Programa Pioneiras nas Escolas estreia no Rio com ex-atletas

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As ex-jogadoras da seleção brasileira de futebol Marisa Pires, a Caju, Maria Lúcia Lima, a Fia, e Marilza Martins participaram da abertura do programa Pioneiras nas Escolas na Escola Municipal Juan Antonio Samaranch, no bairro de Santa Teresa, região central do Rio de Janeiro, na quarta-feira, 21 de outubro de 2026. O encontro reuniu mais de 100 alunas no auditório da unidade e contou com um minitorneio de futebol disputado por quatro times formados apenas por estudantes do sexo feminino, enquanto os meninos acompanharam as partidas da arquibancada.

Realizado em parceria com a Secretaria Municipal de Educação (SME) do Rio de Janeiro, o projeto leva ex-atletas de décadas passadas para conversar, responder a perguntas e tirar fotos com estudantes da rede pública municipal. A coordenação da iniciativa é da ex-jogadora da seleção brasileira Duda Luizelli, bicampeã sul-americana com passagens pelo Internacional, de Porto Alegre, e pelos clubes italianos Milan e Verona. “O estudo é muito importante porque, mesmo quem for ser atleta, jogadora de futebol, de vôlei, de basquete, terá uma carreira muito curta. Com 38, 39 anos, acabou a nossa carreira e nós temos que dar uma continuidade”, afirmou Duda Luizelli.

Relatos de Caju e Fia no programa Pioneiras nas Escolas

Durante a conversa no auditório antes da bola rolar no campo, as convidadas relataram as dificuldades, o machismo e o preconceito enfrentados pelas atletas que defenderam a seleção brasileira poucos anos após o fim da proibição legal do futebol para mulheres no país. Fia, atualmente com 62 anos, atuou por cinco anos na equipe nacional, conquistou o tricampeonato continental e disputou a primeira Copa do Mundo feminina e a primeira edição do torneio nos Jogos Olímpicos. “Sempre joguei com menino. Tinha talento. Não queria saber de machismo”, declarou a ex-jogadora às estudantes.

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A ex-zagueira Caju, de 60 anos, que atualmente trabalha como árbitra de partidas, defendeu a seleção brasileira entre 1988 e 1999, período em que acumulou um retrospecto de 43 jogos e 34 vitórias. Ao responder a uma estudante sobre os “maiores absurdos que ouviu” ao longo da carreira, ela recordou as provocações recebidas das arquibancadas enquanto atuava. “Vários torcedores diziam que mulher não servia para jogar futebol”, disse Caju. “Aquelas palavras mexiam com nosso ego, e a gente queria, mais e mais, mostrar que mulher sabe jogar futebol”, completou.

Ginásio Experimental Olímpico e a Copa do Mundo de 2027 no Rio de Janeiro

A abertura do programa Pioneiras nas Escolas ocorreu em uma unidade classificada desde 2012 pela prefeitura como Ginásio Experimental Olímpico (GEO), modelo de ensino integral voltado ao incentivo esportivo criado durante a preparação para os Jogos Rio 2016. A Escola Municipal Juan Antonio Samaranch também registra pódios nas categorias infantil e infantojuvenil de futsal feminino nos Jogos Estudantis da rede municipal. Os números da estrutura esportiva e da competição internacional ligados ao projeto incluem:

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  • 600 estudantes matriculados na Escola Municipal Juan Antonio Samaranch, com idades entre 11 e 15 anos;
  • 19 modalidades esportivas que contam com treinadores específicos na unidade de Santa Teresa, além dos professores regulares;
  • 12 Ginásios Experimentais Olímpicos (GEOs) em funcionamento na rede municipal de ensino do Rio de Janeiro;
  • 8 cidades-sedes escolhidas para receber a Copa do Mundo feminina da FIFA entre junho e julho de 2027, incluindo a capital fluminense.

A coordenadora de Projetos Integradores da SME, Caroline Guedes, explicou que a ação integra a mobilização do município para o torneio mundial da FIFA. “É muito importante que a gente já esteja se preparando para esse momento e, mais do que isso, se preparando dentro do nosso primeiro ginásio olímpico, que é muito importante para nossa rede”, disse Caroline Guedes.

Proibição do futebol feminino no Brasil entre 1941 e 1979

O encontro abordou o histórico da legislação esportiva brasileira, quando a prática do futebol por mulheres esteve proibida por quase quatro décadas em todo o território nacional por força do Decreto-Lei 3.199, que vigorou de 1941 a 1979 e vetava a participação feminina em modalidades consideradas incompatíveis com a natureza da mulher. Mesmo após a revogação do veto em 1979, a modalidade só foi regulamentada em 1983, e a primeira seleção brasileira feminina entrou em campo apenas em 1988, em um torneio experimental na China, país que também sediou a primeira Copa do Mundo feminina em 1991, cinco anos antes da estreia olímpica do esporte em Atlanta, nos Estados Unidos, em 1996.

A informação sobre a antiga proibição legal surpreendeu a estudante Nicoly Melo, de 12 anos, que questionou a restrição durante a palestra. “Por que não podiam?”, perguntou a aluna. Já a estudante do 9º ano Letícia Pereira, de 15 anos, classificou a visita das ex-atletas como “um privilégio” e avaliou que a atividade é “meio caminho andado para as alunas por mostrar que o esporte também dá futuro, sim”.

O cronograma com as datas e os nomes das próximas escolas municipais que receberão o projeto Pioneiras nas Escolas ainda não foi divulgado. Para a Copa do Mundo feminina entre junho e julho de 2027, Letícia Pereira afirmou que já planeja acompanhar as partidas nos estádios: “Meu pai me leva lá, eu fico lá torcendo”, declarou a estudante.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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