A Microsoft anunciou uma nova onda de demissões na divisão Xbox, impactando estúdios como Romero Games, Rare e Zenimax, além de cancelar projetos como Everwild. As mudanças, confirmadas em 2 de julho de 2025, também envolveram a saída de Matt Firor, presidente da Zenimax, e cortes significativos em equipes de Forza Motorsport e Raven. Phil Spencer, CEO do Xbox desde 2014, negou rumores de aposentadoria, reforçando seu compromisso com a empresa. As decisões, segundo ele, visam priorizar áreas de maior potencial e aumentar a eficiência. O cenário reflete a estratégia da Microsoft de reestruturar operações para garantir competitividade no mercado de games, em um momento de recorde de jogadores e horas de jogo.
Os cortes geraram reações no setor. Profissionais demitidos, especialmente da Romero Games, compartilharam o impacto nas redes, destacando a interrupção de projetos promissores. Abaixo, os principais pontos da reestruturação:
- Cancelamento de Everwild, da Rare, após anos em desenvolvimento.
- Encerramento de um projeto da Romero Games, com demissões em massa.
- Redução de 50% da equipe de Forza Motorsport.
- Saída de Matt Firor, líder da Zenimax, em meio aos ajustes.
As demissões seguem uma tendência de enxugamento na indústria de tecnologia e games, com a Microsoft buscando agilidade em suas operações. Apesar das mudanças, o Xbox mantém números robustos, com crescimento no engajamento de jogadores.
Reestruturação estratégica no Xbox
A Microsoft justificou os cortes como parte de uma estratégia para focar em projetos de alto potencial. Phil Spencer, em comunicado ao Windows Central, destacou a necessidade de “remover camadas de gerenciamento” para aumentar a eficiência. Ele enfatizou que o Xbox atravessa um momento de força, com mais jogadores e horas de jogo do que nunca. A liderança acredita que as decisões, embora difíceis, são essenciais para sustentar o crescimento a longo prazo.
O impacto, porém, foi imediato nos estúdios. A Romero Games, fundada por John Romero, criador de Doom, teve seu projeto cancelado, resultando no fechamento do estúdio. Um desenvolvedor relatou estar desempregado pela segunda vez em 2025, enquanto outro lamentou a perda de um projeto “único”. A Rare, conhecida por Sea of Thieves, viu Everwild, anunciado em 2019, ser descartado após desafios no desenvolvimento.
Impacto nos estúdios e projetos
As demissões não se limitaram a um único estúdio. A Zenimax, responsável por franquias como The Elder Scrolls, perdeu seu presidente, Matt Firor, que liderava operações desde a aquisição pela Microsoft em 2020. A equipe de Forza Motorsport, da Turn 10, foi reduzida pela metade, levantando preocupações sobre o futuro da série. A Raven, que apoia projetos de Call of Duty, também sofreu cortes, embora em menor escala.
Os projetos cancelados representam perdas significativas:
- Everwild: Um jogo de aventura com estética única, que enfrentava dificuldades de definição criativa.
- Projeto da Romero Games: Detalhes não revelados, mas descrito como inovador por desenvolvedores.
- Outros títulos em fase inicial, interrompidos antes do anúncio oficial.
A Microsoft não divulgou o número exato de funcionários afetados, mas estimativas apontam para centenas de demissões, seguindo uma onda anterior em 2024 que eliminou 1.900 vagas na divisão de games.
Declarações de Phil Spencer
Phil Spencer abordou as demissões em um comunicado interno, reforçando a visão de longo prazo do Xbox. Ele reconheceu o momento desafiador, mas destacou o sucesso da plataforma, com crescimento em jogadores, jogos e engajamento. “Nossa plataforma nunca esteve tão forte”, afirmou, citando o desempenho do Xbox Series X/S e do Game Pass. Spencer também negou rumores de aposentadoria, com Kari Perez, chefe de comunicações, afirmando ao The Verge que ele “não vai se aposentar tão cedo”.
A permanência de Spencer é vista como um sinal de estabilidade. Desde 2014, ele liderou a expansão do Xbox, com iniciativas como o Game Pass e a aquisição de estúdios como Bethesda e Activision Blizzard. Apesar das críticas aos cortes, sua visão estratégica continua a guiar a divisão.
Reações da indústria e desenvolvedores
As demissões geraram comoção entre desenvolvedores e fãs. Profissionais da Romero Games expressaram frustração, destacando a dificuldade de encontrar novos empregos em um mercado competitivo. Um desenvolvedor escreveu: “Perder um projeto tão especial é devastador”. Fãs de Everwild, que aguardavam novidades desde o trailer de 2020, lamentaram o cancelamento, com discussões intensas em fóruns e redes sociais.
A indústria de games enfrenta um período de instabilidade, com outras empresas, como Sony e Electronic Arts, também anunciando cortes em 2024 e 2025. Analistas apontam que a consolidação do mercado, com grandes aquisições e foco em jogos de serviço, pressiona estúdios menores e projetos experimentais.
Histórico de cortes na Microsoft
A Microsoft tem um histórico recente de reestruturações na divisão de games. Em 2024, a empresa fechou estúdios como Tango Gameworks e Arkane Austin, responsáveis por Hi-Fi Rush e Redfall, respectivamente. A aquisição da Activision Blizzard, por US$ 68,7 bilhões, aumentou a pressão por resultados financeiros, levando a cortes para otimizar operações.
Os números ilustram o impacto:
- 2024: 1.900 demissões na divisão de games.
- 2025: Centenas de cortes, com foco em estúdios como Rare e Zenimax.
- Aquisições: Bethesda (2020, US$ 7,5 bilhões) e Activision Blizzard (2022, US$ 68,7 bilhões).
A estratégia reflete a busca por eficiência em um mercado onde o Game Pass, com mais de 25 milhões de assinantes, exige investimentos contínuos em conteúdo.
Futuro dos estúdios afetados
Os estúdios atingidos enfrentam incertezas. A Rare, apesar do cancelamento de Everwild, mantém Sea of Thieves como um sucesso contínuo, com atualizações regulares. A Zenimax, mesmo sem Firor, continua a desenvolver The Elder Scrolls VI e Starfield, mas a saída de liderança pode afetar a moral das equipes. A Turn 10, responsável por Forza Motorsport, deve focar em atualizações para o jogo de 2023, mas a redução drástica de pessoal levanta dúvidas sobre novos projetos.
A Romero Games, por sua vez, enfrenta o maior desafio. Com o fechamento do estúdio, John Romero, uma figura lendária na indústria, pode buscar novos parceiros ou financiamento independente para futuros projetos.
Cenário competitivo do Xbox
O Xbox compete em um mercado dominado por Sony e Nintendo, com o PlayStation 5 liderando vendas de hardware e a Nintendo mantendo força com o Switch. O Game Pass, no entanto, dá ao Xbox uma vantagem em serviços, oferecendo mais de 400 jogos por assinatura. A Microsoft também aposta em cloud gaming, com o Xbox Cloud Gaming crescendo em mercados emergentes.
Os cortes, embora controversos, alinham-se à estratégia de priorizar franquias estabelecidas, como Call of Duty e Halo, e investir em tecnologias emergentes. A empresa planeja lançar novos jogos em 2026, incluindo Fable e Avowed, para fortalecer seu portfólio.
Tendências na indústria de games
A onda de demissões no Xbox reflete um movimento mais amplo na indústria. Grandes empresas buscam estabilidade financeira em um mercado saturado, onde o custo de desenvolvimento de jogos AAA ultrapassa US$ 200 milhões por título. Estúdios menores, como a Romero Games, enfrentam dificuldades para competir com gigantes que dominam o mercado de jogos de serviço e microtransações.
Fatores que impulsionam as reestruturações:
- Custos crescentes de desenvolvimento, com prazos mais longos.
- Consolidação do mercado, com aquisições por grandes corporações.
- Foco em jogos de serviço, como Fortnite e Destiny 2, que geram receita contínua.
- Pressão por resultados financeiros após grandes investimentos.
A Microsoft, com sua escala global, busca equilibrar inovação e lucratividade, mas os cortes levantam questões sobre o impacto na criatividade e na diversidade de jogos.

