A BYD anunciou, em 1º de julho de 2025, mudanças significativas para o Dolphin Mini 2026 e o Song Pro no Brasil, marcando o início da produção na fábrica de Camaçari, Bahia. O compacto elétrico Dolphin Mini teve redução de preço, perdeu a versão de quatro lugares e ganhou uma nova cor, enquanto o SUV híbrido Song Pro também recebeu desconto e uma tonalidade inédita. As novidades, apresentadas pelo vice-presidente sênior da BYD no Brasil, Alexandre Baldy, reforçam a estratégia da marca chinesa de consolidar sua presença no mercado nacional, com foco em veículos eletrificados e produção local. A montagem em Camaçari, que inclui ainda o sedã King, promete fortalecer a competitividade da BYD, atendendo à crescente demanda por carros elétricos e híbridos no país.
O movimento da BYD reflete uma adaptação às tendências do mercado brasileiro, onde a busca por veículos sustentáveis cresce, impulsionada por incentivos fiscais e maior conscientização ambiental. A redução de preços, segundo a marca, visa tornar os modelos mais acessíveis, enquanto a produção nacional deve reduzir custos logísticos e de importação. A fábrica de Camaçari, antiga unidade da Ford, foi reinaugurada com capacidade inicial para 150 mil unidades por ano, com planos de expansão até 2027.
As mudanças no Dolphin Mini e no Song Pro também trazem benefícios práticos para os consumidores. Entre os destaques, estão:
- Preços promocionais que tornam os modelos mais competitivos frente a rivais como Volkswagen T-Cross e Toyota Corolla Cross.
- Novas opções de cores, ampliando a personalização.
- Produção local, que pode agilizar entregas e reduzir prazos de espera.
- Tecnologia avançada, com foco em segurança e conectividade, mantendo a BYD como referência em inovação.
A estratégia da BYD, no entanto, vai além dos ajustes de preço e estética. A empresa aposta na tropicalização de seus veículos, adaptando-os às condições brasileiras, como o uso de etanol no sistema híbrido do Song Pro, uma exclusividade para o mercado local.
Preços promocionais e posicionamento de mercado
A redução de preços é um dos pontos centrais das novidades anunciadas. O Dolphin Mini 2026, agora exclusivo na configuração de cinco lugares, passou de R$ 122.800 para R$ 119.990, uma queda de R$ 2.810. Já o Song Pro, na versão topo de linha GS, teve seu valor reduzido de R$ 204.800 para R$ 199.990, um desconto de R$ 4.810. Esses valores promocionais, segundo a BYD, serão mantidos mesmo após o início da produção nacional, o que sugere uma estratégia agressiva para ganhar participação no mercado.
No segmento de compactos elétricos, o Dolphin Mini compete diretamente com modelos como o Renault Kwid E-Tech e o Fiat 500e. Sua redução de preço o posiciona como uma das opções mais acessíveis entre os elétricos, especialmente para consumidores urbanos que buscam mobilidade sustentável. O Song Pro, por sua vez, enfrenta rivais como o Toyota Corolla Cross e o Jeep Compass, mas se destaca pelo sistema híbrido plug-in, que combina eficiência energética com autonomia esticada.
A decisão de descontinuar a versão de quatro lugares do Dolphin Mini reflete uma escolha estratégica. A configuração, menos prática para famílias, tinha baixa procura, e a BYD optou por focar no modelo de cinco lugares, que oferece maior versatilidade. A marca não informou o volume de unidades remanescentes da versão descontinuada, mas confirmou que as vendas seguirão até o fim do estoque.
Novas cores e personalização
A introdução de novas cores é outro destaque das linhas 2026. O Dolphin Mini agora conta com a tonalidade azul, que se junta às opções verde, branco e preto. A escolha do azul, segundo a BYD, foi baseada em pesquisas de mercado que apontam preferência por cores vibrantes entre os consumidores brasileiros. O Song Pro, por sua vez, passa a oferecer a cor preta, inédita no modelo, além das já disponíveis branco, cinza e azul.
A personalização é um fator importante no mercado automotivo, especialmente entre consumidores mais jovens. As novas cores reforçam a identidade visual dos modelos, alinhando-os às tendências globais de design. No caso do Dolphin Mini, o tom azul remete à modernidade e à sustentabilidade, enquanto o preto do Song Pro agrega sofisticação ao SUV, que já se destaca pelo design inspirado na estética “Dragon Face” da BYD.
Produção em Camaçari e impacto econômico
A fábrica de Camaçari, na Bahia, é um marco para a BYD no Brasil. Com investimentos de R$ 3 bilhões, a unidade foi adaptada para produzir veículos eletrificados, com foco inicial no Dolphin Mini, Song Pro e King. A produção começou em regime SKD (montagem de peças semi-desmontadas), mas a BYD planeja avançar para a fabricação completa (CKD) até 2026, incluindo a tropicalização de componentes.
A operação da fábrica deve gerar cerca de 1.200 empregos diretos na região, além de impulsionar a cadeia de fornecedores locais. A BYD também anunciou parcerias com universidades baianas para pesquisas em tecnologias de baterias e sistemas híbridos, reforçando seu compromisso com a inovação. A capacidade inicial de 150 mil veículos por ano coloca a planta entre as mais relevantes do setor automotivo no Brasil, com potencial para exportação a países da América Latina.
A escolha de Camaçari reflete a estratégia da BYD de aproveitar a infraestrutura existente e a localização estratégica, próxima ao porto de Salvador, facilitando a logística. A produção local também permitirá à marca se beneficiar de incentivos fiscais, como a redução de IPI para veículos elétricos e híbridos, o que pode refletir em preços ainda mais competitivos no futuro.
Especificações do Dolphin Mini
O Dolphin Mini 2026 mantém as características técnicas que o tornaram um sucesso entre os compactos elétricos. Equipado com um motor elétrico dianteiro de 75 cv e 13,8 kgfm de torque, o hatch atinge 0 a 100 km/h em 14,9 segundos, segundo a BYD, ou 14,5 segundos, conforme testes da Autoesporte. Sua bateria de 38 kWh oferece autonomia de até 280 km no ciclo PBEV/Inmetro, ideal para uso urbano.
Entre os equipamentos, destacam-se:
- Chave presencial e partida por botão.
- Freio de estacionamento eletrônico.
- Seis airbags e freios a disco nas quatro rodas.
- Central multimídia de 10,1 polegadas com Android Auto e Apple CarPlay sem fio.
- Painel de instrumentos digital de 7 polegadas.
O modelo é voltado para consumidores que buscam praticidade e economia, com baixo custo de manutenção e recarga acessível em comparação com veículos a combustão.
Detalhes técnicos do Song Pro
O Song Pro, por sua vez, é um SUV híbrido plug-in que combina um motor 1.5 a gasolina com um propulsor elétrico. A versão GL entrega 223 cv, enquanto a GS, mais potente, alcança 235 cv. A tração é dianteira, com câmbio e-CVT. A bateria de 12,9 kWh (GL) ou 18,3 kWh (GS) garante autonomia elétrica de até 71 km na versão de entrada e 100 km na topo de linha, segundo o ciclo NEDC.
A lista de equipamentos é robusta:
- Faróis de LED com acendimento automático.
- Central multimídia giratória de 12,8 polegadas.
- Câmera 360° e painel digital.
- Ar-condicionado dual-zone e ajustes elétricos no banco do motorista.
- Porta-malas de 520 litros com abertura elétrica.
A variante GS agrega itens como carregador por indução e filtro de ar PM 2.5, voltado para a qualidade do ar interno. O Song Pro se destaca pela eficiência, com consumo combinado de até 1.100 km com tanque cheio e bateria carregada.
Estratégia da BYD no Brasil
A BYD tem se consolidado como uma das principais marcas de veículos eletrificados no Brasil. Em 2024, a empresa vendeu mais de 60 mil unidades no país, com destaque para modelos como o Dolphin, Song Plus e Tan. A produção em Camaçari é um passo crucial para ampliar essa presença, reduzindo a dependência de importações e permitindo maior agilidade no atendimento à demanda.
A marca também investe em infraestrutura de recarga, com a instalação de eletropostos em parceria com redes de concessionárias e shoppings. Até o fim de 2025, a BYD planeja ter 200 pontos de recarga rápida no Brasil, cobrindo capitais e rodovias estratégicas. Essa iniciativa é essencial para incentivar a adoção de veículos elétricos, especialmente em regiões onde a infraestrutura ainda é limitada.
Competitividade no mercado automotivo
O reajuste de preços do Dolphin Mini e do Song Pro coloca a BYD em vantagem frente a concorrentes. O Dolphin Mini, por exemplo, é mais acessível que o Renault Kwid E-Tech (R$ 139.990) e o Fiat 500e (R$ 149.990), enquanto o Song Pro compete com o Toyota Corolla Cross (a partir de R$ 189.990) e o Jeep Compass (R$ 209.990) em faixas de preço semelhantes, mas com a vantagem do sistema híbrido plug-in.
A produção nacional também permitirá à BYD responder mais rapidamente às oscilações do mercado, como variações cambiais e mudanças na legislação de importação. A tropicalização, com adaptações como o uso de etanol no Song Pro, reforça a adequação dos modelos às necessidades locais, um diferencial em relação a outras marcas chinesas.
Expansão e planos futuros
Além da produção de Dolphin Mini, Song Pro e King, a BYD planeja lançar novos modelos no Brasil até 2027, incluindo uma picape elétrica rival da Fiat Toro, que será apresentada no Salão do Automóvel de São Paulo em 2026. A marca também estuda a introdução de versões elétricas puras do Song Pro e do King, ampliando o portfólio de opções sustentáveis.
A fábrica de Camaçari será o hub de exportação da BYD para a América Latina, com foco em mercados como Argentina, Chile e México. A empresa já exporta o Dolphin Mini para o México e planeja iniciar as vendas do Song Pro no Paraguai ainda em 2025. Essa expansão reforça a posição da BYD como líder global em veículos de nova energia, com mais de 3 milhões de unidades vendidas mundialmente em 2024.