Gripe aviária no Brasil: Quantos casos há e existe risco ao comer frango? Veja perguntas e respostas

Gripe aviária H5N1

Gripe aviária H5N1 - Foto: Diy13/ Istockphoto.com

A notícia de que a gripe aviária, causada pelo vírus H5N1, atingiu uma granja comercial em Montenegro, no Rio Grande do Sul, em maio de 2025, colocou o Brasil em alerta. Pela primeira vez, o maior exportador mundial de carne de frango enfrentou um caso da doença em uma instalação comercial, gerando preocupações sobre a propagação do vírus. Autoridades locais e o governo federal agiram rapidamente, implementando barreiras sanitárias e medidas de contenção para evitar que a doença se espalhe para outras regiões.

O caso, confirmado na última semana, interrompeu exportações para cerca de 160 países, incluindo a China, principal destino do frango brasileiro. A granja, que abrigava 17 mil aves, viu quase todas as suas aves mortas pela doença ou sacrificadas para conter o vírus. Enquanto isso, investigações estão em andamento em Tocantins e Santa Catarina para avaliar possíveis novos focos.

A seguir, alguns pontos-chave sobre a situação atual:

  • Origem do surto: O caso de Montenegro é o primeiro em uma granja comercial, após registros em aves silvestres desde maio de 2023.
  • Impacto econômico: Suspensão temporária de exportações para diversos países, afetando o setor avícola.
  • Medidas de contenção: Barreiras sanitárias, desinfecção de veículos e inspeções em mais de 500 propriedades rurais.
  • Segurança alimentar: Consumo de frango e ovos permanece seguro, segundo o Ministério da Saúde.

A gripe aviária, embora preocupante para a indústria, não representa risco imediato à saúde pública, mas exige vigilância rigorosa para proteger a produção nacional.

Primeiros registros da doença no Brasil

O vírus H5N1 foi identificado pela primeira vez no Brasil em maio de 2023, inicialmente em aves silvestres. Naquele momento, os casos se concentravam em regiões costeiras, como o Espírito Santo e o Rio de Janeiro, onde aves migratórias eram as principais afetadas. Esses primeiros registros não impactaram a produção comercial, mas já indicavam a necessidade de monitoramento constante.

Entre maio de 2023 e maio de 2025, o país investigou cerca de 2,9 mil casos suspeitos de Síndrome Respiratória e Nervosa em aves, com 168 confirmações de gripe aviária. A maioria, 164 casos, envolveu aves silvestres, enquanto três ocorreram em criações de subsistência. O caso de Montenegro marcou um ponto de inflexão, sendo o primeiro em uma granja comercial, o que elevou o nível de alerta.

A rápida identificação do surto em Montenegro foi possível devido ao sistema de vigilância epidemiológica do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Equipes locais detectaram sintomas em aves da granja, como alta mortalidade e sinais respiratórios, e testes laboratoriais confirmaram a presença do H5N1. A granja, localizada no Vale do Caí, não produzia ovos para consumo, mas sim ovos fertilizados para a geração de novos frangos.

Medidas de contenção em Montenegro

Após a confirmação do caso, o governo do Rio Grande do Sul e o Mapa estabeleceram um plano emergencial em Montenegro. Barreiras sanitárias foram instaladas em um raio de 10 km ao redor da granja, funcionando 24 horas por dia. Veículos que entram ou saem da área passam por desinfecção completa, e o tráfego de aves e produtos avícolas foi restringido.

Mais de 500 propriedades rurais na zona de proteção e vigilância estão sendo inspecionadas. Fiscais verificam sinais de doenças em aves, coletam amostras e orientam produtores sobre biossegurança. Até o momento, não há registros de novos casos na região, mas a vigilância permanece intensificada.

Granja, aves – Foto: Dewald Kirsten/ Shutterstock.com

As ações incluíram:

  • Sacrifício de aves: Quase todas as 17 mil aves da granja morreram ou foram sacrificadas.
  • Destruição de produtos: Ovos fertilizados rastreados foram eliminados.
  • Desinfecção: Instalações da granja passam por limpeza rigorosa.
  • Monitoramento contínuo: Propriedades próximas são vistoriadas regularmente.

Essas medidas visam conter o vírus e evitar que ele alcance outras granjas, especialmente em um estado que é um dos maiores produtores de frango do país.

Impacto nas exportações de frango

O Brasil, maior exportador mundial de carne de frango, enfrenta desafios econômicos com a suspensão temporária de vendas para diversos países. Cerca de 160 nações, incluindo China, Japão e União Europeia, adotaram restrições após o caso de Montenegro. Alguns suspenderam importações de todo o país, enquanto outros limitaram o embargo a produtos do Rio Grande do Sul.

A carne de frango brasileira é consumida principalmente no mercado interno, mas as exportações representam uma fatia significativa da economia. Em 2024, o país exportou cerca de 4,8 milhões de toneladas de frango, gerando bilhões em receita. A China, maior compradora, importou aproximadamente 15% desse total.

A suspensão, embora temporária, gera preocupações no setor. Associações como a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) acompanham as negociações com parceiros comerciais para retomar as exportações. Países seguem protocolos da Organização Mundial da Saúde Animal (OIE), que recomendam restrições até que o Brasil seja declarado livre da doença.

Segurança alimentar e consumo

O Ministério da Saúde reiterou que o consumo de carne de frango e ovos é seguro. O vírus H5N1 não é transmitido por alimentos, especialmente quando preparados adequadamente. O cozimento a temperaturas acima de 70°C elimina o vírus, garantindo a segurança dos produtos disponíveis no mercado.

Casos de transmissão da gripe aviária para humanos são raros e geralmente ocorrem em situações de contato direto com aves infectadas, como em granjas ou abatedouros. No Brasil, não há registros de infecções humanas pelo H5N1. Mesmo assim, trabalhadores do setor avícola recebem orientações para usar equipamentos de proteção e seguir protocolos de biossegurança.

Alguns cuidados recomendados incluem:

  • Cozinhar bem os alimentos, especialmente carne e ovos.
  • Evitar contato direto com aves doentes ou mortas.
  • Lavar as mãos após manipular aves cruas.
  • Relatar sintomas respiratórios em aves a autoridades locais.

A segurança alimentar é uma prioridade, e o governo reforça que os produtos disponíveis nos supermercados passam por rigorosos controles sanitários.

Origem do surto em Montenegro

A contaminação da granja em Montenegro ainda está sob investigação. A principal hipótese é que o vírus foi introduzido por aves silvestres migratórias, que podem carregar o H5N1 em longas distâncias. Essas aves, como cisnes e gaivotas, frequentemente entram em contato com criações comerciais, especialmente em áreas próximas a corpos d’água.

Um evento recente reforça essa teoria. Em Sapucaia do Sul, a 53 km de Montenegro, 90 cisnes morreram em um zoológico devido ao H5N1. Testes estão sendo realizados para verificar se o vírus encontrado nos cisnes é o mesmo que afetou a granja. A proximidade geográfica sugere uma possível conexão, mas os resultados ainda não foram divulgados.

Outras possibilidades, como falhas em medidas de biossegurança ou introdução do vírus por humanos ou equipamentos, também são avaliadas. A granja de Montenegro seguia protocolos sanitários, mas o vírus H5N1 é altamente contagioso, o que dificulta sua prevenção em áreas com grande circulação de aves.

Outros casos suspeitos no Brasil

Além do caso confirmado em Montenegro, duas suspeitas estão em investigação. Uma granja em Tocantins relatou sintomas em aves, como alta mortalidade e problemas respiratórios. Em Santa Catarina, outro polo avícola importante, uma propriedade também está sob análise. Resultados preliminares são aguardados para os próximos dias.

Até o momento, nenhum outro caso em granjas comerciais foi confirmado. A vigilância foi ampliada nesses estados, com equipes do Mapa e secretarias estaduais de agricultura atuando em conjunto. Propriedades próximas aos locais suspeitos passam por inspeções, e o transporte de aves foi restringido.

Os números totais de casos no Brasil, desde maio de 2023, incluem:

  • 1 caso em granja comercial (Montenegro, RS).
  • 3 casos em criações de subsistência.
  • 164 casos em aves silvestres.
  • 2,9 mil suspeitas investigadas, com 5% de confirmações.

A baixa taxa de confirmação reflete a eficiência do sistema de vigilância, mas também indica a necessidade de manter a atenção em regiões produtoras.

Esforços nacionais contra a gripe aviária

O Brasil mantém um plano nacional de contingência contra a gripe aviária, atualizado regularmente pelo Mapa. Após o caso de Montenegro, o plano foi ativado em sua totalidade, com ações coordenadas entre governo federal, estados e setor privado.

Entre as medidas em curso, destacam-se:

  • Vigilância ativa: Coleta de amostras em granjas e áreas com aves silvestres.
  • Treinamento: Capacitação de produtores e veterinários para identificar sintomas.
  • Comunicação: Campanhas para informar a população e evitar pânico.
  • Parcerias internacionais: Colaboração com a OIE e países importadores para restabelecer confiança.

O setor avícola também investe em biossegurança. Granjas estão reforçando telas de proteção, controle de acesso e desinfecção de equipamentos. A ABPA orienta associados a relatar qualquer anormalidade imediatamente, garantindo resposta rápida.

Casos em aves silvestres e sua relevância

Os 164 casos confirmados em aves silvestres desde 2023 são um fator de risco para a avicultura. Espécies migratórias, como maçaricos e trinta-réis, cruzam continentes e podem introduzir o vírus em novas regiões. No Brasil, os focos em aves silvestres foram registrados principalmente em áreas costeiras, mas também em zonas úmidas do interior.

A morte de 90 cisnes em Sapucaia do Sul, no Rio Grande do Sul, é um exemplo recente. O caso, ocorrido semanas antes do surto em Montenegro, levantou alertas sobre a circulação do vírus na região. Aves silvestres raramente transmitem a doença diretamente a humanos, mas sua interação com criações comerciais é uma preocupação.

Monitorar essas populações é desafiador, mas o Brasil conta com programas de vigilância ambiental. Equipes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e universidades coletam dados sobre aves migratórias, ajudando a mapear áreas de risco.

Preparação do setor avícola

O setor avícola brasileiro, um dos mais robustos do mundo, está se adaptando à nova realidade. Após o caso de Montenegro, associações como a ABPA e a Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) intensificaram esforços para proteger a cadeia produtiva. Reuniões com produtores abordam desde a implementação de novas tecnologias até a revisão de protocolos de biossegurança.

Grandes empresas do setor, como BRF e JBS, acompanham a situação de perto. Embora o impacto imediato seja limitado, já que o mercado interno consome a maior parte da produção, a suspensão de exportações pode afetar a receita de exportadoras. Negociações com países importadores estão em andamento para minimizar os prejuízos.

A preparação inclui:

  • Investimento em tecnologia: Sistemas de monitoramento em tempo real nas granjas.
  • Capacitação: Treinamento de trabalhadores para identificar sinais de doenças.
  • Diversificação: Busca por novos mercados para reduzir dependência de grandes compradores.
  • Sustentabilidade: Medidas para reduzir o contato com aves silvestres.

O setor espera que, com as medidas atuais, o Brasil recupere rapidamente o status de país livre de gripe aviária, essencial para a retomada das exportações.

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