Vôlei: Carolana se despede da seleção brasileira de vôlei e com ruma a novos desafios nos EUA
Carolana, central da seleção brasileira de vôlei, anunciou sua aposentadoria da equipe nacional neste sábado (2/8), após uma década de conquistas marcantes. A jogadora de 34 anos, que se destacou nas Olimpíadas de Tóquio 2020 com prata e Paris 2024 com bronze, comunicou a decisão por meio de um texto emocionado nas redes sociais, no Rio de Janeiro. Afastada da Liga das Nações e do Mundial de 2025, Carolana justificou a saída pelo desejo de abrir espaço para novos talentos e dedicar mais tempo à família, incluindo sua esposa, Anne Buijs. A decisão, segundo ela, foi longamente refletida, encerrando um ciclo de dedicação intensa à seleção. A central, conhecida pela eficiência no bloqueio apesar de seus 1,83m, deixa um legado de superação e inspiração no vôlei brasileiro.
A trajetória de Carolana na seleção começou em 2014, já adulta, sem passagem pelas categorias de base. Sua estreia no Mundial daquele ano resultou em uma medalha de bronze, um marco inicial de sua carreira vitoriosa. Mesmo com desafios físicos, como a estatura considerada baixa para a posição de central, ela se consolidou como uma das melhores bloqueadoras do mundo, ganhando até um meme com a frase “No on Carol, never on Carol”, dita pelo técnico italiano Daniele Santarelli. Carolana também conquistou três pratas na Liga das Nações e dois ouros no Grand Prix, além de um vice-campeonato mundial em 2022.
- Principais conquistas de Carolana na seleção:
- Prata nas Olimpíadas de Tóquio 2020
- Bronze nas Olimpíadas de Paris 2024
- Vice-campeonato mundial em 2022
- Três pratas na Liga das Nações (2019, 2021, 2022)
- Dois ouros no Grand Prix (2014, 2017)
A decisão de Carolana reflete um momento de transição no vôlei brasileiro, com a ascensão de novas centrais como Diana e Julia Kudiess. A jogadora optou por não participar da Liga das Nações de 2025 para descansar após uma temporada intensa pelo Scandicci, na Itália, onde foi vice-campeã da Champions League e semifinalista da liga italiana. Agora, ela se prepara para uma nova fase na LOVB Pro, liga profissional dos Estados Unidos, a partir de 2026.
Reações emocionadas de companheiras
A despedida de Carolana mobilizou jogadoras e torcedores, que destacaram sua importância para o vôlei brasileiro. Gabi Guimarães, capitã da seleção, elogiou a habilidade da central em neutralizar grandes atacantes e brincou sobre o “ódio” de enfrentá-la como adversária. A mensagem, publicada nas redes sociais, reflete o carinho e respeito pela trajetória da colega. Rosamaria, outra integrante do time, descreveu Carolana como “corajosa, guerreira e maluca”, destacando a saudade de sua personalidade única.
Julia Kudiess, jovem promessa da seleção, também se manifestou, chamando Carolana de inspiração e desejando felicidade em sua nova fase. Outras atletas, como Fabi, Thaisa, Bruninho e Natália, deixaram mensagens de apoio, reforçando o impacto da central no esporte. A líbero Natinha, que também esteve ausente na convocação para o Mundial de 2025, agradeceu pela convivência e legado deixado no grupo.
- Homenagens de destaque:
- Gabi Guimarães: “Você se despede gigante do jeito que tu é mesmo.”
- Rosamaria: “Obrigada por deixar um pouquinho da sua personalidade em cada canto.”
- Julia Kudiess: “Uma inspiração para todas nós.”
- Thaisa: Mensagem de carinho, destacando a trajetória vitoriosa.
O apoio das companheiras reforça a relevância de Carolana não apenas como atleta, mas como uma figura de união dentro da seleção. Suas interações descontraídas, como os “sorvetinhos” e conversas profundas com as colegas, foram mencionadas no texto de despedida, evidenciando os laços construídos ao longo dos anos.
Uma carreira marcada por superação
Carolana enfrentou desconfianças desde o início de sua trajetória. Com 1,83m, muitos duvidavam que ela pudesse se destacar como central, posição onde a altura costuma ser um diferencial. Mesmo sem passagem pelas seleções de base, ela superou as expectativas e construiu uma carreira sólida. Sua estreia na seleção principal, em 2014, marcou o início de uma década de conquistas, com atuações memoráveis em competições internacionais.
A habilidade no bloqueio foi o grande diferencial de Carolana. Apesar da estatura, ela desenvolveu uma técnica apurada que a colocou entre as melhores do mundo. Sua performance na Champions League pelo Scandicci, onde foi eleita a melhor bloqueadora, reforça essa reputação. A central também se destacou pela consistência, participando de três Olimpíadas e acumulando medalhas em todas as grandes competições que disputou.
A decisão de se aposentar da seleção veio após uma temporada desgastante. Carolana optou por descansar durante a Liga das Nações de 2025, priorizando sua saúde física e mental. A ausência no Mundial, que acontece entre 22 de agosto e 7 de setembro na Tailândia, já indicava que ela poderia encerrar seu ciclo na seleção. A escolha reflete um momento de introspecção, com a jogadora avaliando suas prioridades pessoais e profissionais.
Motivos pessoais e novos horizontes
A família teve um peso significativo na decisão de Carolana. Casada com a jogadora neerlandesa Anne Buijs, a central destacou a importância de dedicar mais tempo à esposa e aos projetos pessoais. Após anos de sacrifícios, incluindo longos períodos longe de casa, ela expressou o desejo de viver novas experiências ao lado de pessoas especiais. A mudança para a LOVB Pro, nos Estados Unidos, marca o início de uma nova fase, onde ela poderá conciliar a carreira com a vida pessoal.
- Fatores que influenciaram a aposentadoria:
- Necessidade de descanso após temporadas intensas
- Priorização da vida familiar com Anne Buijs
- Abertura de espaço para novas atletas na seleção
- Transição para a liga profissional dos EUA em 2026
Carolana também mencionou situações que “não faziam mais sentido” em sua trajetória na seleção, sem entrar em detalhes. A frase sugere possíveis divergências ou desgastes acumulados, mas a jogadora preferiu focar na gratidão e nas conquistas. Sua decisão foi recebida com respeito pelo técnico José Roberto Guimarães, que já havia comentado sobre a necessidade de respeitar escolhas pessoais das atletas.
Legado no vôlei brasileiro
A saída de Carolana abre caminho para a renovação da seleção brasileira. Jovens centrais como Diana, Julia Kudiess e Luzia, convocadas para o Mundial de 2025, terão a oportunidade de ganhar experiência e assumir papéis de destaque. A própria Carolana destacou a importância de dar espaço para a nova geração, reconhecendo o potencial de suas sucessoras. A transição ocorre em um momento em que o Brasil, vice-campeão da Liga das Nações de 2025, busca consolidar sua força para o ciclo olímpico de Los Angeles 2028.
O impacto de Carolana vai além das quadras. Sua história de superação inspira jovens atletas, especialmente aquelas que enfrentam barreiras físicas ou estruturais. A frase “No on Carol” tornou-se um símbolo de sua resiliência, ecoando entre torcedores e adversários. A central também deixa um exemplo de dedicação, com momentos marcantes como a vitória contra a Turquia na disputa pelo bronze em Paris 2024, sua última partida pela seleção.
- Momentos inesquecíveis da carreira:
- Bloqueio decisivo contra a Turquia em Paris 2024
- Título do Grand Prix de 2014, sua primeira grande conquista
- Vice-campeonato da Champions League pelo Scandicci
- Meme “No on Carol” criado por técnico adversário
A trajetória de Carolana na seleção é descrita por ela mesma como um sonho de criança realizado. As risadas com as companheiras, os cafés compartilhados e a luta por cada ponto ficarão marcados em sua memória. A jogadora agradeceu aos torcedores pelo apoio incondicional, reforçando a conexão emocional com o público brasileiro.
Preparação para o Mundial sem Carolana
A seleção brasileira feminina de vôlei já se prepara para o Mundial de 2025, que começa em 22 de agosto na Tailândia. Sem Carolana, o time comandado por José Roberto Guimarães contará com 15 atletas convocadas, incluindo nomes como Gabi Guimarães, Ana Cristina e Julia Bergmann. O Brasil está no Grupo C, enfrentando Grécia, França e Porto Rico na primeira fase. A ausência de Carolana e de outras medalhistas de Paris, como Natinha, reforça a aposta em renovação para a competição.
A equipe brasileira vem de um vice-campeonato na Liga das Nações, onde perdeu para a Itália na final. A campanha mostrou a força do grupo, mesmo sem algumas titulares. Para o Mundial, a expectativa é manter o alto nível, com jogadoras como Julia Kudiess assumindo a responsabilidade no meio de rede. A preparação ocorre no Centro de Desenvolvimento de Voleibol Saquarema Enel Brasil, em Saquarema, no Rio de Janeiro.
- Jogos do Brasil na primeira fase do Mundial:
- 22/8, contra Grécia, às 9h30
- 24/8, contra França, às 9h30
- 26/8, contra Porto Rico, às 9h30
A aposentadoria de Carolana marca o fim de uma era, mas também o início de novas oportunidades para o vôlei brasileiro. Sua história, marcada por superação, conquistas e carisma, permanecerá como referência para as próximas gerações. Enquanto se prepara para novos desafios nos Estados Unidos, a central deixa um legado de dedicação e paixão pelo esporte.
Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração








