Maquiadora morre após complicações de PMMA em clínica estética de São Paulo

Roseli Fernandes de Oliveira Romeiro

Roseli Fernandes de Oliveira Romeiro - Redes Socais

Roseli Fernandes de Oliveira Romeiro Vieira, 48 anos, morreu na manhã de terça-feira (26) em uma clínica estética na Zona Sul de São Paulo após sofrer complicações decorrentes da aplicação de PMMA (Polimetilmetacrilato) nos glúteos e coxas. A maquiadora e influenciadora digital entrou em parada cardiorrespiratória menos de 24 horas após o procedimento, cujo custo total chegava a R$ 54.410. Ela foi socorrida pelo Samu no hall do edifício comercial onde funcionava o consultório, mas não resistiu.

Natural de Jardim, no Mato Grosso do Sul, Roseli viajou até a capital paulista para realizar preenchimentos estéticos de larga escala. Os sintomas começaram logo pela manhã, com relatos de dores intensas, dificuldade para respirar e taquicardia, conforme depoimento da filha que a acompanhava na viagem.

Detalhamento do procedimento e investimento financeiro

O orçamento total foi dividido em 3 etapas de aplicação:

  • Glúteos: R$ 26.455
  • Posterior das coxas: R$ 14.955
  • Quadríceps: R$ 13.000 (procedimento programado para o dia da morte)

Todos os pagamentos foram realizados à vista, via Pix, conforme confirmado em investigação. O procedimento com PMMA foi executado pela médica Tábita Nunes Marcolino Jorge, que atua em consultório alugado no edifício comercial.

As últimas horas da vítima

Na terça-feira pela manhã, Roseli relata à filha que sentia o coração acelerado e temia pela própria vida. Em determinado momento, chegou a afirmar que “achava que iria morrer” devido à aceleração cardíaca. Ela entrou em contato com a médica, que a orientou a retornar ao consultório para avaliação. Ainda durante o trajeto em carro de aplicativo, a maquiadora perdeu a consciência. Ao chegar ao prédio, foi levada ao hall onde a médica e equipe do Samu tentaram manobras de reanimação sem êxito. O óbito foi confirmado às 10h05.

Aspectos técnicos e regulatórios do PMMA

O PMMA possui registro na Anvisa, mas sua autorização restringe-se a fins reparadores, como correção de lipodistrofia ou pequenas imperfeições. A substância não é indicada para procedimentos estéticos de larga escala, como preenchimento de glúteos e pernas, conforme diretrizes da agência reguladora. Em seu depoimento ao 27º Distrito Policial (Campo Belo), a médica Tábita Nunes declarou ter aplicado aproximadamente 300 mililitros de PMMA e afirmou que a paciente apresentava exames pré-operatórios normais. A profissional, porém, admitiu não possuir residência em dermatologia.

Complicações graves e reações inflamatórias representam riscos documentados associados ao PMMA. A Anvisa reforça que a aplicação deve ser feita de forma criteriosa e apenas por profissionais habilitados. A substância já provocou mortes em procedimentos estéticos anteriores.

Posicionamento da médica

Por meio de nota, a defesa de Tábita Nunes afirmou que o procedimento ocorreu sem qualquer intercorrência e que Roseli recebeu alta sem queixas. Segundo o comunicado, o desmaio ocorreu exclusivamente durante o trajeto do hotel até a clínica, dentro de um Uber. Tábita acionou o Samu e iniciou manobras de reanimação cardíaca ao constatar a perda de consciência no hall de recepção. A defesa destaca ainda que a investigação encontra-se em estágio inicial e que não há laudo que comprove relação entre o procedimento e o óbito. A médica apresentou-se voluntariamente para depoimento e permanece à disposição da Polícia Civil para esclarecimentos adicionais.

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