Rio de Janeiro confirma primeira morte por febre Oropouche em Cachoeiras de MacacuPor Carolina Costa
13 min de leitura
![]() |
O mosquito maruim, pequeno e quase invisível, tornou-se uma ameaça crescente no Rio de Janeiro. Em Cachoeiras de Macacu, um homem de 64 anos morreu após contrair febre Oropouche, marcando o primeiro óbito pela doença no estado. A Secretaria de Estado de Saúde intensificou o monitoramento e a capacitação de equipes para conter o vírus, que já infectou milhares no Brasil. A doença, antes restrita à Amazônia, agora avança pelo Sudeste, levantando alertas entre autoridades sanitárias.
A febre Oropouche, transmitida principalmente pelo Culicoides paraensis, conhecido como maruim ou mosquito-pólvora, apresenta sintomas semelhantes aos da dengue, o que dificulta o diagnóstico. O paciente de Cachoeiras de Macacu foi internado em fevereiro e faleceu após quase um mês de tratamento. O caso reflete a expansão do vírus Orthobunyavirus oropoucheense (OROV) para áreas urbanas, onde o mosquito Culex quinquefasciatus, o pernilongo comum, também pode atuar como vetor.
RJ registra primeira morte por febre oropouche; entenda doença
— VEJA (@VEJA) May 16, 2025
https://t.co/xorlARMw49
O avanço da doença exige atenção redobrada da população e das autoridades. Medidas preventivas, como uso de repelentes e eliminação de criadouros de mosquitos, são cruciais para conter a disseminação. A seguir, alguns pontos destacados sobre a situação atual no Rio de Janeiro:
- Casos confirmados: O estado registrou mais de 1.400 casos de febre Oropouche até maio de 2025.
- Monitoramento intensivo: A Secretaria de Saúde realiza capacitações semanais com municípios.
- Áreas afetadas: Além de Cachoeiras de Macacu, cidades como Piraí, Valença e Japeri reportaram casos.
A situação no Rio de Janeiro reflete um cenário nacional preocupante, com o Brasil contabilizando mais de 5.000 casos da doença. A seguir, o texto detalha os desdobramentos, medidas de controle e características da febre Oropouche.
Primeira vítima fatal no Rio de Janeiro
Em Cachoeiras de Macacu, cidade localizada na Região Metropolitana do Rio, um homem de 64 anos tornou-se a primeira vítima fatal da febre Oropouche no estado. Internado em fevereiro, ele passou cerca de um mês em tratamento, mas não resistiu às complicações da doença. O caso foi confirmado pela Secretaria de Estado de Saúde, que agora investiga se a transmissão ocorreu localmente ou se o paciente contraiu o vírus em outra região. A gravidade do episódio reforça a necessidade de vigilância epidemiológica em áreas urbanas e rurais.
A febre Oropouche, causada pelo vírus OROV, é transmitida principalmente pelo mosquito maruim, que se prolifera em ambientes úmidos e com vegetação densa. A vítima, cuja identidade não foi revelada, residia em uma área propícia à presença do vetor. Autoridades locais iniciaram uma investigação entomológica para capturar mosquitos e avaliar a extensão da infestação na região. A Secretaria de Saúde também ampliou a capacitação de profissionais para identificar e tratar casos suspeitos.
Origem e expansão da doença
Identificada pela primeira vez no Brasil em 1960, a febre Oropouche foi isolada em uma amostra de sangue de um bicho-preguiça durante a construção da rodovia Belém-Brasília. Inicialmente restrita à região amazônica, a doença registrava surtos esporádicos em estados como Amazonas e Rondônia. Nos últimos anos, porém, o vírus começou a se espalhar para outras regiões, incluindo o Sudeste e o Nordeste. Em 2024, o Brasil já contabilizava mais de 7.000 casos, um aumento de 766% em relação ao ano anterior.
O avanço da febre Oropouche está associado a fatores como mudanças climáticas, que favorecem a proliferação de mosquitos, e o aumento da mobilidade populacional. Casos importados, como o de um homem de 42 anos no Rio de Janeiro, que contraiu a doença após viajar ao Amazonas, evidenciam a facilidade de disseminação. Em 2025, o Espírito Santo registrou 99% dos casos nacionais até janeiro, com mais de 6.000 confirmações, destacando a rápida expansão do vírus.
- Regiões mais afetadas: Amazonas, Rondônia e Espírito Santo lideram o número de casos.
- Fatores de risco: Chuvas intensas e áreas com vegetação densa favorecem o maruim.
- Transmissão urbana: O pernilongo Culex quinquefasciatus pode atuar como vetor em cidades.
- Casos importados: Viagens a áreas endêmicas aumentam o risco de disseminação.
Sintomas que confundem
A febre Oropouche apresenta sintomas que podem ser facilmente confundidos com os de outras arboviroses, como dengue e chikungunya. Pacientes relatam febre súbita, dor de cabeça intensa, dores musculares e articulares, além de náuseas, vômitos e sensibilidade à luz. Em alguns casos, erupções cutâneas e tonturas também são observadas. A duração média dos sintomas varia de dois a sete dias, mas em casos raros, complicações como meningite ou encefalite podem ocorrer.
A semelhança com a dengue dificulta o diagnóstico clínico, tornando essencial a realização de exames laboratoriais. No Rio de Janeiro, a Secretaria de Saúde orienta médicos a questionarem pacientes sobre viagens recentes a áreas endêmicas, como o Norte do país. A confirmação do primeiro óbito em Cachoeiras de Macacu reforça a importância de um diagnóstico rápido para evitar agravamentos. A ausência de tratamento específico para a doença exige que os pacientes sejam tratados com analgésicos e repouso, sob acompanhamento médico.
Medidas de controle no Rio de Janeiro
Após a confirmação do primeiro óbito, a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro intensificou as ações de combate à febre Oropouche. Equipes de vigilância epidemiológica foram enviadas a Cachoeiras de Macacu para investigar a origem da infecção e identificar possíveis novos casos. A capacitação de profissionais de saúde foi ampliada, com foco na identificação precoce de sintomas e na notificação obrigatória de casos suspeitos.
A investigação entomológica também ganhou prioridade. Em áreas urbanas, o pernilongo Culex quinquefasciatus é monitorado, enquanto nas zonas rurais, o maruim é o principal alvo. A Secretaria de Saúde recomenda que a população adote medidas preventivas, como o uso de roupas longas, repelentes e telas em janelas. A limpeza de quintais e a eliminação de acúmulos de matéria orgânica, onde o maruim se reproduz, são igualmente importantes.
- Ações de vigilância: Monitoramento semanal de casos e capacitação de equipes.
- Investigação entomológica: Captura de mosquitos em áreas com casos confirmados.
- Prevenção individual: Uso de repelentes e roupas que cubram o corpo.
- Controle ambiental: Limpeza de áreas com lixo orgânico e vegetação densa.
- Notificação obrigatória: Casos suspeitos devem ser reportados imediatamente.
Cenário nacional da febre Oropouche
O Brasil enfrenta um aumento expressivo de casos de febre Oropouche desde 2023. Até maio de 2025, o Ministério da Saúde registrou mais de 5.000 casos, com maior incidência no Amazonas, Rondônia e Espírito Santo. No Rio de Janeiro, o número de casos confirmados ultrapassou 1.400, com registros em cidades como Piraí, Valença, Japeri e Sapucaia. A doença, que antes era considerada restrita a áreas rurais da Amazônia, agora atinge centros urbanos, levantando preocupações sobre sua adaptação a novos vetores.
Em 2024, o Brasil confirmou as primeiras mortes por febre Oropouche no mundo, com dois óbitos na Bahia e um caso em investigação em Santa Catarina. A faixa etária mais afetada está entre 20 e 49 anos, mas casos graves também foram registrados em idosos, como o óbito em Cachoeiras de Macacu. O Ministério da Saúde coordena uma Sala Nacional de Arboviroses, que monitora a situação e orienta estados e municípios sobre medidas de controle.
Riscos para gestantes
A febre Oropouche tem despertado preocupação especial entre gestantes devido à possibilidade de transmissão vertical, ou seja, da mãe para o feto. Em 2024, o Ministério da Saúde confirmou o primeiro caso de óbito fetal causado pelo vírus em Pernambuco, em uma gestante de 28 anos na 30ª semana de gestação. Outros casos de transmissão vertical, incluindo quatro óbitos fetais e quatro anomalias congênitas, como microcefalia, estão em investigação no Acre, Bahia e Pernambuco.
No Espírito Santo, um recém-nascido diagnosticado com microcefalia em novembro de 2024 foi associado à infecção pelo vírus OROV. Autoridades sanitárias recomendam que gestantes em áreas com casos confirmados adotem medidas rigorosas de proteção contra picadas de mosquitos. A vigilância de desfechos gestacionais foi intensificada, com coleta de amostras de sangue e tecidos para análise laboratorial.
Papel do mosquito maruim
O Culicoides paraensis, conhecido como maruim ou mosquito-pólvora, é o principal vetor da febre Oropouche. Diferentemente do Aedes aegypti, transmissor da dengue, o maruim é menor e prefere ambientes úmidos, como áreas de mangue, plantações de banana e café, ou locais com acúmulo de matéria orgânica. Sua alta capacidade de reprodução e resistência a condições adversas facilita a disseminação do vírus, especialmente em períodos chuvosos.
Em áreas urbanas, o mosquito Culex quinquefasciatus, ou pernilongo comum, também pode atuar como vetor, aumentando o risco de surtos em cidades. No Rio de Janeiro, a presença do maruim em regiões rurais, como Cachoeiras de Macacu, e do pernilongo em áreas urbanas exige estratégias diferenciadas de controle. A captura de mosquitos para análise é uma das medidas adotadas para mapear a distribuição dos vetores no estado.
- Características do maruim: Pequeno, ativo ao amanhecer e entardecer, prolifera em áreas úmidas.
- Culex quinquefasciatus: Comum em cidades, pode transmitir o vírus em ambientes urbanos.
- Ambientes favoráveis: Mangues, plantações e quintais com lixo orgânico.
- Controle vetorial: Pulverização e eliminação de criadouros são estratégias-chave.
Monitoramento e prevenção
A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro mantém contato constante com as secretarias municipais para monitorar a evolução dos casos de febre Oropouche. Desde 2024, o estado implementa ações preventivas, como a capacitação de profissionais de saúde e a distribuição de materiais educativos. A notificação imediata de casos suspeitos é obrigatória, devido ao potencial epidêmico do vírus e sua capacidade de mutação.
A população é orientada a adotar medidas simples, mas eficazes, para reduzir o risco de infecção. O uso de telas em janelas e mosquiteiros, especialmente em áreas rurais, ajuda a bloquear o acesso do maruim. A aplicação de repelentes em áreas expostas do corpo e a limpeza de terrenos com acúmulo de folhas ou lixo orgânico também são recomendadas. Em regiões com alta incidência, como o Sul do Rio de Janeiro, a vigilância entomológica foi reforçada.
Casos em outras regiões
Além do Rio de Janeiro, outros estados brasileiros enfrentam surtos de febre Oropouche. No Espírito Santo, cidades como Alfredo Chaves e Laranja da Terra registraram milhares de casos em 2025, impulsionados pelo clima úmido e pela presença de plantações. Em Pernambuco, a morte de uma idosa de 71 anos em 2024 marcou o primeiro óbito de um adulto pela doença no estado. A Bahia, por sua vez, confirmou duas mortes em 2024, ambas de mulheres jovens sem comorbidades.
O Rio Grande do Norte confirmou seu primeiro caso em agosto de 2024, em Parnamirim, enquanto o Rio Grande do Sul identificou a presença do mosquito maruim, mas sem casos confirmados da doença. A disseminação do vírus para áreas não endêmicas, como o Sudeste e o Sul, reflete a adaptação do vetor a diferentes condições ambientais. O Ministério da Saúde alerta que o aumento das chuvas no verão pode agravar a situação.
- Espírito Santo: Mais de 6.000 casos confirmados até janeiro de 2025.
- Pernambuco: Primeiro óbito adulto e casos de transmissão vertical.
- Bahia: Duas mortes confirmadas em 2024, sem comorbidades.
- Rio Grande do Norte: Primeiro caso em Parnamirim, sem internação.
- Rio Grande do Sul: Presença do maruim, mas sem casos da doença.
Estratégias de diagnóstico
O diagnóstico da febre Oropouche depende de uma combinação de avaliação clínica, epidemiológica e laboratorial. Como os sintomas são semelhantes aos da dengue, testes específicos, como RT-PCR e imunohistoquímico, são essenciais para confirmar a infecção. Desde 2023, o Ministério da Saúde ampliou a distribuição de testes diagnósticos para os Laboratórios Centrais de Saúde Pública (Lacen), permitindo a identificação de casos em todo o país.
No Rio de Janeiro, o Laboratório Central Noel Nutels (Lacen) e a Fiocruz desempenham papéis centrais na confirmação de casos. A estratégia de testar amostras negativas para dengue, zika e chikungunya aumentou a detecção da febre Oropouche, especialmente em áreas urbanas. A capacitação de médicos para reconhecer os sintomas e coletar amostras adequadas é outra medida adotada para agilizar o diagnóstico.
Ações educativas
Campanhas educativas têm sido implementadas no Rio de Janeiro para informar a população sobre a febre Oropouche. Folhetos, cartazes e mensagens em redes sociais orientam sobre os sintomas, a importância de procurar atendimento médico e as medidas de prevenção. Em escolas e comunidades rurais, palestras abordam a eliminação de criadouros de mosquitos e o uso de barreiras físicas, como mosquiteiros.
A Secretaria de Saúde também promove treinamentos para agentes comunitários, que visitam residências para identificar possíveis focos do maruim. Em Cachoeiras de Macacu, ações educativas foram intensificadas após o primeiro óbito, com mutirões de limpeza em áreas de risco. A participação da população é considerada essencial para reduzir a disseminação do vírus.
Perspectiva de controle vetorial
O controle do mosquito maruim exige abordagens distintas das usadas contra o Aedes aegypti. Enquanto o mosquito da dengue se reproduz em água parada, o maruim prefere solos úmidos e matéria orgânica. A pulverização de inseticidas em áreas de vegetação densa é uma das estratégias adotadas, mas a eliminação de criadouros naturais, como folhas acumuladas e resíduos orgânicos, é mais eficaz.
No Rio de Janeiro, o controle vetorial é complementado por ações de saneamento básico, como a limpeza de valas e a remoção de lixo em áreas rurais. A colaboração entre secretarias de saúde, meio ambiente e infraestrutura é fundamental para reduzir os habitats do maruim. Em cidades como Piraí e Sapucaia, onde os casos aumentaram em 2025, mutirões de limpeza foram organizados para minimizar o risco de novos surtos.
- Pulverização de inseticidas: Usada em áreas de alta infestação do maruim.
- Limpeza de terrenos: Remove matéria orgânica que atrai o mosquito.
- Saneamento básico: Melhora as condições ambientais em áreas rurais.
- Mutirões comunitários: Envolvem moradores na eliminação de criadouros.







