BYD investe R$ 5,5 bi e produzirá King junto a Dolphin Mini e Song Pro
A BYD, gigante chinesa do setor automotivo, está prestes a marcar um novo capítulo no Brasil com a produção do sedã King em sua fábrica de Camaçari, na Bahia, confirmada pelo vice-presidente sênior da marca, Alexandre Baldy. O modelo será o terceiro veículo fabricado na unidade, ao lado do elétrico Dolphin Mini e do híbrido Song Pro, com operações previstas para iniciar em julho de 2025. A planta, adquirida do Governo da Bahia por R$ 290 milhões, terá capacidade anual de 150 mil unidades e promete ser a maior da BYD fora da China. Com investimento total de R$ 5,5 bilhões, a fabricante planeja alcançar 70% de nacionalização até 2026, criando até 20 mil empregos. A produção do King, que rivaliza com o Toyota Corolla, deve começar no fim de 2025 ou em 2026, consolidando a estratégia da BYD no mercado brasileiro.
A cerimônia de inauguração da fábrica está marcada para 1º de julho, embora as operações dependam da finalização do galpão principal. A pressa da BYD se justifica pelo aumento iminente dos impostos de importação para veículos elétricos e híbridos, que sobem para 25% e 28%, respectivamente, a partir da mesma data. A empresa negocia com o governo uma redução de 10% na tributação de veículos semidesmontados, visando otimizar custos.
- Modelos iniciais da fábrica: Dolphin Mini, Song Pro e, em breve, o King.
- Capacidade produtiva: Até 150 mil veículos por ano, com 12 modelos simultâneos.
- Investimento aplicado: R$ 1,4 bilhão dos R$ 5,5 bilhões previstos.
A chegada do King à linha de produção reforça a aposta da BYD no segmento de sedãs médios, onde já é o segundo mais vendido no Brasil, com 5,5 mil unidades emplacadas entre janeiro e maio de 2025, segundo a Fenabrave.
Detalhes do BYD King no mercado brasileiro
O BYD King, lançado em junho de 2024, é um sedã médio que compete diretamente com o Toyota Corolla, líder disparado da categoria. Disponível em duas versões, GL (R$ 179.990) e GS (R$ 191.990), o modelo combina um motor 1.5 a gasolina de 110 cv com um sistema híbrido que eleva a potência combinada a 209 cv na versão de entrada e 235 cv na topo de linha. A aceleração de 0 a 100 km/h, testada pela Autoesporte, é de 7,3 segundos na configuração mais potente, destacando seu desempenho ágil.
A diferença entre as versões está na bateria Blade, com capacidades de 8,3 kWh (GL) e 18,3 kWh (GS), oferecendo autonomias elétricas de 32 km e 80 km, respectivamente, conforme o Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV). Com 4,78 metros de comprimento e porta-malas de 450 litros, o King se posiciona como uma opção espaçosa e versátil para famílias e motoristas urbanos.
O sedã já conquistou espaço no mercado, ficando atrás apenas do Corolla, que vende quase três vezes mais. A produção local pode reduzir preços e aumentar a competitividade, especialmente com a conversão do Song Pro para motor flex, outra novidade planejada para a fábrica baiana.
Fases de operação da fábrica em Camaçari
A planta de Camaçari, que pertencia à Ford, foi adquirida em 2023 e está em fase final de preparação. A BYD planeja operar em diferentes etapas, começando com montagem em regimes SKD (kits semidesmontados) e CKD (peças para montagem local). Até o fim de 2026, a meta é alcançar 70% de nacionalização, com pintura e estamparia próprias. As fases incluem:
- Etapa inicial: Montagem SKD de Dolphin Mini e Song Pro, com início em julho de 2025.
- Expansão até 2026: Produção CKD com maior integração local, incluindo o King.
- Futuro: Fabricação de ônibus, caminhões e processamento de lítio para baterias.
A fábrica, com 4,6 milhões de m² e 28 instalações, será a maior da BYD fora da China, projetada para suportar até 12 modelos simultaneamente. A produção local de insumos, como baterias, reforça o compromisso da marca com a sustentabilidade e a economia brasileira.
Obstáculos e estratégias fiscais
O cronograma da BYD enfrentou desafios. Originalmente, a fábrica deveria iniciar operações em março de 2025, mas uma denúncia do Ministério Público do Trabalho (MPT) sobre condições trabalhistas atrasou os planos. A empresa ajustou sua estratégia para cumprir o prazo de julho, coincidindo com o aumento dos impostos de importação. A alíquota de 28% para híbridos plug-in (PHEV) e 25% para elétricos pressiona a BYD a acelerar a produção local.
Alexandre Baldy destacou ao Valor Econômico a necessidade de redução tributária para veículos semidesmontados, argumentando que os custos locais, como mão de obra, justificam a medida. A negociação com o governo é crucial para manter a competitividade dos modelos importados até que a produção local esteja consolidada.
Impacto econômico e geração de empregos
A fábrica de Camaçari promete transformar a economia local. Com 20 mil empregos diretos e indiretos até 2026, a BYD contribuirá para o desenvolvimento da Bahia. O investimento de R$ 5,5 bilhões, dos quais R$ 1,4 bilhão já foram aplicados, inclui modernização da planta e treinamento de mão de obra. A aquisição do terreno por R$ 290 milhões marcou o início de um projeto ambicioso, que também prevê a produção de dois modelos exclusivos para o Brasil.
A escolha de Camaçari reflete a infraestrutura deixada pela Ford, que facilitou a adaptação da planta. A BYD planeja integrar fornecedores locais, aumentando o índice de nacionalização e reduzindo a dependência de importações.
Especificações técnicas do BYD King
O BYD King se destaca pela tecnologia híbrida avançada. Seu conjunto mecânico inclui:
- Motor a combustão: 1.5 de 110 cv e 13,8 kgfm de torque.
- Sistema híbrido: Potência combinada de 209 cv (GL) ou 235 cv (GS).
- Bateria: Blade de 8,3 kWh (32 km de autonomia) ou 18,3 kWh (80 km).
- Dimensões: 4,78 m de comprimento, 1,84 m de largura, 2,72 m de entre-eixos.
O modelo oferece conforto e tecnologia, com destaque para o sistema de tração dianteira e eficiência energética, que o torna uma opção atrativa no segmento de sedãs médios.
Expansão da BYD no Brasil
Além do King, Dolphin Mini e Song Pro, a BYD planeja lançar outros modelos na fábrica baiana. A marca também trará sua divisão de luxo, Denza, ao Brasil em outubro de 2025, com um SUV e um sedã. A estratégia inclui diversificar o portfólio, com foco em veículos elétricos e híbridos flex, adaptados ao mercado brasileiro.
A produção de ônibus e caminhões elétricos, bem como o processamento de lítio, reforça a visão de longo prazo da BYD. A empresa aposta na crescente demanda por mobilidade sustentável, apoiada por incentivos governamentais e pela infraestrutura de recarga em expansão no país.
Mercado de sedãs médios no Brasil
O segmento de sedãs médios é dominado pelo Toyota Corolla, com quase 15 mil unidades vendidas entre janeiro e maio de 2025, segundo a Fenabrave. O BYD King, com 5,5 mil emplacamentos, superou concorrentes como Honda Civic e Volkswagen Jetta, consolidando-se como uma alternativa viável. A produção local pode estreitar a diferença com o líder, especialmente se os preços forem ajustados.
A preferência por sedãs médios reflete a busca por veículos espaçosos e econômicos, especialmente em frotas corporativas e famílias. A tecnologia híbrida do King, aliada à sua autonomia elétrica, atrai consumidores preocupados com eficiência e sustentabilidade.
Planejamento de nacionalização
A BYD planeja atingir 70% de nacionalização até 2026, integrando fornecedores locais e reduzindo custos. A estamparia e a pintura, que entram em operação na segunda fase, serão fundamentais para aumentar a competitividade. A produção de insumos, como baterias de lítio, também está nos planos, aproveitando recursos minerais brasileiros.
A estratégia de nacionalização inclui parcerias com universidades e centros de pesquisa para desenvolver tecnologias adaptadas ao mercado local. A conversão do Song Pro para motor flex é um exemplo dessa abordagem, atendendo à preferência brasileira por combustíveis alternativos.
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