Pix parcelado chega em setembro com crédito acessível para 60 milhões

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pix - Foto: Diego Thomazini/Shutterstock.com

A partir de setembro de 2025, o Banco Central do Brasil lançará o Pix parcelado, uma nova funcionalidade do sistema de pagamentos instantâneos que permitirá aos consumidores parcelar compras com juros, oferecendo uma alternativa ao cartão de crédito. Anunciada pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante evento em São Paulo, a modalidade visa beneficiar cerca de 60 milhões de brasileiros que não possuem cartão de crédito, facilitando compras de maior valor no varejo. A padronização do serviço, que já é oferecido por algumas instituições financeiras, trará regras claras, maior transparência e competitividade no mercado. A novidade reforça a consolidação do Pix, que já é o meio de pagamento mais usado no país, com 168 milhões de usuários até junho de 2025.

  • Objetivo principal: Ampliar o acesso ao crédito para consumidores sem cartão.
  • Impacto no varejo: Recebimento instantâneo do valor total pelos lojistas.
  • Concorrência: Redução de custos em comparação com cartões de crédito.
  • Lançamento: Regulamentação prevista para setembro de 2025.

O Pix parcelado surge como uma solução para democratizar o acesso ao crédito, especialmente em um cenário onde o cartão de crédito cobra taxas elevadas, como os 15% ao mês no rotativo, segundo dados do Banco Central.

Funcionamento do Pix parcelado

O Pix parcelado permitirá que o consumidor solicite uma linha de crédito junto à instituição financeira no momento da compra, dividindo o pagamento em parcelas com juros. O lojista, por sua vez, receberá o valor total imediatamente, sem custos adicionais, como as taxas de antecipação comuns no cartão de crédito.

  • Análise de crédito: Realizada pela instituição financeira com base no perfil do cliente.
  • Juros aplicados: Definidos pelo banco, mas com expectativa de serem menores que no cartão.
  • Flexibilidade: Pode ser usado para compras no varejo ou transferências entre contas.
  • Transparência: Condições do parcelamento serão informadas no momento da transação.

De acordo com Gabriel Galípolo, a modalidade será uma alternativa competitiva, sem a intenção de substituir o cartão de crédito, mas ampliando as opções disponíveis. A regulamentação, que entra em vigor em setembro, padronizará as operações, garantindo segurança jurídica e clareza nas condições contratuais.

Benefícios para consumidores

A principal vantagem do Pix parcelado é a inclusão financeira, permitindo que milhões de brasileiros sem acesso a cartões de crédito parcelem compras de bens e serviços de maior valor. Uma pesquisa do Google, divulgada em julho de 2025, revelou que 22% dos entrevistados já usaram o Pix parcelado em instituições que oferecem a modalidade, destacando a flexibilidade de não comprometer o limite do cartão.

  • Inclusão financeira: Beneficia 60 milhões de pessoas sem cartão de crédito.
  • Menores custos: Juros potencialmente mais baixos que os do cartão de crédito.
  • Controle financeiro: Gestão direta via aplicativos bancários, sem faturas complexas.
  • Acessibilidade: Disponível em qualquer transação Pix, incluindo transferências.

A modalidade é vista como uma oportunidade para consumidores que evitam o cartão de crédito devido às altas taxas de juros, como os 19,4% anuais médios registrados em novembro de 2024, segundo o Banco Central.

Impacto no varejo

Para os lojistas, o Pix parcelado oferece vantagens significativas, especialmente no fluxo de caixa. Diferentemente do cartão de crédito, onde o recebimento pode ser parcelado ou exigir taxas de antecipação, o Pix garante o pagamento integral na hora da venda.

  • Recebimento imediato: Valor total creditado sem taxas adicionais.
  • Redução de custos: Elimina taxas de maquininhas ou antecipação de parcelas.
  • Atração de clientes: Amplia o público que pode parcelar compras.
  • Conciliação simplificada: Integração direta com sistemas de pagamento Pix.

Ana Paula Tozzi, da AGR Consultores, destaca que a ausência de taxas de maquininhas pode levar lojistas a oferecer descontos, aquecendo a concorrência no varejo. A expectativa é que a modalidade estimule vendas, especialmente em setores como eletrodomésticos, vestuário e tecnologia, onde o parcelamento é comum.

PIx – Foto: Diego Thomazini / Shutterstock.com

Concorrência com cartões de crédito

O Pix parcelado entra no mercado como um concorrente direto dos cartões de crédito, que, apesar de décadas de presença, são usados como principal meio de pagamento por apenas 11% da população, contra 46% do Pix, segundo dados de 2025. A nova funcionalidade desafia gigantes como Visa e Mastercard, que cobram taxas elevadas de lojistas, impactando o preço final dos produtos.

  • Taxas reduzidas: Sem intermediários, o Pix elimina custos operacionais.
  • Flexibilidade para o consumidor: Parcelamento sem comprometer o limite do cartão.
  • Concorrência saudável: Bancos e fintechs disputarão com melhores condições de crédito.
  • Inovação contínua: Pix se consolida como plataforma versátil no mercado financeiro.

A Mastercard afirmou em nota que está preparada para se adaptar às mudanças, enquanto a Visa optou por não comentar. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) avalia que o Pix parcelado complementará os meios de pagamento, mantendo a liberdade de escolha dos consumidores.

Desafios e regulamentação

A implementação do Pix parcelado exige a padronização de regras para garantir transparência e segurança. O Banco Central está finalizando a infraestrutura necessária, incluindo sistemas de análise de crédito e gestão de inadimplência.

  • Critérios claros: Condições de juros e prazos informados no momento da compra.
  • Segurança jurídica: Normas para proteger consumidores e lojistas.
  • Gestão de riscos: Bancos assumem o risco de inadimplência, não os lojistas.
  • Custo de manutenção: Tecnologia do Pix consome 50% do orçamento de TI do BC.

Gabriel Galípolo destacou que o aumento dos custos de manutenção do Pix, que passaram de 30% para cerca de 50% do orçamento de tecnologia do Banco Central, exige um arcabouço legal atualizado. Ele defende a aprovação da PEC 65, em tramitação no Senado, que transforma o Banco Central em uma empresa pública com autonomia orçamentária.

Preparação para o lançamento

O Banco Central trabalha para garantir que a regulamentação esteja pronta em setembro de 2025, com testes já em andamento com bancos e fintechs. A expectativa é que a padronização amplie a oferta da modalidade, que hoje é limitada a algumas instituições, como o Banco do Brasil, que movimentou 1,5 bilhão de reais em Pix parcelado desde 2022.

  • Testes operacionais: Validação com instituições financeiras participantes.
  • Integração digital: Parcelamento gerenciado via aplicativos bancários.
  • Educação financeira: Orientação aos consumidores sobre juros e condições.
  • Expansão gradual: Possibilidade de ajustes após o lançamento inicial.

O Sebrae já começou a orientar pequenos empreendedores sobre como integrar o Pix parcelado em seus negócios, destacando a importância de adotar o Pix como principal meio de recebimento para maximizar os benefícios.

Futuro do Pix no Brasil

O Pix parcelado reforça a posição do Pix como o principal meio de pagamento no Brasil, com 867,9 milhões de chaves cadastradas até julho de 2025, sendo 426,2 milhões de chaves aleatórias. A modalidade é parte de uma agenda de inovações que inclui o Pix por aproximação, já disponível, e o Autoatendimento do Mecanismo Especial de Devolução, previsto para outubro de 2025.

Com quase 6 bilhões de transações em julho de 2025, totalizando 2,6 trilhões de reais, o Pix se consolida como uma ferramenta essencial para a economia brasileira. A nova funcionalidade promete não apenas ampliar o acesso ao crédito, mas também transformar o varejo, oferecendo uma alternativa mais barata e inclusiva ao cartão de crédito.

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