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Donos de VW Tiguan processam marca por motor 2.0 EA888 que queima óleo demais

Tiguan -
Foto: Tiguan - Foto: Divulgação

Um grupo de proprietários de Volkswagen Tiguan, modelos 2022 e 2023, abriu um processo coletivo contra a montadora nos Estados Unidos, alegando que o motor 2.0 EA888 consome óleo em níveis excessivos, comprometendo a segurança e a manutenção dos veículos. A ação, unificada em dezembro de 2024 no Tribunal Distrital de Nova Jersey, acusa a Volkswagen de vender SUVs com defeitos nos anéis de pistão e no sistema de ventilação do cárter, que elevam o consumo de óleo além do normal. Os sete autores exigem um recall e indenizações, enquanto a empresa defende que o comportamento está dentro dos padrões descritos no manual, de até 0,5 litro por 1.000 km. A disputa, que pode custar mais de US$ 5 milhões à montadora, reacende debates sobre a confiabilidade de motores modernos.

O caso ganhou força após relatos de motoristas que precisaram reabastecer o óleo com frequência, alguns a cada 2.000 km, muito antes das trocas recomendadas a cada 10.000 km. A Volkswagen emitiu um boletim técnico em setembro de 2024, orientando concessionárias a realizar testes de consumo, mas proprietários afirmam que as respostas das autorizadas são insuficientes, muitas vezes classificando o problema como “normal”.

Principais pontos da ação judicial:

  • Defeito nos anéis de pistão, que permitem a queima de óleo no motor.
  • Falha no sistema de ventilação positiva do cárter (PCV), aumentando a pressão interna.
  • Consumo de óleo até 0,5 litro por 1.000 km, considerado excessivo pelos autores.
  • Risco de falhas no motor devido à baixa lubrificação.

Detalhes do defeito no motor EA888

A ação judicial aponta que o motor 2.0 EA888, presente nos Tiguans 2022 e 2023, apresenta anéis de pistão com tensão insuficiente, permitindo que o óleo lubrificante passe para a câmara de combustão e seja queimado. Esse problema, segundo os autores, resulta em consumo de óleo muito acima do esperado, com alguns proprietários relatando a necessidade de adicionar até 1,5 litro entre as trocas programadas.

Além disso, o sistema de ventilação positiva do cárter (PCV) é acusado de falhar na regulação da pressão interna do motor, agravando a queima de óleo. Em um caso relatado, uma proprietária da Geórgia viu a luz de alerta de óleo baixo acender após apenas 2.500 milhas (cerca de 4.000 km), e, mesmo após cinco visitas à concessionária, o problema persistiu.

O boletim técnico 2017813/19, emitido pela Volkswagen em setembro de 2024, instrui concessionárias a inspecionar motores por vazamentos e realizar um teste de consumo de óleo em três etapas. No entanto, proprietários relatam que os testes raramente resultam em reparos, com as autorizadas frequentemente afirmando que o consumo está dentro dos limites aceitáveis.

Resposta da Volkswagen à ação

A montadora apresentou uma defesa robusta, argumentando que o consumo de óleo dos Tiguans está conforme especificado no manual do proprietário, que alerta para a possibilidade de até 1 litro de óleo por 2.000 km, dependendo das condições de uso. A empresa também destaca que nenhum dos sete autores relatou falhas graves, como paradas do motor ou danos permanentes, e que o caso de “hesitação” mencionado por uma autora foi considerado normal pela concessionária.

A Volkswagen solicita a dismissal do processo, alegando que os proprietários não apresentaram evidências de consumo acima do padrão estabelecido. A empresa reforça que o boletim técnico de 2024 é uma medida proativa para lidar com reclamações, mas não reconhece um defeito generalizado nos motores EA888.

Novo Tiguan R
Novo Tiguan R – Foto: Divulgação/ Volkswagen

Relatos de proprietários

Proprietários de Tiguans 2022 e 2023 têm compartilhado experiências semelhantes em fóruns e redes sociais. Um motorista de Maryland, Calvin Westlund, levou seu Tiguan R-Line Black Edition 2022 a uma concessionária em dezembro de 2024, após reabastecer o óleo quatro ou cinco vezes em um mês. A autorizada iniciou a primeira fase do teste de consumo, mas não ofereceu solução definitiva.

Stacy Zeiders, da Carolina do Norte, relatou problemas semelhantes com seu Tiguan 2022, incluindo alertas frequentes de óleo baixo e visitas a concessionárias na Pensilvânia e na Carolina do Norte. Ela expressou preocupação com a segurança, especialmente porque o indicador de nível de óleo falhou em alertá-la sobre baixos níveis em ocasiões anteriores.

Outros proprietários, fora do processo, também relatam frustrações. Um dono de um Tiguan 2024, com apenas 6.300 milhas, informou que a luz de óleo baixo acendeu, exigindo 1,5 litro de óleo, mas a concessionária classificou o consumo como parte do “período de amaciamento” do motor.

Riscos associados ao consumo de óleo

O consumo excessivo de óleo pode levar a sérios problemas mecânicos. Sem lubrificação adequada, o motor corre risco de superaquecimento, desgaste de componentes e, em casos extremos, falha total. A ação judicial destaca que a queima de óleo também pode danificar sistemas de emissões, aumentando a poluição e potencialmente violando normas ambientais.

Proprietários relatam sintomas como fumaça azul na partida, indicação de queima de óleo, e ruídos anormais no motor. Um caso relatado envolveu uma nuvem de fumaça branca após uma falha repentina, com o motor sem óleo ao verificar a vareta.

Possíveis consequências do defeito:

  • Danos ao motor por falta de lubrificação.
  • Aumento das emissões poluentes.
  • Risco de falhas durante a condução, comprometendo a segurança.
  • Custos elevados com reabastecimento frequente de óleo.

Histórico de problemas com motores VW

O motor EA888 não é novidade em controvérsias. Desde 2008, versões anteriores desse motor, usadas em modelos como Audi A4 e VW Passat, enfrentaram acusações semelhantes de consumo excessivo de óleo. Uma ação judicial de 2021 contra a Volkswagen, envolvendo motores 2.0T de 2012 a 2017, alegou defeitos nos pistões, resultando em custos de reparo de até US$ 6.500.

Embora a Volkswagen tenha resolvido alguns casos com acordos, a repetição de problemas no Tiguan 2022-2023 sugere que o defeito não foi totalmente corrigido. A montadora já enfrentou críticas por sua postura de classificar altos níveis de consumo de óleo como normais, uma prática que frustra consumidores e concessionárias.

Processo judicial em andamento

O processo, intitulado Zeiders et al. v. Volkswagen Group of America, Inc., foi consolidado a partir de três ações iniciais e agora tramita no Tribunal Distrital de Nova Jersey. Os autores, representados por escritórios como Shub Johns & Holbrook LLP e Lemberg Law, buscam representar todos os proprietários ou locatários de Tiguans 2022 e 2023 nos EUA.

A ação alega violações de leis estaduais e federais de proteção ao consumidor, além de quebra de garantia. Os demandantes pedem que a Volkswagen seja obrigada a realizar um recall, reparar os motores afetados e compensar os proprietários por custos com óleo e visitas a concessionárias.

Etapas do processo:

  • Dezembro 2024: unificação das ações judiciais.
  • Janeiro 2025: Volkswagen solicita dismissal do caso.
  • 2025: audiências previstas para avaliar as evidências.
  • Possível recall ou acordo, dependendo do desfecho.

Experiência dos proprietários com concessionárias

Muitos proprietários relatam dificuldades ao buscar soluções nas concessionárias. Em um caso, uma motorista de Vermont foi informada que seu Tiguan 2022, com menos de 2.000 milhas após a troca de óleo, precisava de duas vedações substituídas. Após o reparo, o problema persistiu, e a concessionária sugeriu a troca da cabeça do motor, indicando que o defeito era comum.

Outro proprietário, de Michigan, informou que seu Tiguan 2022, com 35.000 milhas, consumia todo o óleo antes da próxima manutenção, exibindo fumaça azul na partida. Apesar dos testes de consumo, as concessionárias frequentemente negam reparos, citando o padrão de 0,5 litro por 1.000 km como aceitável.

Padrões de consumo de óleo na indústria

O consumo de óleo varia entre fabricantes, mas a Volkswagen é alvo de críticas por estabelecer um limite elevado. Para comparação, marcas como Toyota e Honda consideram 1 litro por 10.000 km como o máximo aceitável para seus motores. A prática da Volkswagen de incluir alertas no manual sobre consumos de até 1 litro por 2.000 km é vista por especialistas como uma forma de mitigar reclamações.

A indústria automotiva enfrenta um dilema: motores turbo, como o EA888, tendem a consumir mais óleo devido à alta pressão e temperatura, mas níveis excessivos indicam falhas de projeto. O caso do Tiguan reforça a necessidade de padrões mais rígidos para proteger os consumidores.

Implicações para o mercado de SUVs

O Tiguan Allspace R-Line 2024, equipado com o mesmo motor EA888, é vendido em mercados como o Brasil, onde a versão foi ajustada para normas de emissões, reduzindo a potência para 186 cv e adotando tração dianteira. Embora não haja relatos confirmados de ações judiciais no Brasil, proprietários locais também mencionam consumo elevado de óleo em fóruns online.

O segmento de SUVs médios é altamente competitivo, com rivais como Toyota RAV4, Honda CR-V e Hyundai Tucson. A má publicidade do processo pode afetar a confiança dos consumidores na Volkswagen, especialmente em um mercado onde a confiabilidade é um fator decisivo.

Opções para proprietários afetados

Proprietários de Tiguans 2022 e 2023 nos EUA podem considerar algumas ações enquanto o processo tramita. Documentar todas as visitas à concessionária, recibos de compra de óleo e resultados de testes de consumo é essencial para fortalecer reivindicações legais. Solicitar o teste de consumo de óleo conforme o boletim técnico de 2024 é outra medida recomendada.

Nos EUA, leis de proteção ao consumidor, como a Lemon Law, podem ser aplicáveis se o veículo apresentar defeitos persistentes durante o período de garantia. Proprietários fora dos EUA devem consultar legislações locais e buscar apoio de associações de consumidores.