Corinthians enfrenta crise com R$ 70,5 milhões em dívidas na Fifa por Rojas, Garro e MayconPor Thiago Lemos
7 min de leitura
![]() |
O Corinthians enfrenta uma grave crise financeira agravada por condenações da Fifa que somam R$ 70,5 milhões, relacionadas a processos envolvendo o meia paraguaio Matías Rojas, o clube argentino Talleres, por Rodrigo Garro, e o Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, pelo empréstimo de Maycon. As decisões, divulgadas em 13 de agosto de 2025, decorrem de atrasos em pagamentos e descumprimento de contratos, impactando diretamente a gestão do clube. A situação se complica com um transfer ban já imposto devido a uma dívida de R$ 33,47 milhões com o Santos Laguna, pela contratação de Félix Torres. O clube, que recorreu à Corte Arbitral do Esporte (CAS), busca alternativas para quitar os débitos e evitar novas sanções que comprometam contratações futuras. A crise expõe fragilidades financeiras e pressiona a diretoria a encontrar soluções urgentes.
A situação financeira do Corinthians reflete um momento delicado, com a necessidade de reestruturação para lidar com as pendências. A diretoria, sob comando de Augusto Melo, enfrenta o desafio de equilibrar as contas enquanto mantém o desempenho em campo.
- Dívida total na Fifa: R$ 70,52 milhões, além de R$ 33,47 milhões com o Santos Laguna.
- Casos em aberto: Matías Rojas, Rodrigo Garro e Maycon, com recursos no CAS.
- Impacto imediato: Proibição de registrar novos jogadores até quitação das dívidas.
- Próximos passos: Decisões do CAS previstas para as próximas semanas.
Detalhes dos processos na Fifa
O Corinthians enfrenta três processos principais na Fifa, todos relacionados a descumprimentos contratuais. O caso de Matías Rojas é o mais oneroso, com uma condenação de R$ 40,4 milhões devido à rescisão unilateral do jogador em março de 2024, motivada por atrasos nos direitos de imagem. O valor corresponde ao que ele receberia até o fim do contrato, em junho de 2027, acrescido de juros de 5% ao ano. A complexidade do caso envolve cálculos detalhados das remunerações do paraguaio, que atualmente joga pelo River Plate, da Argentina. O clube recorreu ao CAS, com audiência realizada em 29 de abril de 2025, e a decisão é aguardada em breve.
No caso de Rodrigo Garro, o Talleres, da Argentina, acionou a Fifa por uma disputa sobre despesas operacionais e impostos da transferência, realizada em janeiro de 2024. O Corinthians pagou inicialmente US$ 4 milhões, mas o clube argentino exigiu US$ 612 mil adicionais, além de US$ 3 milhões pelas parcelas futuras. A Fifa determinou o pagamento de US$ 3,6 milhões (R$ 19,46 milhões), com juros de 18% ao ano e uma multa de US$ 722,4 mil (R$ 3,89 milhões). A audiência no CAS ocorreu em 30 de abril de 2025, e a decisão pode sair nas próximas semanas.
O terceiro processo envolve o Shakhtar Donetsk, que cobrou o não pagamento de parcelas referentes a dois empréstimos do volante Maycon, entre 2022 e 2024. A Fifa condenou o Corinthians a pagar 1 milhão de euros (R$ 6,5 milhões), com juros de 10% ao ano e uma multa de 75 mil euros, além de 45 mil euros à própria Fifa. O clube recorreu ao CAS, mas a audiência ainda não foi marcada, indicando que a resolução pode demorar.
- Principais débitos:
- Matías Rojas: R$ 40,4 milhões por rescisão contratual.
- Talleres: US$ 4,33 milhões (R$ 23,35 milhões) por Rodrigo Garro.
- Shakhtar: 1,075 milhão de euros (R$ 6,76 milhões) por Maycon.
- Juros e multas: Acréscimos elevam o impacto financeiro.
- Recursos no CAS: Decisões pendentes podem agravar ou aliviar a situação.
Além do transfer ban pela dívida de R$ 33,4 milhões com o Santos Laguna por Félix Torres, Corinthians tem ao menos R$ 70,3 milhões em condenações na FIFA:
— Planeta do Futebol 🌎 (@futebol_info) August 13, 2025
– R$ 40,3 milhões a Matías Rojas pela rescisão do contrato após atrasos de pagamentos
– R$ 23,3 milhões ao Talleres por… pic.twitter.com/kDy03K8zbm
Impacto do transfer ban
A proibição de registrar novos jogadores, imposta devido à dívida com o Santos Laguna, já afeta o planejamento do Corinthians. A sanção, confirmada após a audiência no CAS em 7 de maio de 2025, impede contratações até a quitação de R$ 33,47 milhões. A diretoria tentou negociar com o clube mexicano, mas sem sucesso, resultando na aplicação do transfer ban. A medida compromete a chegada de reforços, como o recém-anunciado Vitinho, e aumenta a pressão sobre o elenco atual, que enfrenta dificuldades em competições como o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil.
O Corinthians, mesmo com a contratação de Vitinho antes da punição, agora depende de acordos ou pagamentos para reverter a situação. A diretoria busca recursos para evitar que os casos de Rojas, Garro e Maycon resultem em novas sanções. A crise financeira, com dívidas totais superiores a R$ 2 bilhões, exige medidas urgentes para equilibrar as contas e manter a competitividade.
Gestão financeira sob pressão
A crise atual expõe desafios na gestão financeira do Corinthians, que enfrenta dificuldades para cumprir acordos internacionais. A administração de Augusto Melo, iniciada em 2024, tem sido criticada por não evitar as condenações na Fifa. Apesar disso, o executivo Fabinho Soldado afirmou que o clube segue em busca de reforços, embora com cautela devido às restrições impostas. A diretoria trabalha para renegociar dívidas e encontrar investidores, mas a dependência de decisões do CAS adiciona incerteza ao cenário.
A situação financeira do clube já impactou o desempenho em campo, com derrotas recentes, como a contra o Juventude, refletindo a apatia do elenco em meio às turbulências fora das quatro linhas. A torcida, conhecida por sua paixão, cobra soluções rápidas, enquanto a diretoria tenta equilibrar o planejamento esportivo com as obrigações financeiras.
- Medidas em andamento:
- Negociações com clubes credores para parcelamento das dívidas.
- Busca por investidores e patrocínios para aliviar o caixa.
- Recursos no CAS para contestar as condenações da Fifa.
- Planejamento restrito: Foco em jogadores já contratados, como Vitinho e Angileri.
Histórico de dívidas internacionais
O Corinthians não é estranho a disputas financeiras internacionais. Nos últimos anos, o clube enfrentou processos semelhantes na Fifa, como os relacionados às contratações de outros jogadores. A repetição de problemas com pagamentos reflete uma gestão financeira fragilizada, que agora enfrenta um dos momentos mais críticos de sua história recente. A condenação por Félix Torres, somada aos casos atuais, eleva o total devido a mais de R$ 100 milhões, considerando multas e juros.
A relação com clubes estrangeiros, como Talleres e Shakhtar, foi abalada por divergências contratuais, dificultando futuras negociações. O presidente do Talleres, Andres Fassi, chegou a criticar o Corinthians, afirmando que esperava lidar com um “clube sério”. Essas declarações reforçam a percepção de que a credibilidade do Timão no mercado internacional está comprometida.
Próximos passos do clube
O Corinthians agora aguarda as decisões do CAS, que podem definir o rumo financeiro do clube. Enquanto os casos de Rojas e Garro têm audiências concluídas, o processo envolvendo Maycon ainda depende de agendamento, o que prolonga a incerteza. A diretoria planeja ações para captar recursos, incluindo possíveis vendas de jogadores e novos acordos de patrocínio.
A torcida, apesar das frustrações, mantém o apoio, como demonstrado em publicações recentes nas redes sociais, onde o clube exalta sua paixão com mensagens como “Sou maloqueiro, corinthiano e sofredor”. A pressão por resultados em campo, aliada à necessidade de sanar as dívidas, coloca o Corinthians em um momento decisivo para sua reconstrução financeira e esportiva.
- Prioridades atuais:
- Quitar dívidas para evitar novos transfer bans.
- Aguardar decisões do CAS para Rojas e Garro.
- Reforçar a gestão financeira com maior transparência.
- Manter o elenco competitivo em meio às restrições.






