Em um movimento que marca mais um capítulo na política externa de Donald Trump, os Estados Unidos anunciaram, nesta terça-feira, 22 de julho de 2025, a saída da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), com a decisão entrando em vigor em dezembro de 2026. A medida, confirmada pelo Departamento de Estado americano, reflete a visão do governo Trump de que a Unesco promove uma agenda “ideológica” e “globalista”, contrária à política “America First”. A saída, que ocorre pela terceira vez na história do país, foi lamentada pela diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, mas não surpreendeu a agência, que já esperava a decisão. A retirada dos EUA, responsáveis por cerca de 8% do orçamento da organização, pode impactar programas globais de educação, ciência e cultura, incluindo a preservação de Patrimônios Mundiais da Humanidade.
O anúncio reflete a retomada de uma postura isolacionista de Trump, que já havia retirado os EUA da Unesco em 2018, durante seu primeiro mandato, alegando “viés anti-Israel” e necessidade de reformas. A decisão foi revertida em 2023 pelo governo de Joe Biden, mas, com a volta de Trump à Casa Branca, a política de retirada de organismos multilaterais ganhou novo fôlego.
- Motivos da saída: Críticas à agenda de desenvolvimento sustentável da ONU.
- Impacto financeiro: Redução de 8% no orçamento da Unesco.
- Histórico: EUA já deixaram a Unesco em 1984 e 2018.
- Prazo: Saída efetiva em dezembro de 2026.
Reações à decisão de Trump
A decisão de Trump de retirar os EUA da Unesco gerou reações imediatas no cenário internacional. A diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, expressou profundo pesar, mas destacou que a agência já se preparava para o impacto. “A Unesco está comprometida em continuar sua missão de promover a paz por meio da educação, ciência e cultura, mesmo diante de desafios financeiros”, afirmou Azoulay. A organização, sediada em Paris, enfrenta agora o desafio de diversificar suas fontes de financiamento para manter programas globais.
Organizações não governamentais e especialistas em relações internacionais também se manifestaram. A Anistia Internacional criticou a saída, argumentando que a decisão enfraquece mecanismos globais de cooperação em um momento crítico. Por outro lado, apoiadores de Trump, especialmente dentro do Partido Republicano, defenderam a medida, alegando que a Unesco adota posições que não refletem os interesses americanos.
- Crítica da Anistia: Saída prejudica esforços globais de educação e cultura.
- Apoio republicano: Decisão alinhada à política “America First”.
- Preparação da Unesco: Agência busca novas fontes de financiamento.
- Contexto político: Medida reforça isolacionismo de Trump.
Histórico de tensões com a Unesco
Os Estados Unidos têm uma relação conturbada com a Unesco desde sua fundação, em 1945. A primeira retirada ocorreu em 1984, durante o governo de Ronald Reagan, sob a acusação de má gestão financeira e viés antiamericano. O país retornou em 2003, sob George W. Bush, após reformas na organização. Em 2011, os EUA suspenderam contribuições financeiras após a admissão da Palestina como membro pleno, o que gerou uma dívida de cerca de US$ 500 milhões. A saída de 2018, sob Trump, foi motivada por alegações de “viés anti-Israel”, e a decisão de 2025 reforça esse padrão.
A atual saída está ligada à visão de Trump de que a Unesco promove “causas divisivas” e prioriza os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, descritos pela porta-voz do Departamento de Estado, Tammy Bruce, como uma “agenda globalista”. A admissão da Palestina como membro pleno em 2011 continua sendo um ponto de atrito, com os EUA e Israel acusando a Unesco de posições anti-Israel.
- Retirada de 1984: Motivada por má gestão e viés antiamericano.
- Suspensão de 2011: Reação à admissão da Palestina.
- Saída de 2018: Alegação de viés anti-Israel.
- ODS criticados: Trump questiona agenda de desenvolvimento sustentável.
Programas da Unesco em risco
A Unesco é amplamente reconhecida por seu trabalho na preservação de Patrimônios Mundiais da Humanidade, como o centro histórico de Ouro Preto, no Brasil, e o Grand Canyon, nos EUA. Além disso, a agência mantém programas de alfabetização, promoção da liberdade de imprensa, preservação de línguas e incentivo à ciência e tecnologia para o desenvolvimento sustentável. A saída dos EUA, que contribuem com 8% do orçamento da organização, pode comprometer essas iniciativas, especialmente em regiões de maior vulnerabilidade.
A agência já enfrentou dificuldades financeiras após a suspensão de fundos americanos em 2011, que representavam 20% de seu orçamento na época. Desde então, a Unesco diversificou suas fontes de receita, mas a nova retirada pode forçar cortes em programas educacionais e culturais. Países em desenvolvimento, que dependem de projetos da Unesco, podem ser os mais afetados.
- Patrimônios Mundiais: Ouro Preto e Grand Canyon entre os protegidos.
- Alfabetização: Programas globais podem sofrer cortes.
- Liberdade de imprensa: Iniciativas ameaçadas por redução de fundos.
- Ciência e tecnologia: Projetos de desenvolvimento sustentável em risco.
Outras saídas de organismos da ONU
A retirada da Unesco não é um caso isolado na política externa de Trump. Desde sua posse em janeiro de 2025, o presidente anunciou a saída dos EUA da Organização Mundial da Saúde (OMS) e a suspensão de financiamento à UNRWA, agência da ONU para refugiados palestinos. Essas medidas fazem parte de uma revisão mais ampla da participação americana em organismos da ONU, prevista para ser concluída em agosto de 2025.
A saída da OMS foi justificada por críticas à gestão da pandemia de Covid-19, enquanto a suspensão de fundos à UNRWA reflete o alinhamento de Trump com Israel, que acusou a agência de envolvimento com o Hamas. Essas decisões reforçam a postura de Trump de priorizar interesses nacionais sobre a cooperação multilateral.
- Saída da OMS: Críticas à gestão da pandemia.
- Suspensão da UNRWA: Alinhamento com Israel.
- Revisão da ONU: Conclusão prevista para agosto de 2025.
- Isolacionismo: Política de Trump prioriza interesses dos EUA.
Futuro da Unesco sem os EUA
A Unesco enfrenta agora o desafio de manter sua relevância e sustentabilidade financeira sem a participação americana. A agência já demonstrou resiliência no passado, ajustando-se a crises financeiras, mas a saída de um dos maiores doadores pode limitar sua capacidade de implementar projetos ambiciosos. Países como China e França, que têm aumentado suas contribuições, podem preencher parte do vazio deixado pelos EUA, mas a liderança americana em questões culturais e educacionais será difícil de substituir.
A decisão também levanta questões sobre o futuro do multilateralismo. Com os EUA se afastando de organismos globais, outros países podem buscar maior influência na Unesco, alterando o equilíbrio de poder dentro da organização. A agência, por sua vez, planeja intensificar esforços para atrair novos doadores e parceiros.
- Resiliência da Unesco: Histórico de adaptação a crises financeiras.
- Novos doadores: China e França podem aumentar contribuições.
- Equilíbrio de poder: Saída dos EUA pode fortalecer outros países.
- Multilateralismo: Decisão de Trump questiona cooperação global.

