Banco Central reforça segurança do Pix com novas regras a partir de julho

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Pix - Foto: Saulo Ferreira Angelo/Shutterstock.com

A partir de 1º de julho de 2025, novas regras de segurança do Pix entram em vigor no Brasil, visando combater fraudes e irregularidades no sistema de transferências instantâneas. Anunciadas pelo Banco Central em março, as medidas exigem que bancos e instituições financeiras verifiquem dados de chaves Pix junto à Receita Federal. A iniciativa, que afeta apenas 1% das chaves cadastradas, busca evitar o uso de informações inconsistentes, como CPFs de pessoas falecidas ou CNPJs de empresas inaptas, frequentemente exploradas por fraudadores. A mudança ocorre em um contexto de crescente popularidade do Pix, que revolucionou os pagamentos no país, mas também atraiu a atenção de criminosos. As alterações reforçam a confiabilidade do sistema, garantindo maior proteção aos usuários.

O Pix, criado em 2020 pelo Banco Central, permite transferências rápidas e gratuitas, mas a facilidade de uso também trouxe desafios. Casos de fraudes, como a criação de chaves com dados falsos ou roubados, motivaram as novas regras. A integração com a base de dados da Receita Federal é um passo para dificultar a ação de criminosos, que muitas vezes exploram falhas cadastrais para ocultar transações ilícitas. As instituições financeiras agora têm a responsabilidade de corrigir ou excluir chaves com inconsistências, um processo que começou a ser implementado nesta terça-feira.

Para esclarecer o impacto das mudanças, o Banco Central detalhou as situações que serão afetadas:

  • Chaves CPF: Aproximadamente 8 milhões de chaves, incluindo 4,5 milhões com grafia inconsistente e 3,5 milhões de pessoas falecidas.
  • Chaves CNPJ: Mais de 1,6 milhão de chaves, sendo 984 mil de empresas inaptas e 651 mil de empresas encerradas.
  • Outras irregularidades: CPFs suspensos, cancelados ou nulos, além de CNPJs suspensos, também serão excluídos.

Objetivo das novas regras

O foco das mudanças é aumentar a segurança do sistema Pix, dificultando o uso de chaves com informações que não correspondem aos registros oficiais. Fraudadores frequentemente cadastram chaves com nomes diferentes dos registrados na Receita Federal, o que dificulta o rastreamento de transações. Com a obrigatoriedade de verificação, as instituições financeiras devem checar os dados sempre que houver registro, alteração, portabilidade ou reivindicação de posse de uma chave. Caso seja identificada qualquer irregularidade, a chave será automaticamente excluída, sem possibilidade de manutenção.

O Banco Central enfatiza que a medida não está relacionada ao pagamento de tributos ou à situação financeira dos usuários. Fake news circularam nas redes sociais, sugerindo que pessoas com dívidas fiscais ou nomes negativados perderiam acesso ao Pix. Essas informações foram desmentidas, com a autarquia esclarecendo que as exclusões se limitam a problemas cadastrais, como CPFs ou CNPJs inválidos.

Impacto nas chaves Pix

As chaves Pix, que identificam contas no sistema, podem ser vinculadas a CPFs, CNPJs, números de celular, e-mails ou códigos aleatórios. A maioria dos usuários, cerca de 99%, não será afetada pelas novas regras. No entanto, aqueles com chaves irregulares precisarão regularizar seus cadastros para continuar utilizando o sistema. A exclusão de chaves está prevista para ocorrer ao longo de julho, com as instituições financeiras notificando os clientes impactados.

Entre as pessoas físicas, os principais problemas identificados incluem:

  • Grafia inconsistente, como nomes digitados incorretamente.
  • CPFs de pessoas falecidas, usados indevidamente por terceiros.
  • CPFs suspensos, cancelados ou nulos, que representam fraudes ou erros graves.

Para empresas, a situação é semelhante, com a exclusão de chaves vinculadas a CNPJs inaptos, baixados ou suspensos. O Banco Central não informou o número exato de CNPJs nulos, mas destacou que a medida visa proteger a integridade do sistema e evitar o uso de contas de empresas inexistentes em atividades ilícitas.

Mudanças nas chaves aleatórias e e-mails

Além das verificações de CPFs e CNPJs, as novas regras também alteram o uso de chaves aleatórias e e-mails. Chaves aleatórias, compostas por combinações de letras e números, não poderão mais ter suas informações alteradas. Usuários que precisarem atualizar dados associados a essas chaves terão que excluí-las e criar novas, com informações atualizadas.

A partir de abril de 2025, chaves vinculadas a e-mails também terão restrições. Não será mais possível transferir a titularidade dessas chaves para outros usuários, uma medida que busca evitar a cessão de chaves para terceiros, prática que pode facilitar fraudes. O Banco Central optou por manter a flexibilidade nas chaves vinculadas a números de celular, considerando a frequência com que os usuários trocam de número, especialmente em linhas pré-pagas.

Devolução de valores e proteção ao usuário

Outra mudança significativa ocorreu na política de devoluções. Desde novembro de 2024, transferências para contas sem chaves Pix cadastradas tinham um limite de devolução de R$ 200. Essa restrição foi eliminada, permitindo a devolução integral de valores, independentemente do montante transferido. A medida visa proteger usuários que realizam transferências acidentais ou são vítimas de golpes, garantindo maior segurança financeira.

O Banco Central também destacou a importância de os usuários verificarem a regularidade de seus CPFs. A consulta pode ser feita gratuitamente no site da Receita Federal, na seção “Comprovante de situação cadastral”. Para quem está com o CPF suspenso, a regularização é possível por meio de um formulário online, disponível no mesmo portal. A Agência Brasil publicou um guia detalhado com o passo a passo para consultar e resolver pendências cadastrais, facilitando o acesso a essas informações.

Regularização de cadastros

A regularização de CPFs suspensos é um processo simples, mas essencial para quem deseja manter suas chaves Pix ativas. O usuário deve acessar o site da Receita Federal, preencher o formulário de regularização e corrigir eventuais inconsistências, como dados incorretos ou incompletos. Casos de CPFs cancelados ou nulos, no entanto, exigem procedimentos mais complexos, muitas vezes envolvendo decisões administrativas ou judiciais.

Para empresas, a situação é mais delicada. CNPJs inaptos ou baixados indicam problemas graves, como a falta de entrega de demonstrações financeiras por dois anos consecutivos ou o encerramento oficial da empresa. Nesses casos, a reativação do CNPJ pode exigir a regularização de pendências fiscais ou a abertura de um novo cadastro, dependendo da situação.

PIx – Foto: Diego Thomazini / Shutterstock.com

Prevenção contra fraudes

A integração entre o Banco Central e a Receita Federal é um marco na prevenção de fraudes no Pix. Criminosos frequentemente utilizam dados roubados ou cadastros irregulares para criar chaves falsas, dificultando o rastreamento de transações. Com as novas regras, a verificação constante dos dados cadastrais reduz as brechas exploradas por fraudadores, protegendo tanto os usuários quanto as instituições financeiras.

Algumas práticas recomendadas para os usuários incluem:

  • Verificar regularmente a situação cadastral do CPF ou CNPJ no site da Receita Federal.
  • Evitar compartilhar chaves Pix em plataformas não seguras.
  • Atualizar os dados associados às chaves sempre que houver mudanças, como troca de número de celular ou e-mail.
  • Desconfiar de solicitações de transferências urgentes ou mensagens suspeitas.

Cronologia das mudanças

As novas regras do Pix foram planejadas ao longo de meses, com o Banco Central anunciando as medidas em março de 2025. A implementação começou em julho, com a exclusão de chaves irregulares. Em abril, as restrições nas chaves de e-mail entram em vigor, completando o pacote de mudanças. Essa cronologia reflete o esforço contínuo da autarquia para equilibrar inovação e segurança no sistema financeiro.

O Pix, desde seu lançamento, transformou a forma como os brasileiros realizam transações, mas também exigiu adaptações constantes para enfrentar os desafios impostos por fraudadores. As mudanças atuais são um passo em direção a um sistema mais robusto, capaz de atender milhões de usuários com eficiência e confiança.

Dados do Pix no Brasil

O Pix consolidou-se como o principal meio de pagamento instantâneo no Brasil, com bilhões de transações realizadas desde seu lançamento. Dados do Banco Central mostram que o sistema é utilizado por mais de 140 milhões de pessoas e 12 milhões de empresas, com um volume financeiro que ultrapassa R$ 1 trilhão por mês. A popularidade do Pix, no entanto, também o tornou alvo de golpistas, o que justifica o reforço nas medidas de segurança.

As chaves Pix, que facilitam as transferências, são um dos pilares do sistema. Atualmente, existem mais de 500 milhões de chaves cadastradas, sendo a maioria vinculada a CPFs e números de celular. As novas regras, embora afetem uma pequena parcela dessas chaves, têm o potencial de aumentar significativamente a confiabilidade do sistema, beneficiando todos os usuários.

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