O técnico da Seleção Brasileira feminina de vôlei, José Roberto Guimarães, lamentou a sequência de desfalques por lesão que impediu a equipe de atuar completa na Liga das Nações (VNL) de 2026 e cobrou a conquista de uma medalha de ouro em torneios de grande porte. As declarações foram feitas nesta quinta-feira (15), em São Paulo, durante balanço do ciclo para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. O treinador também criticou o enfraquecimento do esporte nas escolas brasileiras e revelou tirar dinheiro do próprio bolso para pagar salários no projeto de Barueri (SP).
Na avaliação de Zé Roberto, a impossibilidade de reunir todas as titulares na fase final da VNL, disputada em julho na cidade de Macau, na China, dificultou a medição exata do nível da equipe frente às principais adversárias do ranking mundial. “O brasileiro não gosta de ser segundo. Ninguém gosta. Nós também não”, afirmou o treinador. Ele acrescentou que o grupo sentiu a ausência de peças fundamentais ao longo da competição internacional: “Eu queria muito ter sentido o nosso time com a Gabi; com a Júlia Kudiess jogando até o final, que estava muito bem; com a Nyeme jogando toda a temporada. E a gente não conseguiu isso, tivemos que ir trocando e mudando”.
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Desfalques da Seleção Brasileira e resultados de 2026 na quadra
Durante a campanha que terminou com a medalha de prata na Liga das Nações em julho, a comissão técnica brasileira precisou lidar com quatro baixas no elenco principal, enquanto a campeã Turquia teve apenas a ausência da atacante Ebrar Karakurt. A ponteira e capitã Gabriela Braga Guimarães (Gabi) foi preservada na etapa decisiva por desconforto lombar e questões físicas. Já a central Júlia Gambatto Kudiess, que atua no clube italiano Novara, sofreu o rompimento do ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo em 12 de julho de 2026, em partida contra os Estados Unidos.
O grupo também não teve a oposta Tainara Lemes Santos, afastada por lesão no tendão do quadríceps, nem a líbero Nyeme Victória Alexandre Costa Nunes, que participou apenas da etapa de Brasília para não se afastar da filha pequena em viagens internacionais. Mesmo com as alterações na escalação, a equipe chegou à decisão da VNL e, meses depois, assegurou a classificação olímpica no Campeonato Sul-Americano.
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- Final da Liga das Nações (VNL) 2026: derrota de virada para a Turquia por 3 sets a 1 (parciais de 23/25, 25/23, 26/24 e 25/21), em 26 de julho de 2026, em Macau, na China.
- Histórico de vices na VNL: cinco medalhas de prata acumuladas pela Seleção Brasileira feminina na história do torneio (2019, 2021, 2022, 2025 e 2026).
- Campeonato Sul-Americano de 2026: vitória sobre a Argentina por 3 sets a 0 (parciais de 26/24, 25/19 e 25/16), em 13 de setembro de 2026, no Ginásio do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, resultado que rendeu o 24º título continental de forma invicta e a vaga nos Jogos de Los Angeles 2028.
Sete meses e meio de treinos até os Jogos de Los Angeles 2028
Apesar de o Brasil ocupar a segunda colocação no ranking mundial e já ter garantido a vaga antecipada para as Olimpíadas de 2028, José Roberto Guimarães declarou que a equipe tem a obrigação de buscar o primeiro lugar nos campeonatos que antecedem o torneio nos Estados Unidos. Segundo as contas do técnico, o período real de convivência e preparação com as atletas convocadas até a disputa olímpica é curto.
“Passa muito rápido. Se somar o tempo todo de trabalho, são quatro meses do ano que vem e três meses e meio para a Olimpíada. Vão dar sete meses e meio, e não dois anos. A classificação nos dá o alento, mas não nos tira a responsabilidade do significado dos campeonatos que a gente vai ter pela frente”, declarou o comandante. Para ele, evitar novas contusões nesse intervalo é determinante para que a comissão técnica avalie a evolução do elenco sem falsas impressões.
Crise na educação física escolar e custos do projeto em Barueri
Fora do âmbito da Seleção principal, o treinador apontou que a renovação do vôlei brasileiro esbarra na perda da iniciação esportiva dentro dos colégios, provocada pelo enfraquecimento dos torneios estudantis e pelo tratamento facultativo dado às aulas no currículo básico. “Tudo depende da base, trabalho que deveria começar na escola. A educação física tornou-se muito supérflua, mas o esporte é uma ferramenta de inclusão social fundamental, e a gente não pode abrir mão”, disse Zé Roberto, defendendo que o jovem atleta só deveria migrar para o treinamento específico em clubes após cumprir essa etapa escolar.
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Para tentar suprir essa lacuna de formação, o técnico administra ao lado da família o projeto de vôlei de Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo. A iniciativa atende todas as categorias de base e oferece acompanhamento com médicos, fisioterapeutas e psicólogos, além de suporte para que as jogadoras ingressem em universidades. Diante da dificuldade de captação financeira no mercado, o gestor afirmou que precisa cobrir despesas da equipe com recursos pessoais, embora conte com o patrocínio privado de empresas como a marca de cafés Melitta.
“Nós não temos muitos recursos. Muitas vezes, eu tenho que botar dinheiro do bolso para pagar salários e manter o nosso clube vivo. Mas não importa, é uma maneira que eu encontrei de retribuir ao vôlei o que o vôlei me deu. Eu tive a sorte de ter muitas oportunidades, e tento fazer a mesma coisa agora para essas meninas que participam do projeto”, afirmou Guimarães, que também cobrou maior adesão empresarial: “A gente precisa da ajuda de empresas que colaboram com o esporte e saibam a importância que é a participação. Não é só o fato da medalha ou troféu em si, mas investir em pessoas, no crescimento e desenvolvimento de oportunidades. Sempre que uma empresa vem ajudar o vôlei, eu levanto a mão para o céu e agradeço”.
Sucessão na Seleção Brasileira e estreia nos Estados Unidos em 2027
Dono de três medalhas de ouro olímpicas na carreira conquistadas em Barcelona 1992 com a seleção masculina, além de Pequim 2008 e Londres 2012 com a feminina , José Roberto Guimarães dirige a equipe nacional desde 2003, período em que também obteve a prata nos Jogos de Tóquio 2020 (realizados em 2021) e o bronze em Paris 2024. Após a conquista do Sul-Americano em setembro de 2026, ele anunciou que deixará o comando da Seleção Brasileira depois dos Jogos de Los Angeles 2028.
Em outubro de 2026, o treinador indicou o auxiliar técnico da Seleção e comandante do clube LOVB Miami, Paulo Coco, como seu nome preferido para assumir o cargo após o encerramento do ciclo olímpico. Antes da despedida da equipe nacional, Zé Roberto conciliará suas funções com o comando técnico da franquia norte-americana LOVB Los Angeles, cuja estreia na temporada está marcada para janeiro de 2027.
