O vice-presidente Geraldo Alckmin participou do programa Mais Você, da Globo, nesta quinta-feira, 31 de julho de 2025, para discutir o “tarifaço” de 50% imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros, que entra em vigor em 1º de agosto. Convidado por Ana Maria Braga, Alckmin, que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, explicou como a medida pode afetar o comércio exterior e a economia nacional. A tarifa, a mais alta entre os parceiros comerciais dos EUA, foi justificada por Trump como retaliação a questões políticas, incluindo o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF). Alckmin reforçou a soberania do Brasil e a busca por diálogo para mitigar os impactos. A conversa, marcada por um tom leve e coxinhas servidas pela apresentadora, trouxe esclarecimentos sobre um tema que preocupa exportadores e consumidores.
A presença de Alckmin no programa reflete a urgência de comunicar os desdobramentos da tarifa à população. Ele destacou que os Estados Unidos, embora sejam o segundo maior destino das exportações brasileiras, atrás da China, têm relevância estratégica por absorver produtos de maior valor agregado, como aviões e máquinas. A tarifa pode encarecer esses bens, reduzindo a competitividade do Brasil no mercado americano.
- Exportações brasileiras para os EUA em 2024: US$ 40,4 bilhões, 12% do total exportado.
- Principais produtos afetados: petróleo, café, carne bovina, aeronaves e aço.
- Impacto estimado: queda de até 25% nas exportações, segundo o banco Santander.
- Reação do governo: diálogo com os EUA, sem abrir mão da soberania nacional.
O vice-presidente também mencionou a amizade de longa data entre Ana Maria Braga e sua esposa, Lu Alckmin, o que trouxe um momento descontraído à entrevista.
Reações do governo e estratégias de negociação
O governo brasileiro, sob liderança de Alckmin, busca negociações com os Estados Unidos para reduzir ou suspender a tarifa de 50%. O vice-presidente enfatizou que a medida é “injustificada” e não reflete a relação comercial entre os dois países, marcada por um superávit americano de US$ 7,4 bilhões em 2024. Ele destacou que o Brasil não é um problema para a economia dos EUA, representando apenas 1,4% das importações americanas no último ano.
A estratégia brasileira envolve manter canais abertos com o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). Alckmin informou que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) enviou cartas aos EUA reiterando o interesse em dialogar, embora a primeira tentativa tenha sido ignorada.
- Medidas em estudo: apoio a exportadores afetados, sem aumento de gastos primários.
- Possível retaliação: suspensão de patentes americanas, como medicamentos e sementes agrícolas.
- Foco do governo: proteger empregos e a competitividade das indústrias brasileiras.
O vice-presidente reforçou que a soberania nacional é inegociável, respondendo às críticas de Trump sobre o STF. Ele lembrou que o Brasil possui independência de poderes e que o julgamento de Bolsonaro segue trâmites legais.
Setores mais afetados pela tarifa
A tarifa de 50% pode impactar setores estratégicos da economia brasileira, especialmente aqueles que dependem do mercado americano. O petróleo, que gerou US$ 5,8 bilhões em exportações para os EUA em 2024, pode ser redirecionado a outros mercados, como a Ásia, com perdas relativamente moderadas. Já produtos industrializados, como aeronaves e autopeças, enfrentam maior risco devido à dificuldade de encontrar compradores alternativos.
O setor de café, que exportou US$ 2 bilhões aos EUA no último ano, preocupa pela possibilidade de aumento nos preços para o consumidor americano. A carne bovina, com 532 mil toneladas exportadas em 2024, também está na mira, assim como o aço, que representa 60% das exportações brasileiras do produto.
- Café: 16,7% das exportações brasileiras do grão vão para os EUA.
- Carne bovina: segundo maior mercado para o Brasil, com receita de US$ 1,6 bilhão.
- Aeronaves: US$ 2,4 bilhões exportados, 63% do total do setor.
- Aço: US$ 4,1 bilhões exportados, com risco de perda de competitividade.
Empresas como a Suzano, do setor de celulose, podem enfrentar dificuldades no curto prazo, mas sua escala global e custos baixos oferecem alguma proteção. A indústria de máquinas e motores, que exportou US$ 1,3 bilhão, também está em alerta.
Contexto político da decisão americana
A tarifa anunciada por Trump tem motivações políticas, segundo o governo brasileiro. Em carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o líder americano criticou o STF por julgar Bolsonaro, acusado de tentativa de golpe de Estado, e alegou que o Brasil promove censura a plataformas digitais dos EUA. Alckmin, no Mais Você, evitou polemizar, mas reiterou que o Brasil é um país soberano com instituições democráticas sólidas.
Trump também justificou a tarifa com base em supostos déficits comerciais, mas dados do próprio governo americano desmentem essa alegação. Desde 2009, os EUA mantêm superávit com o Brasil, com um saldo positivo de US$ 88,6 bilhões nos últimos 16 anos.
- Declaração de Trump: tarifa é resposta a “injustiças” comerciais e políticas.
- Resposta de Lula: Brasil usará a Lei de Reciprocidade Econômica, se necessário.
- Posição do STF: julgamento de Bolsonaro segue, sem interferência externa.
O governo brasileiro considera a tarifa um movimento de pressão política, mas mantém a postura de diálogo para evitar uma guerra comercial.
Alternativas para o comércio exterior
Com a possível redução das exportações para os EUA, o Brasil busca diversificar seus mercados. Alckmin destacou que a Ásia, especialmente a China, já é o principal destino das exportações brasileiras e pode absorver parte do excedente. Países como Índia, Vietnã e Emirados Árabes Unidos também são vistos como potenciais compradores.
A União Europeia é outra aposta estratégica. O vice-presidente mencionou que o momento pode acelerar negociações para ampliar a exportação de produtos manufaturados para o bloco. No entanto, nenhum mercado substitui completamente os EUA, devido à sua demanda por bens de alto valor agregado.
- China: maior parceiro comercial, mas com limitações em aço e petróleo.
- União Europeia: oportunidade para bens tecnológicos e manufaturados.
- Brics: países como Índia e Indonésia podem ampliar compras.
- Desafio: encontrar mercados com a mesma capacidade de absorção dos EUA.
Alckmin reforçou que o governo trabalha para apoiar exportadores, com medidas como financiamentos e incentivos fiscais, sem comprometer o orçamento.
Impactos econômicos no Brasil
A tarifa de 50% pode pressionar a economia brasileira, especialmente em um momento de juros altos (Selic a 15%) e risco de desaceleração. O banco Santander estima uma queda de 0,2 a 0,3 ponto percentual no PIB, com redução de 25% nas exportações para os EUA. O dólar, que subiu 1,06% após o anúncio da tarifa, pode encarecer importações e alimentar a inflação.
O vice-presidente reconheceu os desafios, mas afirmou que o governo está preparado para mitigar os efeitos. Ele destacou a importância de proteger empregos e cadeias produtivas, especialmente em estados como São Paulo e Minas Gerais, que concentram a indústria exportadora.
- Previsão de perdas: R$ 4 bilhões em São Paulo, R$ 1,16 bilhão em Minas Gerais.
- Inflação: alta do dólar pode encarecer produtos importados.
- Empregos: risco de cortes em setores como aço e aeronaves.
- Medidas: apoio a empresas e busca por novos mercados.
A participação de Alckmin no Mais Você reforça a tentativa do governo de dialogar com a população sobre um tema complexo, usando um espaço popular para esclarecer dúvidas e transmitir confiança.

