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O estado do Rio de Janeiro chegou a 211 casos confirmados de mpox em 2026, número que já supera o total de todo o ano passado, de 119 casos. Os dados do Centro de Informações Estratégicas e Resposta de Vigilância em Saúde (CIEVS) incluem os registros até terça-feira (27/10/2026), e outros 117 casos seguem em investigação. Só em setembro e outubro foram 90 diagnósticos, contra 10 no mesmo período de 2025, um crescimento de 800%.

Setembro e outubro concentram 90 diagnósticos no estado

O aumento é puxado pelos dois últimos meses, com 45 casos confirmados em setembro e outros 45 em outubro. Em 2025, os mesmos meses somaram apenas 10 diagnósticos. O cenário preocupa também porque, até a semana passada, 10 pacientes estavam internados com a doença no estado.

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Em junho de 2026, o Rio tinha 94 casos confirmados, segundo informe da Firjan Sesi. Em março, o Ministério da Saúde registrava 18. A curva sobe desde o início do ano.

Capital tem 167 casos confirmados e 81 suspeitos

Na capital, o Observatório Epidemiológico da Cidade do Rio confirmou 167 casos até quinta-feira (29/10/2026), contra 94 em todo o ano passado. Setembro, com 45 casos, e outubro, com 29, concentram 74 diagnósticos. Há ainda 81 casos suspeitos em análise.

Ex-secretário cobra vacina e diagnóstico rápido

O deputado federal Daniel Soranz, ex-secretário municipal de Saúde, publicou um vídeo nas redes sociais na quinta-feira (29). Ele afirmou que o vírus circula com mais intensidade no Rio e no Brasil e que a confirmação é simples: basta coletar material das feridas e enviar ao Lacen, com as unidades básicas aptas a fazer a coleta. Soranz também cobrou do Ministério da Saúde a ampliação da cobertura vacinal, porque, segundo ele, poucas doses chegaram e a maior parte da população de risco ainda não foi vacinada.

A infectologista Marcia Rachid, pioneira no combate à Aids, vem alertando desde o início de outubro para a alta de casos. Ela destaca o risco para pessoas que vivem com HIV, sobretudo quando a imunidade está muito baixa, e lembra que já houve mortes nesse grupo.

Relato de paciente mostra demora no diagnóstico

O ator Ari Areia, de 35 anos, começou com sintomas em 30 de setembro e testou positivo dias depois. Ele passou por uma Clínica da Família, uma UPA e um hospital municipal sem que a mpox fosse considerada. Após contato com uma médica que reconheceu as lesões de pele, procurou a Fiocruz, onde foi diagnosticado. Ele ficou internado para tratar a dificuldade de comer e beber água.

Como o vírus se transmite

O risco começa com os primeiros sintomas, como febre, dores no corpo e mal-estar. O vírus pode ser transmitido de um a quatro dias antes do aparecimento das feridas, e a transmissão só cessa quando elas cicatrizam por completo. As formas de transmissão são:

  • Contato direto com lesões na pele, bolhas, pústulas ou crostas
  • Contato com saliva, secreções respiratórias ou fluidos genitais, em relações sexuais ou beijos
  • Compartilhamento de roupas, toalhas, lençóis, talheres ou superfícies contaminadas
  • Contato próximo, prolongado e face a face, com gotículas respiratórias

Como se prevenir da mpox

Os cuidados recomendados pelas autoridades de saúde incluem:

  • Evitar contato físico direto com lesões de pessoas com suspeita ou confirmação da doença
  • Evitar relações sexuais enquanto houver sinais ou sintomas suspeitos, até avaliação profissional
  • Não compartilhar toalhas, roupas de cama e outras peças de uso pessoal
  • Procurar uma unidade de saúde diante de lesões suspeitas, sobretudo nas regiões genital, anal ou oral
  • Lavar as mãos com frequência e manter as feridas cobertas
  • Em caso de confirmação, manter as janelas abertas e usar máscara cirúrgica perto de outras pessoas
  • Higienizar chão e superfícies com água sanitária, e usar o banheiro por último quando houver um só na casa
  • Manter os cuidados por no mínimo 21 dias, ou até as crostas caírem

A pesquisadora Mayara Secco, do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), da Fiocruz, observa que o uso de preservativo reduz o risco, mas não oferece proteção completa, porque pode haver contato com lesões fora da área coberta. Ela lembra que formas graves podem ocorrer em pessoas com imunossupressão, crianças e gestantes.

Onde fazer o teste no Rio

  • INI/Fiocruz: Avenida Brasil, 4.365, em Manguinhos, com atendimento 24 horas para suspeitos ou confirmados
  • Núcleo de Enfrentamento e Estudos de Doenças Infecciosas Emergentes e Reemergentes (Needier), da UFRJ: Avenida Carlos Chagas, 791, Quadra F, Cidade Universitária, Ilha do Fundão
  • Unidades básicas de saúde, aptas a coletar o material das feridas para envio ao Lacen

Novo subtipo do vírus pode estar em circulação

O infectologista Rafael Galliez, vice-diretor do Needier, afirma que o ambulatório da universidade observa aumento de demanda desde agosto. Ele explica que o clado 2b circulou em 2022 e que o clado 1b surgiu em 2024, na República Democrática do Congo, e depois foi registrado em São Paulo. Segundo ele, estudos de sequenciamento indicam entrada e circulação intensiva do clado 1b no estado do Rio. Ele pondera, porém, que ainda não é possível dizer que isso esteja necessariamente ligado ao aumento de casos.

Vacina está em falta no SUS, afirma deputado

Existe vacina contra a doença, mas as doses estão em falta no Sistema Único de Saúde, segundo o deputado Daniel Soranz. A vacina usada é a MVA-BN, de vírus vivo enfraquecido que não se reproduz nas células humanas. O esquema padrão são duas doses, aplicadas por via subcutânea no ombro, com intervalo de 28 dias. O Ministério da Saúde ainda não respondeu sobre a estratégia de imunização diante do aumento de casos.

As secretarias estadual e municipal de Saúde dizem acompanhar a evolução do cenário, que, por enquanto, não é classificado como surto ou epidemia, e afirmam promover medidas de prevenção.

Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing

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