Atlético-MG enfrenta crise financeira e expõe fragilidades do modelo SAFPor Carolina Costa
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Em julho de 2025, o Atlético-MG enfrenta uma grave crise financeira, com atrasos salariais que levaram jogadores como Rony a acionarem a Justiça do Trabalho, em Belo Horizonte, para cobrar pendências como FGTS, luvas e direitos de imagem. A Sociedade Anônima do Futebol (SAF), adotada pelo clube em 2023 para profissionalizar a gestão e sanear as finanças, não conseguiu evitar o aumento de dívidas, que atingiram R$ 1,8 bilhão. A situação expõe fragilidades do modelo SAF no Brasil, com outros clubes, como Vasco e Cruzeiro, também enfrentando dificuldades. A diretoria do Atlético-MG, pressionada por protestos de torcedores e notificações judiciais, busca novos aportes financeiros para equilibrar as contas, enquanto o principal investidor, Rubens Menin, promete regularizar os pagamentos.
A crise financeira do Atlético-MG não é um caso isolado. Outros clubes que adotaram o modelo SAF enfrentam desafios semelhantes, levantando questionamentos sobre a eficácia da estrutura empresarial no futebol brasileiro. A situação ganhou destaque após jogadores como Gustavo Scarpa e Guilherme Arana notificarem o clube extrajudicialmente por atrasos nos pagamentos.
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- Dívida estimada: R$ 1,8 bilhão, com aumento de 20% em relação a 2023.
- Gastos com contratações: R$ 218 milhões em 2024, segundo balanço financeiro.
- Reunião com elenco: Marcada para 23 de julho de 2025, na Arena MRV.
- Jogo decisivo: Confronto contra o Bucaramanga pela Copa Sul-Americana, em 24 de julho.
O clube, que já foi alvo de protestos da torcida, tenta evitar que a crise financeira impacte o desempenho em campo, enquanto busca soluções para reestruturar sua gestão.
A origem da crise no Atlético-MG
O Atlético-MG aderiu ao modelo SAF em julho de 2023, com a venda de 75% das ações para a Galo Holding, em uma operação de R$ 913 milhões, liderada por Rubens Menin. A expectativa era que a nova estrutura trouxesse maior profissionalização e controle financeiro. No entanto, o clube continuou com gastos elevados, especialmente em contratações de jogadores, o que elevou a dívida para R$ 1,8 bilhão em 2024. O balanço financeiro do clube revelou uma folha salarial de R$ 300 milhões, incompatível com a receita bruta de R$ 674 milhões no mesmo período.
A gestão da SAF não conseguiu conter os juros elevados das dívidas, que consomem grande parte das receitas. Além disso, a ausência de um planejamento financeiro sustentável agravou a situação, com o clube dependendo de aportes emergenciais de acionistas. A recente crise, marcada por atrasos salariais, expôs a fragilidade do modelo quando a gestão não é ajustada para operar como uma empresa.
Limites do modelo SAF no Brasil
A Sociedade Anônima do Futebol, instituída pela Lei 14.193/2021, surgiu como uma promessa de modernização para o futebol brasileiro. Clubes como Cruzeiro, Botafogo e Vasco também adotaram o modelo, mas enfrentam dificuldades semelhantes. No caso do Vasco, a parceria com a 777 Partners foi rompida em maio de 2024, após descumprimentos contratuais, deixando o clube com uma dívida de R$ 1,2 bilhão e em busca de novos investidores. O Cruzeiro, sob a gestão de Pedro Lourenço, viu sua dívida crescer 45% em 2024, atingindo R$ 1,3 bilhão.
- Benefícios da SAF: Permite acesso a investidores, renegociação de dívidas e tributação simplificada.
- Tributação específica: Alíquota de 5% nos primeiros cinco anos, caindo para 4% após esse período.
- Desafios: Gestão amadora e gastos incompatíveis com as receitas.
- Exemplos de crise: Vasco rompeu com investidor, e Cruzeiro enfrenta aumento de dívidas.
A SAF foi projetada para trazer transparência e profissionalismo, mas a persistência de práticas antigas, como contratações custosas, compromete os resultados. Especialistas apontam que a profissionalização exige mudanças estruturais profundas, além da simples adoção do modelo empresarial.
Reações do elenco e da torcida
A crise financeira do Atlético-MG gerou tensões no elenco. O atacante Rony, que chegou ao clube em 2025 vindo do Palmeiras, pediu a rescisão contratual na Justiça do Trabalho, alegando atrasos em direitos de imagem e FGTS. Após negociações, ele recuou, mas outros jogadores, como Igor Gomes e Guilherme Arana, também cobraram o clube extrajudicialmente. Arana, em publicação nas redes sociais, destacou a busca por diálogo antes de medidas extremas, reforçando sua identificação com o clube.
A torcida, conhecida por sua paixão, reagiu com protestos. Faixas criticando a gestão da SAF foram vistas em Belo Horizonte, e frases como “O Galo virou SAF pra quê?” circulam nas redes sociais. A insatisfação reflete o temor de que os problemas financeiros prejudiquem o desempenho esportivo, especialmente após resultados abaixo do esperado no Brasileirão 2025, onde o clube está fora das primeiras posições.
Busca por soluções financeiras
Para enfrentar a crise, o Atlético-MG planeja alterações na estrutura da SAF. Uma votação no Conselho Deliberativo, marcada para 4 de agosto de 2025, discutirá a redução da cláusula anti-diluição, que protege a participação de 25% da associação do clube. A mudança pode atrair novos investidores, com um aporte mínimo de R$ 200 milhões. A diretoria também negocia com os jogadores para regularizar os pagamentos, com reuniões na Arena MRV.
- Aportes recentes: Duas operações financeiras realizadas em julho de 2025.
- Nova operação: Terceira rodada de aportes em andamento.
- Cláusula anti-diluição: Pode reduzir a participação da associação para 10%.
- Investidores: Grupo liderado por Rubens Menin busca novos parceiros.
A dependência de aportes emergenciais, no entanto, levanta dúvidas sobre a sustentabilidade do projeto. A diretoria precisa equilibrar as finanças sem comprometer a competitividade do time, que enfrenta o Bucaramanga pela Copa Sul-Americana em um momento crítico.
Lições de outros clubes
A experiência do Atlético-MG não é única. O Botafogo, que adotou a SAF em 2022 com um investimento de R$ 410 milhões de John Textor, conseguiu reduzir dívidas e conquistar títulos, mas enfrenta desafios para publicar balanços financeiros transparentes. O Cruzeiro, primeiro clube a adotar o modelo, viu sua dívida crescer apesar dos investimentos de Ronaldo Nazário e, posteriormente, de Pedro Lourenço. O Vasco, após o rompimento com a 777 Partners, entrou com pedido de recuperação judicial para reorganizar suas finanças.
- Botafogo: Reduziu R$ 500 milhões em dívidas, mas transparency issues persistem.
- Cruzeiro: Prejuízo de R$ 170 milhões em 2024, com gastos de R$ 200 milhões em contratações.
- Vasco: Dívida de R$ 1,2 bilhão e busca por novo investidor.
- Tendência: 95 SAFs no Brasil, mas 71 não estão qualificadas para o Brasileirão.
Esses casos mostram que a SAF não é uma solução automática. A profissionalização exige planejamento, transparência e controle rigoroso de gastos, algo que muitos clubes ainda não conseguiram implementar.
Futuro do Atlético-MG e das SAFs
O Atlético-MG enfrenta um momento decisivo. A reunião com o elenco, marcada para 23 de julho, e a votação no Conselho Deliberativo em agosto serão cruciais para definir o rumo do clube. A pressão por resultados em campo, com o confronto pela Copa Sul-Americana, adiciona urgência à resolução dos problemas financeiros. Enquanto isso, o modelo SAF enfrenta um teste de credibilidade no Brasil, com clubes precisando provar que a estrutura pode trazer estabilidade a longo prazo.
A crise do Atlético-MG serve como um alerta para o futebol brasileiro. A adoção da SAF exige mais do que a mudança de modelo jurídico; é necessário um compromisso com a gestão responsável e a transparência para evitar que as dívidas continuem a crescer. O clube mineiro, com sua história de conquistas e torcida apaixonada, busca agora um equilíbrio que permita manter a competitividade sem comprometer sua saúde financeira.















