II, eleito em 1978, escolheu seu nome para homenagear João Paulo I, sinalizando continuidade. Já Francisco, o primeiro a usar esse nome, inspirou-se em São Francisco de Assis, destacando simplicidade e cuidado com os pobres. No caso de Leão XIV, a referência a Leão XIII pode indicar uma abordagem que combina tradição com abertura a questões contemporâneas, como desigualdade e mudanças climáticas.

A escolha do nome ocorre em um momento íntimo, logo após a eleição. Na “Sala das Lágrimas”, o novo papa veste as vestes papais e anuncia seu nome ao cardeal protodiácono, que o apresenta ao mundo com a frase “Habemus Papam”. Para Leão XIV, esse momento foi marcado por emoção, com Prevost cumprimentando os cardeais antes de aparecer na sacada da Basílica de São Pedro para sua primeira bênção, Urbi et Orbi.

Quem participa do conclave
O conclave é um processo restrito aos cardeais eleitores, aqueles com menos de 80 anos no momento da morte ou renúncia do papa anterior. Em 2025, o Colégio de Cardeais contava com 133 eleitores, representando diversas regiões do mundo, incluindo África, Ásia, Américas e Europa. A diversidade geográfica reflete a globalização da Igreja, que busca um líder capaz de unir fiéis em contextos culturais distintos.

Cada cardeal presta um juramento de sigilo antes de entrar na Capela Sistina. As votações ocorrem em sessões diárias, com até quatro escrutínios por dia. Para ser eleito, o candidato precisa de dois terços dos votos, uma regra estabelecida para garantir consenso. Caso não haja acordo, os votos são queimados com um composto que produz fumaça preta. Quando o consenso é alcançado, a fumaça branca sinaliza a eleição.

  • Elegibilidade: Apenas cardeais com menos de 80 anos podem votar, mas qualquer católico batizado pode, em teoria, ser eleito.
  • Isolamento: Os eleitores ficam hospedados na Casa Santa Marta, sem acesso a telefones ou internet.
  • Votação secreta: Os votos são escritos à mão e depositados em uma urna, com contagem manual.
  • Auxiliares limitados: Cada cardeal pode levar um assistente, mas o acesso é restrito para manter o sigilo.

O conclave de 2025 foi relativamente rápido, com a eleição concluída em dois dias. A escolha de Prevost, um cardeal com experiência em missões na América Latina, surpreendeu alguns observadores, que esperavam um candidato de outra região, como África ou Ásia.

Regras para a escolha do nome papal
A escolha do nome papal é uma decisão pessoal do novo pontífice, sem regras rígidas impostas pela Igreja. No entanto, a tradição guia a seleção, com a maioria dos papas optando por nomes que homenageiam predecessores, apóstolos ou figuras históricas. Desde o século X, tornou-se costume adotar um nome diferente do de batismo, embora até o século XVI alguns pontífices mantivessem seus nomes originais.

Nenhum papa escolheu o nome Pedro, em respeito a São Pedro, o primeiro papa, considerado o fundamento da Igreja. Outros nomes, como João, Bento e Paulo, são comuns, com João sendo o mais usado, com 23 pontífices. A escolha de um nome já utilizado implica a adição de um numeral, como Leão XIV. Nomes inéditos, como Francisco, são raros e geralmente refletem uma intenção de ruptura ou inovação.

O processo é simples, mas profundamente simbólico. Após aceitar a eleição, o papa é questionado pelo cardeal decano: “Com que nome deseja ser chamado?”. A resposta define não apenas a identidade do pontífice, mas também as expectativas para seu reinado. Para Leão XIV, a escolha sugere um desejo de continuidade com as reformas sociais de Leão XIII, adaptadas aos desafios do século XXI.

Trajetória de Robert Prevost
Robert Francis Prevost, nascido em Chicago em 1955, traz uma trajetória singular ao papado. Ordenado sacerdote em 1982, ele passou grande parte de sua carreira como missionário no Peru, onde trabalhou com comunidades pobres e indígenas. Sua experiência na América Latina o aproximou das questões de desigualdade e justiça social, temas que podem influenciar seu pontificado.

Prevost foi nomeado bispo de Chiclayo, no Peru, em 2001, e em 2014 tornou-se superior geral da Ordem dos Agostinianos. Em 2023, o papa Francisco o elevou a cardeal e o nomeou prefeito do Dicastério para os Bispos, um cargo de grande influência no Vaticano. Sua eleição como Leão XIV reflete sua reputação como um líder pastoral e administrador habilidoso.

  • Formação acadêmica: Prevost estudou teologia e direito canônico, com doutorado pela Pontifícia Universidade Gregoriana.
  • Missões no Peru: Liderou projetos de educação e assistência social em áreas rurais.
  • Carreira no Vaticano: Sua atuação no Dicastério para os Bispos destacou sua capacidade de diálogo.
  • Línguas: Fluente em inglês, espanhol e italiano, facilitando a comunicação global.

A escolha de um americano para o papado é um marco, dado o peso histórico da Europa na liderança da Igreja. Prevost, no entanto, é visto como um “papa global”, com experiência em contextos diversos e uma abordagem inclusiva.

Primeiros momentos de Leão XIV
Logo após sua eleição, Leão XIV apareceu na sacada da Basílica de São Pedro, onde foi recebido por uma multidão de fiéis. Sua primeira bênção, Urbi et Orbi, foi acompanhada de um breve discurso, no qual ele pediu orações e enfatizou a unidade da Igreja. O novo papa optou por manter a simplicidade, usando vestes papais tradicionais sem adornos extravagantes.

Nos dias seguintes, Leão XIV realizou audiências com cardeais e líderes religiosos, sinalizando um início de pontificado focado no diálogo. Sua agenda incluiu encontros com representantes de outras denominações cristãs e líderes de comunidades judaicas e muçulmanas. A escolha de iniciar o papado com gestos ecumênicos reflete a prioridade de fortalecer laços inter-religiosos.

A imprensa global destacou a eleição de Leão XIV como um momento de renovação para a Igreja. Jornais americanos, como o The New York Times, enfatizaram a importância de um papa dos Estados Unidos, enquanto meios latino-americanos, como o El Comercio do Peru, celebraram sua conexão com a região. A expectativa é que Leão XIV traga uma perspectiva nova, equilibrando tradição e modernidade.

Símbolos e tradições do papado
O papado é repleto de símbolos que reforçam sua continuidade histórica. O anel do pescador, usado por Leão XIV, é gravado com seu nome e destruído após sua morte, marcando o fim de seu reinado. As chaves de São Pedro, representadas no brasão papal, simbolizam a autoridade espiritual e temporal do pontífice.

A escolha do nome também é parte desse simbolismo. Leão XIV, ao adotar o nome de um papa reformador, posiciona-se como um líder que busca enfrentar os desafios contemporâneos com base em princípios históricos. Seu brasão, ainda em desenvolvimento, deve incorporar elementos de sua trajetória, como referências ao Peru ou à Ordem dos Agostinianos.

  • Anel do pescador: Feito de ouro, é um símbolo único de cada pontificado.
  • Chaves de São Pedro: Representam o poder de “ligar e desligar” no céu e na terra.
  • Brasão papal: Combina elementos pessoais do papa com símbolos tradicionais.
  • Bênção Urbi et Orbi: Oferecida em momentos solenes, alcança fiéis globalmente.

A eleição de Leão XIV reforça a relevância desses símbolos em um mundo cada vez mais conectado. A transmissão ao vivo da fumaça branca e do anúncio do “Habemus Papam” atraiu milhões de espectadores, evidenciando o fascínio global pelo ritual.

Reações globais à eleição
A eleição de Leão XIV gerou reações variadas ao redor do mundo. Nos Estados Unidos, líderes políticos e religiosos parabenizaram Prevost, destacando sua trajetória de serviço. O presidente americano enviou uma mensagem de apoio, enquanto bispos locais expressaram esperança em uma liderança inclusiva.

Na América Latina, a conexão de Leão XIV com o Peru foi amplamente celebrada. Comunidades em Chiclayo, onde ele serviu como bispo, organizaram missas em sua homenagem. Na Europa, a escolha de um papa não europeu reacendeu debates sobre a descentralização da Igreja, com alguns analistas sugerindo que o Vaticano busca se alinhar com o crescimento do catolicismo no hemisfério sul.

Organizações católicas, como a Cáritas Internacional, manifestaram otimismo com a eleição, citando a experiência de Prevost em questões sociais. Líderes de outras religiões, incluindo o Grão-Mufti de Jerusalém e o Arcebispo de Cantuária, enviaram mensagens de felicitações, reforçando a importância do diálogo inter-religioso.

Desafios do novo pontificado
Leão XIV assume o papado em um momento de transformações globais. A Igreja enfrenta questões como o declínio de fiéis em regiões tradicionais, como a Europa, e o crescimento do catolicismo em áreas como África e Ásia. Além disso, temas como igualdade de gênero, mudanças climáticas e escândalos de abuso clerical exigem respostas claras.

A experiência missionária de Prevost pode ajudá-lo a abordar esses desafios. Sua atuação no Peru demonstrou sensibilidade às necessidades das comunidades marginalizadas, enquanto sua passagem pelo Vaticano o preparou para lidar com a complexidade da Cúria Romana. A escolha do nome Leão XIV sugere um compromisso com a justiça social, mas também com a preservação da doutrina católica.

O novo papa também precisará navegar pelas tensões internas da Igreja. Divergências entre setores progressistas e conservadores, especialmente sobre questões como o celibato sacerdotal e o papel das mulheres, permanecem latentes. Leão XIV, conhecido por sua habilidade diplomática, terá o desafio de promover unidade sem alienar nenhuma corrente.

Legado de Leão XIII como inspiração
A escolha do nome Leão XIV inevitavelmente remete ao legado de Leão XIII, cujo pontificado foi marcado por avanços significativos. A encíclica Rerum Novarum estabeleceu a base para a doutrina social da Igreja, abordando questões como salários justos e condições de trabalho. Leão XIII também foi pioneiro na modernização da Igreja, sendo o primeiro papa a ser filmado e gravado.

Prevost, ao adotar esse nome, pode buscar inspiração em iniciativas semelhantes. Sua experiência em áreas pobres do Peru alinha-se com a ênfase de Leão XIII na dignidade humana. Além disso, sua familiaridade com o mundo digital, demonstrada em projetos pastorais online, pode ajudá-lo a engajar uma nova geração de fiéis.

  • Reformas sociais: Leão XIII defendeu os direitos dos trabalhadores em um contexto de industrialização.
  • Modernização: Foi o primeiro papa a usar tecnologias emergentes, como o cinema.
  • Diplomacia: Restabeleceu o prestígio da Igreja após a perda dos Estados Papais.
  • Encíclicas marcantes: Suas 11 encíclicas sobre o rosário fortaleceram a espiritualidade mariana.

O pontificado de Leão XIV, embora apenas no início, já desperta expectativas de que ele possa combinar a visão reformadora de seu predecessor com uma abordagem adaptada aos desafios do século XXI.

Primeiras ações no Vaticano
Nos primeiros dias como papa, Leão XIV concentrou-se em gestos de proximidade com os fiéis. Ele visitou a Casa Santa Marta, onde reside, e celebrou uma missa privada com os funcionários do Vaticano. Sua decisão de manter a residência simples, em vez de ocupar o Palácio Apostólico, ecoa a simplicidade de Francisco.

O novo papa também anunciou a criação de um comitê para estudar questões de justiça social, com foco em mudanças climáticas e migração. A iniciativa, ainda em fase inicial, reflete sua intenção de abordar temas globais. Além disso, Leão XIV planeja sua primeira viagem internacional, com possíveis destinos na América Latina ou na África.

A agenda de Leão XIV inclui reuniões com a Cúria Romana para discutir reformas administrativas. Sua experiência como prefeito do Dicastério para os Bispos o torna familiar com os desafios da burocracia vaticana. A expectativa é que ele promova uma gestão mais transparente, mantendo o diálogo com bispos de todo o mundo.