Procon-SP revela: Caixa tem taxa de 4,96% em empréstimo; Santander cobra mais

Caixa

Caixa - Foto: Alison Nunes Calazans / Shutterstock.com

A busca por crédito acessível ganhou destaque em São Paulo, com consumidores atentos às taxas de juros cobradas por bancos em empréstimos pessoais e cheque especial. Um levantamento recente do Procon-SP, com dados coletados até 3 de agosto de 2023, trouxe à tona as diferenças significativas entre as instituições financeiras, apontando a Caixa Econômica Federal como a opção mais vantajosa para empréstimos pessoais. O estudo, que analisou seis grandes bancos, revelou também que o Santander pratica as taxas mais altas na mesma modalidade, enquanto o cheque especial mantém estabilidade devido a regulações do Banco Central. Essas informações reforçam a importância de comparar condições antes de contratar crédito.

O mercado financeiro, mesmo com a recente redução da taxa Selic, segue operando com juros elevados, o que torna essencial a educação financeira para evitar armadilhas. A pesquisa do Procon-SP detalhou as taxas de Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, Itaú, Safra e Santander, oferecendo um panorama claro para quem busca crédito. Entre os destaques, estão:

  • Caixa Econômica Federal com a menor taxa de empréstimo pessoal, a 4,96% ao mês.
  • Santander com a maior taxa, atingindo 9,99% ao mês após aumento.
  • Cheque especial com taxa média de 7,96% ao mês, sem alterações desde 2021.
  • Bradesco com leve redução na taxa de empréstimo, de 9,69% para 9,64%.

Essa variação reflete estratégias distintas das instituições e impacta diretamente o bolso do consumidor. Com a Selic ajustada para 13,25% em agosto de 2023, o cenário exige cautela na aquisição de crédito.

Caixa Tem – Foto: Pamela Marciano / Shutterstock.com

Taxas de empréstimo em foco

O levantamento do Procon-SP mostrou que a taxa média para empréstimos pessoais atingiu 7,99% ao mês, um aumento de 0,34 ponto percentual em relação a julho de 2023. Esse crescimento foi impulsionado, principalmente, pela alta do Santander, que elevou sua taxa de 7,89% para 9,99% ao mês. A Caixa, por outro lado, manteve sua posição como a instituição com os juros mais baixos, cobrando 4,96% ao mês, uma vantagem significativa para quem busca empréstimos de curto ou médio prazo.

Outros bancos apresentaram taxas intermediárias. O Banco do Brasil, por exemplo, cobra 6,39% ao mês, enquanto o Safra opera com 7,25%. Itaú e Bradesco, com taxas de 9,73% e 9,64%, respectivamente, estão entre os mais caros, mas ainda abaixo do Santander. Essas diferenças evidenciam a necessidade de o consumidor pesquisar antes de contratar crédito, já que pequenas variações percentuais podem representar custos expressivos ao longo do tempo.

Estabilidade no cheque especial

No cheque especial, a situação é marcada por maior uniformidade. A taxa média de 7,96% ao mês permaneceu inalterada desde fevereiro de 2021, influenciada pela Resolução nº 4.765 do Banco Central, que limita os juros dessa modalidade a 8% ao mês para pessoas físicas. Cinco dos seis bancos pesquisados – Bradesco, Caixa, Itaú, Safra e Santander – cobram exatamente esse teto. O Banco do Brasil é a exceção, com uma taxa ligeiramente menor, de 7,73% ao mês.

Essa estabilidade, embora benéfica para evitar surtos de juros, não elimina os riscos do cheque especial. O Procon-SP alerta que, mesmo com a limitação, os custos dessa linha de crédito seguem elevados, podendo comprometer o orçamento de quem recorre a ela com frequência. A recomendação é usar o cheque especial apenas em emergências e buscar alternativas com taxas mais acessíveis, como o empréstimo pessoal da Caixa.

Fatores que influenciam as taxas

Vários elementos explicam as diferenças nas taxas praticadas pelos bancos. A política de crédito de cada instituição, aliada ao perfil do cliente, desempenha um papel central. A Caixa, por exemplo, tem tradição em oferecer condições mais competitivas, especialmente para correntistas e beneficiários de programas sociais. Já o Santander, com sua recente alta, pode estar ajustando sua estratégia para compensar riscos ou maximizar lucros em um cenário de incerteza econômica.

A redução da Selic, de 13,75% para 13,25% em agosto de 2023, também entra na equação. Embora a queda seja um sinal positivo, o impacto nas taxas de crédito ao consumidor é lento, já que os bancos consideram outros fatores, como inadimplência e custo operacional. O Procon-SP destaca que:

  • A Selic influencia, mas não determina diretamente as taxas de empréstimo.
  • A inadimplência, que atingiu 29,6% em empréstimos pessoais em 2023, eleva os juros.
  • Bancos com maior exposição a clientes de alto risco tendem a cobrar mais.
  • O custo de captação de recursos também afeta as taxas finais.

Esses fatores mostram que, mesmo com ajustes na política monetária, os consumidores precisam avaliar cuidadosamente as condições oferecidas.

Cuidados ao contratar crédito

O Procon-SP reforça a importância de analisar detalhadamente as condições antes de contratar qualquer linha de crédito. Empréstimos pessoais e cheque especial, embora úteis em momentos de aperto, podem se tornar armadilhas se mal utilizados. A orientação é comparar taxas, prazos e custos totais, além de evitar decisões impulsivas. Consumidores devem buscar informações claras sobre:

  • Taxa de juros mensal e anual.
  • Custo Efetivo Total (CET), que inclui encargos adicionais.
  • Prazos de pagamento e impacto nas parcelas.
  • Penalidades por atraso ou quitação antecipada.
  • Possibilidade de negociar condições com o banco.

Além disso, o órgão sugere que os consumidores priorizem instituições com taxas mais baixas, como a Caixa, e evitem recorrer ao crédito rotativo, como o cheque especial, que acumula juros rapidamente.

Perfil dos bancos pesquisados

Cada banco analisado pelo Procon-SP apresenta características distintas que influenciam suas taxas. A Caixa Econômica Federal, por exemplo, é conhecida por sua capilaridade e foco em programas sociais, o que permite oferecer condições mais acessíveis. O Banco do Brasil, com forte presença no setor público, também mantém taxas competitivas, especialmente no cheque especial. Já bancos privados, como Itaú, Bradesco e Santander, tendem a cobrar mais, refletindo estratégias voltadas para públicos de maior renda ou com maior risco.

O Safra, embora menos mencionado, posiciona-se como uma opção intermediária, com taxas de 7,25% para empréstimo pessoal e 8% para cheque especial. Essa diversidade no mercado reforça a importância de o consumidor conhecer o perfil de cada instituição antes de tomar uma decisão.

Movimentações recentes no mercado

Além das taxas, o mercado financeiro registrou outras mudanças em 2023 que afetam o acesso ao crédito. A queda da Selic, embora tímida, sinaliza um esforço do Banco Central para estimular a economia. No entanto, a alta da inadimplência, que cresceu 2,3 pontos percentuais em relação a 2022, pressiona os bancos a manterem juros elevados. O Procon-SP observa que o Santander, ao aumentar sua taxa de empréstimo, pode estar reagindo a esse cenário.

Por outro lado, o Bradesco optou por uma leve redução, de 9,69% para 9,64%, em um movimento que pode atrair clientes em busca de condições melhores. Essas oscilações, embora pequenas, demonstram como os bancos ajustam suas estratégias para equilibrar competitividade e segurança financeira.

Alternativas ao crédito tradicional

Diante das taxas elevadas, muitos consumidores buscam opções fora do sistema bancário tradicional. Cooperativas de crédito, por exemplo, têm ganhado espaço ao oferecer taxas mais baixas, com médias de 3,5% a 5% ao mês para empréstimos pessoais, segundo dados da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB). Fintechs também surgem como alternativa, com plataformas digitais que facilitam o acesso a crédito com menos burocracia.

Outra possibilidade é a antecipação de recebíveis, como o 13º salário ou restituição do Imposto de Renda, oferecida por alguns bancos com taxas abaixo das do empréstimo pessoal. Essas alternativas, porém, exigem planejamento para evitar endividamento excessivo.

Educação financeira como prioridade

O cenário de juros altos reforça a necessidade de educação financeira. O Procon-SP recomenda que os consumidores criem um orçamento detalhado antes de contratar crédito, identificando despesas essenciais e cortando gastos supérfluos. Ferramentas como planilhas e aplicativos de controle financeiro podem ajudar a manter as contas em dia.

Além disso, a negociação de dívidas existentes é uma estratégia eficaz para evitar o acúmulo de juros. Programas como o Desenrola Brasil, lançado em 2023, oferecem condições especiais para regularizar débitos, com descontos de até 90% em alguns casos. Essas iniciativas mostram que, com planejamento, é possível reduzir o peso do crédito no orçamento.

Histórico de taxas no Brasil

O mercado de crédito no Brasil sempre foi marcado por juros elevados, especialmente em modalidades como empréstimo pessoal e cheque especial. Nos últimos cinco anos, as taxas de empréstimo pessoal oscilaram entre 6% e 10% ao mês, dependendo da instituição e do contexto econômico. O cheque especial, por sua vez, teve maior controle após a limitação do Banco Central em 2019, mas ainda representa um custo alto para os consumidores.

Em 2020, durante a pandemia, houve uma queda temporária nas taxas devido a medidas emergenciais, como a liberação de crédito com juros subsidiados. No entanto, a partir de 2021, a retomada da inflação e a alta da Selic reverteram essa tendência, elevando os custos do crédito. Esses dados históricos mostram que o acesso a crédito acessível permanece um desafio no país.

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