Rio Guadalupe inunda Texas: 43 mortos e 27 meninas seguem desaparecidasPor Maria
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Tempestades devastadoras atingiram o Texas, nos Estados Unidos, deixando ao menos 43 mortos e 27 meninas desaparecidas desde sexta-feira, 4 de julho de 2025, na região do Rio Guadalupe. As chuvas intensas, que superaram 250 milímetros em poucas horas, provocaram enchentes repentinas, destruindo o Camp Mystic, um acampamento cristão frequentado por mais de 750 crianças. Equipes de resgate, apoiadas por helicópteros, trabalham incansavelmente nas buscas, enquanto o governador Greg Abbott promete esforços contínuos. A tragédia mobilizou autoridades federais, com o presidente Donald Trump aprovando ajuda emergencial. Famílias se reúnem em escolas locais, aguardando notícias de seus filhos, em meio a cenas de destruição e desespero.
A cheia do Rio Guadalupe, na região central do Texas, transformou áreas residenciais e acampamentos em cenários de caos. Casas foram arrastadas, árvores arrancadas e estradas bloqueadas por escombros. O Serviço Nacional de Meteorologia havia alertado para chuvas severas, mas o volume de água superou as previsões, elevando o rio em 6,7 metros em apenas duas horas.
Autoridades evacuaram mais de 800 pessoas, mas a identificação de vítimas ainda é um desafio. O xerife do condado de Kerr, Larry Leitha, relatou dificuldades em reconhecer cinco adultos e três crianças entre os mortos. Outras duas vítimas foram confirmadas no condado de Travis.
- Principais áreas afetadas: Condados de Kerr, Travis e Gillespie.
- Volume de chuva: 250 milímetros, contra previsão de 70 a 150 milímetros.
- Altura do rio: Elevação de 9 metros, com falha nos medidores.
- Evacuações: Mais de 800 pessoas realocadas em abrigos temporários.
Destruição no Camp Mystic
O Camp Mystic, localizado às margens do Rio Guadalupe, foi o epicentro da tragédia. Fundado em 1926, o acampamento é conhecido por receber meninas a partir dos 8 anos, oferecendo atividades ao ar livre e formação cristã. A enchente atingiu o local na madrugada de sexta-feira, inundando cabanas próximas ao rio. Elinor Lester, de 13 anos, descreveu o terror ao acordar com trovões e água invadindo as instalações. Ela estava em uma área elevada, mas as meninas mais novas, alojadas em cabanas inferiores, enfrentaram o pior da cheia.
Guardas florestais chegaram ao local na tarde de sexta-feira, resgatando campistas de áreas seguras. No entanto, 27 meninas permanecem desaparecidas, e as buscas continuam intensas. Helicópteros sobrevoam a região, enquanto equipes terrestres, com apoio de cães farejadores, vasculham escombros e áreas alagadas.
A jovem Elinor relatou que as crianças passaram horas sem comida, água potável ou energia elétrica. Socorristas usaram cordas para atravessar pontes inundadas, garantindo a evacuação de parte das campistas. O vice-governador Dan Patrick informou que o acampamento recebia mais de 750 meninas, o que torna a operação de resgate ainda mais complexa.
Mobilização de autoridades
O governador Greg Abbott anunciou que as operações de resgate não cessarão até que todas as vítimas sejam localizadas. Em um vídeo publicado nas redes sociais, ele destacou um resgate aéreo, onde uma vítima foi retirada do topo de uma árvore cercada por águas turbulentas. A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, confirmou que o presidente Donald Trump aprovou a declaração de desastre, liberando recursos federais para os afetados.
As equipes de emergência enfrentam condições adversas, com estradas bloqueadas e áreas de difícil acesso. O juiz do condado de Kerr, Rob Kelly, descreveu a região como o “vale fluvial mais perigoso dos Estados Unidos”, destacando a frequência de inundações. Mesmo com alertas meteorológicos, a intensidade das chuvas pegou as autoridades desprevenidas.
Reencontros e angústia
Na escola primária de Ingram, transformada em ponto de reunificação, famílias aguardam notícias de suas filhas. Elizabeth Lester, mãe de Elinor, relatou o alívio de reencontrar sua filha, resgatada de helicóptero, mas lamentou a situação de uma amiga cuja filha, monitora no Camp Mystic, está entre as desaparecidas. Dezenas de pais compartilharam mensagens em grupos locais, relatando ligações de autoridades sobre o paradeiro de suas filhas.
Uma menina foi vista chorando nos braços da mãe, ainda vestindo a camiseta do acampamento. A professora Chloe Crane, ex-monitora do Camp Mystic, descreveu o local como um espaço de confiança e aprendizado, agora reduzido a escombros. A tragédia abalou a comunidade, que organiza doações por meio da Community Foundation of the Texas Hill Country.

Histórico de enchentes na região
O Rio Guadalupe é conhecido por suas enchentes devastadoras. Em 1987, uma tragédia semelhante matou 10 adolescentes do acampamento Pot O’ Gold, arrastados por uma correnteza em Comfort, a 50 km de Hunt. Mais recentemente, em junho de 2025, chuvas intensas em San Antonio, a 150 km de Kerr, deixaram 10 mortos.
A região, chamada de “corredor de enchentes”, tem solo rochoso que impede a absorção de água, intensificando as cheias. Austin Dickson, da Community Foundation, explicou que a água desce rapidamente as colinas, sobrecarregando rios e córregos. O medidor de Hunt registrou uma elevação recorde antes de falhar, dificultando o monitoramento.
- Enchentes anteriores no Rio Guadalupe:
- 1987: 10 mortos no acampamento Pot O’ Gold.
- Junho de 2025: 10 vítimas em San Antonio.
- 2002: Enchente em Kerrville com 8 mortes.
Esforços de resgate
As operações de busca contam com equipes especializadas, incluindo guardas florestais, bombeiros e voluntários. Helicópteros realizam varreduras aéreas, enquanto cães farejadores auxiliam nas áreas de escombros. O xerife Larry Leitha informou que a identificação das vítimas é lenta devido às condições dos corpos e à destruição dos documentos.
As autoridades pediram que a população evite áreas alagadas, já que novas chuvas são previstas para os próximos dias. O Serviço Nacional de Meteorologia alertou para o risco de deslizamentos em áreas montanhosas, o que pode complicar ainda mais as buscas.
Outros acampamentos afetados
Além do Camp Mystic, outros acampamentos da região foram impactados, mas com menor gravidade. O Camp La Junta e o Camp Waldemar confirmaram que todos os seus campistas e funcionários estão seguros. No entanto, a destruição de estradas e pontes dificultou o acesso a essas áreas, atrasando a comunicação com as famílias.
Elizabeth Lester relatou que seu filho, que estava no Camp La Junta, escapou ileso, mas a angústia das famílias com parentes no Camp Mystic permanece. A comunidade local organiza pontos de coleta de alimentos e roupas para apoiar os desabrigados.
Condições meteorológicas
As chuvas que atingiram o Texas foram causadas por uma frente fria que se intensificou na quinta-feira, 3 de julho. O meteorologista Bob Fogarty explicou que a combinação de umidade elevada e ventos fortes criou condições perfeitas para chuvas torrenciais. A previsão inicial subestimou o volume de precipitação, que atingiu 250 milímetros em poucas horas.
Os alertas meteorológicos foram emitidos com antecedência, mas a velocidade da cheia surpreendeu até os especialistas. O Rio Guadalupe, que atravessa o condado de Kerr, é conhecido por sua resposta rápida às chuvas, devido ao terreno inclinado da região.
Apoio comunitário
A Community Foundation of the Texas Hill Country lançou uma campanha de arrecadação para apoiar as vítimas. Escolas, igrejas e ginásios foram transformados em abrigos temporários, recebendo mais de 800 evacuados. Voluntários distribuem alimentos, cobertores e itens de higiene, enquanto equipes de saúde oferecem atendimento psicológico às famílias.
A tragédia uniu a comunidade, mas a incerteza sobre o destino das 27 meninas desaparecidas mantém o clima de tensão. As autoridades reforçam que as buscas continuarão, com o apoio de recursos estaduais e federais.







