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A Justiça argentina anulou o julgamento de sete profissionais de saúde acusados pela morte de Diego Maradona, ícone do futebol, em 25 de novembro de 2020, em Buenos Aires. A decisão, anunciada em 29 de maio de 2025, ocorreu após a revelação de que a juíza Julieta Makintach participou de um documentário não autorizado sobre o caso. O processo, suspenso desde a semana anterior, envolveu mais de dois meses de audiências marcadas por polêmicas, como a exibição de uma foto do ex-jogador após sua morte e a agressão a um médico por um torcedor. A anulação levanta questões sobre a condução do caso, que investigava negligência médica em um atendimento domiciliar inadequado após uma cirurgia neurológica. O tribunal de San Isidro declarou o processo inválido, sem previsão para retomada.

Diego Maradona, aos 60 anos, faleceu devido a um edema pulmonar enquanto se recuperava em casa, duas semanas após uma cirurgia para retirada de um coágulo no cérebro. Sete profissionais, incluindo o neurocirurgião Leopoldo Luque, enfrentavam acusações de homicídio simples com dolo eventual. Um relatório médico de 2021 apontou que o ex-jogador foi “abandonado à própria sorte”, com tratamento deficiente.

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Os réus, que negam as acusações, poderiam receber penas de 8 a 25 anos de prisão. O caso de uma oitava enfermeira, processada separadamente, segue sem esclarecimentos sobre sua situação após a anulação. A decisão judicial gerou reações entre fãs e familiares, que acompanhavam as audiências com expectativa de justiça.

  • Profissionais acusados: Neurocirurgião, psiquiatra, psicólogo, médica coordenadora, coordenador de enfermagem, médico clínico e enfermeiro.
  • Motivo da anulação: Participação da juíza em documentário e entrada de câmeras no tribunal.
  • Data da morte: 25 de novembro de 2020, em Tigre, Buenos Aires.
  • Causa da morte: Edema pulmonar secundário a insuficiência cardíaca.

Polêmicas marcam audiências

As audiências, iniciadas em 11 de março de 2025, no tribunal de San Isidro, foram marcadas por controvérsias desde o primeiro dia. Um promotor exibiu uma foto de Maradona minutos após sua morte, gerando comoção nacional. A imagem, apresentada como evidência de negligência, chocou familiares e fãs presentes. O advogado Fernando Burlando, representante das filhas de Maradona, criticou a conduta judicial, afirmando que a juíza Julieta Makintach agiu de forma inadequada.

A participação de Makintach em um documentário intitulado “Justiça Divina” intensificou as tensões. Um trailer da produção, exibido durante uma audiência, mostrava a juíza em cenas gravadas no tribunal, violando a proibição de filmagens estabelecida desde o segundo dia do julgamento. A Promotoria e a defesa questionaram a imparcialidade da magistrada, resultando na suspensão do processo em 20 de maio.

Makintach defendeu-se, alegando que as gravações eram materiais brutos para uma entrevista pessoal, não um documentário. Apesar da explicação, a maioria das partes pediu a anulação, argumentando que a conduta comprometeu a integridade do julgamento. A juíza deixou o caso em 27 de maio, mas a decisão final de invalidar o processo veio dois dias depois.

Agressão a médico reflete tensões

O neurocirurgião Leopoldo Luque, médico pessoal de Maradona, enfrentou hostilidades ao chegar ao tribunal em 27 de maio. Um torcedor argentino o agrediu no rosto com uma camiseta da seleção nacional, em meio a uma multidão de jornalistas e fãs. Luque reagiu, tentando revidar, mas foi contido. O incidente, amplamente noticiado, destacou a emoção pública em torno do caso.

Fãs do ex-jogador, conhecido por sua genialidade em campo e pela conquista da Copa do Mundo de 1986, mantiveram presença constante em frente ao tribunal. Cartazes com mensagens como “Justiça para D10S” – referência ao apelido de Maradona, que remete à sua camisa 10 e à palavra “Deus” em espanhol – eram comuns. A anulação do julgamento frustrou muitos que aguardavam um desfecho.

  • Local do incidente: Tribunal de San Isidro, Buenos Aires.
  • Data da agressão: 27 de maio de 2025.
  • Reação de Luque: Tentativa de revidar o ataque.
  • Presença de fãs: Manifestações diárias com bandeiras e cartazes.

Detalhes da morte de Maradona

Maradona faleceu em uma casa alugada em Tigre, na região metropolitana de Buenos Aires, enquanto recebia cuidados domiciliares. A autópsia revelou que a causa da morte foi um edema pulmonar agudo, secundário a uma insuficiência cardíaca crônica exacerbada. O ex-jogador havia passado por uma cirurgia neurológica em novembro de 2020 para remover um coágulo no cérebro, causado por um acidente doméstico.

Um relatório de 2021, elaborado por uma comissão médica com 22 especialistas, concluiu que o atendimento foi “inadequado, deficiente e imprudente”. A internação domiciliar foi considerada improvisada, sem equipamentos adequados para tratar as condições de Maradona, que incluíam problemas cardíacos, renais, hepáticos e neurológicos, além de histórico de dependência química.

Mensagens trocadas entre os profissionais de saúde, apresentadas como prova, sugeriam negligência. Frases como “ele vai morrer” e “manipulemos a história clínica” indicavam, segundo os promotores, que a equipe tinha consciência da gravidade do estado do paciente, mas não agiu para evitar o desfecho.

Papel dos réus no caso

Os sete profissionais de saúde enfrentavam acusações de homicídio com dolo eventual, indicando que sabiam que suas ações poderiam levar à morte de Maradona. Leopoldo Luque, responsável pela supervisão da internação domiciliar, e Agustina Cosachov, psiquiatra que prescrevia medicamentos, eram figuras centrais no processo. Outros réus incluíam um psicólogo, um médico clínico, uma coordenadora médica, um coordenador de enfermagem e um enfermeiro.

  • Leopoldo Luque: Neurocirurgião e médico pessoal de Maradona.
  • Agustina Cosachov: Psiquiatra responsável por medicações.
  • Outros réus: Carlos Díaz (psicólogo), Nancy Forlini (coordenadora médica), Mariano Perroni (coordenador de enfermagem), Pedro Di Spagna (médico clínico), Ricardo Almirón (enfermeiro).
  • Pena prevista: 8 a 25 anos de prisão, se condenados.
  • Defesa: Todos alegaram inocência, apontando recusa de Maradona a tratamentos adicionais.

Reações de familiares

Familiares de Maradona, incluindo suas filhas Dalma e Jana, acompanharam as audiências desde o início. Veronica Ojeda, ex-namorada do jogador, foi vista chorando na porta do tribunal no primeiro dia. A família expressou indignação com a condução do caso, especialmente após as polêmicas envolvendo a juíza Makintach. Fernando Burlando, advogado das filhas, prometeu “surpresas” processuais e pediu o afastamento definitivo da magistrada.

A anulação do julgamento foi vista como um revés para os familiares, que buscavam responsabilizar os profissionais de saúde. A casa onde Maradona faleceu, descrita por Burlando como uma “pocilga inadequada”, foi apontada como evidência da negligência no atendimento.

Histórico do processo

A investigação sobre a morte de Maradona começou horas após seu falecimento, em 2020. Em abril de 2023, a Justiça argentina confirmou que os profissionais de saúde seriam julgados. O processo, inicialmente previsto para 2024, foi adiado para março de 2025. Mais de 120 testemunhas, incluindo familiares, amigos, jornalistas e médicos, depuseram ao longo das audiências.

  • Início da investigação: Novembro de 2020.
  • Confirmação do julgamento: Abril de 2023.
  • Início das audiências: 11 de março de 2025.
  • Suspensão: 20 de maio de 2025.
  • Anulação: 29 de maio de 2025.

Documentário intensifica crise

O documentário “Justiça Divina” tornou-se o pivô da anulação. Trechos divulgados mostravam Makintach caminhando no tribunal e declarando: “Não me imagino fazendo outra coisa”. A juíza negou que o material fosse parte de uma produção oficial, mas a Promotoria considerou a gravação uma violação ética. A entrada de câmeras, proibida após o segundo dia, agravou as acusações de parcialidade.

A defesa de dois réus, liderada pelo advogado Julio Rivas, foi a primeira a pedir a anulação. Outros advogados e a Promotoria aderiram, temendo que a continuidade do processo sob Makintach comprometesse a validade das decisões.

Expectativas após anulação

A anulação deixa o caso sem previsão de retomada. O tribunal de San Isidro deve decidir se um novo julgamento será iniciado do zero ou se os depoimentos já coletados serão aproveitados. A oitava enfermeira, Dahiana Madrid, cujo julgamento está marcado para julho de 2025, pode ter seu processo afetado pela decisão.

Fãs e familiares aguardam novos desdobramentos, enquanto a memória de Maradona, reverenciado como “D10S”, continua a mobilizar multidões. Um mausoléu em Puerto Madero, planejado para receber um milhão de visitantes anuais, está em construção para homenagear o craque.

Legado de Maradona

Diego Maradona, campeão mundial em 1986, é uma figura quase mítica na Argentina. Sua morte, durante a pandemia de Covid-19, levou milhares às ruas para se despedir. Murais, estátuas e tatuagens em sua homenagem multiplicam-se pelo país. O caso judicial, agora em suspenso, mantém viva a discussão sobre as circunstâncias de sua partida.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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