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BBAS3 perde 7% em meio a lucro fraco e apreensão com sanções contra Moraes nos EUA

Banco do Brasil
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As ações do Banco do Brasil (BBAS3) despencaram 7,21% nesta sexta-feira, 1º de agosto de 2025, em São Paulo, fechando a R$ 18,28, após a divulgação de um lucro líquido de R$ 500 milhões em maio, bem abaixo dos R$ 1,7 bilhão de abril. A queda foi agravada pelo temor de sanções dos Estados Unidos contra bancos brasileiros, devido à aplicação da Lei Magnitsky ao ministro do STF Alexandre de Moraes. Investidores receiam que o banco fique em um dilema entre cumprir as sanções americanas ou enfrentar retaliações do STF, enquanto a inadimplência no agronegócio pressiona os resultados. A notícia abalou o mercado, com o Ibovespa recuando 0,57%, aos 132.316 pontos.

O cenário de incerteza foi intensificado por relatos de que o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) se reuniu com o Departamento de Estado dos EUA para discutir as sanções a Moraes. A medida impede o ministro de movimentar contas em qualquer moeda, gerando receio de que bancos como o BB, com forte conexão ao sistema financeiro americano, sejam penalizados caso não sigam as restrições. Gestores já reduzem posições em bancos, temendo um “fogo cruzado” político.

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Banco do Brasil – Foto: T. Schneider / Shutterstock.com
  • Fatores da queda: Lucro menor, sanções americanas e inadimplência no agro.
  • Impacto no mercado: Aversão a risco cresce entre investidores.
  • Contexto político: Tensão entre Brasil e EUA escala com sanções.

Reação do mercado às sanções

A possibilidade de sanções americanas contra o Banco do Brasil gerou uma onda de cautela no mercado financeiro. Gestores de fundos, sob anonimato, relataram receio de que o banco, por sua relevância no sistema financeiro global, enfrente punições severas, como o congelamento de ativos ou exclusão do sistema Swift, caso descumpra as restrições impostas a Moraes. A Lei Magnitsky, usada pelos EUA para punir violações de direitos humanos, bloqueia transações financeiras de indivíduos sancionados, criando um dilema para instituições brasileiras.

Analistas destacam que a situação é inédita. Pedro Gonzaga, da Mantaro Capital, explica que a tensão política entre Brasil e EUA eleva a percepção de risco, mesmo que os bancos não sejam diretamente penalizados. “O mercado está precificando a incerteza, e o BB, por ser estatal, é o mais exposto”, afirma. A redução de alocação em ações do setor bancário já começou, com algumas casas cortando posições na última semana.

  • Risco de punições: Congelamento de ativos ou exclusão do Swift.
  • Dilema dos bancos: Cumprir sanções dos EUA ou enfrentar o STF.
  • Movimento de gestores: Redução de posições em bancos brasileiros.
  • Percepção de risco: Tensão política eleva aversão ao BBAS3.

Pressão do agronegócio no lucro

O lucro líquido de R$ 500 milhões em maio, contra R$ 1,7 bilhão em abril, reflete a deterioração da carteira de crédito rural do Banco do Brasil. O banco, que lidera o financiamento ao agronegócio, enfrenta alta inadimplência em empréstimos “bullet”, com pagamento concentrado no vencimento. O segundo trimestre, período crítico para o setor, revelou problemas maiores do que o esperado, segundo Gonzaga. A recente demissão do vice-presidente de agronegócio do BB também sinaliza instabilidade interna.

O Santander, em teleconferência recente, alertou para o aumento de provisões no setor rural, destacando a exposição do BB. A inadimplência no agro subiu para níveis preocupantes, pressionando a margem financeira do banco. “O BB está descobrindo o tamanho do rombo agora, no fim da safra”, comenta um analista. A combinação de resultados fracos e incertezas externas derrubou a confiança dos investidores.

  • Lucro de maio: R$ 500 milhões, contra R$ 1,7 bilhão em abril.
  • Inadimplência: Alta em empréstimos rurais do tipo “bullet”.
  • Provisões: Santander alertou para aumento no setor agro.
  • Demissão: Saída do vice-presidente de agronegócio gera incerteza.

Tensão política e Lei Magnitsky

A aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes colocou o Banco do Brasil em uma posição delicada. A sanção, que bloqueia bens e transações do ministro nos EUA, foi discutida em reunião entre Eduardo Bolsonaro e o Departamento de Estado americano, segundo O Globo. A medida proíbe operações financeiras em dólares ou reais, inviabilizando contas bancárias do sancionado. Bancos brasileiros com laços no sistema financeiro dos EUA, como o BB, Itaú e Bradesco, temem sanções secundárias caso não cumpram as restrições.

A situação gerou debates no mercado. Alguns analistas acreditam que os bancos seguirão as sanções americanas para evitar punições graves, enquanto outros preveem pressões do STF contra instituições que bloquearem contas de Moraes. “É um conflito sem precedentes, com o BB no centro”, diz um gestor. A escalada da tensão política entre Brasil e EUA, somada às sanções, intensifica a volatilidade das ações do banco.

  • Lei Magnitsky: Bloqueia bens e transações de Moraes.
  • Reunião nos EUA: Eduardo Bolsonaro discutiu sanções com Departamento de Estado.
  • Risco para bancos: Sanções secundárias podem atingir BB e outros.
  • Conflito político: Bancos enfrentam pressão de EUA e STF.

Desempenho do BBAS3 em 2025

As ações do Banco do Brasil acumulam perdas de 14,42% em 2025, segundo análise técnica da Infomoney. O papel opera abaixo das médias móveis de curto e médio prazo, sinalizando tendência de baixa. A proximidade da média de 200 períodos, em R$ 19,77, é um ponto crítico. Caso o suporte seja rompido, o BBAS3 pode cair para R$ 17,77 ou até R$ 15,33, segundo projeções. A reversão dependerá de força compradora para superar a resistência em R$ 21,00.

O desempenho reflete não apenas os resultados financeiros, mas também a percepção de risco político. A XP Investimentos revisou para baixo suas projeções para o segundo trimestre, estimando lucro de R$ 4,64 bilhões, queda de 51,1% ante 2024. A recomendação permanece neutra, com preço-alvo de R$ 25, indicando potencial de valorização de 20,88% sobre a cotação atual.

  • Queda em 2025: BBAS3 acumula perdas de 14,42%.
  • Suporte técnico: Média de 200 períodos em R$ 19,77.
  • Projeção de lucro: XP estima R$ 4,64 bilhões no 2º trimestre.
  • Recomendação: Neutra, com preço-alvo de R$ 25.

Cenário para o setor bancário

O setor bancário brasileiro enfrenta um momento de alta volatilidade. Além do Banco do Brasil, instituições como Itaú, Bradesco e Santander monitoram o desdobramento das sanções americanas. A exposição do BB ao agronegócio e sua condição de estatal amplificam os riscos. Analistas do Safra preveem que o banco terá o pior resultado entre os grandes bancos no segundo trimestre, com retorno sobre patrimônio líquido (ROE) caindo para 10,3%, ante 21,6% em 2024.

A combinação de incertezas políticas, resultados fracos e pressões externas mantém o setor sob pressão. Gestores recomendam cautela, mas alguns veem o BBAS3 como oportunidade de compra a longo prazo, dado o preço descontado. “O banco é sólido, mas o momento exige paciência”, diz um analista da Ágora Investimentos.

  • Volatilidade: Setor bancário enfrenta incertezas políticas e financeiras.
  • ROE do BB: Projeção de 10,3% no 2º trimestre, contra 21,6% em 2024.
  • Outros bancos: Itaú, Bradesco e Santander monitoram sanções.
  • Oportunidade: Preço descontado atrai investidores de longo prazo.