Conmebol insiste em Copa do Mundo de 2030 com 64 seleções, mas Fifa resiste à propostaPor Luís Henrique Costa
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A Copa do Mundo de 2030, marcada para celebrar o centenário do torneio, está no centro de um embate entre a Conmebol e a Fifa. A confederação sul-americana, liderada por Alejandro Domínguez, propôs expandir o campeonato para 64 seleções, visando mais jogos na América do Sul, mas a ideia enfrenta resistência. A competição será sediada principalmente por Espanha, Portugal e Marrocos, com os três primeiros jogos em Argentina, Paraguai e Uruguai, como homenagem à edição inaugural de 1930, realizada no Uruguai. A proposta, apresentada em abril de 2025, foi mal recebida por entidades como Uefa e Concacaf, que questionam a viabilidade técnica e logística. A Fifa, cautelosa após a expansão para 48 equipes em 2026, sinaliza que um novo aumento não é prioritário.
A resistência da Fifa reflete preocupações com a qualidade do torneio. A entidade avalia que um Mundial com 64 seleções poderia diluir o nível técnico, além de demandar infraestrutura robusta em seis países de três continentes. A Conmebol, por outro lado, enxerga na expansão uma oportunidade de reforçar a relevância da América do Sul no cenário global, especialmente no contexto do centenário.

A proposta sul-americana inclui:
- Ampliação excepcional para 64 seleções, apenas em 2030.
- Realização de pelo menos um grupo completo na América do Sul.
- Celebração do centenário com maior inclusão de nações.
Apesar do revés inicial, a Conmebol não abandonou o plano e busca apoio nos bastidores, evitando campanhas públicas para não pressionar a Fifa diretamente.
Origem da proposta e contexto histórico
A ideia de expandir a Copa de 2030 surgiu pela primeira vez em março de 2025, durante uma reunião do Conselho da Fifa, quando Ignácio Alonso, presidente da Associação Uruguaia de Futebol, sugeriu a ampliação. A proposta ganhou força no 80º Congresso da Conmebol, em abril, quando Alejandro Domínguez defendeu a inclusão de 64 equipes como uma celebração única do centenário. Ele destacou a importância de tornar o torneio acessível a mais países, reforçando o caráter global do futebol.
A Copa de 1930, realizada no Uruguai, foi o marco inicial do torneio, com apenas 13 seleções, majoritariamente da América do Sul. O evento, vencido pelos anfitriões, consolidou o futebol como um esporte capaz de unir nações. A escolha de Argentina, Paraguai e Uruguai para os jogos inaugurais de 2030 reflete esse legado, mas a Conmebol deseja ir além, ampliando a presença sul-americana no torneio.
A resistência da Fifa não é novidade. Em 2016, quando a expansão para 48 seleções foi aprovada para 2026, houve debates intensos sobre o impacto no calendário e na qualidade das partidas. A proposta atual, que dobraria o número de participantes em relação ao formato de 1998 a 2022, enfrenta obstáculos semelhantes, mas em escala maior.
Preocupações logísticas e técnicas
Expandir a Copa do Mundo para 64 seleções demandaria um planejamento logístico sem precedentes. A competição de 2030 já é complexa, envolvendo seis países em três continentes, com 20 estádios confirmados: 11 na Espanha, seis no Marrocos e três em Portugal, além de três na América do Sul. A inclusão de mais equipes exigiria:
- Aumento no número de partidas, de 104 para cerca de 130.
- Mais estádios ou reformas em arenas existentes.
- Coordenação de viagens intercontinentais para jogadores e torcedores.
- Ajustes no calendário, que já é apertado devido a competições regionais.
A Uefa, que representa as federações europeias, expressou preocupação com o impacto no nível técnico do torneio. Com mais seleções, equipes de menor tradição futebolística poderiam participar, o que, para alguns, reduziria a competitividade. A Concacaf, responsável pelo futebol na América do Norte, Central e Caribe, também teme dificuldades logísticas, especialmente após organizar o Mundial de 2026 com 48 equipes.
A Fifa, por sua vez, prioriza a sustentabilidade financeira e esportiva. A edição de 2026, com 104 jogos, já representa um aumento significativo em relação às 64 partidas do formato anterior. Um torneio ainda maior em 2030 poderia sobrecarregar organizadores e patrocinadores, além de gerar críticas sobre a comercialização excessiva do evento.
A estratégia da Conmebol
Alejandro Domínguez, presidente da Conmebol desde 2016, tem adotado uma postura ousada para fortalecer a influência sul-americana no futebol global. Sua proposta de 64 seleções reflete não apenas o desejo de celebrar o centenário, mas também de aumentar o protagonismo da América do Sul. Durante o Congresso da Fifa em Assunção, em maio de 2025, ele evitou mencionar diretamente a expansão, mas usou um discurso emotivo para reforçar a relevância do futebol sul-americano.
A confederação planeja continuar as negociações nos bastidores, buscando aliados entre federações de outros continentes. A estratégia inclui:
- Diálogo com a Confederação Africana de Futebol (CAF), que poderia se beneficiar com mais vagas.
- Apresentação de estudos de viabilidade para convencer a Fifa.
- Mobilização de federações sul-americanas para pressionar por mais jogos na região.
Apesar do otimismo, a Conmebol enfrenta um cenário desfavorável. A Fifa, liderada por Gianni Infantino, sinalizou que a prioridade é consolidar o formato de 48 seleções antes de considerar novas expansões. A resistência de Uefa e Concacaf, que têm grande peso nas decisões da entidade, também é um obstáculo significativo.
Impacto na América do Sul
A realização dos três jogos inaugurais na América do Sul já é uma conquista para a Conmebol. O Estádio Centenário, em Montevidéu, palco da final de 1930, abrirá o torneio, enquanto o Monumental de Núñez, em Buenos Aires, e o novo estádio Osvaldo Domínguez Dibb, em Assunção, receberão as outras partidas. Esses eventos colocarão Argentina, Paraguai e Uruguai no centro das atenções globais, impulsionando o turismo e a economia local.
A proposta de sediar um grupo inteiro na América do Sul, no entanto, exigiria investimentos adicionais em infraestrutura. O Paraguai, por exemplo, está construindo o estádio do Olímpia, que leva o nome do pai de Alejandro Domínguez, para atender aos padrões da Fifa. A Argentina planeja reformas no Monumental, enquanto o Uruguai aposta na modernização do Centenário, um ícone histórico.
A Conmebol argumenta que a expansão para 64 seleções traria benefícios econômicos e sociais para a região, além de reforçar a paixão pelo futebol na América do Sul. A confederação destaca que o continente, berço de craques como Pelé, Maradona e Messi, merece um papel central na celebração do centenário.
O que esperar do futuro
A Fifa ainda não fechou as portas completamente para a proposta da Conmebol, mas a decisão final dependerá de estudos técnicos e negociações políticas. A entidade planeja reuniões futuras para avaliar a viabilidade da expansão, mas o clima atual sugere cautela. A experiência da Copa de 2026, que será a primeira com 48 seleções, servirá como referência para decisões sobre 2030.
Enquanto isso, a Conmebol mantém a pressão nos bastidores, ciente de que a celebração do centenário é uma oportunidade única. A confederação aposta na emoção do marco histórico para conquistar apoio, mas precisa superar as resistências técnicas e políticas. O futuro do Mundial de 2030, com 48 ou 64 seleções, será definido nos próximos anos, em um equilíbrio entre tradição, inovação e pragmatismo.







