Yago Dora vice em J-Bay, lidera ranking da WSL e garante vaga no Finals em Fiji

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Yago Dora Foto: Yago Dora - Foto: John Doukas / Shutterstock.com

Em uma sexta-feira eletrizante nas direitas perfeitas de Jeffreys Bay, na África do Sul, o brasileiro Yago Dora conquistou o vice-campeonato da etapa do Circuito Mundial de Surfe (WSL) 2025, mas saiu como grande destaque ao assegurar a liderança do ranking mundial e a vaga antecipada no WSL Finals, que será disputado entre 27 de agosto e 4 de setembro, em Fiji. Apesar de ser superado na final pelo japonês Connor O’Leary, que venceu por 15.67 a 14.23, o paranaense de 29 anos celebrou a consistência que o colocou no topo do ranking às vésperas da última etapa regular, em Teahupoo, no Taiti. A competição, marcada por ondas épicas de 8 a 12 pés e vento terral, também consagrou a havaiana Gabriela Bryan como campeã no feminino, ao derrotar a australiana Molly Picklum por 13.60 a 13.34. A etapa sul-africana foi decisiva para definir os rumos da temporada, com atuações memoráveis e momentos inusitados, como a presença de um leão-marinho durante as disputas.

O dia final em J-Bay foi aguardado com grande expectativa. A World Surf League (WSL) adiou as baterias de quarta e quinta-feira devido a condições menos favoráveis, mas a previsão de um swell épico para sexta-feira se confirmou, proporcionando um cenário ideal para os atletas. Yago Dora, que já havia brilhado nas oitavas com uma nota 9.33, enfrentou uma final intensa contra O’Leary, que alcançou sua primeira vitória no Championship Tour (CT) após uma performance impecável, incluindo uma nota 10 na semifinal contra Filipe Toledo.

No feminino, a disputa pelo título foi igualmente acirrada, com Gabriela Bryan superando a líder do ranking, Molly Picklum, em uma final equilibrada. A única brasileira na chave, Luana Silva, não avançou além da repescagem, mas ainda tem chances de alcançar o Finals na próxima etapa. A competição em Jeffreys Bay reforçou a competitividade do circuito e a força dos brasileiros na reta final da temporada.

Destaques da final masculina

A final masculina em Jeffreys Bay foi um espetáculo de técnica e estratégia. Yago Dora abriu a bateria com uma onda sólida, encaixando manobras fluidas que lhe renderam 7.00 pontos. A resposta de Connor O’Leary veio com uma nota 8.17, resultado de uma sequência de manobras potentes em uma direita longa.

  • Yago assumiu a liderança com 7.50 em uma onda repleta de rasgadas e batidas, totalizando 15.67.
  • O’Leary, porém, respondeu com 8.17 e 7.50, garantindo a virada com 15.67 contra 14.23 de Dora.
  • A bateria teve 40 minutos, com troca constante de liderança, mantendo o público em suspense até o fim.
    A performance de O’Leary, que compete pelo Japão, marcou sua primeira vitória em oito temporadas na elite, consolidando-o como uma surpresa na reta final do circuito.

A ascensão de Yago Dora

Yago Dora, nascido em Curitiba, chegou a Jeffreys Bay como vice-líder do ranking e saiu como número 1 mundial. Sua trajetória na etapa sul-africana foi marcada por consistência. Nas quartas, ele superou o italiano Leonardo Fioravanti por 13.54 a 12.83, demonstrando controle nas direitas longas de J-Bay. Na semifinal, enfrentou o norte-americano Griffin Colapinto em uma disputa acirrada, vencendo por 16.76 a 16.33. Sua capacidade de combinar manobras progressivas com fluidez o colocou como favorito para o título mundial.

O paranaense, que já havia conquistado uma nota 9.33 nas oitavas, mostrou por que é um dos nomes mais promissores da Brazilian Storm. Sua liderança no ranking, garantida antes mesmo da final, é um marco em sua carreira, que inclui vitórias em etapas do Qualifying Series (QS) e pódios no CT. Com a vaga no Finals assegurada, Yago agora foca em Teahupoo, onde buscará manter o ritmo para chegar a Fiji como principal candidato ao título.

Filipe Toledo e a semifinal dramática

Filipe Toledo, bicampeão mundial, também teve uma campanha notável em J-Bay. Nas quartas, venceu o francês Marco Mignot por 15.34 a 12.23, com uma atuação que incluiu um tubo e manobras agressivas. Na semifinal, porém, foi surpreendido por Connor O’Leary, que alcançou uma nota 10 com uma onda perfeita, combinando tubos e manobras aéreas. O placar de 16.33 a 14.83 eliminou Filipinho, que, apesar da derrota, segue na briga por uma vaga no Finals.

Toledo, conhecido por sua habilidade em direitas como as de J-Bay, surfou ao lado de golfinhos em uma das baterias, um momento que encantou o público. Sua performance reforça sua posição como um dos líderes da Brazilian Storm, mas a derrota na semifinal evidenciou a competitividade do circuito, onde novos talentos como O’Leary estão desafiando os favoritos.

A força do feminino em J-Bay

No feminino, a final entre Gabriela Bryan e Molly Picklum foi um confronto de gigantes. Bryan, vice-líder do ranking, mostrou domínio nas ondas sul-africanas, com manobras precisas que lhe renderam 13.60 pontos. Picklum, líder do ranking, ficou a apenas 0.26 pontos da vitória, com 13.34.

  • Bryan venceu com uma combinação de rasgadas e batidas, aproveitando a consistência das direitas.
  • Picklum, apesar da derrota, mantém a liderança do ranking, mas agora com Bryan mais próxima.
  • A competição feminina teve nomes como Caitlin Simmers, Caroline Marks e Tyler Wright nas quartas, mostrando o alto nível do circuito.
    A vitória de Bryan em J-Bay a coloca como forte candidata ao título mundial, especialmente com o Finals em Fiji se aproximando.

Momentos inusitados na competição

A etapa de Jeffreys Bay foi marcada por eventos curiosos que capturaram a atenção do público. Durante as quartas de final, um leão-marinho foi visto atacando um polvo próximo à linha de surfe, criando um momento de distração para atletas e espectadores. Além disso, a presença de golfinhos durante as baterias de Filipe Toledo trouxe um toque especial à competição, reforçando a conexão do surfe com a natureza.

Outro destaque foi a decisão da WSL de adiar as baterias de quarta e quinta-feira, garantindo condições épicas para o dia final. A previsão de ondas de 8 a 12 pés com vento terral se confirmou, proporcionando um cenário ideal para performances de alto nível, como a nota 10 de O’Leary e as atuações consistentes de Yago Dora.

A importância de J-Bay no circuito

Jeffreys Bay, conhecido como um dos melhores picos de direitas do mundo, voltou ao calendário da WSL em 2025 após um hiato. A etapa, realizada entre 11 e 18 de julho, é a penúltima da temporada regular e desempenha um papel crucial na definição dos classificados para o WSL Finals.

  • A competição reuniu 22 surfistas no masculino e 10 no feminino, com cortes após Margaret River.
  • J-Bay é famosa por suas ondas longas, que permitem sequências de manobras e tubos.
  • A etapa sul-africana é a décima do circuito, seguida por Teahupoo, no Taiti, de 7 a 16 de agosto.
    A volta de J-Bay ao circuito foi celebrada por atletas e fãs, que destacaram a qualidade das ondas e a atmosfera única do evento.

A situação de Luana Silva

Luana Silva, única brasileira na chave feminina, não conseguiu avançar além da repescagem em J-Bay. Apesar da eliminação, a surfista de 21 anos ainda tem chances de se classificar para o WSL Finals na etapa de Teahupoo. Atualmente na nona posição do ranking, Luana precisará de uma boa performance no Taiti para alcançar o top 5. Sua participação em J-Bay, embora breve, mostrou potencial, com manobras sólidas em condições desafiadoras.

Mudanças no formato do WSL Finals

A WSL anunciou alterações nas regras do Finals para 2025, que será disputado em Cloudbreak, Fiji, pela primeira vez. A mudança de local, antes realizado em Trestles, na Califórnia, visa oferecer condições mais desafiadoras para os finalistas.

  • O Finals reunirá os cinco melhores surfistas de cada categoria em confrontos mata-mata.
  • A liderança de Yago Dora no ranking lhe dá uma vantagem inicial na competição.
  • As novas regras incluem benefícios extras para o líder do ranking, como prioridade em algumas baterias.
    A expectativa para o Finals é alta, especialmente com brasileiros como Yago Dora e Filipe Toledo na briga pelo título.

O caminho para Teahupoo

A próxima etapa, em Teahupoo, será decisiva para os surfistas que ainda buscam vagas no Finals. Yago Dora, já classificado, chega ao Taiti como líder do ranking, enquanto Filipe Toledo e outros brasileiros, como Italo Ferreira e João Chianca, precisam de bons resultados para garantir suas posições. No feminino, Luana Silva enfrenta o desafio de superar nomes como Caitlin Simmers e Caroline Marks para alcançar o top 5. A etapa do Taiti, conhecida por suas ondas tubulares e perigosas, promete ser um teste de habilidade e coragem.

A força da Brazilian Storm

A Brazilian Storm continua a marcar presença no circuito mundial. Além de Yago Dora e Filipe Toledo, surfistas como Italo Ferreira, João Chianca e Alejo Muniz estiveram em J-Bay, mostrando a profundidade do talento brasileiro. No feminino, Luana Silva representa a nova geração, enquanto Tatiana Weston-Webb, que não competiu em J-Bay, segue na briga pelo título mundial após sua prata nas Olimpíadas de Paris 2024. A consistência dos brasileiros reforça o domínio do país no surfe profissional, com sete títulos mundiais masculinos desde 2014.

Thiago Lemos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2020: Formação: Administração.

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