Chefe do tráfico do Caju é capturado por liderar esquema de roubosPor Bruna
7 min de leitura
![]() |
Na manhã desta segunda-feira, 16 de junho de 2025, a Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu Luiz Alberto Santos de Moura, conhecido como Bob do Caju, apontado como chefe do tráfico de drogas no Complexo do Caju, na Zona Portuária. A operação, conduzida pela Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC) com apoio da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), desmantelou um esquema de roubos de carga que atuava na região. Bob, que acumula mais de 49 anos de condenações, foi capturado na comunidade Parque Alegria após semanas de monitoramento. A ação, parte da Operação Torniquete, revelou um sofisticado sistema de monitoramento de caminhões e divisão de lucros entre comunidades criminosas. A prisão marca um avanço no combate ao crime organizado no Rio.
A operação que resultou na prisão de Bob do Caju mobilizou agentes especializados e contou com inteligência policial. Após a captura, os investigadores detalharam como o criminoso coordenava atividades ilícitas que iam além do tráfico de drogas, incluindo roubos de carga em larga escala.
- Monitoramento de caminhões: O grupo usava câmeras e comparsas para rastrear veículos saindo da Zona Portuária.
- Divisão de lucros: As cargas roubadas eram redistribuídas entre comunidades como Caju e Maré.
- Facção envolvida: O esquema era liderado pela facção Terceiro Comando Puro (TCP).
O histórico de Bob do Caju, com 20 anotações criminais, inclui crimes graves como homicídio e organização criminosa. Ele estava em liberdade há pouco mais de um ano, após cumprir quase sete anos de pena.
Esquema criminoso na Zona Portuária
A Zona Portuária, por sua localização estratégica, tornou-se alvo preferencial do grupo liderado por Bob do Caju. Caminhões que transportavam cargas valiosas, como eletrônicos e produtos importados, eram monitorados desde a saída dos armazéns. Os criminosos usavam informações privilegiadas e, em alguns casos, infiltrados em empresas de logística. Após os roubos, as mercadorias eram levadas para comunidades dominadas pela TCP, como Vila do João e Vila do Pinheiro, na Maré. A polícia identificou que o grupo operava em um modelo de “consórcio”, dividindo as cargas entre diferentes facções aliadas para maximizar lucros. Esse sistema, segundo os investigadores, garantia a continuidade das operações criminosas mesmo sob pressão policial.
Operação Torniquete em ação
A Operação Torniquete, deflagrada para combater o roubo de cargas no Rio, já resultou em diversas prisões e apreensões. Na fase mais recente, os agentes da DRFC e da DRE concentraram esforços no Complexo do Caju, onde Bob do Caju exercia influência. O monitoramento do suspeito começou meses atrás, com base em denúncias anônimas e interceptações telefônicas. A localização exata do criminoso na comunidade Parque Alegria foi confirmada na semana passada, permitindo a ação rápida dos policiais. Durante a abordagem, não houve resistência, e Bob foi levado para a delegacia para prestar depoimento.
A operação também revelou a sofisticação do grupo, que utilizava equipamentos de comunicação avançados e rotas alternativas para evitar blitze policiais. A polícia agora investiga possíveis conexões do esquema com outros crimes na região, como lavagem de dinheiro.

Histórico criminal de Bob do Caju
Luiz Alberto Santos de Moura, de 42 anos, é uma figura conhecida no submundo do crime carioca. Com mais de duas décadas de atividades ilícitas, ele acumula condenações que somam 49 anos de prisão. Entre os crimes atribuídos a ele estão:
- Organização criminosa, por liderar grupos no Complexo do Caju.
- Homicídio, incluindo casos ligados a disputas entre facções.
- Associação para o tráfico, com atuação em diversas comunidades.
- Roubo de cargas, com prejuízos estimados em milhões de reais.
A trajetória de Bob inclui passagens por presídios de segurança máxima. Após cumprir parte de suas penas, ele retornou às ruas em 2024, reassumindo o controle de atividades criminosas no Caju. Sua influência também se estendia a outras regiões, como a Rocinha, onde ele apoiou disputas entre facções em 2017.
Conexões com a Rocinha e a Maré
A prisão de Bob do Caju joga luz sobre as conexões entre comunidades dominadas pela TCP. Em 2017, ele teria fornecido armas e homens para reforçar o controle de um chefe criminoso na Rocinha, durante uma guerra entre facções. A disputa, que deixou mortos e paralisou a zona sul do Rio, foi alimentada por recursos provenientes de roubos de carga e tráfico. Na Maré, o grupo de Bob mantinha alianças estratégicas para a distribuição de mercadorias roubadas. As comunidades Vila do João e Vila do Pinheiro serviam como “depósitos” para as cargas, que eram revendidas no mercado paralelo.
A polícia acredita que a prisão de Bob pode enfraquecer essas conexões, mas novos líderes já estariam sendo preparados para assumir seu lugar. A Operação Torniquete segue mapeando essas redes para evitar a reorganização dos grupos.
Funcionamento do consórcio criminoso
O termo “consórcio” foi usado pelos investigadores para descrever a colaboração entre diferentes comunidades criminosas. Cada grupo tinha uma função específica no esquema:
- Vigilância: Monitoramento de caminhões na Zona Portuária.
- Interceptação: Abordagem armada dos veículos em pontos estratégicos.
- Distribuição: Divisão das cargas entre Caju, Maré e outras áreas.
- Revenda: Venda dos produtos no mercado ilegal, muitas vezes a preços irrisórios.
Esse modelo permitia que os lucros fossem compartilhados, reduzindo conflitos entre facções aliadas. A polícia estima que o esquema movimentava milhões de reais por ano, com prejuízos significativos para empresas de logística e transporte.
Avanços no combate ao crime organizado
A prisão de Bob do Caju é vista como um marco na luta contra o crime organizado no Rio de Janeiro. A Operação Torniquete, iniciada em 2023, já apreendeu toneladas de cargas roubadas e prendeu dezenas de suspeitos. A ação desta segunda-feira reforça a importância da integração entre delegacias especializadas, como a DRFC e a DRE. Além disso, a polícia planeja intensificar as investigações para identificar outros envolvidos no esquema, incluindo possíveis informantes dentro de empresas portuárias.
Perfil do Complexo do Caju
O Complexo do Caju, localizado na Zona Portuária, é uma das áreas mais vulneráveis do Rio. Composto por comunidades como Parque Alegria e Barreira do Vasco, o local enfrenta desafios históricos, como falta de saneamento e alto índice de violência. A presença de facções como a TCP agrava a situação, com o tráfico de drogas e o roubo de cargas sendo as principais atividades criminosas. A proximidade com o porto torna a região um ponto estratégico para o crime organizado, dificultando o trabalho das forças de segurança.
Próximos passos da investigação
Com a prisão de Bob do Caju, a Polícia Civil agora foca na desarticulação completa do esquema. Os investigadores buscam identificar os responsáveis pela logística do consórcio criminoso, incluindo motoristas e revendedores. Apreensões recentes de celulares e documentos na comunidade Parque Alegria podem fornecer pistas sobre a rede de contatos de Bob. A operação também pretende reforçar a presença policial na Zona Portuária, com blitze regulares e monitoramento por câmeras.
Impacto econômico dos roubos de carga
O roubo de cargas é um problema crônico no Rio de Janeiro, com impactos diretos na economia. Segundo dados da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), o estado registrou mais de 5 mil casos de roubo de carga em 2024, com prejuízos superiores a 1 bilhão de reais. As empresas de transporte enfrentam custos elevados com segurança e seguros, o que encarece os produtos para o consumidor final. A prisão de líderes como Bob do Caju é um passo para reduzir esses números, mas o combate ao crime exige ações contínuas.







