Tiroteio em operação policial no Complexo de Israel fecha Avenida Brasil e paralisa transportesPor Luís Henrique Costa
Atualizado 8 min de leitura
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Um intenso tiroteio durante uma operação da Polícia Militar no Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio de Janeiro, fechou a Avenida Brasil nos dois sentidos na altura de Vigário Geral, na madrugada de 3 de junho de 2025. A ação, iniciada às 4h42, envolveu comunidades como Cidade Alta, Parada de Lucas, Pica-Pau e Cinco Bocas, sob comando do traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão. A principal via expressa ficou interditada por cerca de 40 minutos, causando transtornos em transportes públicos e fechamento de escolas. A operação, confirmada pelo secretário de Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes Nogueira, visava reprimir atividades criminosas do Terceiro Comando Puro (TCP). Até as 7h, não havia registros de feridos ou presos.
A interrupção no tráfego gerou impacto imediato na rotina de motoristas e passageiros. Vídeos compartilhados nas redes sociais mostraram viaturas policiais e sons de disparos intensos, enquanto a população buscava rotas alternativas. A situação expôs a fragilidade da segurança em áreas dominadas pelo tráfico.
- Linhas afetadas: Trens do ramal Saracuruna, BRT Transbrasil e linhas de ônibus municipais.
- Fechamentos: 17 unidades escolares nas comunidades da região.
- Duração da interdição: Avenida Brasil fechada das 4h42 às 5h24.

Detalhes da operação policial
A Polícia Militar mobilizou um grande contingente para a operação, que teve como foco desarticular as ações do Terceiro Comando Puro no Complexo de Israel. As comunidades alvos, localizadas próximas à Avenida Brasil, são conhecidas por abrigar atividades de roubo de cargas e veículos, além de disputas territoriais. A ação foi planejada com base em informações de inteligência, segundo o comando da PM, e envolveu o Batalhão de Policiamento em Vias Expressas (BPVE) e o 16º BPM (Olaria).
O tiroteio começou logo após a entrada das equipes policiais, por volta das 4h30, e se concentrou nas proximidades de Vigário Geral. A resistência armada dos criminosos levou à decisão de fechar a Avenida Brasil, uma medida preventiva para proteger motoristas e pedestres. A operação também afetou a circulação de trens e ônibus, com a Supervia e a Mobi-Rio ajustando os serviços para garantir a segurança.
Impactos no transporte público
A operação policial gerou transtornos significativos na mobilidade urbana. A Supervia, responsável pelos trens do ramal Saracuruna, informou que as composições operaram em trechos limitados, entre Central do Brasil e Penha, e entre Saracuruna e Duque de Caxias, com intervalos de 40 minutos. As estações Penha Circular, Brás de Pina, Cordovil, Parada de Lucas e Vigário Geral foram fechadas temporariamente.
- Linhas de BRT afetadas:
- 60: Deodoro x Gentileza (Parador).
- 61: Deodoro x Gentileza (Expresso).
- 71: Vigário Geral x Gentileza (Expresso).
- Ônibus municipais: Diversas linhas, como a 774 (Madureira x Jardim América), sofreram desvios de itinerário.
- Normalização: A Mobi-Rio informou que os intervalos do BRT começaram a ser regularizados após as 7h.
A Rio Ônibus, sindicato das empresas de transporte, destacou que a interrupção afetou diretamente a rotina de milhares de passageiros que dependem da Avenida Brasil para se deslocar entre a Baixada Fluminense, Zona Norte e o Centro do Rio.
Fechamento de escolas e unidades de saúde
A Secretaria Municipal de Educação informou que 17 unidades escolares nas comunidades de Cidade Alta, Parada de Lucas e Cinco Bocas suspenderam as aulas. A medida foi adotada para proteger alunos e funcionários em meio ao confronto. Algumas escolas já haviam sido afetadas por operações anteriores na região, indicando um impacto recorrente na educação local.
Unidades de saúde também sofreram alterações no funcionamento. Clínicas da família, como Heitor dos Prazeres e Joãosinho Trinta, suspenderam atividades externas, enquanto o Centro Municipal de Saúde Iraci Lopes permaneceu fechado durante a manhã. A Secretaria Municipal de Saúde de Duque de Caxias relatou que os atendimentos foram reorganizados para priorizar a segurança dos pacientes.
Histórico de violência no Complexo de Israel
O Complexo de Israel, formado por cinco comunidades, é dominado pelo traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, líder do Terceiro Comando Puro. Ele é apontado como responsável por ordenar ataques contra vias expressas, como os registrados em outubro de 2024, que resultaram em três mortes e três feridos. Peixão, que fundou o complexo em 2021, é alvo de mais de 20 mandados de prisão por crimes como homicídio, tráfico e terrorismo.
- Ações criminosas atribuídas ao grupo:
- Roubos de cargas e veículos.
- Disputas territoriais com o Comando Vermelho.
- Construção de barricadas para dificultar operações policiais.
A facção utiliza símbolos como a Estrela de Davi e mantém uma estrutura hierárquica rígida, com Peixão coordenando atividades a partir da Cidade Alta. A polícia já realizou operações para demolir imóveis de luxo ligados ao traficante, como resorts e academias, em tentativas de enfraquecer sua influência.
Reações nas redes sociais
Nas redes sociais, moradores e motoristas compartilharam relatos de medo e frustração durante o tiroteio. Vídeos capturaram o som dos disparos e a presença de viaturas policiais bloqueando a Avenida Brasil. Um usuário descreveu a cena como “um cenário de guerra”, enquanto outro destacou a dificuldade de acessar o trabalho devido às interrupções no transporte.
A operação também gerou críticas à política de segurança pública. Alguns internautas apontaram que as ações policiais, embora necessárias, impactam diretamente a população local, especialmente nas comunidades mais vulneráveis. A hashtag #ComplexoDeIsrael chegou a ser usada para relatar atualizações em tempo real.
Medidas de segurança nas vias expressas
O Centro de Operações do Rio (COR) recomendou que motoristas evitassem a região durante a operação, sugerindo a Linha Vermelha como rota alternativa para quem se deslocava entre a Baixada Fluminense e o Centro. A Polícia Rodoviária Federal reforçou o patrulhamento nas proximidades para garantir a liberação segura da Avenida Brasil após o confronto.
A PM informou que a interdição da via foi planejada com base em protocolos de segurança, visando minimizar riscos à população. Equipes do Batalhão de Policiamento em Vias Expressas permaneceram na área após a reabertura para monitorar a situação.
Perfil do líder do tráfico
Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão, é uma figura central no crime organizado do Rio de Janeiro. Ele fundou o Complexo de Israel durante a pandemia, aproveitando a redução de operações policiais para expandir o controle do TCP. Peixão é descrito como um líder carismático, que utiliza referências religiosas, como o nome “Arão”, para consolidar sua autoridade.
- Crimes associados:
- Tráfico de drogas.
- Roubos de veículos e cargas.
- Ataques a vias expressas.
- Estruturas do tráfico: Pontes sobre o rio Pavuna para facilitar a circulação de criminosos.
- Operações contra Peixão: Ações policiais em 2024 e 2025 visaram capturá-lo, sem sucesso até o momento.
Transtornos para a população local
Moradores do Complexo de Israel enfrentaram dificuldades para sair de casa durante a operação. Relatos indicaram barricadas em chamas próximas às estações de trem, o que intensificou o clima de tensão. A interrupção dos serviços de transporte público forçou muitos a buscar alternativas, como aplicativos de mobilidade, que registraram alta demanda.
A suspensão das aulas afetou diretamente as famílias, que precisaram reorganizar suas rotinas. Comerciantes locais também relataram prejuízos, já que o fechamento da Avenida Brasil reduziu o fluxo de clientes na região.
Ações policiais anteriores na região
O Complexo de Israel já foi alvo de operações significativas nos últimos anos. Em outubro de 2024, uma ação da PM resultou em um tiroteio que fechou a Avenida Brasil por mais de duas horas, deixando três mortos e três feridos. Em janeiro de 2025, outra operação terminou com a morte de um policial militar e a prisão de oito suspeitos.
Esses episódios destacam a complexidade do combate ao tráfico na região, onde a presença de barricadas e valas dificulta o avanço das forças de segurança. A PM tem investido em equipamentos, como retroescavadeiras, para remover obstáculos e facilitar as incursões.







