Irã promete bloquear estreito de Ormuz e confronta EUA após bombardeios no sul do país

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Bandeira do Irã

Bandeira do Irã - BearFotos/ Shutterstock.com

O alto comando militar do Irã anunciou na noite de quarta-feira (10) o fechamento total do Estreito de Ormuz, via marítima estratégica que responde por cerca de 20% do petróleo e gás liquefeito transportado no mundo. Qualquer embarcação que tentar atravessar o local será alvejada, segundo o comunicado oficial da Guarda Revolucionária.

Dois navios classificados como “infratores” foram atingidos ao tentar cruzar a passagem, de acordo com a mídia estatal iraniana. A ação ocorreu em meio a uma nova escalada após bombardeios americanos em território iraniano.

As Forças Armadas dos Estados Unidos negaram que qualquer navio de guerra americano tenha sido atingido na região. O Comando Central (CENTCOM) publicou na rede social X que o tráfego comercial pelo estreito segue em andamento, apesar das afirmações de Teerã.

Os ataques americanos foram descritos por Washington como legítima defesa contra múltiplos alvos no Irã. A operação seguiu orientações diretas do presidente Donald Trump, que horas antes havia reforçado a exigência de que o Irã assine um acordo negociado há semanas.

Explosões foram registradas em várias localidades do sul iraniano, incluindo as cidades portuárias de Bandar Abbas, Sirik, Minab, além das ilhas de Qeshm e Hengam. Agências locais relataram que os alvos incluíam sistemas de defesa aérea, radares e instalações de controle de drones na região próxima ao estreito.

Impacto no comércio global

O Estreito de Ormuz, localizado entre o Irã e Omã, é uma das rotas mais críticas do comércio mundial de energia. Em condições normais, por ali passam diariamente milhões de barris de petróleo destinados à Ásia, Europa e outros mercados. O anúncio de fechamento já provocou alta de mais de US$ 2 no barril do Brent nas primeiras reações dos mercados.

Analistas apontam que interrupções prolongadas podem agravar a volatilidade nos preços de combustíveis, com reflexos diretos na economia global em um momento de tensão já elevada no Oriente Médio.

Estreito de Ormuz – GreenOak/shutterstock.com

Contexto da escalada

Esta é mais uma troca de ataques em uma série de confrontos que se intensificaram nos últimos meses. Os Estados Unidos justificam as ações recentes como resposta a agressões iranianas contínuas, incluindo lançamentos de drones e mísseis na região. Do lado iraniano, o fechamento é apresentado como medida de soberania e retaliação ao que chama de interferência americana.

O Ministério da Defesa do Irã confirmou confrontos navais na área, enquanto o CENTCOM reforça que nenhum dano foi registrado em suas embarcações. A situação mantém navios mercantes em estado de alerta, com seguradoras elevando prêmios e algumas rotas sendo desviadas.

Especialistas consultados por veículos internacionais destacam que o controle efetivo do estreito pode se tornar um ponto central nas negociações futuras. Trump tem insistido publicamente que os Estados Unidos não aceitarão interrupções no fluxo de energia, o que aumenta o risco de envolvimento militar mais direto.

Até o momento, não há confirmação independente sobre o volume real de tráfego interrompido ou eventuais vítimas civis nas explosões reportadas. A comunidade internacional acompanha com preocupação o desenrolar dos eventos, temendo um impacto maior no abastecimento global de petróleo.

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