Fazenda lança Repis Cidadão para saque de R$ 26 bilhões do Fundo PIS/PasepPor Luís Henrique Costa
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A partir de 10 de março de 2025, cerca de 10,5 milhões de trabalhadores brasileiros com carteira assinada antes de 1988, ou seus herdeiros, podem acessar a plataforma Repis Cidadão, lançada pelo Ministério da Fazenda, para consultar e sacar até R$ 26 bilhões esquecidos no extinto Fundo PIS/Pasep. A ferramenta, aguardada há meses, unifica informações e facilita o resgate de cotas transferidas ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em 2020. Os primeiros pagamentos estão previstos para 28 de março, e o acesso exige conta Gov.br nível prata ou ouro. O lançamento marca a retomada de um processo paralisado por questões tecnológicas, beneficiando trabalhadores que contribuíram entre 1971 e 1988.
O fundo, criado para complementar a renda, ainda guarda valores significativos devido à falta de informação ou esquecimento. Muitos trabalhadores desconhecem seus direitos, apesar de campanhas realizadas desde 2017. A nova plataforma busca agilizar o processo, oferecendo orientações claras para titulares e herdeiros.
- Principais funcionalidades do Repis Cidadão:
- Consulta de saldo disponível.
- Instruções para saque por herdeiros.
- Integração com o aplicativo FGTS.
O sistema também mantém a opção de consulta pelo aplicativo FGTS, já utilizado anteriormente. A iniciativa reflete esforços do governo para devolver recursos aos cidadãos e organizar o acesso a valores parados há décadas.

Origem dos recursos esquecidos
O Fundo PIS/Pasep, instituído entre 1971 e 1988, funcionava como um complemento financeiro para trabalhadores formais, semelhante ao FGTS. Os valores depositados rendiam juros e correção anualmente, mas só podiam ser sacados em situações específicas, como aposentadoria, doença grave ou casamento. A falta de campanhas eficazes no passado e a complexidade do sistema deixaram bilhões de reais sem resgate.
Em 2018, o governo liberou saques para todos os cotistas, independentemente da idade, mas muitos não acessaram os recursos. No ano seguinte, a flexibilização para herdeiros simplificou o processo, exigindo documentos como certidão de óbito e comprovação de vínculo. Mesmo assim, em 2020, cerca de 10,8 milhões de trabalhadores ainda não haviam retirado suas cotas, totalizando R$ 25,2 bilhões à época.
A extinção do fundo, em abril de 2020, transferiu os saldos para o FGTS, permitindo saques via aplicativo. Apesar disso, a transferência dos recursos ao Tesouro Nacional em 2023, para reforçar as contas públicas, atrasou os resgates até a criação do Repis Cidadão.
Como funciona o acesso à plataforma
Para utilizar o Repis Cidadão, o usuário deve acessar o Portal Gov.br com uma conta nível prata ou ouro, que garante maior segurança na autenticação. A plataforma orienta sobre os passos para consulta e solicitação de saque, com seções específicas para herdeiros. O sistema foi projetado para ser intuitivo, reduzindo a necessidade de deslocamento a agências bancárias.
A Caixa Econômica Federal, responsável pelos pagamentos do PIS, e o Banco do Brasil, que gerencia o Pasep, continuam como operadores dos saques. Os valores serão transferidos para contas indicadas pelos beneficiários, sem custos adicionais.
- Documentos exigidos para titulares:
- Documento oficial com foto.
- Documentos para herdeiros:
- Certidão de óbito do titular.
- Declaração de dependentes ou escritura pública.
- Documento de identificação do solicitante.
A exigência de autenticação reforça a segurança, evitando fraudes no processo de resgate.
Histórico de saques do fundo
Os saques do Fundo PIS/Pasep começaram de forma restrita em 2017, voltados para maiores de 60 anos. Naquele ano, 4,8 milhões de cotistas resgataram R$ 6,6 bilhões. A ampliação em 2018 elevou o número de beneficiários para 23,8 milhões, com R$ 35,7 bilhões disponíveis. Apesar das campanhas, muitos não buscaram os valores, seja por desconhecimento, seja por dificuldades burocráticas.
Em 2019, a flexibilização para herdeiros trouxe avanços, mas o volume de cotas não resgatadas permaneceu alto. A transferência para o FGTS em 2020 simplificou o acesso, mas a migração dos recursos ao Tesouro em 2023 interrompeu temporariamente os saques. Agora, com o Repis Cidadão, o governo espera alcançar os 10,5 milhões de trabalhadores ou herdeiros restantes.
Valores disponíveis e média por cotista
Os R$ 26 bilhões disponíveis em 2025 incluem os R$ 25,2 bilhões transferidos em 2020, acrescidos de rendimentos acumulados no FGTS. Segundo o Ministério da Fazenda, cada cotista tem, em média, R$ 2,8 mil a receber, embora os valores variem conforme o tempo de contribuição e os rendimentos.
Os recursos pertencem majoritariamente a trabalhadores do setor privado (PIS) e servidores públicos (Pasep) que atuaram entre 1971 e 1988. A maioria dos cotistas é de idosos ou herdeiros, o que reforça a importância de campanhas informativas.
Procedimentos para herdeiros
Herdeiros enfrentam um processo mais detalhado para acessar as cotas. Além da certidão de óbito, é necessário apresentar documentos que comprovem o vínculo com o titular, como a carta de concessão de pensão por morte emitida pela Previdência Social. Em casos de sucessores legais, uma escritura pública pode ser exigida, declarando a ausência de outros dependentes.
A plataforma Repis Cidadão oferece um passo a passo para esses casos, com links para modelos de documentos e orientações sobre como proceder em situações específicas, como a falta de certidão.
- Documentos alternativos para herdeiros:
- Autorização judicial.
- Declaração de dependentes habilitados.
- Escritura pública assinada por todos os sucessores.
A inclusão dessas opções visa reduzir barreiras burocráticas e agilizar o acesso aos recursos.
Integração com o aplicativo FGTS
Além do Repis Cidadão, o aplicativo FGTS permanece como uma ferramenta de consulta e solicitação de saques. Desde 2020, o app permite verificar saldos e transferir valores para contas bancárias, sem a necessidade de comparecimento presencial. A integração entre as duas plataformas garante maior alcance, especialmente para trabalhadores familiarizados com o aplicativo.
A Caixa Econômica Federal informou que manterá equipes de atendimento para esclarecer dúvidas, seja por canais digitais, seja em agências. O Banco do Brasil também disponibiliza suporte para cotistas do Pasep.
Campanhas de conscientização
Desde 2017, o governo realiza campanhas para informar sobre o Fundo PIS/Pasep, mas a adesão ainda é baixa. Em 2018, a ampla divulgação elevou os saques, mas milhões de cotistas não buscaram os valores. A falta de acesso à informação, especialmente entre herdeiros, é um dos principais entraves.
Com o lançamento do Repis Cidadão, novas ações de comunicação estão previstas, incluindo anúncios em TVs, rádios e redes sociais. O foco será orientar sobre o uso da plataforma e os documentos necessários, com ênfase em regiões com maior concentração de cotistas.
Avanços tecnológicos na gestão dos saques
O desenvolvimento do Repis Cidadão resolveu entraves tecnológicos que atrasaram os saques desde 2023. A plataforma, planejada desde junho de 2024, foi concluída após meses de ajustes, garantindo integração com o Gov.br e o FGTS. O sistema permite processar grandes volumes de solicitações, reduzindo o risco de falhas.
A unificação das informações em um único portal simplifica o acesso, especialmente para herdeiros que enfrentavam dificuldades em obter orientações claras. A expectativa é que a ferramenta acelere os resgates e reduza o volume de recursos parados.
Próximos passos para os cotistas
Os primeiros saques via Repis Cidadão começam em 28 de março de 2025, com prioridade para solicitações realizadas nos primeiros dias. A Caixa e o Banco do Brasil processarão os pedidos em ordem de recebimento, com prazos estimados de até 10 dias úteis para transferência.
Os cotistas devem verificar sua elegibilidade no aplicativo FGTS ou no Repis Cidadão, garantindo que possuem os documentos exigidos. Herdeiros são incentivados a reunir a documentação com antecedência para evitar atrasos.







