Em uma operação histórica, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu 103 kg de ouro, avaliados em R$ 61 milhões, escondidos em uma caminhonete Toyota Hilux 2024, na BR-401, em Boa Vista, Roraima, na tarde de 4 de agosto de 2025. O motorista, Bruno Mendes de Jesus, de 30 anos, empresário do setor de varejo em Porto Velho, Rondônia, foi preso em flagrante. A carga, dividida em mais de 100 barras de ouro maciço, estava oculta no painel e em outros compartimentos do veículo. A ação, que marca a maior apreensão de ouro já realizada pela PRF no Brasil, ocorreu na ponte dos Macuxis e é parte de esforços do governo federal contra o garimpo ilegal. A Polícia Federal agora investiga a origem e o destino do minério, suspeito de ter saído de Rondônia com possível destino à Venezuela ou Guiana.
A abordagem começou por volta do meio-dia, quando agentes da PRF notaram inconsistências na documentação apresentada pelo motorista. Bruno, que viajava com a esposa e um bebê de 9 meses, alegou ser fiscal de obras e disse ter saído de Manaus para verificar uma construção, mas não soube informar detalhes sobre o suposto trabalho. Durante a inspeção, os policiais identificaram sinais de manipulação no painel da Hilux, o que levou à descoberta das barras de ouro. O motorista foi levado à sede da Polícia Federal, onde permaneceu em silêncio durante o depoimento, acompanhado por dois advogados.
- Principais detalhes da operação:
- Apreensão de 103 kg de ouro, avaliados em R$ 61 milhões.
- Veículo: Toyota Hilux 2024, não registrado no nome do motorista.
- Local: BR-401, próximo à ponte dos Macuxis, Boa Vista.
- Suspeita: ouro oriundo de garimpo ilegal, com destino a países vizinhos.
Detalhes da operação na BR-401
A fiscalização na BR-401, que conecta Boa Vista à fronteira com a Guiana, foi conduzida com base em técnicas de patrulhamento que identificam comportamentos suspeitos. Durante a abordagem, os agentes notaram que Bruno Mendes apresentava nervosismo e respostas inconsistentes. A documentação do veículo, que não estava em seu nome, também levantou suspeitas. Uma busca minuciosa revelou compartimentos ocultos no painel e no porta-objetos, onde as barras de ouro estavam escondidas. A carga, inicialmente estimada em 104 kg, foi ajustada para 103 kg após pesagem na Polícia Federal, devido à remoção das embalagens.
A operação é parte de uma estratégia coordenada pela Casa de Governo, órgão federal que atua no combate ao garimpo ilegal em terras indígenas na região Norte. A PRF destacou que a ação reforça o compromisso com a desarticulação de rotas clandestinas usadas para o transporte de minérios. O agente Rodrigo Magno, que participou da operação, explicou que a PRF utiliza técnicas específicas para identificar veículos em rotas mapeadas como corredores de atividades ilícitas.
- Aspectos técnicos da abordagem:
- Identificação de alterações no painel do veículo.
- Uso de técnicas de patrulhamento para detectar comportamentos atípicos.
- Cooperação com a Polícia Federal para investigação posterior.
Perfil do suspeito
Bruno Mendes de Jesus, natural de Rondônia, é empresário no setor de varejo de vestuário e acessórios, com uma empresa registrada em seu nome no bairro Lagoa, em Porto Velho. Durante a abordagem, ele tentou justificar sua viagem afirmando ser fiscal de obras, mas a falta de detalhes sobre o suposto trabalho reforçou as suspeitas dos agentes. Levado à Polícia Federal, Bruno optou por não prestar declarações, sendo acompanhado por dois advogados desde o momento da abordagem. A defesa, representada pelo advogado Smiller Carvalho, de Roraima, emitiu nota afirmando que Bruno é um trabalhador do setor mineral, atuando em um contexto de “tensão regulatória”, e que ele confia no devido processo legal.
A audiência de custódia do suspeito foi marcada para a tarde de 5 de agosto, na 4ª Vara Federal Criminal da Justiça Federal em Roraima. Bruno foi autuado por extração ilegal de minério, crime previsto na Lei de Crimes Ambientais, e por usurpação de bens da União. A presença de sua esposa e filho bebê no veículo foi interpretada pelos agentes como uma possível tentativa de despistar a fiscalização.
Contexto do garimpo ilegal na região
A apreensão de 103 kg de ouro em Boa Vista supera o recorde anterior da PRF em Roraima, registrado em junho de 2024, quando 21 kg de ouro, distribuídos em 33 barras, foram confiscados na BR-174. A região Norte, especialmente Roraima, é um ponto crítico para o tráfico de minérios devido à proximidade com as fronteiras da Venezuela e da Guiana, onde a fiscalização é menos rigorosa. Investigações iniciais apontam que o ouro apreendido pode ter origem em garimpos ilegais em Rondônia, um estado conhecido pela extração de minérios em áreas protegidas.
A Casa de Governo, criada para articular ações de combate ao garimpo ilegal, tem intensificado operações na região. Dados recentes indicam que, além do ouro, outros minerais, como a cassiterita, também são alvos de redes criminosas que utilizam veículos comuns para transporte. A sofisticação dessas redes inclui o uso de compartimentos ocultos em caminhonetes, como no caso da Hilux 2024, para evitar a detecção.
- Fatos sobre o garimpo ilegal em Roraima:
- Apreensão de 21 kg de ouro em junho de 2024, com duas prisões.
- Roraima é ponto estratégico devido à proximidade com Venezuela e Guiana.
- Uso de veículos comuns para despistar autoridades.
- Operações coordenadas pela Casa de Governo desde 2023.
Investigação em andamento
A Polícia Federal assumiu a investigação para rastrear a cadeia de produção e distribuição do ouro apreendido. Um dos objetivos é determinar se o material seria destinado a mercados internacionais, como Venezuela ou Guiana, onde o controle sobre a comercialização de minérios é menos rígido. A ausência de informações sobre a origem e o destino do ouro por parte do suspeito dificulta o trabalho inicial, mas peritos estão analisando as barras para identificar possíveis marcas ou características que indiquem sua procedência.
A caminhonete utilizada no transporte, uma Toyota Hilux 2024, não estava registrada no nome de Bruno Mendes, e a PRF não divulgou o proprietário do veículo. Essa informação é crucial para a investigação, pois pode revelar conexões com redes criminosas organizadas. A operação destaca a importância de fortalecer o controle nas rodovias e fronteiras, especialmente em áreas sensíveis como Roraima, onde o garimpo ilegal tem impacto ambiental e social significativo.
Reações e medidas futuras
A apreensão foi celebrada como um marco no combate ao garimpo ilegal, mas também levanta questões sobre a eficiência das fiscalizações nas rodovias. A PRF informou que intensificará o uso de tecnologias e treinamentos para identificar veículos suspeitos. A ação na BR-401 demonstra a eficácia de abordagens baseadas em inteligência e análise de comportamento, mas também evidencia a necessidade de maior cooperação internacional para coibir o tráfico de minérios.
A Casa de Governo, em comunicado, reforçou que a operação é parte de uma estratégia contínua para proteger terras indígenas e combater a exploração ilegal de recursos naturais. A população local, especialmente comunidades indígenas afetadas pelo garimpo, acompanha o caso com atenção, esperando que as investigações resultem em punições exemplares.
- Medidas em curso:
- Reforço na fiscalização de rodovias em Roraima.
- Cooperação com a Polícia Federal para rastrear redes criminosas.
- Análise pericial das barras de ouro para determinar origem.
- Ampliação de operações contra o garimpo ilegal na região Norte.

