Vasco ontem: goleada de 4 a 0 do Del Valle expõe fragilidades do Vasco na Sul-AmericanaPor Bruna
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A goleada por 4 a 0 sofrida pelo Vasco da Gama para o Independiente del Valle, na noite de terça-feira, 15 de julho de 2025, no Estádio Olímpico de Atahualpa, em Quito, marcou mais um capítulo desastroso na campanha do clube na Copa Sul-Americana. Com a expulsão de Lucas Piton aos 11 minutos de jogo, a equipe carioca, comandada por Fernando Diniz, não resistiu à pressão do time equatoriano e à altitude de 2.800 metros, comprometendo seriamente suas chances de avançar aos playoffs. O resultado expôs falhas defensivas, falta de preparo físico e a dificuldade de cumprir as expectativas criadas pela diretoria, que via na competição uma oportunidade de redenção após cinco anos sem torneios internacionais. A partida de volta, marcada para 22 de julho em São Januário, exige agora um feito histórico para reverter o placar.
O jogo começou com o Vasco tentando se impor, mas a expulsão precoce de Piton desestruturou qualquer plano tático. Antes do cartão vermelho, Rayan havia criado uma chance clara, mas o time não conseguiu manter o ímpeto. O Independiente del Valle dominou as ações, explorando a fragilidade defensiva vascaína, especialmente na bola aérea, e construiu a goleada com gols de Carabajal, Mercado, Spinelli e um quarto gol nos minutos finais. Léo Jardim, apesar de evitar um placar ainda mais elástico ao defender um pênalti, não conseguiu impedir o vexame.
- Principais momentos do jogo:
- Expulsão de Lucas Piton aos 11 minutos por falta dura.
- Gol de Carabajal aos 47 minutos do primeiro tempo, após rebote.
- Dois gols em cinco minutos no segundo tempo, com falhas defensivas.
- Léo Jardim defendendo um pênalti de Cazares, evitando o quinto gol.
O desempenho do Vasco na Sul-Americana tem sido marcado por resultados decepcionantes, com apenas uma vitória convincente em casa contra o Melgar (3 a 0) e tropeços como o empate com o Lanús e a derrota por 4 a 1 para o Puerto Cabello. A expectativa da torcida, alimentada pela diretoria, contrasta com a realidade em campo, reacendendo críticas à gestão de Pedrinho e ao planejamento para 2025.
Desempenho defensivo preocupa na competição
A defesa do Vasco, um dos pilares esperados para a campanha na Sul-Americana, tem sido o principal ponto fraco. Contra o Independiente del Valle, João Victor e Maurício Lemos tiveram atuações abaixo da crítica, com erros de posicionamento que facilitaram os gols equatorianos. A entrada de Lemos no intervalo, substituindo Nuno Moreira, foi uma tentativa de reforçar o setor, mas acabou expondo ainda mais as fragilidades. O time sofreu 12 gols em três jogos fora de casa na competição, um número que reflete a dificuldade de manter a solidez defensiva longe de São Januário.
A altitude de Quito, conhecida por desafiar equipes brasileiras, também pesou. O Vasco adotou uma postura defensiva após a expulsão, com os nove jogadores de linha recuados, mas não conseguiu conter as investidas do adversário. A bola aérea, um problema recorrente, foi explorada em cruzamentos precisos que resultaram em gols.
- Falhas defensivas destacadas:
- João Victor perdeu duelos aéreos cruciais.
- Maurício Lemos falhou na marcação do segundo e terceiro gols.
- Posicionamento recuado facilitou as 17 finalizações do Del Valle.
A preparação física da equipe também foi questionada, já que os jogadores demonstraram cansaço excessivo, especialmente no segundo tempo, quando o Independiente ampliou o placar com facilidade.
Estratégia de Diniz não resiste à pressão
Fernando Diniz, conhecido por sua filosofia de posse de bola e intensidade, optou por uma escalação ofensiva, com GB e Vegetti no ataque e Rayan e Nuno em uma linha de criação. A ideia era explorar a velocidade pelos lados, mas o plano ruiu com a expulsão precoce. Sem tempo para ajustar a estratégia, Diniz viu seu time ser dominado e não conseguiu criar alternativas para reagir, mesmo com as substituições no intervalo.
O treinador destacou na coletiva que a expulsão mudou o rumo do jogo, mas reconheceu a superioridade do adversário. A falta de Philippe Coutinho, lesionado, também limitou as opções criativas, e a aposta em jogadores como Nuno Moreira não deu resultado. Rayan, um dos poucos destaques do primeiro tempo, perdeu força após a expulsão, e Vegetti, isolado, pouco participou.
- Escolhas táticas de Diniz:
- Escalação com dois atacantes para explorar contra-ataques.
- Substituição de Nuno por Lemos no intervalo, reforçando a defesa.
- Tentativa de segurar o placar no primeiro tempo com retranca.
A torcida, que já havia vaiado o time na vitória magra contra o Puerto Cabello, agora teme uma eliminação precoce, especialmente após a campanha instável no torneio.
Histórico de dificuldades na Sul-Americana
O Vasco voltou à Sul-Americana em 2025 após cinco anos sem competições internacionais, mas a trajetória tem sido marcada por resultados aquém do esperado. Além da goleada em Quito, a derrota por 4 a 1 para o Puerto Cabello e o empate com o Melgar, após abrir 3 a 1, mostram a inconsistência da equipe fora de casa. Em São Januário, o time venceu o Melgar com autoridade, mas tropeçou contra Lanús e Puerto Cabello, somando apenas quatro pontos em casa.
A diretoria, liderada por Pedrinho, havia prometido priorizar a competição, mas os resultados reacendem críticas sobre a falta de planejamento. A troca de comando técnico, com a saída de Fábio Carille e a chegada de Diniz, também não trouxe a estabilidade esperada.
- Resultados do Vasco na Sul-Americana 2025:
- Vitória por 3 a 0 contra o Melgar em casa.
- Empate por 3 a 3 com o Melgar no Peru.
- Derrota por 4 a 1 para o Puerto Cabello na Venezuela.
- Vitória por 1 a 0 contra o Puerto Cabello em casa.
- Empate por 0 a 0 com o Lanús em São Januário.
A campanha reflete um time que oscila entre momentos de esperança e atuações desastrosas, com a goleada em Quito sendo o ponto mais baixo até agora.
Jogo de volta exige feito histórico
Com o placar de 4 a 0, o Vasco precisa de uma vitória por cinco gols de diferença em São Januário, no dia 22 de julho, para avançar diretamente aos playoffs. Uma vitória por quatro gols leva a decisão para os pênaltis, mas o histórico da competição mostra que reverter um placar tão elástico é uma tarefa quase impossível. Nenhum time na história da Sul-Americana conseguiu tal feito em fases eliminatórias.
A torcida, apesar do desânimo, promete lotar o estádio, mas a confiança está abalada. A ausência de Lucas Piton, suspenso, e a possível volta de Coutinho podem ser fatores decisivos, mas o time precisará superar as limitações físicas e táticas vistas em Quito. Fernando Diniz terá uma semana para ajustar o elenco e buscar uma reação que, por enquanto, parece improvável.
- Cenários para a classificação:
- Vitória por 5 ou mais gols de diferença para avançar diretamente.
- Vitória por 4 gols leva a decisão para os pênaltis.
- Qualquer outro resultado elimina o Vasco.
O jogo de volta será um teste não apenas para os jogadores, mas também para a diretoria, que enfrenta pressão crescente por resultados.
Reação da torcida e pressão sobre a diretoria
A goleada em Quito gerou uma onda de críticas nas redes sociais, com torcedores questionando a gestão de Pedrinho e as escolhas de Diniz. A expectativa de uma campanha sólida na Sul-Americana, alimentada por promessas da diretoria, contrastou com o desempenho em campo, e a paciência da torcida parece estar no limite. O ambiente em São Januário para o jogo de volta será decisivo, mas o histórico de vaias em jogos anteriores sugere que o apoio pode vir acompanhado de cobrança.
A diretoria, que investiu em contratações e na volta de Diniz, agora precisa lidar com o risco de uma eliminação precoce. A pressão por resultados aumenta, e o jogo contra o Independiente del Valle será um divisor de águas para a temporada vascaína.







