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Conclave define papa: Pietro Parolin é favorito após fumaça branca

Pietro Parolin
Foto: Pietro Parolin - Foto: Marco Iacobucci Epp / Shutterstock.com

A fumaça branca subiu da chaminé da Capela Sistina na tarde desta quinta-feira, 8 de maio de 2025, sinalizando que os 133 cardeais eleitores escolheram o novo líder da Igreja Católica. Milhares de fiéis reunidos na Praça de São Pedro, no Vaticano, aguardam agora o anúncio oficial do nome do 267º papa, que sucederá Francisco, falecido em 21 de abril. A eleição, concluída na quinta votação do conclave, marca o fim de um processo iniciado na quarta-feira, 7 de maio, e mantém o mundo atento ao próximo capítulo da Igreja.

O conclave, que reuniu cardeais de 71 países, foi marcado por um rigoroso ritual de sigilo e isolamento. A expectativa cresce em torno do cardeal italiano Pietro Parolin, apontado como favorito por vaticanistas e plataformas de apostas. A escolha reflete a busca por continuidade na abordagem pastoral de Francisco, com 80% dos eleitores nomeados por ele.

  • Votação rápida: A eleição ocorreu no segundo dia, similar aos conclaves de 2005 e 2013.
  • Favoritismo de Parolin: Apostas nos EUA movimentaram US$ 1,8 milhão no cardeal.
  • Diversidade global: Cardeais de África, Ásia e América Latina influenciaram o processo.

Ritual da eleição

Na manhã do dia 8, a fumaça preta indicava que os cardeais ainda não haviam chegado a um consenso. A votação da tarde, porém, trouxe a resolução esperada. Após a queima das cédulas, a fumaça branca surgiu às 17h45 (horário de Brasília), gerando aplausos na Praça de São Pedro. O processo, regido pela constituição apostólica Universi Dominici Gregis, exige que o eleito receba dois terços dos votos, ou seja, pelo menos 89 dos 133 eleitores presentes.

O conclave começou com a missa Pro Eligendo Pontifice, celebrada na Basílica de São Pedro, presidida pelo cardeal Giovanni Battista Re. À tarde, os cardeais seguiram em procissão até a Capela Sistina, onde prestaram juramento de sigilo. A clausura, reforçada por bloqueadores de sinal e varreduras contra dispositivos de escuta, garantiu a confidencialidade.

A escolha do novo papa envolveu intensas discussões durante as congregações gerais, realizadas entre 22 de abril e 5 de maio. Essas reuniões abordaram temas como evangelização, inclusão e desafios sociais, refletindo a diversidade do Colégio Cardinalício.

Perfil de Pietro Parolin

Pietro Parolin, atual secretário de Estado do Vaticano, emerge como o principal nome especulado para assumir o papado. Nascido em Schiavon, Itália, em 17 de janeiro de 1955, Parolin é conhecido por sua diplomacia e proximidade com o papa Francisco. Ordenado sacerdote em 1980, ele ingressou no serviço diplomático da Santa Sé em 1986, atuando em países como Nigéria, México e Venezuela.

Com vasta experiência na Cúria Romana, Parolin é visto como um candidato que combina habilidade administrativa com sensibilidade pastoral. Sua fluência em italiano, essencial para gerir a Cúria, e sua trajetória internacional fortalecem sua posição. Desde 2013, como secretário de Estado, ele liderou negociações globais, incluindo acordos com a China sobre nomeações episcopais.

  • Formação acadêmica: Doutorado em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade Gregoriana.
  • Carreira diplomática: Serviu como núncio apostólico na Venezuela antes de 2013.
  • Apoio de Francisco: Nomeado cardeal em 2014, é aliado das reformas do ex-papa.
  • Idade estratégica: Aos 70 anos, pode liderar um pontificado de transição.
Cardeal Parolin - Foto: Marco Iacobucci Epp / Shutterstock.com
Cardeal Parolin – Foto: Marco Iacobucci Epp / Shutterstock.com

Expectativa na Praça de São Pedro

Fiéis de diversas partes do mundo lotaram a Praça de São Pedro desde o início do conclave. Segundo o Vatican Media, cerca de 45 mil pessoas acompanharam o primeiro dia de votação, número que cresceu na quinta-feira. Telões instalados na praça transmitiram imagens ao vivo, mantendo a multidão conectada ao processo.

A espera pelo anúncio do Habemus Papam mobilizou turistas e peregrinos. Muitos carregavam bandeiras de seus países, enquanto outros rezavam o terço em grupos. A Guarda Suíça Pontifícia reforçou a segurança, e a Gendarmeria do Vaticano monitorou o perímetro para evitar incidentes.

O cardeal francês Dominique Mamberti, protodiácono, será responsável por proclamar o nome do novo papa da varanda da Basílica de São Pedro. A multidão aguarda não apenas o nome, mas também as primeiras palavras do pontífice, que concederá a bênção Urbi et Orbi.

Outros nomes cotados

Embora Parolin lidere as especulações, outros cardeais foram mencionados como possíveis papáveis. Pierbattista Pizzaballa, patriarca de Jerusalém, ganhou destaque por sua atuação no Oriente Médio. Aos 60 anos, ele representa uma opção mais jovem, com experiência em regiões de conflito.

Luis Antonio Tagle, filipino, também apareceu nas listas de apostas. Conhecido por sua carisma e abordagem progressista, Tagle é arcebispo de Manila e tem forte apoio na Ásia. Péter Erdő, húngaro, atraiu atenção de setores conservadores, mas sua proximidade com o governo de Viktor Orbán pode ter limitado suas chances.

A diversidade do Colégio Cardinalício, com eleitores de cinco continentes, aumentou a expectativa por um papa não europeu. No entanto, a habilidade em italiano e a familiaridade com a Cúria Romana pesaram a favor de candidatos como Parolin.

Preparativos no Vaticano

A organização do conclave exigiu meses de planejamento. A Capela Sistina foi fechada ao público em 28 de abril para a instalação de bancos, urnas e o fogareiro onde as cédulas são queimadas. A Casa de Santa Marta, residência dos cardeais durante o conclave, passou por adaptações, com janelas seladas e bloqueio de sinais de internet e telefone.

O cardápio dos cardeais foi cuidadosamente elaborado para reduzir o estresse. Pratos leves, como sopas, vegetais cozidos e carnes magras, predominaram, evitando refeições pesadas como massas com molhos ricos. Nutricionistas consultados pelo Vaticano priorizaram alimentos que garantissem energia para as longas sessões de votação.

  • Segurança reforçada: Varreduras eletrônicas diárias impediram vazamentos.
  • Hospedagem sorteada: Cardeais foram alocados na Casa de Santa Marta e Santa Marta Vecchia.
  • Juramento de sigilo: Oficiais e funcionários prestaram juramento em 5 de maio.
  • Missa inicial: Celebrada às 10h do dia 7, marcou o início oficial do conclave.

Histórico de conclaves rápidos

A eleição no segundo dia alinha-se à tendência dos conclaves modernos. Em 2005, Joseph Ratzinger foi escolhido como Bento XVI em dois dias, com quatro votações. Em 2013, Jorge Bergoglio tornou-se Francisco em cinco votações, também no segundo dia. A rapidez reflete a influência de Francisco, que nomeou a maioria dos eleitores, facilitando consensos.

Conclaves mais longos, como o de 1270, que durou quase três anos, são parte da história distante. A reforma de 1274, que introduziu a clausura, visava acelerar o processo. Hoje, as regras garantem que o conclave não exceda 20 dias, com pausas estratégicas após votações sem consenso.

A antecipação do conclave para 7 de maio, em vez de 11, foi possível porque todos os eleitores estavam em Roma. A decisão, tomada na quinta congregação geral, demonstrou a eficiência do Colégio Cardinalício em 2025.

Papel da fumaça

A fumaça é um dos elementos mais icônicos do conclave. Quando não há consenso, as cédulas são queimadas com produtos químicos que geram fumaça preta. Para a fumaça branca, que anuncia a eleição, são usados compostos como lactose e naftalina, criando um efeito visual claro.

O fogareiro, instalado na Capela Sistina, é operado por técnicos especializados. Após a votação final, as cédulas do novo papa são queimadas, e a fumaça branca é liberada. O sistema, aprimorado ao longo dos séculos, garante que o sinal seja visível mesmo em condições climáticas adversas.

A fumaça branca de 8 de maio foi recebida com entusiasmo. Vídeos nas redes sociais capturaram o momento, embora uma postagem falsa, publicada horas antes, tenha gerado confusão. O Vatican Media esclareceu que apenas a fumaça oficial, às 17h45, confirmava a eleição.

Sala das lágrimas

Após a eleição, o novo papa se retira para a Sala das Lágrimas, uma pequena sacristia na Capela Sistina. Lá, ele veste os paramentos papais, disponíveis em três tamanhos, e escolhe seu nome pontifício. O momento é marcado por emoção, já que o eleito assume a responsabilidade de liderar 1,4 bilhão de católicos.

O nome escolhido pelo novo papa será revelado pelo cardeal protodiácono durante o Habemus Papam. A tradição remonta ao século XI, quando o anúncio oficial passou a ser feito da varanda da Basílica de São Pedro. O público espera que o novo pontífice apareça entre 30 e 60 minutos após a fumaça branca.

Influência de Francisco

O pontificado de Francisco, de 2013 a 2025, moldou o atual Colégio Cardinalício. Suas nomeações priorizaram regiões periféricas, como Haiti, Sudão do Sul e Mianmar, aumentando a representatividade de África, Ásia e América Latina. Dos 135 cardeais eleitores iniciais, 108 foram escolhidos por ele, sugerindo uma inclinação para a continuidade de sua visão pastoral.

Francisco também reformulou a Cúria Romana, promovendo maior transparência e inclusão. Sua decisão de permitir bênçãos a casais do mesmo sexo e abrir debates sobre o papel das mulheres na Igreja gerou divisões, que influenciaram as discussões no conclave. Cardeais progressistas, como Parolin, defendem a manutenção dessas políticas.

Apostas e especulações

Plataformas de apostas, como a norte-americana Polymarket, registraram grande movimento em torno do conclave. Pietro Parolin liderou as preferências, com US$ 1,8 milhão apostados até a manhã de 8 de maio. Outros nomes, como Pizzaballa e Tagle, também atraíram atenção, mas com volumes menores.

Na Itália, o jogo Fantapapa, criado por ativistas anti-jogo, ganhou popularidade. Com 75 mil jogadores, a iniciativa permite apostas simbólicas, com o prêmio sendo “glória eterna”. A prática reflete o fascínio cultural pelo papado, mesmo em um contexto secular.

  • Polymarket: Plataforma dos EUA liderou apostas no conclave.
  • Fantapapa: Jogo italiano atraiu 75 mil participantes.
  • Nomes especulados: Parolin, Pizzaballa e Tagle dominaram as previsões.

Diversidade do Colégio Cardinalício

O conclave de 2025 foi o mais diverso da história, com cardeais de 71 países. A presença de 23 eleitores asiáticos, liderados por figuras como Tarcisio Isao Kikuchi, do Japão, destacou a influência crescente da Ásia. Cardeais africanos, como Peter Turkson, de Gana, também tiveram peso nas discussões.

A representação latino-americana, com nomes como Gregorio Rosa Chávez, de El Salvador, reforçou a busca por um papa sensível às questões das periferias. A Europa, com 53 eleitores, manteve sua influência, mas a divisão entre conservadores e progressistas marcou as negociações.

A ausência de dois cardeais, Antonio Cañizares Llovera, da Espanha, e John Njue, do Quênia, por motivos de saúde, reduziu o número de eleitores para 133. A decisão de Giovanni Angelo Becciu de não participar, respeitando a vontade de Francisco, também foi notada.

Próximos passos

Após o anúncio do Habemus Papam, o novo papa fará sua primeira aparição na varanda da Basílica de São Pedro. Ele concederá a bênção Urbi et Orbi e dirigirá algumas palavras aos fiéis. A posse oficial, marcada por uma missa na Catedral de São Pedro, ocorrerá nos dias seguintes.

O novo pontífice assumirá o comando da Igreja em um momento de desafios, incluindo debates sobre inclusão, abusos clericais e a evangelização em um mundo secularizado. A escolha de seu nome pontifício e suas primeiras ações serão observadas de perto por católicos e não católicos.

O Vaticano manterá a Praça de São Pedro aberta para peregrinos, com telões transmitindo a cerimônia. A Guarda Suíça e a Gendarmeria continuarão a reforçar a segurança, enquanto jornalistas credenciados cobrirão o evento de áreas designadas.