Mundial de Clubes 2025: Rivellino une Fluminense e Al-Hilal após 47 anosPor Maria
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Na reta final do Mundial de Clubes 2025, Fluminense e Al-Hilal se enfrentam hoje, 4 de julho, pelas quartas de final, às 16h, no Camping World Stadium, em Orlando. A partida revive a conexão histórica iniciada por Roberto Rivellino, que, em 1978, trocou o Tricolor carioca pelo clube saudita, marcando o pioneirismo de brasileiros na Arábia Saudita. Com 23 gols em 57 jogos e dois títulos, Rivellino transformou o Al-Hilal em protagonista e abriu portas para craques como Malcom. O duelo opõe a garra do Fluminense, embalado pela vitória sobre a Inter de Milão, ao poderio financeiro do Al-Hilal, que eliminou o Manchester City. A história de 47 anos adiciona emoção ao confronto.
A trajetória de Rivellino no Al-Hilal é um marco no futebol. Aos 33 anos, o meia, ídolo da “Máquina Tricolor” e campeão mundial em 1970, enfrentou desafios culturais e climáticos para deixar sua marca em Riad. Sua transferência, motivada pela crise financeira do Fluminense, envolveu 200 mil dólares e tensões resolvidas pela Fifa. O jogo de hoje resgata essa narrativa, unindo passado e presente.
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O confronto é transmitido ao vivo por Globo, SporTV e Globoplay. A torcida tricolor aposta na união do elenco, enquanto o Al-Hilal confia em seu elenco estelar. Abaixo, os destaques da conexão histórica:
- Rivellino marcou 23 gols em 57 jogos pelo Al-Hilal.
- Conquistou o Campeonato Saudita de 1978/79 e a Copa do Príncipe Faisal Bin Fahad.
- Abriu caminho para brasileiros como Thiago Neves e Malcom.
Pioneirismo de Rivellino na Arábia Saudita
Roberto Rivellino chegou ao Al-Hilal em 1978, em um momento em que o futebol saudita era pouco conhecido. A liga, ainda amadora, começava a se abrir para estrangeiros, e o meia, com sua técnica refinada, tornou-se o primeiro grande astro a desembarcar em Riad. Sob o comando de Mário Zagallo, ele liderou o clube a conquistas históricas, como o Campeonato Saudita de 1978/79, o primeiro da trajetória do Al-Hilal.
A adaptação ao deserto exigiu esforço. O calor intenso, com temperaturas acima de 40°C, levou Rivellino a jogar com algodão molhado na boca, uma solução criativa para suportar a secura. Fora de campo, ele vivia com conforto, recebendo casa, uma Mercedes e relógios de luxo. Sua habilidade em dribles e chutes, como a famosa “patada atômica”, encantou torcedores que nunca haviam visto um jogador de seu calibre.
O impacto de Rivellino foi além dos gramados. Ele trouxe visibilidade ao futebol saudita, atraindo atenção internacional. Sua presença ajudou a profissionalizar a liga, que hoje atrai estrelas como Neymar e Benzema. O duelo de 2025 com o Fluminense celebra esse legado, mostrando como um brasileiro transformou o Al-Hilal em um gigante.
Negociação marcada por tensões
A transferência de Rivellino para o Al-Hilal não foi tranquila. Em 1978, o Fluminense enfrentava uma grave crise financeira, com salários atrasados e dívidas acumuladas. A oferta de 200 mil dólares, equivalente a cerca de 5 milhões de reais hoje, era irrecusável para o clube. No entanto, o pagamento pelo Al-Hilal demorou meses, gerando atritos que levaram o caso à Fifa.
O Fluminense pressionou pela liberação do jogador antes da quitação, enquanto Rivellino hesitava em deixar o Brasil sem garantias. A resolução do conflito, mediada pela Fifa, permitiu que a transferência fosse concluída, mas deixou marcas nos bastidores. Para Rivellino, a mudança representava uma chance de prolongar a carreira longe da pressão do futebol brasileiro, onde qualquer deslize poderia ser visto como declínio.
Apesar dos entraves, a decisão se provou acertada. Rivellino encontrou no Al-Hilal um ambiente onde pôde brilhar, mesmo aos 33 anos. A negociação, embora complicada, foi um marco na globalização do futebol, mostrando que clubes de mercados emergentes poderiam atrair estrelas mundiais.
Conquistas que mudaram o Al-Hilal
Rivellino transformou o Al-Hilal em um clube vencedor. Sob a orientação de Zagallo, ele liderou a equipe ao título do Campeonato Saudita de 1978/79, um feito histórico que consolidou o clube como potência. Na temporada seguinte, a Copa do Príncipe Faisal Bin Fahad de 1979/80 foi outro marco, com gols decisivos do brasileiro.
Seus números impressionam:
- 23 gols em 57 partidas, com destaque para cobranças de falta.
- Primeiro Campeonato Saudita do Al-Hilal em 1978/79.
- Copa do Príncipe Faisal Bin Fahad em 1979/80.
- Vice-campeonato saudita em 1980/81, sua última temporada.
A parceria com Zagallo foi crucial. O técnico, que já conhecia Rivellino da Seleção Brasileira, trouxe disciplina tática ao time. Após a saída de Zagallo, Rivellino continuou como líder, mas o Al-Hilal enfrentou dificuldades para manter o mesmo nível. Mesmo assim, sua influência permaneceu, com torcedores sauditas o apelidando de “Rivo”.
Desafios culturais e adaptação
Viver em Riad na década de 1970 era um contraste com o Rio de Janeiro. Rivellino enfrentou um calendário de jogos noturnos para evitar o calor e gramados sintéticos que dificultavam seu estilo de jogo. A cultura saudita, com costumes diferentes, exigiu paciência, mas o meia se adaptou com apoio do clube, que ofereceu uma vida de luxo.
Curiosidades da adaptação:
- Jogava com algodão molhado na boca para aliviar o calor.
- Recebeu uma Mercedes, seu sonho de infância.
- Ganhava relógios cravejados de diamantes como bônus.
- Evitava usar joias por medo de assaltos ao voltar ao Brasil.
Sua simplicidade conquistou os sauditas. Em entrevistas, Rivellino relembra o carinho dos torcedores, que lotavam estádios para vê-lo. Sua habilidade de se conectar com o público, mesmo em um país tão diferente, reforça sua importância como embaixador do futebol brasileiro.
Despedida turbulenta em clássico
A passagem de Rivellino pelo Al-Hilal terminou em 1981, em um clássico contra o Al-Ittihad, maior rival do clube. Durante a partida, ele sofreu faltas duras e provocações, o que culminou em uma briga generalizada. Rivellino, conhecido pelo temperamento forte, reagiu a um adversário, desencadeando confusão que se estendeu às arquibancadas.
Os jogadores precisaram de escolta para deixar o estádio, e o episódio marcou o fim da trajetória do meia no clube. Frustrado com a violência e desavenças com o príncipe Khaled, dono do Al-Hilal, Rivellino decidiu se aposentar aos 35 anos. Ele ainda tentou voltar ao Brasil, treinando com o São Paulo, mas questões contratuais o impediram.
A despedida, embora caótica, não apagou seu legado. Rivellino deixou o Al-Hilal como ídolo, lembrado por sua genialidade e coragem de desbravar um futebol desconhecido.
Legado para brasileiros no Al-Hilal
Rivellino abriu portas para outros brasileiros no Al-Hilal. Décadas depois, jogadores como Thiago Neves, que brilhou entre 2009 e 2017, e Malcom, destaque no Mundial de 2025, seguiram seus passos. Marcos Leonardo, artilheiro do clube na atual temporada, é outro exemplo da influência duradoura do pioneiro.
O Al-Hilal celebra Rivellino em ações como camisas comemorativas lançadas em 2024. Sua passagem transformou o clube em um destino atraente para estrangeiros, um processo que culminou na potência financeira de hoje, com investimentos de 3 bilhões de reais em reforços desde 2023.
A conexão com o Fluminense, reforçada pelo duelo de 2025, mostra como Rivellino uniu dois mundos. Enquanto o Tricolor representa a tradição carioca, o Al-Hilal simboliza a ascensão do futebol saudita, um caminho iniciado por “Rivo”.
Fluminense no Mundial de 2025
O Fluminense chega às quartas de final do Mundial de Clubes embalado por uma vitória surpreendente sobre a Inter de Milão. Liderado por Germán Cano, o Tricolor aposta na união do elenco para enfrentar o Al-Hilal, que eliminou o Manchester City com autoridade. A disparidade financeira é clara, mas a história do clube carioca é marcada por superação.
A campanha tricolor inclui:
- Vitória sobre a Inter de Milão nas oitavas de final.
- Elenco unido, com destaques como Cano e John Kennedy.
- Apoio de torcedores em Orlando, presentes no Camping World Stadium.
O jogo revive a “Máquina Tricolor” dos anos 1970, quando Rivellino era o maestro. A torcida espera que o espírito combativo do passado inspire o time contra um adversário tão poderoso.
Força do Al-Hilal em 2025
O Al-Hilal é um dos favoritos ao título do Mundial de Clubes 2025. Com um elenco estrelado, que inclui Malcom, Rúben Neves e Marcos Leonardo, o clube saudita combina talento e investimento. Desde 2023, a equipe gastou 3 bilhões de reais em contratações, 12 vezes mais que o Fluminense.
A campanha no Mundial inclui a vitória sobre o Manchester City, um feito que reforça a ambição do clube. A conexão com Rivellino, celebrada por torcedores sauditas, adiciona um elemento emocional ao confronto. O Al-Hilal busca seu primeiro título mundial, um sonho que começou a ser construído com a chegada do brasileiro em 1978.
Emoção do confronto em Orlando
O duelo entre Fluminense e Al-Hilal é um marco no Mundial de Clubes 2025. A partida, às 16h no Camping World Stadium, reúne dois clubes com histórias entrelaçadas por Rivellino. A transmissão ao vivo por Globo, SporTV e Globoplay garante que milhões de torcedores acompanhem o jogo.
Para o Fluminense, é a chance de avançar às semifinais e honrar o legado de um de seus maiores ídolos. Para o Al-Hilal, é a oportunidade de consolidar sua posição como potência global. A rivalidade, nascida há 47 anos, ganha um novo capítulo em um palco internacional.















