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Caminhoneiros que transportam combustíveis em Minas Gerais iniciaram uma greve por tempo indeterminado na madrugada de 9 de junho de 2025, em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A paralisação, liderada pelo Sindicato das Empresas Transportadoras de Combustíveis e Derivados de Petróleo (Sindtanque-MG), reivindica o cumprimento do Piso Mínimo de Frete e do Vale-Pedágio Obrigatório pela Vibra Energia, antiga BR Distribuidora. A ação envolve dezenas de caminhões-tanques parados e pode comprometer o abastecimento de combustíveis em postos e aeroportos do estado. A mobilização ocorre após meses de negociações frustradas, e o sindicato alerta para o risco de desabastecimento em poucos dias. A Vibra, que opera 794 postos em Minas, ainda não se pronunciou oficialmente.

A greve reflete a insatisfação de uma categoria que enfrenta prejuízos financeiros devido ao descumprimento de leis trabalhistas. O Sindtanque-MG, representando cerca de 3 mil condutores, destaca que a paralisação é uma resposta direta à falta de diálogo com a distribuidora. A situação ganhou destaque em portais de notícias e redes sociais, com vídeos mostrando caminhões estacionados em Betim.

CNH Caminhoneiro Motoristas
Foto: Scania | Divulgação
  • Principais reivindicações:
    • Cumprimento do Piso Mínimo de Frete (Lei 13.703/2018).
    • Pagamento do Vale-Pedágio Obrigatório (Lei 10.209/2001).
    • Negociação imediata com a Vibra Energia.
  • Impacto imediato: Estoques de combustíveis em postos Petrobras estão “extremamente baixos”, segundo o Minaspetro.

Raízes do movimento grevista

A paralisação dos tanqueiros em Minas Gerais não é um evento isolado, mas o resultado de tensões acumuladas ao longo de anos. Desde a criação da Lei do Piso Mínimo de Frete, em 2018, após a histórica greve dos caminhoneiros que paralisou o país, a categoria enfrenta dificuldades para garantir sua implementação. O presidente do Sindtanque-MG, Irani Gomes, afirmou que as empresas transportadoras acumulam prejuízos devido à defasagem nos valores pagos pelo frete, especialmente no transporte de cargas perigosas, como combustíveis.

A Vibra Energia, líder no mercado de distribuição de combustíveis de aviação e solventes, é o principal alvo das críticas. Os caminhoneiros alegam que a empresa descumpre sistematicamente as leis que regulamentam o setor, forçando os trabalhadores a operar com margens de lucro insustentáveis. Em Betim, um dos maiores polos de distribuição de combustíveis do país, a paralisação já afeta as operações logísticas, com reflexos sentidos em Belo Horizonte e outras cidades.

O movimento também é impulsionado por fatores econômicos mais amplos. O aumento constante dos preços dos combustíveis, aliado à alta do ICMS em Minas Gerais, eleva os custos operacionais dos tanqueiros. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que o preço médio do diesel em Minas atingiu R$ 7,20 por litro em maio de 2025, um aumento de 12% em relação ao início do ano.

Reação dos postos de combustíveis

O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo de Minas Gerais (Minaspetro) acompanha a situação com preocupação. Segundo a entidade, os estoques de combustíveis nos postos da bandeira Petrobras, que representam 16% dos estabelecimentos em Minas, estão em níveis críticos. A entidade recomenda que a população evite correr aos postos para abastecer, prática que pode agravar a escassez.

Em nota, o Minaspetro informou que as operações nas bases distribuidoras em Betim permanecem parcialmente suspensas, mas ainda não há desabastecimento generalizado. A entidade destaca que a Vibra Energia abastece 794 postos no estado, além de ser responsável pela distribuição de combustíveis para o Aeroporto de Confins e parte do Aeroporto de Brasília. A continuidade da greve pode, portanto, afetar não apenas os consumidores finais, mas também o setor de aviação.

  • Medidas sugeridas pelo Minaspetro:
    • Evitar o abastecimento desnecessário para preservar os estoques.
    • Monitoramento constante das bases distribuidoras.
    • Diálogo entre governo, sindicato e distribuidoras para uma solução rápida.

Histórico de paralisações em Minas Gerais

A categoria dos tanqueiros em Minas Gerais tem um histórico de mobilizações em resposta a questões trabalhistas e econômicas. Em 2021, uma greve semelhante, também liderada pelo Sindtanque-MG, resultou em filas quilométricas em postos de combustíveis e escassez de gasolina em Belo Horizonte. Na época, a paralisação foi motivada pela alta do ICMS sobre o diesel e durou cerca de uma semana.

Outra mobilização significativa ocorreu em 2019, quando os caminhoneiros entraram em estado de greve exigindo a revisão da tabela de frete mínimo. Embora a paralisação total tenha sido evitada após negociações com o governo federal, o episódio revelou a fragilidade do setor diante de políticas públicas inconsistentes. Esses eventos reforçam a relevância de Minas Gerais como um polo logístico, com cerca de 400 empresas transportadoras e mais de 5 mil caminhões em operação.

A greve de 2018, que paralisou o Brasil por 11 dias, também serve como referência. Naquele ano, os caminhoneiros conseguiram a aprovação da Lei do Piso Mínimo de Frete, mas a falta de fiscalização efetiva tem limitado seus benefícios. Segundo Irani Gomes, as empresas transportadoras continuam “pagando para trabalhar”, o que torna as paralisações uma ferramenta recorrente para pressionar autoridades e distribuidoras.

Pressão sobre a Vibra Energia

A Vibra Energia, antiga BR Distribuidora, está no centro das negociações com o Sindtanque-MG. A empresa, que opera uma vasta rede de distribuição em Minas Gerais, enfrenta críticas pela demora em responder às demandas dos caminhoneiros. O sindicato alega que a Vibra tem se recusado a ajustar os valores do frete, mesmo após reiteradas tentativas de diálogo.

A paralisação em Betim, onde a Vibra mantém uma de suas principais bases, intensifica a pressão sobre a companhia. Vídeos divulgados pelo Sindtanque-MG mostram dezenas de caminhões-tanques estacionados, bloqueando parcialmente o acesso às instalações. A situação é agravada pela dependência de Minas Gerais como um dos maiores polos de distribuição de combustíveis do país, abastecendo não apenas o estado, mas também outras regiões.

A Vibra ainda não emitiu um posicionamento oficial sobre a greve, mas fontes do setor indicam que a empresa está em contato com o sindicato para evitar a escalada do movimento. A resolução do conflito dependerá da disposição da distribuidora em atender às reivindicações dos tanqueiros, que incluem não apenas o pagamento do piso mínimo, mas também melhores condições de trabalho.

Riscos para o abastecimento aéreo

Um dos pontos mais críticos da greve é seu potencial impacto no setor de aviação. Minas Gerais é responsável pelo abastecimento integral do Aeroporto de Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e por 30% do combustível utilizado no Aeroporto de Brasília. A paralisação prolongada pode comprometer voos domésticos e internacionais, gerando transtornos para passageiros e prejuízos para companhias aéreas.

O Sindtanque-MG alerta que, sem uma solução rápida, os estoques de querosene de aviação podem se esgotar em poucos dias. Em 2021, uma greve semelhante já causou atrasos em voos no Aeroporto de Confins, o que reforça a gravidade da situação atual. A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) acompanha o movimento e já solicitou providências às autoridades para garantir o fornecimento de combustíveis.

  • Áreas afetadas pelo risco de desabastecimento aéreo:
    • Aeroporto Internacional de Confins (100% dependente de Minas).
    • Aeroporto de Brasília (30% do combustível vindo de Minas).
    • Cadeia logística de companhias aéreas em rotas nacionais.

Papel do governo estadual

O governo de Minas Gerais, liderado pelo governador Romeu Zema, enfrenta pressão para mediar o conflito. Em paralisações anteriores, como a de 2021, o governo estadual foi criticado por sua resposta lenta às demandas dos caminhoneiros, especialmente em relação à redução do ICMS sobre combustíveis. Até o momento, não há informações sobre reuniões agendadas entre o governo, o Sindtanque-MG e a Vibra Energia.

A Secretaria de Estado de Fazenda informou que está monitorando a situação, mas não detalhou possíveis medidas para evitar o desabastecimento. A alta do ICMS, que atualmente incide em 15% sobre o diesel, é um dos fatores que agravam a insatisfação da categoria. Caminhoneiros pedem uma redução para 12%, proposta que enfrenta resistência devido ao impacto nas contas públicas.

Reações da população e do comércio

A notícia da greve gerou preocupação entre motoristas e comerciantes em Minas Gerais. Em Belo Horizonte, alguns postos já registram filas, embora o Minaspetro afirme que a situação está sob controle. Donos de postos temem que a corrida por combustíveis, como ocorreu em 2021, provoque uma escassez artificial antes que os estoques sejam efetivamente esgotados.

Comerciantes do setor de alimentos e bens de consumo também estão em alerta. A paralisação dos tanqueiros pode afetar a cadeia de suprimentos, aumentando os preços de produtos básicos. Em 2018, a greve nacional dos caminhoneiros causou desabastecimento em supermercados e feiras, um cenário que os lojistas mineiros esperam evitar.

  • Setores impactados pela possível escassez:
    • Postos de combustíveis (especialmente da bandeira Petrobras).
    • Supermercados e feiras livres.
    • Transporte público e fretamento.

Negociações em andamento

O Sindtanque-MG informou que está aberto ao diálogo com a Vibra Energia, mas exige compromissos concretos para encerrar a greve. Uma reunião entre representantes do sindicato e da distribuidora está prevista para os próximos dias, embora a data exata não tenha sido confirmada. A categoria ameaça intensificar a paralisação caso as negociações não avancem.

Enquanto isso, o governo federal também pode ser acionado para intermediar o conflito, especialmente devido ao impacto da greve no abastecimento de combustíveis para o Aeroporto de Brasília. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), responsável pela fiscalização do Piso Mínimo de Frete, ainda não se manifestou sobre a situação em Minas Gerais.

Cenário econômico e logístico

A greve dos tanqueiros expõe a fragilidade do setor logístico brasileiro, altamente dependente do transporte rodoviário. Minas Gerais, como um dos principais polos de distribuição de combustíveis, desempenha um papel estratégico na economia nacional. A paralisação, ainda que restrita ao estado, pode gerar reflexos em outras regiões, especialmente no Centro-Oeste e no Nordeste, que dependem parcialmente do combustível mineiro.

O aumento dos custos operacionais, impulsionado pela alta dos combustíveis e pela falta de infraestrutura nas estradas, é uma queixa recorrente entre os caminhoneiros. Dados do IBGE apontam que o setor de transporte rodoviário responde por 60% da movimentação de cargas no Brasil, o que torna as paralisações especialmente disruptivas.

  • Fatores que agravam a crise logística:
    • Alta do diesel (R$ 7,20 por litro em Minas, segundo a ANP).
    • Falta de fiscalização do Piso Mínimo de Frete.
    • Dependência do transporte rodoviário em detrimento de ferrovias.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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