Corpo de Preta Gil chega ao Brasil na quarta para cerimônia no Rio

Preta Gil

Preta Gil - Foto: Instagram

A cantora, compositora e empresária Preta Gil, que faleceu no domingo (20) aos 50 anos em Nova York, nos Estados Unidos, terá seu corpo repatriado ao Brasil na quarta-feira (23). Preta enfrentava um câncer colorretal desde janeiro de 2023 e estava no exterior para um tratamento experimental. A família Gil, liderada pelo pai, Gilberto Gil, organiza os trâmites para a cerimônia de despedida, que deve ocorrer no Rio de Janeiro, possivelmente no Theatro Municipal. A morte da artista, conhecida por sua luta contra o racismo e pela defesa da autoaceitação, comoveu o Brasil e gerou homenagens de amigos, familiares e fãs. A repatriação envolve complexa documentação, e a cerimônia promete ser um momento de celebração do legado de Preta.

A notícia da morte pegou muitos de surpresa, já que Preta vinha compartilhando momentos de esperança nas redes sociais. Sua trajetória, marcada por coragem e transparência no enfrentamento da doença, foi destacada por figuras públicas e anônimas.

  • Cronologia da doença: Diagnosticada em 2023, Preta enfrentou quimioterapia, radioterapia e cirurgias no Brasil.
  • Tratamento nos EUA: Desde maio de 2025, buscava terapias experimentais em Nova York e Washington.
  • Legado cultural: Preta revolucionou o Carnaval com o Bloco da Preta e fundou a agência Mynd.

Trajetória de luta contra o câncer

Preta Gil foi diagnosticada com câncer colorretal em janeiro de 2023, aos 48 anos, após desmaiar em casa. Inicialmente, o tratamento no Brasil incluiu quimioterapia, radioterapia e uma cirurgia em agosto de 2023, que resultou na colocação de uma bolsa de ileostomia. Em novembro do mesmo ano, a artista anunciou a remissão da doença, trazendo alívio aos fãs. No entanto, em agosto de 2024, exames de rotina revelaram o retorno do câncer em quatro locais: dois linfonodos, uma metástase no peritônio e um nódulo no ureter.

Determinada, Preta optou por uma nova cirurgia em dezembro de 2024, um procedimento de 21 horas no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, para a retirada dos tumores. Apesar do sucesso inicial, a necessidade de tratamentos mais avançados a levou aos Estados Unidos em maio de 2025. No Memorial Sloan Kettering Cancer Center, em Nova York, e no Virginia Cancer Institute, em Washington, ela participou de terapias experimentais, ainda em fase de estudos. A previsão era continuar o tratamento até agosto, mas sua saúde se deteriorou rapidamente nas últimas semanas.

A transparência com que Preta compartilhava sua jornada inspirou muitos. Em postagens nas redes sociais, ela falava abertamente sobre a bolsa de ileostomia, afirmando que o dispositivo “salvou sua vida”. Sua força diante das adversidades foi reconhecida em 2025, quando venceu o Prêmio Faz Diferença, do jornal O Globo, por sua coragem e impacto social.

Repatriação e organização da despedida

A repatriação do corpo de Preta Gil, confirmada pela assessoria de Gilberto Gil, envolve um processo burocrático complexo. Segundo a correspondente internacional Carolina Cimenti, em Nova York, a família organiza a documentação necessária para o traslado, que deve chegar ao Rio de Janeiro na quarta-feira (23). O velório, ainda sem data confirmada, pode ocorrer no Theatro Municipal, um espaço emblemático da cidade, seguido de uma possível cremação.

  • Local da cerimônia: Theatro Municipal é uma das opções, mas o local exato será anunciado em breve.
  • Familiares envolvidos: Gilberto Gil, Flora Gil e outros parentes coordenam os preparativos.
  • Homenagens previstas: A cerimônia deve reunir amigos, fãs e artistas para celebrar a vida de Preta.
  • Cronograma: O velório pode ocorrer entre quarta e quinta-feira, conforme a chegada do corpo.

A escolha do Rio de Janeiro reflete a forte conexão de Preta com a cidade, onde comandava o Bloco da Preta, que arrastava multidões no Carnaval. A família pediu privacidade durante esse momento de luto, mas prometeu divulgar detalhes sobre a despedida para que fãs possam prestar suas homenagens.

Preta Gil cancer – Foto: Instagram

Legado de Preta Gil na música e na sociedade

Filha de Gilberto Gil e Sandra Gadelha, Preta deixou um impacto profundo na cultura brasileira. Nascida no Rio de Janeiro, ela cresceu entre a capital carioca e Salvador, onde desenvolveu uma forte ligação com a Bahia. Sua carreira musical começou aos 29 anos, com o álbum Prêt-à-Porter (2003), que gerou polêmica pela capa com a cantora nua, mas também apresentou o hit Sinais de Fogo, composto por Ana Carolina.

Além da música, Preta foi uma empresária visionária. Em 2017, fundou a Mynd, uma agência de marketing digital que revolucionou a comunicação nas redes sociais, com mais de 50% de sua equipe composta por pessoas negras, refletindo seu compromisso com a diversidade. Sua luta contra o racismo, a gordofobia e a favor dos direitos das mulheres e da comunidade LGBT+ a transformou em um ícone de representatividade.

  • Bloco da Preta: Atraía até um milhão de foliões no Carnaval do Rio.
  • Atuação social: Denunciava comentários racistas e gordofóbicos, recorrendo à Justiça quando necessário.
  • Autobiografia: Preta: Os Primeiros 50 (2024) narra sua trajetória e bissexualidade.
  • Influência digital: Uma das maiores influenciadoras do Brasil, com milhões de seguidores.

Repercussão da morte de Preta Gil

A morte de Preta Gil gerou comoção nacional e internacional. Artistas como Ivete Sangalo, Ludmilla e Márcio Victor, do Psirico, que interagiram com ela no Carnaval de Salvador, prestaram homenagens. A apresentadora Carolina Dieckmann, amiga próxima, revelou que passou os últimos quatro dias com Preta, destacando que ela “não sentiu dor e estava cercada de amor”. O escritor Fabrício Carpinejar emocionou a web com um texto sobre a perda固定

  • Homenagens de artistas: Ivete Sangalo, Ludmilla e outros destacaram a alegria de Preta.
  • Declaração de Carolina Dieckmann: “Ela foi indo, mas sem dor e com muito amor”.
  • Texto de Carpinejar: “Perdemos quem nos representava, quem tinha preta no nome e coração no destino”.
  • Repercussão internacional: Jornais como El Mundo e Radio France Internationale noticiaram sua morte.

Políticos, como o prefeito do Rio, Eduardo Paes, e a deputada Duda Salabert, também lamentaram a perda, destacando a relevância de Preta na luta por uma arte diversa. A escola de samba Mangueira, onde Preta era figura querida, emitiu nota de pesar, chamando-a de “uma mulher incrível”.

Momentos marcantes da vida de Preta

Preta Gil viveu momentos que marcaram sua trajetória pessoal e profissional. Sua infância, dividida entre Rio e Salvador, foi influenciada pela ditadura militar, que levou sua família ao exílio em Londres. Aos 15 anos, ela viveu seu primeiro amor com uma mulher, uma experiência relatada em sua autobiografia. Sua coragem em enfrentar preconceitos, como o racismo sofrido na escola, moldou sua postura combativa.

  • Infância difícil: Enfrentou bullying por ser filha de Gilberto Gil e por seu nome.
  • Primeiro amor: Aos 15 anos, se apaixonou por uma modelo em Salvador.
  • Carreira na TV: Atuou em novelas como Caminhos do Coração e Os Mutantes.
  • Carnaval 2025: Emocionou-se ao voltar à folia em Salvador, no camarote Expresso 2222.

Preta também enfrentou desafios pessoais, como dois abortos espontâneos durante seu casamento com Rafael Dragaud e a separação de Rodrigo Godoy em 2025, após uma união de dez anos. Sua neta, Sol de Maria, de 9 anos, e seu filho, Francisco, de 30, foram presenças constantes em sua vida.

Impacto do câncer colorretal em jovens

O câncer colorretal, que vitimou Preta, tem crescido entre pessoas com menos de 50 anos. Segundo o oncologista Paulo Hoff, presidente da Oncologia D’Or, a incidência desse tipo de tumor em pacientes jovens aumentou cerca de 70% em 30 anos. No Brasil, estudos apontam um crescimento de 15% na última década, o que levou os Estados Unidos a reduzirem a idade mínima para exames preventivos de 50 para 45 anos.

  • Crescimento alarmante: Aumento de 70% em casos entre jovens em 30 anos.
  • Diagnóstico precoce: Exames como colonoscopia podem elevar a chance de cura.
  • Fatores de risco: Estilo de vida sedentário e dietas ricas em ultraprocessados.
  • Impacto social: A doença interrompe planos de carreira e família em idades produtivas.

A luta de Preta contra o câncer foi marcada por sua resiliência. Mesmo com a doença em estágio avançado, ela continuou a se apresentar, como no show com Gilberto Gil em São Paulo, em abril de 2025, e na Micareta São Paulo, ao lado de Ivete Sangalo. Sua mensagem de autoaceitação e força ressoa em fãs e admiradores, que agora se preparam para se despedir no Rio.

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