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Um forte odor vindo do 13º andar de um prédio na Rua Mato Grosso, no bairro Barro Preto, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, alertou a síndica Raquel Moreira na manhã de 9 de maio de 2025. A Polícia Militar, acionada após a denúncia, arrombou a porta de um apartamento e encontrou uma cena devastadora: os corpos de uma avó de 66 anos, sua filha de 40 anos e sua neta de apenas 1 ano, deitados sobre uma cama, ao lado de quatro cachorros mortos.

O caso, que chocou moradores e autoridades, ocorreu em um imóvel com todas as janelas fechadas e três bandejas contendo carvão queimado, o que levantou suspeitas de intoxicação por monóxido de carbono. A investigação, conduzida pela Polícia Civil, segue em andamento para esclarecer as circunstâncias das mortes.

A descoberta foi feita após a avó paterna da criança, preocupada com a falta de contato com a família desde o último domingo, entrar em contato com a síndica. A seguir, detalhes do que se sabe sobre o caso até o momento:

  • Localização: Apartamento no 13º andar, Rua Mato Grosso, Barro Preto, Belo Horizonte.
  • Vítimas: Cristiana Antonini (66 anos), Daniela Antonini (40 anos) e Giovanna Antonini Vasconcelos (1 ano).
  • Animais: Quatro cachorros encontrados mortos no mesmo quarto.
  • Condições do ambiente: Janelas seladas, bandejas com carvão queimado e forte odor relatado por vizinhos.
Avó, mãe e neta Foto: Foto: Reprodução/Google Street View
Avó, mãe e neta Foto: Foto: Reprodução/Google Street View

Primeiros relatos da síndica
Raquel Moreira, síndica do prédio, foi a primeira a perceber algo errado ao subir até o apartamento na manhã de sexta-feira. Ela relatou ter sentido um cheiro intenso assim que chegou ao corredor do 13º andar. A ligação da avó paterna da criança, que não conseguia contato com a família há dias, motivou a ação. A síndica, alertada por uma vizinha sobre a possibilidade de vazamento de gás, decidiu acionar a Polícia Militar imediatamente.

Os policiais, ao chegarem ao local, confirmaram a gravidade da situação. Com a ajuda de um chaveiro, a porta foi arrombada, revelando o quarto fechado onde os corpos foram encontrados. A ausência de sinais visíveis de violência nos corpos das vítimas e dos animais intrigou as autoridades, que encaminharam os corpos ao Instituto Médico-Legal Dr. André Roquette (IMLAR) para exames detalhados.

A síndica informou ainda que a família era inquilina do imóvel há anos, mas ela não tinha contato próximo com as moradoras. Vizinhos relataram que as vítimas não eram vistas desde o sábado ou domingo anteriores, o que reforça a suspeita de que as mortes ocorreram dias antes da descoberta.

Condições do apartamento
O ambiente onde os corpos foram encontrados chamou a atenção dos investigadores. Todas as janelas do apartamento estavam fechadas, e as frestas, segundo relatos, pareciam vedadas. No quarto, três bandejas com carvão queimado foram localizadas, junto a uma pequena churrasqueira, conforme descrito por algumas fontes policiais.

A presença do carvão queimado levantou hipóteses sobre a causa das mortes. O monóxido de carbono, um gás inodoro e altamente tóxico liberado durante a queima de carvão em ambientes sem ventilação, é uma das principais linhas de investigação. A Polícia Civil, responsável pela perícia, coletou amostras do material para análise, mas ainda não confirmou se o gás foi o fator determinante.

Além disso, o estado dos corpos sugeriu diferentes estágios de decomposição. A avó, Cristiana Antonini, apresentava sinais mais avançados, enquanto a mãe, Daniela, e a neta, Giovanna, pareciam estar em estágios iniciais. Esses detalhes, segundo os investigadores, serão fundamentais para determinar o momento exato das mortes.

Histórico da família
Cristiana Antonini, de 66 anos, Daniela Antonini, de 40 anos, e Giovanna Antonini Vasconcelos, de apenas 1 ano, viviam juntas no apartamento. Daniela, que era separada, enfrentava desafios pessoais e financeiros, conforme indicado em uma carta encontrada no local. O documento, entregue à Polícia Militar e repassado à Polícia Civil, mencionava dificuldades com dívidas de aluguel, conflitos com o pai de Giovanna e a incapacidade de custear o tratamento médico da filha.

Giovanna sofria de atresia de esôfago, uma condição congênita que impede o desenvolvimento completo do esôfago, exigindo alimentação por sonda. A doença demandava cuidados intensivos e custos elevados, o que, segundo a carta, agravava a situação emocional e financeira de Daniela.

A família, segundo vizinhos, mantinha uma rotina reservada. Embora fossem conhecidas no prédio, não tinham interações frequentes com outros moradores. O último contato relatado por familiares ocorreu no domingo, 4 de maio, quando a avó paterna tentou falar com Daniela sem sucesso.

Ação da Polícia Militar
A Polícia Militar chegou ao prédio na Rua Mato Grosso por volta do meio-dia de 9 de maio. Após o alerta da síndica, os agentes organizaram a entrada no apartamento, que estava trancado por dentro. A operação envolveu:

  • Arrombamento da porta: Realizado com apoio de um chaveiro para evitar danos excessivos.
  • Inspeção inicial: Identificação dos corpos e dos animais no quarto principal.
  • Preservação da cena: Isolamento do local para a chegada da perícia.
  • Registro de evidências: Fotografias e coleta de objetos, como as bandejas de carvão.

Os policiais descreveram o ambiente como “opressivo” devido ao forte odor e à falta de ventilação. A ausência de marcas de violência ou sinais de luta reforçou a hipótese de uma tragédia sem intervenção externa. A PM permaneceu no local até a chegada da Polícia Civil, que assumiu a investigação.

Investigação da Polícia Civil
A Polícia Civil de Minas Gerais iniciou os trabalhos de perícia no mesmo dia da descoberta. Especialistas examinaram o quarto, coletaram amostras das bandejas de carvão e analisaram a carta deixada por Daniela. Os corpos foram transportados ao IML para necropsia, com o objetivo de confirmar a causa das mortes.

Os investigadores consideram várias possibilidades, mas a intoxicação por monóxido de carbono é a principal hipótese. A vedação das janelas e a presença de carvão queimado sugerem um ambiente propício à acumulação do gás. No entanto, os laudos periciais, que incluem análises toxicológicas e histopatológicas, são aguardados para esclarecer os detalhes.

A carta de Daniela, embora não tenha sido divulgada na íntegra, é vista como uma peça-chave. O conteúdo, segundo informações preliminares, indica um estado de desespero emocional, mas não confirma diretamente a intenção de um ato extremo. A Polícia Civil mantém sigilo sobre o documento para preservar a investigação.

Reação dos moradores
O prédio na Rua Mato Grosso, um condomínio residencial de classe média, ficou em choque com a notícia. Vizinhos relataram que o odor vindo do apartamento começou a ser percebido no início da semana, mas muitos atribuíram o cheiro a um possível vazamento de gás ou lixo acumulado.

Uma moradora do 12º andar, que pediu para não ser identificada, disse que notou a ausência de movimento no apartamento desde o fim de semana. Outros condôminos afirmaram que a família era “discreta” e raramente participava de eventos comunitários. A síndica, Raquel Moreira, reforçou que o prédio possui câmeras de segurança, e as imagens foram entregues às autoridades para análise.

A tragédia gerou comoção entre os moradores, que organizaram uma reunião para discutir medidas de apoio à família da avó paterna. Alguns vizinhos expressaram preocupação com a falta de sinais prévios que pudessem indicar o drama vivido pelas vítimas.

Detalhes da perícia
A perícia realizada no apartamento revelou elementos que intrigaram os investigadores. Além das bandejas de carvão, os peritos encontraram uma pequena churrasqueira com resíduos de combustão. O quarto onde os corpos estavam apresentava portas e janelas seladas, com frestas bloqueadas por fitas adesivas, segundo relatos policiais.

Os quatro cachorros, que pertenciam à família, também foram examinados. A suspeita é que os animais, como as vítimas humanas, tenham sido afetados pelo mesmo agente causador das mortes. Amostras de tecidos dos cães foram coletadas para análise, com o objetivo de confirmar se a intoxicação por monóxido de carbono também os atingiu.

A perícia ainda busca vestígios de outros produtos químicos ou substâncias no ambiente. Embora o carvão seja o foco principal, os investigadores não descartam a possibilidade de outros fatores terem contribuído para o desfecho. O relatório final da perícia deve ser concluído nas próximas semanas.

Cronologia dos eventos
Os acontecimentos que levaram à descoberta dos corpos seguiram uma sequência de alertas e ações rápidas. A seguir, os principais momentos:

  • Domingo, 4 de maio: Último contato conhecido com a família, segundo a avó paterna.
  • Quinta-feira, 8 de maio: Avó paterna visita o prédio e conversa com o porteiro, que informa não ver a família desde o domingo.
  • Sexta-feira, 9 de maio, manhã: Avó paterna liga para a síndica, relatando preocupação.
  • Sexta-feira, 9 de maio, meio-dia: Síndica sente odor forte, aciona a PM, e a porta é arrombada.
  • Sexta-feira, 9 de maio, tarde: Perícia da Polícia Civil inicia os trabalhos no local.

Essa linha do tempo, baseada em relatos de familiares e autoridades, indica que as mortes provavelmente ocorreram entre domingo e terça-feira, considerando o estado de decomposição dos corpos. A investigação busca confirmar esses detalhes com base nos laudos do IML.

Condições médicas de Giovanna
A pequena Giovanna Antonini Vasconcelos, de apenas 1 ano, enfrentava uma condição médica grave. A atresia de esôfago, diagnosticada desde o nascimento, exigia cuidados constantes, incluindo alimentação por sonda e monitoramento médico regular. A doença, que afeta cerca de 1 em cada 2.500 recém-nascidos, pode levar a complicações respiratórias e nutricionais se não tratada adequadamente.

Daniela, mãe de Giovanna, mencionou na carta as dificuldades para arcar com os custos do tratamento. A sonda, os medicamentos e as consultas frequentes representavam um peso financeiro significativo. Familiares próximos, entrevistados por portais locais, confirmaram que Daniela se dedicava intensamente aos cuidados da filha, mas vivia sob pressão constante.

A condição de Giovanna também limitava sua interação com outras crianças, o que tornava a rotina da família ainda mais isolada. A avó, Cristiana, ajudava nos cuidados diários, dividindo as responsabilidades com Daniela.

Ações da avó paterna
A avó paterna da criança desempenhou um papel crucial na descoberta do caso. Preocupada com o silêncio da família, ela tentou contato repetidamente ao longo da semana. Na quinta-feira, 8 de maio, dirigiu-se ao prédio e conversou com o porteiro, que informou não ter visto as moradoras desde o domingo.

No dia seguinte, a avó ligou para a síndica, expressando sua angústia. O tom de urgência na ligação motivou Raquel Moreira a agir rapidamente. A avó paterna, segundo relatos, estava emocionalmente abalada, temendo que algo grave tivesse ocorrido com a ex-nora e a neta.

Após a descoberta dos corpos, a avó paterna foi amparada por familiares e não fez declarações públicas. A Polícia Civil planeja ouvi-la formalmente para esclarecer detalhes sobre o último contato com a família e possíveis sinais de alerta.

Hipóteses investigativas
A Polícia Civil trabalha com várias linhas de investigação, embora a intoxicação por monóxido de carbono seja a mais provável. O carvão queimado, combinado com o ambiente selado, cria condições ideais para a acumulação do gás, que pode levar à morte em poucos minutos.

Outras possibilidades, como intoxicação por outras substâncias ou causas naturais, ainda não foram descartadas. A carta de Daniela, que menciona depressão e dificuldades financeiras, também levanta questões sobre a intencionalidade do ato, mas os investigadores evitam conclusões precipitadas.

A análise das câmeras de segurança do prédio, que registram o corredor do 13º andar, pode ajudar a determinar se houve visitantes ou movimentações incomuns nos dias anteriores. Até o momento, não há indícios de envolvimento de terceiros.

Perfil das vítimas
Cristiana Antonini, a avó, era aposentada e vivia com a filha e a neta no apartamento alugado. Vizinhos a descreviam como uma pessoa calma, que raramente saía de casa. Daniela, por sua vez, trabalhava esporadicamente e dedicava a maior parte do tempo aos cuidados de Giovanna.

A família enfrentava desafios financeiros, agravados pelas despesas médicas da criança. A separação de Daniela do pai de Giovanna, ocorrida meses antes, também contribuiu para o isolamento social do trio. Apesar disso, não havia relatos de conflitos graves ou situações que indicassem um desfecho tão trágico.

Os quatro cachorros, descritos como de pequeno porte, eram parte integrante da rotina da família. A morte dos animais reforça a suspeita de um evento ambiental, como a intoxicação por gás, que afetou todos no mesmo espaço.

Medidas do condomínio
O condomínio na Rua Mato Grosso tomou providências imediatas após o ocorrido. A síndica, Raquel Moreira, convocou uma reunião com os moradores para esclarecer os fatos e tranquilizar a comunidade. O prédio reforçou a segurança, com a instalação de detectores de gás em áreas comuns, como medida preventiva.

Os porteiros foram orientados a relatar qualquer situação incomum, como odores estranhos ou ausência prolongada de moradores. A administração também ofereceu apoio psicológico aos condôminos afetados pela tragédia, especialmente aqueles que conheciam a família.

A entrega das imagens das câmeras de segurança à polícia foi feita no mesmo dia, e o condomínio aguarda os resultados da investigação para avaliar outras medidas. A síndica destacou que o prédio nunca havia registrado um incidente semelhante em seus anos de funcionamento.

Esforços da perícia
Os peritos da Polícia Civil trabalharam por horas no apartamento, coletando evidências minuciosamente. Além do carvão e da churrasqueira, os investigadores examinaram objetos pessoais, como celulares e documentos, em busca de pistas sobre os últimos dias da família.

A análise toxicológica, que pode levar semanas, será decisiva para confirmar a presença de monóxido de carbono ou outras substâncias nos corpos. Os peritos também estudam o padrão de combustão do carvão, para determinar quanto tempo ele permaneceu ativo no ambiente.

A carta de Daniela, que está sob análise, pode oferecer insights sobre o estado emocional da mãe, mas os investigadores enfatizam que ela não é suficiente para fechar o caso. A combinação de evidências físicas e testemunhais será essencial para um veredicto final.

Prevenção contra intoxicação
Casos de intoxicação por monóxido de carbono, embora raros, são uma preocupação em ambientes residenciais. O gás, produzido pela queima incompleta de combustíveis como carvão, madeira ou gás, é indetectável sem equipamentos específicos. Autoridades de saúde recomendam:

  • Ventilação adequada: Manter janelas abertas em ambientes onde há combustão.
  • Detectores de gás: Instalar dispositivos que alertam sobre a presença de monóxido de carbono.
  • Manutenção de equipamentos: Verificar regularmente churrasqueiras, aquecedores e fogões.
  • Evitar combustão interna: Não utilizar carvão ou outros combustíveis em espaços fechados.

Em Belo Horizonte, campanhas de conscientização sobre o tema ganharam força após o caso, com bombeiros e defesa civil promovendo palestras em condomínios. A tragédia no Barro Preto serviu como alerta para a importância de medidas preventivas.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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