Atlético-MG enfrenta turbulência com jogadores cobrando atrasos na JustiçaPor Bruna
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A crise financeira do Atlético-MG ganhou novos capítulos nesta semana, com jogadores acionando o clube na Justiça do Trabalho por atrasos salariais e direitos de imagem, enquanto a diretoria da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) corre contra o tempo para regularizar os pagamentos. Na terça-feira, 22 de julho de 2025, o atacante Rony chegou a pedir a rescisão contratual, mas recuou após negociações com a cúpula do clube em Belo Horizonte. A situação, que expôs divisões no elenco, culminou na marcação de uma reunião entre investidores da SAF e atletas na Arena MRV, nesta quarta-feira, 23 de julho, com o objetivo de quitar pendências e restabelecer a confiança. O movimento reflete um momento delicado para o clube, que enfrenta dificuldades para honrar compromissos financeiros, apesar da estrutura da SAF, criada para reestruturar o futebol alvinegro. A torcida, inquieta, cobra soluções rápidas, enquanto a diretoria busca novos aportes para equilibrar as contas.
A turbulência começou a se intensificar após notificações extrajudiciais de jogadores como Gustavo Scarpa, Guilherme Arana e Igor Gomes, que cobraram valores atrasados, incluindo direitos de imagem e luvas. Enquanto isso, atletas como Lyanco e Gabriel Menino usaram as redes sociais para negar ações contra o clube, evidenciando a divisão no elenco. A insatisfação também foi alimentada pela chegada do atacante Biel, contratado por empréstimo, mesmo com pendências financeiras ainda não resolvidas, o que contraria promessas da diretoria.
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- Ações judiciais: Rony acionou a Justiça do Trabalho, mas desistiu após intervenção da diretoria.
- Notificações extrajudiciais: Scarpa, Arana e Igor Gomes cobram pagamentos atrasados.
- Divisão no elenco: Parte dos jogadores apoia as cobranças, enquanto outros pedem paciência.
- Reunião marcada: Investidores da SAF se encontrarão com o elenco na Arena MRV.
Reunião na Arena MRV busca apaziguar tensões
A cúpula da SAF, liderada pelo sócio majoritário Rubens Menin, marcou presença na Arena MRV para uma reunião com os jogadores. O encontro, agendado para a tarde de 23 de julho, visa esclarecer a situação financeira e garantir o pagamento de salários e direitos de imagem atrasados. A diretoria informou que os salários de julho, vencidos no dia 5, foram pagos em 15 de julho, assim como os direitos de imagem, atrasados desde 20 de junho. Contudo, luvas de alguns atletas ainda estão pendentes, o que intensificou as cobranças.
Rubens Menin, em pronunciamento nas redes sociais, adotou um tom conciliador, destacando que o clube honra seus compromissos e trabalha em um projeto de longo prazo. A reunião com o elenco é vista como uma tentativa de restabelecer a confiança, mas fontes próximas ao clube indicam que os jogadores estão divididos. Alguns acreditam no diálogo com a diretoria, enquanto outros pressionam por soluções imediatas, temendo que os atrasos se tornem recorrentes.
O clima no elenco também reflete tensões internas. A relação entre o meia Gustavo Scarpa e o técnico Cuca, por exemplo, enfrenta desgaste após substituições polêmicas em jogos recentes, como contra o Bahia. Gabriel Menino, outro jogador insatisfeito, foi sacado no primeiro tempo contra o Palmeiras, o que gerou desconforto. Essas questões táticas se somam à crise financeira, criando um ambiente instável na Cidade do Galo.
Atrasos salariais e promessas descumpridas
Os atrasos salariais não são novidade no Atlético-MG, mas a situação atual ganhou proporções maiores com a exposição pública das cobranças. Além dos salários, direitos de imagem e luvas, o clube enfrenta pendências com outros times, como o Cuiabá, que cobra parcelas atrasadas pela transferência de Deyverson, hoje no Fortaleza. O atacante, inclusive, acionou o Atlético na Justiça, exigindo R$ 85 mil em direitos de imagem não pagos.
- Salários de julho: Pagos com dez dias de atraso, em 15 de julho.
- Direitos de imagem: Atrasados desde 20 de junho, quitados parcialmente.
- Luvas pendentes: Alguns jogadores ainda aguardam valores acordados em contratos.
- Dívidas com outros clubes: Cuiabá cobra parcelas da transferência de Deyverson.
A chegada do atacante Biel, contratado por empréstimo com opção de compra, gerou críticas no elenco. A diretoria havia prometido priorizar o pagamento das pendências antes de novas contratações, o que não foi cumprido. Essa decisão aumentou a desconfiança de parte dos jogadores, que veem a SAF funcionando apenas sob pressão externa, como notificações judiciais ou protestos da torcida.
SAF sob pressão: busca por novos investidores
A Sociedade Anônima do Futebol do Atlético-MG, criada em 2023 para reestruturar as finanças do clube, enfrenta dificuldades para equilibrar o fluxo de caixa. Com uma dívida estimada em R$ 1,8 bilhão, o clube depende de aportes financeiros dos acionistas, conhecidos como “4Rs” (Rubens Menin, Rafael Menin, Ricardo Guimarães e Renato Salvador). Nos últimos dias, duas operações financeiras foram realizadas, e uma terceira está em andamento para regularizar os pagamentos.
Rubens Menin, principal investidor, injetou recursos próprios na terça-feira, 22 de julho, para cobrir os atrasos salariais. Além disso, o clube busca novos investidores no mercado. Em 2023, o empresário Marcio Cadar ofereceu um aporte de R$ 200 milhões, mas a proposta foi ignorada pela SAF. Agora, com a crise em evidência, os acionistas avaliam a possibilidade de novos aportes, enquanto o Conselho Deliberativo da Associação votará, em 4 de agosto, uma cláusula anti-diluição para facilitar a entrada de capital externo.
- Dívida do clube: Estimada em R$ 1,8 bilhão, impactando o fluxo de caixa.
- Operações financeiras: Duas realizadas recentemente, com uma terceira em andamento.
- Proposta rejeitada: Marcio Cadar ofereceu R$ 200 milhões em 2023, sem resposta.
- Cláusula anti-diluição: Votação marcada para 4 de agosto pode atrair investidores.
Reações da torcida e impacto no desempenho
A crise financeira também reverbera entre os torcedores, que expressam frustração nas redes sociais. Faixas de protesto contra a SAF foram vistas em Belo Horizonte, e comentários como “O Galo virou SAF pra quê?” refletem a insatisfação com a gestão financeira. A torcida, conhecida por sua paixão, teme que os problemas fora de campo prejudiquem o desempenho do time, que já enfrenta dificuldades no Brasileirão 2025, longe das primeiras posições.
O desempenho em campo é outro ponto de preocupação. Resultados recentes, como derrotas para Bahia e Palmeiras, expõem fragilidades táticas e a perda de confiança no técnico Cuca. A reunião na Arena MRV, além de tratar das pendências financeiras, busca alinhar o elenco para evitar que a crise extracampo afete ainda mais os jogos.
Gestão da crise e próximos passos
A diretoria da SAF, sob pressão, tenta conter a crise com ações imediatas. A presença de Rubens Menin na Cidade do Galo e a reunião na Arena MRV sinalizam um esforço para dialogar com os jogadores e evitar novas ações judiciais. A cúpula também trabalha para cumprir as promessas de pagamento, mas a recorrência dos atrasos levanta dúvidas sobre a sustentabilidade financeira do projeto.
A votação da cláusula anti-diluição, marcada para o início de agosto, é vista como um passo crucial para atrair novos investidores e reduzir a dependência dos atuais acionistas. Enquanto isso, o clube enfrenta o desafio de manter o elenco unido e a torcida confiante, em um momento em que a credibilidade da SAF é colocada à prova.
- Reunião com elenco: Marcada para 23 de julho, com foco em pagamentos e diálogo.
- Votação no Conselho: Cláusula anti-diluição pode facilitar novos aportes.
- Impacto no Brasileirão: Crise pode agravar desempenho do time em 2025.
- Confiança da torcida: Protestos refletem insatisfação com a gestão da SAF.
Futuro financeiro em jogo
O Atlético-MG vive um momento de inflexão. A SAF, criada para sanar dívidas e modernizar a gestão, enfrenta dificuldades para cumprir suas promessas. A dívida de R$ 1,8 bilhão e os juros elevados, agravados pela taxa Selic em 14%, consomem recursos que poderiam ser direcionados ao elenco. Rubens Menin, em sua mensagem nas redes sociais, reforçou o compromisso com o clube, mas a pressão por resultados, dentro e fora de campo, só aumenta.
A busca por novos investidores e a regularização dos pagamentos são prioridades para os próximos dias. A reunião na Arena MRV, embora essencial, é apenas o primeiro passo para restabelecer a confiança. O desafio agora é transformar as promessas em ações concretas, enquanto o clube tenta evitar que a crise financeira se transforme em uma crise esportiva ainda mais grave.















