A partir de 12 de agosto de 2025, pessoas de baixa renda inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) poderão obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) gratuitamente, graças à sanção da Lei 15.153/2025 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O programa, conhecido como CNH Social, utiliza recursos arrecadados com multas de trânsito para custear todo o processo de habilitação, incluindo exames médicos, aulas teóricas e práticas, além da emissão do documento. A iniciativa, que já existe em pelo menos 18 estados, agora ganha alcance nacional, promovendo inclusão social e facilitando o acesso ao mercado de trabalho. A medida visa beneficiar famílias com renda per capita de até meio salário mínimo, cerca de R$ 759 em 2025, e ainda precisa de regulamentação pelos Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans).
O programa representa uma oportunidade para milhões de brasileiros que enfrentam dificuldades financeiras para arcar com os custos da habilitação, que podem ultrapassar R$ 2.500 em algumas regiões. A CNH Social não apenas democratiza o acesso à carteira de motorista, mas também abre portas para profissões que exigem habilitação, como motoristas de aplicativo e entregadores.
- Quem pode participar? Pessoas inscritas no CadÚnico com renda familiar per capita de até meio salário mínimo ou renda total de até dois salários mínimos.
- Quais custos são cobertos? Exames médicos, psicotécnicos, aulas teóricas e práticas, taxas de provas e emissão da CNH.
- Quando começa? A lei entra em vigor em 12 de agosto de 2025, com inscrições a serem definidas pelos Detrans.
A sanção da lei, publicada em 27 de junho de 2025, marca um avanço na política de mobilidade e inclusão social no Brasil, com expectativa de alta adesão em todo o país.
Elegibilidade e requisitos para a CNH social
A CNH Social é voltada para um público específico, com critérios claros de elegibilidade. Para participar, o candidato deve estar inscrito no CadÚnico, um sistema que reúne informações sobre famílias de baixa renda no Brasil. A renda familiar per capita não pode exceder meio salário mínimo, equivalente a R$ 759 em 2025, ou a renda total da família deve ser de até dois salários mínimos, cerca de R$ 3.036. Além disso, é necessário ter 18 anos ou mais e não possuir nenhuma CNH ativa ou vencida.
Em alguns estados, grupos prioritários podem ter preferência na seleção, como pessoas com deficiência, desempregados, egressos do sistema prisional e estudantes de escolas públicas com bom desempenho. A análise dos candidatos é feita pelos Detrans, que consideram fatores como menor renda per capita, tempo de inscrição no CadÚnico e situação de vulnerabilidade.
Os interessados devem manter seus dados atualizados no CadÚnico, o que pode ser feito em cerca de 9.500 postos de atendimento, como os Centros de Referência em Assistência Social (CRAS). O cadastro é gratuito e pode ser consultado pelo site cadunico.dataprev.gov.br ou pelo aplicativo do Cadastro Único.
Como funciona o processo de inscrição
O processo de inscrição para a CNH Social será coordenado pelos Detrans de cada estado, mas ainda não há uma data unificada para o início das inscrições. Cada unidade da federação definirá seu próprio calendário, e os candidatos precisarão acessar o site do Detran local para preencher um formulário com dados pessoais, número do CadÚnico e documentos básicos, como RG e CPF.
Após a inscrição, os candidatos passam por uma seleção que pode incluir sorteios públicos em caso de alta demanda. Os aprovados devem cumprir prazos rigorosos para realizar exames médicos, psicotécnicos e as aulas teóricas e práticas em autoescolas parceiras. A ausência em qualquer etapa pode resultar na perda da vaga, que será destinada a outro candidato.
- Documentos necessários: RG, CPF, comprovante de residência e número do CadÚnico.
- Etapas do processo: Inscrição online, análise de elegibilidade, exames, aulas e provas.
- Prazo para conclusão: Geralmente, o processo de habilitação deve ser concluído em até 12 meses.
Categorias de habilitação disponíveis
A CNH Social cobre principalmente as categorias A (motocicleta) e B (carro de passeio), que são as mais demandadas pelos beneficiários. No entanto, alguns estados permitem a inclusão de categorias C, D ou E, voltadas para veículos de carga ou transporte de passageiros, dependendo das regras locais. A lei não especifica restrições, mas, segundo o relator do projeto, deputado Alencar Santana (PT), o foco inicial é a primeira habilitação.
Para quem já possui uma CNH, o programa pode custear a adição ou mudança de categoria, desde que o candidato atenda aos critérios de elegibilidade. Isso é especialmente relevante para quem busca qualificação profissional, como motoristas de caminhão ou ônibus. A habilitação obtida pelo programa tem a mesma validade legal que uma CNH convencional, permitindo o uso em atividades remuneradas, desde que sejam cumpridos requisitos adicionais, como exame toxicológico para categorias C, D e E.
Financiamento do programa
O custeio da CNH Social é uma das principais inovações da Lei 15.153/2025. Os recursos são provenientes das multas de trânsito arrecadadas em todo o país, o que garante a sustentabilidade do programa sem onerar o orçamento público. Essa medida foi incorporada ao Código de Trânsito Brasileiro (CTB), assegurando que parte da verba seja destinada à habilitação gratuita.
Em 2024, o Brasil arrecadou cerca de R$ 8 bilhões em multas de trânsito, segundo dados do Fundo Nacional de Segurança e Educação de Trânsito (Funset). Embora nem todo o montante seja direcionado à CNH Social, a iniciativa deve contar com uma fatia significativa para atender à demanda. A regulamentação pelos Detrans definirá como os recursos serão distribuídos entre os estados.
Benefícios para o mercado de trabalho
A obtenção da CNH é um passo importante para a inclusão no mercado de trabalho, especialmente em profissões que exigem habilitação. Motoristas de aplicativo, entregadores, mototaxistas e caminhoneiros são algumas das ocupações que se tornam acessíveis com a carteira de motorista. O programa também contribui para a mobilidade urbana, permitindo que pessoas de baixa renda se desloquem com mais facilidade.
Além disso, a CNH Social pode reduzir desigualdades sociais, oferecendo oportunidades iguais para quem não tem condições de pagar pelo processo de habilitação. Em estados como Espírito Santo e Bahia, onde o programa já é implementado, beneficiários relatam maior autonomia e melhores perspectivas de emprego após obterem a CNH.
Experiências estaduais do programa
Antes da sanção da lei federal, pelo menos 19 estados já ofereciam versões próprias da CNH Social, com legislações e critérios específicos. Em Goiás, por exemplo, o programa foi instituído pela Lei 20.637/2019 e reserva 5% das vagas para pessoas com deficiência e 13% para egressos do sistema prisional. No Espírito Santo, além da primeira habilitação, o programa inclui cursos profissionalizantes, como transporte coletivo e motofrete.
- Bahia: Inscrições previstas para fevereiro a março de 2025.
- Espírito Santo: Abertura de vagas em abril de 2025.
- Goiás: Seleção com base em critérios socioeconômicos e prioridade para grupos vulneráveis.
Essas experiências servem como base para a implementação nacional, mas a padronização dos processos ainda depende de regulamentação.
Desafios operacionais
A implementação da CNH Social em âmbito nacional enfrenta desafios logísticos. A alta demanda pode sobrecarregar os Detrans, que precisarão gerenciar inscrições, seleções e prazos. Além disso, a capacidade das autoescolas credenciadas será um fator determinante para evitar atrasos no processo de habilitação.
Outro ponto é a necessidade de atualização constante do CadÚnico, já que dados desatualizados podem impedir a participação de candidatos elegíveis. Os estados também terão que alinhar suas políticas locais com a nova legislação federal, o que pode gerar variações no acesso ao benefício.
Vantagens para a sociedade
A CNH Social vai além da emissão de um documento. Ao promover o acesso à habilitação, o programa estimula a economia local, qualificando novos motoristas para o mercado de trabalho. A iniciativa também reduz a circulação de condutores sem habilitação, contribuindo para a segurança no trânsito.
Em um país onde a mobilidade é essencial para o desenvolvimento, a CNH Social representa um avanço na inclusão social e na igualdade de oportunidades. A expectativa é que, com a regulamentação, o programa alcance milhões de brasileiros, transformando vidas por meio da habilitação gratuita.

