Harry abandona Sentebale em meio a polêmica com presidente da entidade
A Sentebale, organização filantrópica co-fundada pelo príncipe Harry e pelo príncipe Seeiso de Lesoto em 2006, enfrenta uma crise de gestão que culminou na saída de Harry e de vários conselheiros em março de 2025, após um conflito público com a presidente Sophie Chandauka. A Charity Commission, órgão regulador de entidades beneficentes no Reino Unido, investigou denúncias de má administração e acusações de assédio, concluindo que não havia evidências de bullying ou discriminação generalizada, mas criticou todas as partes por permitirem que a disputa prejudicasse a reputação da organização. A crise, centrada em desentendimentos sobre uma nova estratégia de arrecadação de fundos nos Estados Unidos, gerou um plano de ação regulatória para corrigir falhas de governança. Harry, que criou a Sentebale em memória de sua mãe, Diana, expressou decepção com o relatório, enquanto Chandauka afirmou que a instituição emerge mais forte.
O conflito expôs tensões internas que começaram em 2023, quando a diretoria propôs mudanças na captação de recursos. A investigação revelou que dificuldades financeiras pós-pandemia agravaram as divergências, levando à renúncia de Harry e Seeiso. A Sentebale, que apoia jovens vulneráveis no sul da África, agora busca recuperar sua credibilidade.
- Principais pontos da crise:
- Renúncia de Harry e Seeiso em apoio aos conselheiros que saíram.
- Acusações mútuas entre Chandauka e ex-membros da diretoria.
- Relatório da Charity Commission aponta falhas de gestão, mas não sanções.
A organização, sediada em Lesoto, mantém sua missão de apoiar jovens afetados por HIV/Aids e desafios de saúde mental, mas enfrenta o desafio de restaurar a confiança pública.
Nova estratégia de arrecadação gera atritos
A crise na Sentebale teve início com a decisão de Sophie Chandauka de reorientar a captação de recursos para os Estados Unidos, visando atrair doadores de alto perfil, como indivíduos de alto patrimônio e fundações. Essa mudança marcou uma ruptura com o modelo tradicional da organização, que dependia fortemente de eventos de alto perfil, como o Sentebale Polo Cup, e da influência de Harry para atrair patrocinadores. Segundo fontes próximas aos ex-conselheiros, a estratégia, que envolveu a contratação da consultoria Lebec por £500 mil, não trouxe os resultados esperados, gerando preocupações financeiras.
A Charity Commission destacou que a falta de clareza nas funções e políticas internas intensificou os desentendimentos. A Sentebale, por sua vez, defendeu a estratégia, afirmando que a Lebec estabeleceu 65 conexões com potenciais doadores até outubro de 2024.
- Resultados da estratégia de arrecadação nos EUA:
- Contratação da consultoria Lebec por 12 meses.
- Criação de 65 relacionamentos com doadores de alto perfil.
- Críticas por falta de resultados financeiros imediatos.
- Aporte de £1,2 milhão do livro de memórias de Harry, “Spare”, como apoio temporário.
Apesar das tensões, a organização assegura que sua saúde financeira é sólida, embora os dados mais recentes no site da Charity Commission sejam de agosto de 2023.
Disputa pública prejudica reputação
O conflito interno na Sentebale ganhou as manchetes em março de 2025, quando Harry e Seeiso anunciaram suas renúncias, seguidos por cinco conselheiros. A disputa tornou-se pública após Chandauka acusar Harry de liderar uma campanha de assédio contra ela, enquanto o príncipe rebateu, chamando as alegações de “mentiras descaradas”. A Charity Commission criticou todas as partes por permitirem que o embate se tornasse público, o que, segundo David Holdsworth, chefe do órgão, comprometeu a reputação da Sentebale e sua capacidade de cumprir sua missão.
O relatório do regulador apontou que a ausência de mecanismos claros para resolução de conflitos internos contribuiu para a escalada da crise. A Sentebale agora deve implementar um plano de ação que inclui a definição clara de papéis e a melhoria de processos de denúncias internas.
Acusações de assédio e respostas
Sophie Chandauka, presidente da Sentebale desde 2023, alegou ter sofrido bullying, assédio e discriminação, incluindo misoginia e misogynoir (discriminação contra mulheres negras). A Charity Commission, após quatro meses de investigação, concluiu que não havia evidências de práticas generalizadas de assédio, mas reconheceu que algumas partes sentiam-se maltratadas.
- Principais alegações e respostas:
- Chandauka denunciou comportamento inadequado de ex-conselheiros.
- Harry e ex-conselheiros negaram as acusações, chamando-as de infundadas.
- Regulador não encontrou provas de assédio sistemático.
- Plano de ação exige melhorias na governança e resolução de conflitos.
A liderança de Chandauka permanece intacta, e ela afirmou que a organização está mais focada e bem governada. Harry, por outro lado, expressou preocupação com o impacto da crise sobre os beneficiários da Sentebale.
Legado de Harry e futuro da Sentebale
A Sentebale, fundada em 2006 por Harry e Seeiso em homenagem às suas mães, Diana e a rainha ‘Mamohato, alcançou mais de 100 mil jovens em Lesoto e Botswana ao longo de 19 anos. A organização, que começou focada em crianças afetadas pelo HIV/Aids, expandiu-se para abordar saúde mental e resiliência climática. A saída de Harry, que via a Sentebale como um projeto pessoal, foi descrita como um momento de grande impacto emocional.
O príncipe anunciou que buscará novas formas de apoiar os jovens da região, enquanto Chandauka destacou a continuidade da missão. A Sentebale planeja fortalecer sua presença no sul da África, com foco em parcerias locais e uma estrutura de liderança mais robusta.
- Marcos da trajetória da Sentebale:
- Fundação em 2006, com foco em HIV/Aids.
- Expansão para Botswana em 2016, com acampamentos de apoio.
- Apoio a mais de 100 mil jovens em 19 anos.
- Mudança de missão em 2024 para saúde, riqueza e resiliência climática.
Caminho para recuperação
A Sentebale enfrenta o desafio de reconstruir sua reputação após a crise. O plano de ação da Charity Commission exige melhorias na governança, incluindo a nomeação válida de novos conselheiros e a implementação de políticas claras. A organização, que emprega mais de 500 pessoas, a maioria em Lesoto, mantém suas operações diárias sob a liderança de uma equipe executiva que busca estabilidade.
A transição para uma captação de fundos mais diversificada continua sendo um objetivo, com a Sentebale explorando parcerias com corporações e fundações internacionais. Apesar das turbulências, a organização reafirma seu compromisso com os jovens do sul da África, buscando manter o legado de seus fundadores enquanto se adapta a novos desafios.
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