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IPI zero barateia carros populares: Kwid, Mobi e Polo têm reduções de até R$ 20 mil

Novo Renault Kwid 2025
Foto: Novo Renault Kwid 2025 - Foto/Divulgação

O governo federal lançou, em 10 de julho de 2025, o programa Carro Sustentável, uma iniciativa que zera o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros compactos fabricados no Brasil até dezembro de 2026. A medida, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, beneficia modelos com alta eficiência energética, emissões de CO₂ abaixo de 83 g/km e mais de 80% de materiais recicláveis. Montadoras como Renault, Fiat e Volkswagen já anunciaram descontos significativos, com o Renault Kwid assumindo o posto de carro mais barato do país, agora custando R$ 67.290. A ação visa tornar veículos zero-quilômetro mais acessíveis, aquecer a indústria automotiva e promover a sustentabilidade. As reduções, que chegam a R$ 20 mil em alguns modelos, já estão disponíveis nas concessionárias.

A novidade agitou o mercado automotivo, com consumidores e concessionárias atentos às novas tabelas de preços. A antecipação dos descontos, mesmo antes da entrada oficial do novo cálculo do IPI em 90 dias, reflete a estratégia das montadoras para atrair compradores. O programa abrange 11 modelos de entrada, mas os holofotes estão sobre o Renault Kwid, Fiat Mobi e Volkswagen Polo, que lideram as promoções.

  • Principais beneficiados: Renault Kwid, Fiat Mobi, Volkswagen Polo, Fiat Argo e Volkswagen Saveiro.
  • Critérios do programa: Produção nacional, baixa emissão de poluentes e alta reciclabilidade.
  • Impacto imediato: Preços abaixo de R$ 68 mil em modelos de entrada, como o Kwid Zen.

A implementação do programa Carro Sustentável marca a retomada de incentivos fiscais para veículos populares, uma política que remete aos anos 1990 e 2000, mas agora com foco ambiental.

Novos preços do Renault Kwid
A Renault foi uma das primeiras a ajustar os valores do Kwid, fabricado em São José dos Pinhais, Paraná. O modelo, que já alternava com o Fiat Mobi como o mais barato do Brasil, teve reduções de até R$ 13.400. A versão Zen, de entrada, caiu de R$ 78.690 para R$ 67.290, enquanto a topo de linha Outsider passou de R$ 85.290 para R$ 75.290. Esses valores incluem não apenas a isenção do IPI, mas também bônus adicionais oferecidos pela montadora, como promoções de varejo e vendas diretas para pessoas físicas.

O Kwid 2025/2026 é equipado com motor 1.0 SCe de três cilindros, que entrega até 71 cv com etanol e 68 cv com gasolina, aliado a uma transmissão manual de cinco marchas. O modelo se destaca pelo baixo consumo, com médias de 15,3 km/l na cidade e 15,7 km/l na estrada com gasolina, segundo o Inmetro. Todas as versões contam com quatro airbags, controle de estabilidade e assistente de partida em rampas, reforçando a segurança.

A marca francesa, com 280 concessionárias no Brasil, informou que as condições promocionais são válidas até 31 de julho de 2025 ou enquanto durarem os estoques. Consumidores interessados devem consultar as lojas para confirmar disponibilidade e opções de financiamento, que variam conforme a região.

Renault Kwid Outsider
Renault Kwid Outsider – Foto: Divulgação

Fiat Mobi e Argo também ficam mais acessíveis
A Fiat, parte do grupo Stellantis, anunciou reduções expressivas para o Mobi e o Argo, consolidando sua presença no segmento de entrada. O Mobi Like, que custava R$ 80.990, agora sai por R$ 67.990, uma economia de R$ 13 mil. Já o Argo Drive 1.0 MT teve seu preço reduzido de R$ 94.990 para R$ 86.990. A campanha “Grande Chance Fiat” reforça os descontos, com validade até o final de julho ou enquanto houver 50 unidades por modelo.

O Mobi, equipado com o motor 1.0 Firefly de 75 cv e câmbio manual de cinco marchas, é conhecido pela simplicidade e baixo custo de manutenção. Apesar de espartano, oferece ar-condicionado, direção elétrica e controle de estabilidade. O Argo, por sua vez, traz maior espaço interno e o mesmo motor Firefly, sendo uma opção para quem busca um hatch compacto com mais conforto.

A Fiat, com 510 concessionárias no país, aposta na capilaridade de sua rede para atrair consumidores. As promoções incluem taxa zero em financiamentos para algumas versões, o que pode facilitar a aquisição de veículos zero-quilômetro.

fiat mobi -
fiat mobi – Foto: Divulgação

Volkswagen amplia descontos além do IPI zero
A Volkswagen se destacou pela agressividade nas promoções, aplicando descontos que vão além dos modelos elegíveis ao IPI zero. O Polo Track, carro de passeio mais vendido do Brasil, teve seu preço reduzido de R$ 95.790 para R$ 87.845, uma queda de R$ 7.945. Outras versões do Polo, como Robust e TSI com câmbio manual, também zeraram o IPI.

A Saveiro Robust CS registrou o maior corte, passando de R$ 109.490 para R$ 88.687, uma redução de R$ 20.803. Modelos como Nivus Highline, Virtus Highline e T-Cross 200 TSI, que não se enquadram no programa, receberam descontos equivalentes ao dobro do IPI, uma estratégia da montadora para ampliar as vendas.

  • Polo Track: De R$ 95.790 para R$ 87.845.
  • Saveiro Robust CS: De R$ 109.490 para R$ 88.687.
  • Nivus Highline: De R$ 163.290 para R$ 146.490.
  • Virtus Highline: De R$ 155.490 para R$ 144.080.

A campanha VolksVale+ oferece taxa zero em financiamentos e está disponível em todas as concessionárias da marca. A Volkswagen também anunciou o retorno do Polo TSI com câmbio manual, ampliando as opções para consumidores.

Polo Track 2025
Polo Track 2025 – Foto: Divulgação/ Volkswagen

Critérios rigorosos do programa Carro Sustentável
Para se enquadrar na isenção do IPI, os veículos devem atender a exigências específicas. Além de serem fabricados no Brasil, com processos como soldagem, pintura e montagem local, os carros precisam ser compactos, emitir menos de 83 g de CO₂ por km e ter mais de 80% de materiais recicláveis. A potência máxima é limitada a 90 cv, o que exclui modelos turbo ou importados.

Atualmente, 11 modelos de cinco montadoras (Renault, Fiat, Volkswagen, Chevrolet e Hyundai) atendem aos requisitos. Além de Kwid, Mobi e Polo, estão na lista o Chevrolet Onix, Hyundai HB20, Fiat Argo, Citroën C3 e outros. A lista oficial será publicada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) após análise das montadoras.

Histórico de incentivos fiscais no Brasil
O programa Carro Sustentável não é o primeiro a tentar baratear carros de entrada. Nos anos 1990, o governo Fernando Henrique Cardoso lançou o “carro popular”, com isenção de impostos para modelos 1.0, como o Fiat Mille e o Volkswagen Gol. Em 2023, um programa semelhante esgotou estoques em menos de um mês, mas beneficiou principalmente locadoras, que adquiriram 125 mil veículos com descontos de até R$ 8 mil.

A nova iniciativa, integrada ao programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover), destina R$ 19,3 bilhões em créditos financeiros até 2028 para incentivar a sustentabilidade na indústria automotiva. Diferentemente de 2023, o Carro Sustentável não tem cota limite, o que pode ampliar seu alcance.

Como os descontos afetam o mercado
A antecipação dos descontos pelas montadoras reflete a urgência em aquecer as vendas, que enfrentam desafios como juros altos e concorrência de importados. O Kwid e o Mobi, que disputam o título de carro mais acessível, agora custam menos de R$ 68 mil, um patamar inédito em anos recentes.

As concessionárias esperam um aumento de 30% nas vendas, segundo estimativas do setor. No entanto, a alta dos juros, com financiamentos a 24% ao ano, e a renda média de R$ 3.270, segundo o IBGE, limitam o impacto para consumidores individuais. Especialistas apontam que acesso a crédito mais barato seria essencial para ampliar o alcance da medida.

Outras montadoras no programa
Além de Renault, Fiat e Volkswagen, Chevrolet e Hyundai também confirmaram adesão ao Carro Sustentável. O Chevrolet Onix, com motor 1.0 aspirado recalibrado para 80 cv na gasolina, teve ajustes para atender às novas regras de emissões (Proconve L8). O Hyundai HB20, com motor 1.0 de 80 cv, também está na lista, embora as montadoras ainda não tenham divulgado os novos preços.

A Stellantis, que engloba Fiat, Citroën e Peugeot, informou que o Citroën C3 e o Peugeot 208 podem receber descontos, mas os valores não foram confirmados. A BYD, por trabalhar com modelos importados, ficou fora do programa.

O que esperar nos próximos meses
Embora o novo cálculo do IPI entre em vigor oficialmente em 90 dias, as promoções atuais já movimentam o mercado. Consumidores interessados em modelos compactos devem ficar atentos, pois os preços podem sofrer ajustes à medida que mais montadoras aderirem. A expectativa é que a concorrência pressione os valores para baixo, beneficiando o segmento de entrada.

As montadoras precisam solicitar credenciamento ao MDIC, e a lista final de modelos aptos será publicada em portaria. Enquanto isso, feirões e promoções, como os da Volkswagen e Fiat, devem continuar atraindo compradores até o fim de julho.

Curiosidades sobre os carros de entrada
Os modelos beneficiados pelo programa Carro Sustentável têm características que os tornam ideais para o público urbano.

  • Renault Kwid: Inspirado em SUVs, tem 18 cm de altura do solo, ideal para ruas esburacadas.
  • Fiat Mobi: Com apenas 3,54 m de comprimento, é um dos menores carros do Brasil, perfeito para estacionar.
  • Volkswagen Polo: O Track é o mais vendido do país, com 232,5 mil emplacamentos no primeiro semestre de 2025.
  • Chevrolet Onix: Ganhou recalibração no motor para atender às normas de emissões, mantendo competitividade.

Desafios para o consumidor
Apesar dos descontos, o acesso a carros zero-quilômetro segue restrito para muitos brasileiros. Um financiamento de R$ 67.290, como o do Kwid Zen, com juros de 2% ao mês, resulta em 36 parcelas de cerca de R$ 2.500, comprometendo um terço da renda de quem ganha cinco salários mínimos (R$ 7.600). Esse cenário reforça a necessidade de políticas complementares, como redução de juros ou incentivos para financiamentos.

As vendas diretas, que representaram 94% das comercializações de Kwid e Mobi no primeiro semestre, também indicam que empresas e locadoras dominam o segmento de entrada. A isenção do IPI pode beneficiar mais pessoas físicas, mas o impacto depende da adesão das montadoras e da disponibilidade de crédito acessível.