Turbulência no Galo: Ações judiciais e reuniões expõem crise financeira no Atlético-MGPor Thiago Lemos
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Atlético-MG vive crise financeira com atrasos salariais e ações judiciais de jogadores, como Rony, que desistiu de rescisão após reuniões. A diretoria da SAF promete quitar débitos até esta quarta-feira, 23 de julho de 2025, na Arena MRV, em Belo Horizonte. A turbulência expõe divisões no elenco e insatisfação com novos reforços, enquanto investidores buscam soluções. A situação, agravada por dívidas de direitos de imagem e luvas, reflete desafios na gestão financeira do clube, que tenta equilibrar as contas para manter a competitividade na temporada.
A crise financeira do Atlético-MG ganhou destaque nesta semana, com notificações extrajudiciais de jogadores e uma ação trabalhista movida pelo atacante Rony, que acabou desistindo após conversas com a diretoria. O ambiente interno do clube está marcado por reuniões intensas e promessas de regularização dos pagamentos. A cúpula da SAF, liderada por figuras como Rubens Menin, busca recursos para sanar os débitos, enquanto o elenco se divide entre cobrar ações imediatas e confiar nas promessas da gestão.
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O dia na Cidade do Galo foi agitado, com treinos pela manhã e longas conversas entre jogadores, comissão técnica e dirigentes. A pressão sobre a diretoria aumentou após a divulgação de notificações extrajudiciais enviadas por atletas como Gustavo Scarpa, Guilherme Arana e Igor Gomes, cobrando salários, direitos de imagem e luvas atrasados. A situação reflete um momento delicado para o clube, que enfrenta uma dívida estimada em quase R$ 1 bilhão.
- Principais débitos em aberto: Salários de julho, quitados com atraso em 15 de julho.
- Direitos de imagem: Atrasados desde 20 de julho, com nova parcela vencendo em breve.
- Luvas pendentes: Alguns jogadores aguardam pagamentos de acordos contratuais.
- Ações judiciais: Rony moveu e desistiu de ação trabalhista; outros atletas notificaram o clube extrajudicialmente.
Terça-feira de reapresentação e início dos trabalhos para enfrentar o Bucaramanga, na @ArenaMRV! ⚽🏃🏽 pic.twitter.com/uabO1sKA3m
— Atlético (@Atletico) July 22, 2025
Reuniões marcam esforços para conter crise
A diretoria do Atlético-MG agiu rapidamente para conter a insatisfação no elenco. Na terça-feira, 22 de julho, Paulo Bracks, Victor Bagy e o técnico Cuca se reuniram com Rony e seu staff, garantindo que os pagamentos seriam regularizados. A promessa foi suficiente para o atacante desistir da ação trabalhista, mas o episódio revelou a fragilidade financeira do clube. Fontes internas descreveram o dia como “muito difícil”, com longas negociações envolvendo dirigentes e investidores.
Nesta quarta-feira, a Arena MRV será palco de um novo encontro entre jogadores e investidores da SAF. O objetivo é tranquilizar o elenco e reforçar o compromisso com a quitação dos débitos. A diretoria informou que os salários de julho estão em dia, mas os direitos de imagem, vencidos em 20 de julho, e algumas luvas seguem pendentes. A reunião busca alinhar expectativas e evitar novas ações judiciais.
Divisão no elenco reflete tensões internas
O elenco alvinegro está dividido diante da crise. Parte dos jogadores defende a cobrança de providências imediatas, enquanto outros, como o capitão Lyanco, pregam paciência, confiando nas promessas da diretoria. Lyanco usou as redes sociais para expressar apoio ao clube, com a frase “Uma vez Galo…”. Em resposta, Gustavo Scarpa publicou um comentário enigmático, sugerindo discordância: “Sem fazer média, sem puxar saco”. A troca de mensagens evidencia a tensão entre os atletas.
A insatisfação também foi agravada pela chegada do atacante Biel, contratado por empréstimo com opção de compra. Alguns jogadores questionaram a decisão de investir em reforços enquanto os débitos com o elenco não foram quitados. A diretoria, por sua vez, argumenta que a contratação é estratégica para manter a competitividade, mas a medida gerou desconforto interno.
Gestão financeira sob pressão
A crise financeira do Atlético-MG não é novidade. O clube acumula uma dívida próxima de R$ 1 bilhão, incluindo débitos com o governo federal e fornecedores. Em 2024, a folha salarial do futebol profissional alcançou R$ 301 milhões, equivalente a R$ 25 milhões por mês, um dos maiores valores do futebol brasileiro. Apesar do faturamento recorde com a venda de atletas, como os R$ 91 milhões pela transferência de Paulinho ao Palmeiras, os gastos elevados dificultam o equilíbrio das contas.
A SAF, implementada para modernizar a gestão do clube, enfrenta críticas. Torcedores, como Carol, expressaram frustração nas redes sociais, questionando: “O Galo virou SAF pra quê?”. A diretoria tenta responder com ações concretas, como operações financeiras recentes e a busca por novos investidores. Rubens Menin, sócio majoritário, aportou recursos próprios para garantir os pagamentos desta quarta-feira, mas a solução definitiva depende de aportes maiores.
Busca por novos aportes financeiros
Para aliviar a pressão financeira, o Atlético-MG planeja uma votação no Conselho Deliberativo da Associação, marcada para 4 de agosto. A proposta envolve a aprovação de uma cláusula anti-diluição das ações da SAF, facilitando a entrada de novos investidores. A medida é vista como essencial para reduzir a dívida e manter os compromissos com o elenco. Enquanto isso, a diretoria negocia com acionistas e busca operações financeiras adicionais.
- Operações recentes: Duas transações financeiras foram concluídas nos últimos dias.
- Novo aporte: Rubens Menin garantiu recursos para quitar débitos imediatos.
- Cláusula anti-diluição: Votação no Conselho Deliberativo pode atrair investidores.
- Dívida total: Estimada em cerca de R$ 1 bilhão, incluindo débitos fiscais.
Reações da torcida e redes sociais
A torcida do Atlético-MG acompanha a crise com apreensão. Posts nas redes sociais refletem a insatisfação com os atrasos salariais e a gestão da SAF. A frase de Carol, “O Galo virou SAF pra quê?”, viralizou entre os torcedores, resumindo o sentimento de frustração. Apesar disso, há quem defenda a diretoria, destacando os esforços para regularizar os pagamentos e manter o clube competitivo.
Jogadores como Lyanco tentam transmitir confiança, mas as mensagens enigmáticas de Scarpa mostram que nem todos compartilham do mesmo otimismo. A torcida espera que a reunião desta quarta-feira traga alívio e evite novos conflitos internos, especialmente com a temporada em um momento decisivo.
Desafios no campo e fora dele
Enquanto lida com a crise financeira, o Atlético-MG se prepara para compromissos importantes. O time enfrenta o Atlético Bucaramanga, na Colômbia, pelos playoffs da Sul-Americana, em um jogo que exige foco total do elenco. A instabilidade fora de campo, no entanto, pode influenciar o desempenho dos jogadores, que cobram maior organização da diretoria.
A temporada de 2025 é vista como uma oportunidade de reformulação, mas os problemas financeiros limitam os planos. O clube investiu R$ 202,9 milhões em contratações nas últimas duas janelas, mas os atrasos em pagamentos a outros clubes, como Corinthians e Cuiabá, também geraram ações judiciais. A gestão precisa equilibrar os investimentos com a quitação das dívidas para evitar novos desgastes.
Histórico de dificuldades financeiras
O Atlético-MG tem um longo histórico de desafios financeiros. Em 2015, a dívida do clube já alcançava R$ 496,5 milhões, com déficits operacionais significativos. A adoção do modelo SAF trouxe esperança de modernização, mas os problemas persistem. A folha salarial elevada, combinada com investimentos em contratações, exige uma gestão mais eficiente para evitar crises recorrentes.
A venda de jogadores tem sido uma fonte de receita importante. Em 2024, o clube arrecadou R$ 155 milhões com transferências, superando os R$ 112 milhões de 2023. No entanto, os altos gastos com salários e direitos de imagem consomem grande parte desses recursos, dificultando a sustentabilidade financeira.
- Folha salarial: R$ 25 milhões por mês em 2024, uma das maiores do Brasil.
- Vendas de jogadores: R$ 155 milhões em 2024, com destaque para Paulinho.
- Dívida histórica: R$ 496,5 milhões em 2015, hoje próxima de R$ 1 bilhão.
- Modelo SAF: Implementado para modernizar, mas enfrenta críticas.
Próximos passos da diretoria
A diretoria do Atlético-MG trabalha contra o tempo para resolver os problemas financeiros. Além da reunião com o elenco, a cúpula planeja novas negociações com investidores e a conclusão de uma terceira operação financeira. A votação no Conselho Deliberativo será crucial para atrair recursos e reduzir a pressão sobre a SAF. Enquanto isso, o clube mantém o discurso de que os atrasos são pontuais e serão resolvidos rapidamente.
A promessa de Rubens Menin, reforçada nas redes sociais, é de que o clube cumprirá seus compromissos. A torcida e os jogadores aguardam ações concretas, enquanto o Atlético-MG tenta equilibrar as finanças sem comprometer o desempenho em campo.















