Carla Zambelli é presa na Itália, diz Ministério da Justiça, após denúnciaPor Beatriz
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A deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP) foi presa em Roma, na Itália, nesta terça-feira, 29 de julho de 2025, conforme anunciado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil. A captura ocorreu após o deputado italiano Angelo Bonelli revelar às autoridades locais o endereço onde a parlamentar estava. Condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão por liderar uma invasão hacker ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Zambelli fugiu do Brasil em junho de 2025, buscando refúgio na Itália, onde possui cidadania. A prisão, confirmada pelo Ministério da Justiça, é um marco no processo de extradição solicitado pelo Brasil, com a Interpol e a Justiça italiana analisando o caso. A ação reforça a cooperação internacional para responsabilizar a ex-deputada por crimes cibernéticos contra o Judiciário brasileiro
O Ministério da Justiça informou que a detenção foi resultado de esforços conjuntos com a Interpol e a polícia italiana. Zambelli, figura influente do bolsonarismo, enfrenta acusações de orquestrar ataques digitais com o hacker Walter Delgatti Neto, gerando um caso de repercussão global.
- Principais fatos da prisão:
- Local: Apartamento em Roma, identificado por Angelo Bonelli.
- Data: 29 de julho de 2025, confirmada pelo Ministério da Justiça.
- Motivo: Condenação por invasão de sistemas do CNJ e falsidade ideológica.
Operação coordenada pelo Ministério da Justiça
O Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil desempenhou um papel central na prisão de Carla Zambelli, coordenando esforços com a Polícia Federal e a Interpol. Na segunda-feira, 28 de julho, Angelo Bonelli, deputado italiano de oposição, publicou em redes sociais que forneceu o endereço da deputada em Roma às autoridades. O Ministério da Justiça confirmou que a informação foi essencial para a identificação e captura da parlamentar no dia seguinte. A operação, segundo a pasta, reflete a cooperação entre Brasil e Itália no combate a crimes transnacionais.
O pedido de extradição, formalizado em 11 de junho de 2025 pelo Ministério da Justiça, foi enviado ao Itamaraty e à Embaixada do Brasil em Roma, que notificou o Ministério da Justiça italiano. Apesar da cidadania italiana de Zambelli, tratados bilaterais entre os dois países permitem a extradição em casos de crimes graves, como os cometidos pela ex-deputada. O Ministério da Justiça brasileiro acompanha o caso de perto, aguardando a decisão judicial italiana sobre a entrega de Zambelli.
- Etapas da operação:
- Denúncia de Angelo Bonelli sobre o endereço de Zambelli.
- Confirmação da localização pela polícia italiana.
- Cumprimento do mandado da Interpol em 29 de julho.
- Acompanhamento do Ministério da Justiça para a extradição.
Condenação pelo STF e crimes cibernéticos
Em 14 de maio de 2025, a Primeira Turma do STF condenou Carla Zambelli por unanimidade a 10 anos de prisão em regime fechado, além da perda do mandato parlamentar e pagamento de R$ 2 milhões em indenização. A acusação, liderada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), apontou a deputada como mentora de uma invasão ao sistema do CNJ, realizada entre 2022 e 2023, com apoio do hacker Walter Delgatti Neto. Os crimes incluíram invasão qualificada de dispositivos informáticos e falsidade ideológica, com a inserção de um mandado falso de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.
O Ministério da Justiça destacou que a condenação reflete a gravidade dos ataques, que buscavam desestabilizar o Judiciário. Delgatti, também condenado, recebeu pena de 8 anos e 3 meses. A defesa de Zambelli tentou recorrer, alegando cerceamento de defesa, mas o STF rejeitou os recursos em 6 de junho, confirmando a sentença. O Ministério da Justiça reforçou que a prisão de Zambelli é um passo para garantir a aplicação da lei penal.

Trajetória de fuga e cidadania italiana
Zambelli anunciou sua saída do Brasil em 3 de junho de 2025, inicialmente alegando motivos médicos. Ela passou pelos Estados Unidos antes de chegar à Itália em 5 de junho, usando seu passaporte italiano. Em entrevistas, a deputada afirmou que sua cidadania italiana a tornava “intocável”, mas especialistas, como o advogado Frederico Glitz, esclareceram que a legislação italiana permite a extradição de cidadãos em casos previstos por tratados bilaterais. O Ministério da Justiça brasileiro formalizou o pedido de extradição logo após a fuga, intensificando a busca pela parlamentar.
Na Itália, Zambelli contratou o advogado Pieremilio Sammarco, conhecido por defender figuras políticas, para tentar evitar a extradição. Ela viveu reclusa em Roma, evitando aparições públicas, mas sua localização foi revelada por Bonelli. O Ministério da Justiça destacou que a cidadania italiana não impede a ação judicial, especialmente em crimes cibernéticos previstos na Convenção de Budapeste.
- Movimentos de Zambelli:
- Saída do Brasil pela Argentina em maio de 2025.
- Passagem pelos EUA antes de chegar à Itália.
- Uso do passaporte italiano para entrar em Roma.
- Contratação de advogado para evitar extradição.
Reações políticas no Brasil e na Itália
A prisão de Zambelli, confirmada pelo Ministério da Justiça, gerou polarização. No Brasil, aliados bolsonaristas, como o senador Flávio Bolsonaro, classificaram a deputada como vítima de perseguição política, enquanto partidos como o PSOL celebraram a captura, destacando a importância de punir ataques às instituições. O Ministério da Justiça reiterou que o caso é tratado como crime comum, sem motivações políticas.
Na Itália, o caso ganhou contornos políticos. Angelo Bonelli acusou setores do governo de Giorgia Meloni de oferecerem proteção à deputada, o que foi negado pelo Ministério do Interior italiano. O Ministério da Justiça brasileiro mantém diálogo com as autoridades italianas para assegurar que o processo de extradição siga os trâmites legais, sem interferências políticas.
- Reações ao caso:
- Brasil: Apoio de bolsonaristas e críticas de opositores.
- Itália: Embate entre oposição e governo Meloni.
- Ministério da Justiça: Foco na cooperação jurídica internacional.
Processo de extradição em andamento
Com a prisão confirmada pelo Ministério da Justiça, a Justiça italiana iniciará a análise do pedido de extradição. O processo envolve a Procuradoria-Geral de Roma e o Ministério da Justiça italiano, que avaliarão a conformidade dos crimes de Zambelli com os tratados bilaterais. O precedente de Henrique Pizzolato, extraditado em 2015, sugere que a extradição é viável, mas pode levar semanas devido aos trâmites judiciais. O Ministério da Justiça brasileiro está confiante na cooperação italiana.
A defesa de Zambelli planeja recorrer, alegando perseguição política e questões de saúde, mas o Ministério da Justiça mantém que os crimes são graves e justificam a entrega ao Brasil. A Câmara dos Deputados foi notificada para formalizar a perda do mandato, com o suplente Coronel Tadeu (PL-SP) assumindo a vaga.
- Etapas da extradição:
- Análise pela Procuradoria-Geral de Roma.
- Decisão do Ministério da Justiça italiano.
- Possibilidade de recursos pela defesa.
- Retorno ao Brasil, se aprovado.
Reflexos no combate a crimes cibernéticos
A prisão de Zambelli, anunciada pelo Ministério da Justiça, reforça a luta contra crimes cibernéticos no Brasil. O caso destaca a capacidade do STF e do Ministério da Justiça de coordenar ações internacionais para responsabilizar figuras públicas. A captura também sinaliza a força dos acordos bilaterais, como o tratado Brasil-Itália, no combate a crimes transnacionais. O desfecho do caso pode influenciar o cenário político brasileiro, especialmente na bancada bolsonarista, e reforçar a credibilidade do Judiciário.







