Vampeta move ação contra INSS por auxílio-doença devido a lesão grave no joelho
O ex-jogador Vampeta, conhecido por sua trajetória como pentacampeão mundial com a Seleção Brasileira em 2002, acionou o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) na Justiça para obter o auxílio-doença em razão de uma lesão grave no joelho esquerdo, sofrida em maio de 2003, durante sua carreira profissional no Corinthians. A solicitação inicial, feita em novembro de 2024, foi negada administrativamente pelo órgão, levando os advogados do ex-atleta a recorrerem judicialmente. A ação busca o pagamento de 50% do salário de benefício, retroativo à data do pedido, além de gratuidade processual e honorários advocatícios. O processo também solicita que o Corinthians seja intimado a apresentar o prontuário médico do jogador e documentos que comprovem a lesão e seus efeitos. A condição, identificada como gonartrose não especificada, é apontada como degenerativa e associada à prática esportiva de alto rendimento. Uma perícia médica está agendada para agosto de 2025.
A lesão no joelho esquerdo de Vampeta ocorreu em um momento crucial de sua carreira, quando atuava pelo Corinthians, clube onde conquistou títulos importantes. Apesar de ter retornado aos gramados após cirurgia e um ano de tratamento, o ex-volante enfrentou dores constantes e novas lesões na mesma região. O laudo médico, assinado pelo Dr. Joaquim Grava, ex-médico do clube, detalha a gravidade do quadro e sua relação com o esporte.

O caso ganhou destaque por envolver um jogador icônico e levanta questões sobre os direitos trabalhistas e previdenciários de atletas profissionais após aposentadoria. A seguir, mais detalhes sobre o processo e os desdobramentos da ação.
Detalhes da lesão de Vampeta no joelho
Em maio de 2003, Vampeta sofreu uma lesão grave no joelho esquerdo durante sua passagem pelo Corinthians, um dos clubes mais emblemáticos de sua carreira. O incidente envolveu o rompimento do ligamento, uma condição comum em esportes de alta intensidade, mas com consequências duradouras. O ex-jogador passou por cirurgia e permaneceu em tratamento por cerca de um ano, período em que buscou recuperar a mobilidade e a força da articulação.
O retorno aos gramados, embora possível, não eliminou os problemas. Relatos indicam que Vampeta passou a conviver com dores persistentes, o que comprometeu sua performance em campo. Novas lesões no mesmo joelho surgiram ao longo do tempo, agravando o quadro.
O laudo médico anexado ao processo, elaborado pelo Dr. Joaquim Grava, aponta para a gonartrose não especificada, classificada pelo código CID-10 M17.9, como uma condição degenerativa e irreversível, diretamente ligada às exigências físicas da carreira de atleta profissional.
Ação judicial contra o INSS
Vampeta apresentou o pedido de auxílio-doença ao INSS em novembro de 2024, buscando reconhecimento de uma redução permanente da capacidade laboral devido à lesão no joelho. O benefício, segundo a legislação previdenciária, é destinado a segurados que enfrentam incapacidade parcial e permanente para o trabalho, decorrente de acidente ou doença.
A solicitação, no entanto, foi indeferida em âmbito administrativo, sem detalhes públicos sobre os motivos da negativa. Diante disso, os advogados do ex-jogador ingressaram com uma ação judicial para reverter a decisão. A petição inicial solicita:
- Pagamento de 50% do salário de benefício, retroativo a novembro de 2024;
- Concessão de gratuidade processual, considerando a condição financeira do ex-atleta, atualmente autônomo;
- Cobrança de honorários advocatícios, conforme previsto em casos dessa natureza;
- Realização de perícia médica para avaliar a extensão da incapacidade.
A perícia está marcada para agosto de 2025 e será conduzida por um profissional designado pela Justiça, com o objetivo de confirmar o diagnóstico e a relação da lesão com a atividade esportiva.
Pedido de intimação ao Corinthians
Além da disputa com o INSS, a defesa de Vampeta incluiu na ação um pedido para que o Corinthians, clube onde a lesão ocorreu, seja intimado a fornecer documentos cruciais. A solicitação abrange o prontuário médico do jogador, laudos de exames realizados à época e registros que detalhem o acidente e o tratamento.
A entrega desses documentos é vista como essencial para comprovar:
- A data exata e as circunstâncias da lesão em maio de 2003;
- Os procedimentos médicos realizados, incluindo a cirurgia;
- A duração e os detalhes do tratamento, que se estendeu por cerca de um ano;
- Os impactos da lesão na carreira do atleta, mesmo após o retorno aos jogos.
O Corinthians, até o momento, não se pronunciou publicamente sobre o caso ou sobre a intimação solicitada. A apresentação desses registros pode fortalecer a argumentação da defesa no processo.
Carreira de Vampeta e o peso da lesão
Marcos André Batista Santos, mais conhecido como Vampeta, é um dos nomes mais marcantes do futebol brasileiro. Nascido em Nazaré das Farinhas, na Bahia, o ex-volante construiu uma carreira sólida, com passagens por clubes como Vitória, PSV Eindhoven, Flamengo e Corinthians. No clube paulista, viveu momentos de glória, incluindo a conquista do Mundial de Clubes da FIFA em 2000.
A lesão de 2003, porém, marcou um ponto de inflexão. Embora tenha conseguido voltar a jogar, o desempenho de Vampeta nunca mais foi o mesmo, segundo relatos da época. As dores constantes e a limitação física impactaram sua rotina em campo, reduzindo sua capacidade de atuar em alto nível.
O jogador também integrou a Seleção Brasileira, sendo peça importante na campanha do pentacampeonato na Copa do Mundo de 2002, realizada na Coreia do Sul e no Japão. Sua trajetória é lembrada por torcedores e especialistas como exemplo de dedicação e raça.
O que é a gonartrose não especificada
A condição diagnosticada em Vampeta, gonartrose não especificada (CID-10 M17.9), é uma forma de osteoartrite que afeta o joelho. Ela se caracteriza pela degeneração da cartilagem articular, levando a dores, inchaço e limitação de movimentos. Em atletas, a doença pode ser agravada por:
- Traumas diretos, como o rompimento de ligamentos;
- Esforço repetitivo em treinos e jogos;
- Sobrecarga nas articulações devido a atividades de alto impacto;
- Falta de tempo adequado para recuperação após lesões.
O laudo médico apresentado no processo destaca que a prática esportiva de alto rendimento foi um fator determinante para o surgimento e a progressão da doença em Vampeta. A condição é considerada irreversível, exigindo cuidados contínuos, como fisioterapia e medicamentos para alívio da dor.
Auxílio-doença e a legislação previdenciária
O auxílio-doença é um benefício previdenciário concedido pelo INSS a segurados que comprovem incapacidade temporária ou parcial para o trabalho, decorrente de doença ou acidente. No caso de Vampeta, a defesa argumenta que a lesão de 2003 e suas sequelas geraram uma redução permanente da capacidade laboral, justificando o pedido.
A legislação brasileira prevê que o auxílio-doença pode ser concedido em duas modalidades:
- Previdenciário, para casos relacionados a doenças ou lesões não associadas ao trabalho;
- Acidentário, quando a incapacidade decorre de acidente de trabalho ou doença ocupacional.
Os advogados do ex-jogador pleiteiam o pagamento de 50% do salário de benefício, valor compatível com o auxílio-acidente, uma categoria voltada para sequelas permanentes que reduzem a capacidade de trabalho. O cálculo do benefício considera as contribuições previdenciárias feitas pelo segurado ao longo da vida.
Perícia médica agendada para agosto
Uma etapa crucial do processo será a perícia médica, marcada para agosto de 2025. O exame, conduzido por um perito judicial, avaliará a extensão da lesão de Vampeta e sua relação com a carreira esportiva. O laudo resultante será determinante para a decisão do juiz sobre a concessão ou não do benefício.
A perícia deverá analisar:
- O histórico clínico do ex-jogador, incluindo exames e tratamentos;
- A gravidade da gonartrose e suas limitações atuais;
- A conexão entre a lesão de 2003 e a condição degenerativa;
- O impacto da doença na capacidade de trabalho, considerando que Vampeta atua como autônomo.
O resultado da perícia poderá influenciar diretamente o desfecho da ação, definindo se o INSS será obrigado a conceder o auxílio-doença.
Trajetória de Vampeta no Corinthians
Vampeta teve duas passagens marcantes pelo Corinthians, clube onde se tornou ídolo da torcida. A primeira, entre 1998 e 2000, foi marcada por conquistas como o Campeonato Brasileiro de 1998, o Campeonato Paulista de 1999 e o Mundial de Clubes da FIFA em 2000. Após um período no exterior, retornou ao clube em 2002, mas foi nessa segunda passagem que sofreu a lesão no joelho.
O incidente de maio de 2003 aconteceu durante um momento de alta exigência física, com jogos e treinos intensos. Apesar do tratamento, o jogador enfrentou dificuldades para manter o ritmo anterior. Sua saída do clube, anos depois, não diminuiu o carinho da torcida, que ainda reconhece sua dedicação e carisma.
Direitos dos atletas e o sistema previdenciário
A ação de Vampeta traz à tona discussões sobre os direitos dos atletas profissionais após o fim da carreira. Muitos ex-jogadores enfrentam problemas de saúde decorrentes da prática esportiva, como lesões articulares, e buscam amparo no sistema previdenciário.
No Brasil, a relação entre clubes, atletas e o INSS nem sempre é clara. Lesões ocorridas durante o trabalho são, em teoria, cobertas por benefícios acidentários, mas a comprovação da origem ocupacional nem sempre é simples. A defesa de Vampeta aposta nos registros médicos e no laudo do Dr. Joaquim Grava para reforçar essa ligação.
Casos semelhantes já foram registrados, com outros ex-atletas buscando benefícios por sequelas de lesões sofridas em campo. A judicialização dessas demandas reflete a necessidade de maior proteção para profissionais do esporte.
Próximos passos do processo judicial
A ação movida por Vampeta contra o INSS segue em tramitação, com a perícia médica de agosto de 2025 como um marco importante. Após o exame, o juiz analisará os laudos, os documentos apresentados e os argumentos da defesa e do órgão previdenciário.
O Corinthians, caso intimado, terá um prazo para fornecer o prontuário médico e outros registros solicitados. A ausência desses documentos pode complicar a comprovação da origem da lesão, mas a defesa confia no laudo do Dr. Joaquim Grava e em exames complementares.
A decisão final, que pode demorar meses, definirá se o ex-jogador receberá o auxílio-doença e os valores retroativos pleiteados. Enquanto isso, o caso segue gerando atenção no meio esportivo e jurídico.
Carreira pós-futebol e desafios atuais
Após encerrar a carreira como jogador, Vampeta se manteve ligado ao futebol, atuando como comentarista esportivo e participando de eventos relacionados ao esporte. Atualmente autônomo, o ex-volante enfrenta os desafios de lidar com as sequelas da lesão no joelho, que limitam sua mobilidade e geram dores constantes.
A condição física impacta sua rotina, exigindo cuidados regulares, como sessões de fisioterapia e uso de medicamentos. A busca pelo auxílio-doença reflete a necessidade de amparo financeiro para lidar com essas despesas e com a redução de sua capacidade de trabalho.
O caso de Vampeta não é isolado, e outros ex-atletas enfrentam situações semelhantes, destacando a importância de políticas de apoio a profissionais do esporte após a aposentadoria.
Relevância do caso para o esporte
A ação judicial de Vampeta contra o INSS chama a atenção para os desafios enfrentados por atletas após o fim da carreira. Lesões graves, como a do joelho esquerdo do ex-jogador, são comuns em esportes de alto rendimento e podem ter efeitos duradouros.
O envolvimento do Corinthians no processo, com a solicitação de prontuários médicos, reforça a necessidade de os clubes manterem registros detalhados das condições de saúde de seus atletas. Esses documentos são cruciais em disputas judiciais e previdenciárias.
A discussão também destaca a importância de os jogadores se prepararem para o futuro, contribuindo regularmente para o INSS e buscando orientações jurídicas e médicas ao longo da carreira.















