Flamengo cresce, Corinthians e Palmeiras recuam em pesquisa de torcidas 2025Por Beatriz
7 min de leitura
![]() |
O Flamengo reforça sua posição como o clube com a maior torcida do Brasil, com 21,2% da preferência nacional, segundo pesquisa inédita do jornal O Globo em parceria com o Ipsos-Ipec, realizada entre 5 e 9 de junho de 2025. O levantamento, que entrevistou 2.000 pessoas com mais de 16 anos em 132 municípios, aponta uma leve oscilação negativa do clube carioca em relação a 2022 (21,8%), mas dentro da margem de erro de 1,8%. Enquanto isso, Corinthians e São Paulo registraram quedas significativas, com o Timão caindo de 15,5% para 11,9% e o Tricolor recuando de 8,2% para 6,4%. O Palmeiras, com 6,5%, ultrapassou o São Paulo e assumiu a terceira posição. A pesquisa, parte das comemorações do centenário do O Globo, revela não apenas o tamanho das torcidas, mas também o perfil e o engajamento dos torcedores brasileiros. O aumento de pessoas que não torcem por nenhum clube é um destaque, sinalizando desafios para o futebol nacional.
A metodologia permitiu que cada entrevistado citasse até dois clubes de coração, o que ampliou a base de respostas. O levantamento, conduzido presencialmente, usou margens de erro específicas para cada clube, garantindo maior precisão.
Siga o Mix Vale no Google e veja nossas notícias primeiro
- Flamengo: 21,2% (queda de 0,6 pontos, dentro da margem de erro).
- Corinthians: 11,9% (queda de 3,6 pontos, além da margem de erro).
- Palmeiras: 6,5% (leve queda, mas supera São Paulo).
- São Paulo: 6,4% (queda de 1,8 pontos, além da margem de erro).
- Vasco: 3,4% (oscilação negativa dentro da margem de erro).
Dinâmica regional das torcidas
O Flamengo domina em quatro das cinco regiões do país, exceto no Sul, onde o Grêmio lidera com 18,8%, seguido pelo Internacional (10,8%). No Sudeste, o clube rubro-negro ultrapassou o Corinthians, que caiu de 20,7% para 16,8%, enquanto o Flamengo manteve 18,1%. No Nordeste, a preferência pelo Flamengo é ainda mais expressiva, com números acima da média nacional, impulsionada pelo fenômeno dos torcedores “mistos”, que apoiam um time local e outro do eixo Rio-São Paulo. No Norte e Centro-Oeste, o Flamengo alcança 37,5% da preferência, o maior índice regional do levantamento.
A pesquisa destaca que 61% dos nordestinos preferem clubes de fora da região, contrastando com o Sul, onde 62% torcem por times locais. Essa diferença reflete a influência histórica de fatores como transmissões televisivas, conquistas nacionais e internacionais, e campanhas de marketing dos clubes cariocas e paulistas.
- Nordeste: Flamengo lidera, seguido por São Paulo e Bahia.
- Sul: Grêmio e Internacional dominam, com Palmeiras em terceiro.
- Sudeste: Flamengo supera Corinthians, que perde liderança.
- Norte/Centro-Oeste: Flamengo com 37,5%, seguido por Corinthians (11,9%).
Perfil de gênero nas torcidas
Flamengo e São Paulo se destacam como os clubes com maior participação feminina proporcionalmente, com 48% e 45% de suas torcidas compostas por mulheres, respectivamente. Apesar disso, homens ainda predominam em todas as torcidas, com o Vasco registrando a maior proporção masculina (67%). A pesquisa aponta que o desafio de atrair mais mulheres aos estádios e aos programas de sócio-torcedor é uma prioridade estratégica para os clubes.
O Flamengo, por exemplo, está mapeando o perfil de seus torcedores para entender melhor as diferenças no engajamento entre homens e mulheres. O vice-presidente de marketing do clube, Ricardo Hinrichsen, destaca que as mulheres representam uma parcela significativa da torcida, mas consomem o futebol de forma distinta, o que exige estratégias específicas.
- Flamengo: 48% de torcedoras mulheres, maior proporção no top 5.
- São Paulo: 45% de mulheres, com menor diferença de gênero.
- Vasco: 67% de homens, torcida mais masculina do ranking.
- Palmeiras: Recuo no percentual feminino, de 6,2% para 5%.
Nível de fanatismo e engajamento
A pesquisa também avaliou o grau de fanatismo dos torcedores, pedindo que classificassem sua paixão pelo clube de 0 a 10. Um terço dos entrevistados (33,3%) deu notas 9 ou 10, com jovens, nordestinos e moradores do interior liderando o ranking de paixão clubística. Os corintianos se destacam pela resiliência, sendo os que mais acompanham jogos, usam acessórios temáticos e consomem notícias do clube, mesmo em tempos de resultados ruins.
Os vascaínos, por outro lado, relataram maior impacto emocional com as derrotas, refletindo a má fase do clube nos últimos anos. Já os palmeirenses demonstram uma regulação emocional devido à consistência de bons resultados, enquanto os são-paulinos vivem um “modo banho-maria”, com menos euforia, mas sem distanciamento.
- Corinthians: Maior frequência em acompanhar jogos e consumir notícias.
- Flamengo: Torcida mais fanática, com alta nota de paixão (9 ou 10).
- Vasco: Torcedores mais afetados emocionalmente por derrotas.
- São Paulo: Engajamento moderado, sem picos de euforia.
Crescimento do desinteresse pelo futebol
Um dado curioso do levantamento é o aumento de brasileiros que não torcem para nenhum clube, um fenômeno que explica a queda coletiva das sete maiores torcidas do país. Esse grupo, que cresceu em relação a 2022, reflete o afastamento de torcedores ocasionais, possivelmente desiludidos com a gestão dos clubes ou atraídos pelo futebol internacional, especialmente entre os mais jovens.
Esse cenário representa um desafio para o futebol brasileiro, que precisa reconquistar novos públicos. Especialistas apontam que a “pacificação” do ambiente esportivo e a melhoria da experiência nos estádios são fundamentais para reverter essa tendência.
- Sem clube: Crescimento significativo, com 25% dos entrevistados.
- Jovens: Maior tendência a não torcer por clubes brasileiros.
- Futebol internacional: Cresce o interesse, especialmente entre os mais jovens.
- Estratégias: Clubes planejam ações para atrair novos torcedores.
Clubes em ascensão e estabilidade
Enquanto Flamengo, Corinthians e São Paulo dominam o topo do ranking, outros clubes apresentaram variações. O Bahia registrou o maior crescimento, com 0,5 pontos percentuais, alcançando 2,2%. Atlético-MG e Botafogo também cresceram, com 0,2 pontos cada, ambos com 2,3%. Esses aumentos, ainda dentro da margem de erro, indicam uma consolidação dessas torcidas em mercados regionais.
O Palmeiras, apesar da queda de 7,4% para 6,5%, superou o São Paulo numericamente, mas os dois clubes estão tecnicamente empatados devido à margem de erro. Vasco, Grêmio e Cruzeiro mantiveram estabilidade, com variações dentro dos limites estatísticos.
- Bahia: Crescimento de 0,5 pontos, maior alta do levantamento.
- Atlético-MG e Botafogo: Aumentos de 0,2 pontos, empatados com 2,3%.
- Palmeiras e São Paulo: Empate técnico na terceira e quarta posições.
- Vasco e Grêmio: Estabilidade, com 3,4% e 3,0%, respectivamente.
Impacto cultural e estratégico
O futebol brasileiro reflete dinâmicas culturais e regionais únicas, com o Flamengo consolidando sua hegemonia nacional devido a fatores como títulos recentes, forte presença midiática e estratégias de marketing. A queda de Corinthians e São Paulo, por outro lado, pode estar ligada a gestões conturbadas e resultados abaixo do esperado nos últimos anos.
Os clubes agora enfrentam o desafio de reengajar torcedores e atrair novos públicos, especialmente em um contexto de crescente desinteresse. Iniciativas como programas de sócio-torcedor, melhorias nos estádios e ações voltadas para o público feminino e jovem são apontadas como estratégias-chave para o futuro.
- Flamengo: Hegemonia reforçada por títulos e marketing.
- Corinthians: Resiliência da torcida, apesar de resultados ruins.
- São Paulo: Necessidade de campanhas mais consistentes.
- Estratégias futuras: Foco em jovens e torcedoras mulheres.















