Lyon rebaixado por rombo financeiro: John Textor promete lutar contra decisãoPor Thiago Lemos
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A crise financeira do Lyon, clube francês controlado por John Textor, culminou no rebaixamento à segunda divisão do Campeonato Francês, conforme decisão anunciada pela Direção Nacional de Controle e Gestão (DNCG) da Liga de Futebol Profissional da França (LFP) em 24 de junho de 2025. A medida, resultado de um déficit de 25,7 milhões de euros na temporada 2023/24 e uma dívida acumulada de 500 milhões de euros pela Eagle Football Group, holding de Textor, pegou o futebol europeu de surpresa. O empresário, também dono da SAF do Botafogo, participou de uma audiência decisiva na França, mas não conseguiu convencer os reguladores com as garantias financeiras apresentadas. O clube, que já foi heptacampeão francês, agora enfrenta um futuro incerto na Ligue 2, embora tenha anunciado que recorrerá da decisão. A situação expõe os desafios de Textor em gerir múltiplos clubes e levanta questionamentos sobre o modelo de gestão multiclubes.
O impacto da decisão vai além do campo esportivo. A DNCG, órgão responsável por fiscalizar as finanças dos clubes franceses, já havia imposto restrições ao Lyon, como a proibição de contratações na janela de transferências de janeiro de 2025. A audiência com Textor era vista como uma última chance para evitar punições mais severas.
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- Déficit elevado: A Eagle Football Group registrou perdas de 25,7 milhões de euros na temporada passada.
- Dívida acumulada: A holding deve cerca de 500 milhões de euros, agravando a crise.
- Punições anteriores: O Lyon já estava sob restrições, incluindo a proibição de contratar novos jogadores.
A notícia do rebaixamento chocou torcedores e analistas, que aguardam os próximos passos do clube e de seu proprietário.
⚠️ URGENTE!
— Planeta do Futebol 🌎 (@futebol_info) June 24, 2025
DNCG, órgão que fiscaliza as contas do futebol francês, acaba de rebaixar o Lyon para a 2ª divisão do Campeonato Francês por conta da crise financeira do clube.
O Lyon pode recorrer da decisão.
🗞 @FabrizioRomano | @RMCsport
📸 Reprodução pic.twitter.com/NxOsYFhADO
Audiência decisiva e promessas de Textor
John Textor chegou à sede da LFP em Paris minutos antes da audiência com a DNCG, evitando a imprensa e limitando-se a comentar brevemente o desempenho do Botafogo no Mundial de Clubes. Em declarações ao jornal francês L’Équipe, o empresário afirmou manter um diálogo constante com o órgão regulador, destacando que apresentou um plano de negócios detalhado. Segundo Textor, a Eagle Football Group destinou recursos significativos para garantir a sustentabilidade do Lyon, mas os argumentos não foram suficientes para reverter a decisão inicial de rebaixamento, decretada em novembro de 2024.
A reunião era crucial. A DNCG exigia garantias financeiras de pelo menos 100 milhões de euros para a temporada 2025/26, um montante que o Lyon não conseguiu assegurar de forma convincente. A falta de clareza nas projeções orçamentárias e a incapacidade de reduzir o déficit pesaram na avaliação do órgão.
Venda do Crystal Palace como solução parcial
Para enfrentar a crise, Textor recorreu à venda de sua participação de 43% no Crystal Palace, clube inglês da Premier League, por 190 milhões de libras (cerca de 1,4 bilhão de reais). A transação, concluída com Woody Johnson, dono do New York Jets, foi motivada por uma regra da UEFA que proíbe clubes com o mesmo proprietário de disputarem a mesma competição europeia, já que tanto Lyon quanto Crystal Palace se classificaram para a Liga Europa 2025/26.
A venda trouxe alívio financeiro, mas não resolveu completamente os problemas do Lyon. Textor afirmou que parte dos recursos foi usada para pagar dívidas da Eagle Football Group, enquanto outra parcela foi investida na holding para atender às exigências da UEFA e da DNCG. Apesar disso, a ausência de garantias concretas para cobrir os 100 milhões de euros exigidos pela DNCG foi o principal fator para o rebaixamento.
Histórico de problemas financeiros
O Lyon vem enfrentando dificuldades financeiras há anos, agravadas pela gestão de Textor desde que a Eagle Football Group assumiu o controle do clube. A temporada 2023/24 foi particularmente desafiadora, com a perda de receitas devido a eliminações precoces em competições europeias e a ausência de uma vaga na Liga dos Campeões. A venda de jogadores importantes, como Rayan Cherki ao Manchester United, trouxe algum alívio, mas não foi suficiente para equilibrar as contas.
A DNCG, conhecida por sua rigidez, já havia alertado o Lyon em 2024, impondo sanções como a proibição de contratações e o controle rigoroso da folha salarial. A decisão de rebaixar o clube reflete a gravidade da situação e a falta de confiança nas projeções financeiras apresentadas por Textor.
Reações no mundo do futebol
O rebaixamento do Lyon gerou repercussão imediata na França e no exterior. Torcedores do clube, que já expressavam insatisfação com a gestão de Textor, organizaram protestos nas redes sociais e nas proximidades do estádio Groupama. A imprensa francesa destacou a ironia de um clube histórico, que dominou a Ligue 1 nos anos 2000, agora enfrentar a segunda divisão por questões administrativas.
- Torcida revoltada: Manifestações nas redes sociais criticam a gestão de Textor e exigem mudanças.
- Imprensa crítica: Jornais como L’Équipe apontam falhas na estratégia financeira da Eagle.
- Concorrentes atentos: Clubes como PSG e Monaco monitoram a situação, que pode afetar o mercado de transferências.
- Impacto no Botafogo: A crise no Lyon levanta preocupações sobre a gestão de Textor no clube carioca.
Analistas apontam que o rebaixamento pode ter consequências duradouras, incluindo a perda de patrocínios e a desvalorização do elenco.
Gestão multiclubes sob escrutínio
A Eagle Football Group, que além do Lyon e do Botafogo controla o RWD Molenbeek, da Bélgica, enfrenta críticas por sua estratégia de gestão multiclubes. Na Bélgica, o ex-jogador Franky Van der Elst criticou Textor por enviar jogadores considerados de “terceira linha” ao Molenbeek, que não conseguiu o acesso à elite nacional. A situação do Lyon reforça as dúvidas sobre a capacidade de Textor de gerir múltiplos clubes simultaneamente.
No Brasil, o Botafogo vive um momento oposto, com conquistas recentes como o Brasileirão e a Libertadores de 2024. No entanto, a SAF do clube também enfrenta desafios, como o atraso na publicação das demonstrações financeiras de 2024, o que gerou notificações da CBF. A crise no Lyon pode aumentar a pressão sobre Textor para equilibrar seus investimentos.
Próximos passos do Lyon
O Lyon anunciou que recorrerá da decisão da DNCG, um processo que pode levar semanas e envolve a apresentação de novas garantias financeiras. Textor, que retornará aos Estados Unidos para acompanhar o Botafogo nas oitavas de final do Mundial de Clubes, delegou a tarefa a sua equipe jurídica na França. O clube também planeja vender ativos, como jogadores do elenco, para aliviar a pressão financeira.
A permanência de Thiago Almada, ex-Botafogo e atual destaque do Lyon, foi confirmada por Textor, que descartou negociações com o Benfica. A decisão reflete a estratégia de manter peças-chave, mesmo em meio à crise.
Investimentos futuros na Eagle
Apesar dos problemas, Textor mantém negociações com investidores para fortalecer a Eagle Football Group. O Sportsbank, um banco de investimentos esportivos, anunciou em agosto de 2025 a intenção de injetar recursos significativos na holding, com foco em clubes como Botafogo e Lyon. Outro grupo, formado por investidores americanos e sauditas, também demonstrou interesse em adquirir ações da Eagle.
Esses acordos, ainda em fase de due diligence, podem oferecer uma saída para a crise financeira, mas dependem da aprovação de órgãos reguladores e da capacidade de Textor de cumprir as exigências da DNCG.
Perspectiva no mercado europeu
O rebaixamento do Lyon também reflete o rigor crescente das autoridades europeias em relação à gestão financeira dos clubes. A UEFA, que já havia pressionado Textor a vender sua participação no Crystal Palace, intensificou a fiscalização sobre modelos de propriedade multiclubes. A DNCG, por sua vez, sinaliza que não hesitará em aplicar punições severas, mesmo a clubes tradicionais.
A situação do Lyon serve como alerta para outros clubes endividados na Europa, especialmente aqueles sob gestão de holdings internacionais. A capacidade de Textor de reverter o rebaixamento será um teste crucial para sua credibilidade no futebol global.















