Bioseg: biomédico preso por fraude em exames é exonerado em CuiabáPor Carolina Costa
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A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, em 15 de agosto de 2025, a Operação Contraprova, que revelou um esquema de falsificação de resultados de exames na Bioseg Medicina Laboratorial, com unidades em Cuiabá, Sinop e Sorriso. Igor Phelipe Gardes Ferraz, biomédico e sócio da empresa, foi preso preventivamente por assinar laudos falsos, descartando amostras biológicas sem análise. A Bioseg atendia a Câmara Municipal, a Prefeitura de Cuiabá e clínicas particulares, comprometendo a saúde de pacientes com resultados fraudulentos de exames como HIV e Covid-19. Igor, que também atuava como assessor externo do vereador Gustavo Padilha (PSB), foi exonerado da Câmara no mesmo dia. A investigação, iniciada em abril após denúncias à Vigilância Sanitária, aponta para crimes como estelionato e peculato, com penas que podem chegar a 25 anos.
O caso gerou indignação em Mato Grosso. A Bioseg, que realizava cerca de 400 atendimentos mensais, descartava materiais biológicos sem testes, emitindo laudos falsos que atrasaram tratamentos, incluindo o de uma criança que faleceu após um acidente. A operação resultou na interdição das unidades da Bioseg e na suspensão de contratos com o poder público.
A gravidade das fraudes mobilizou autoridades. Além da prisão de Igor, foram cumpridos mandados de busca nas casas dos sócios William de Lima e Bruno Cordeiro Rabelo, com apreensão de documentos e armas. A Justiça também suspendeu o registro profissional de Igor e proibiu novos contratos da Bioseg com órgãos públicos.
- Principais medidas da Operação Contraprova:
- Prisão preventiva de Igor Phelipe Gardes Ferraz.
- Interdição das unidades da Bioseg em três cidades.
- Suspensão do registro de biomédico de Igor.
- Apreensão de bens e documentos dos sócios.
Origem das denúncias contra a Bioseg
A investigação começou em abril de 2025, após uma denúncia anônima à Vigilância Sanitária de Cuiabá, que apontou irregularidades nos laudos da Bioseg. Médicos relataram discrepâncias entre os resultados e os quadros clínicos dos pacientes, levantando suspeitas de fraude. A Vigilância interditou uma unidade da empresa na época, e Igor foi preso em flagrante, mas liberado. As apurações avançaram, culminando na Operação Contraprova, que confirmou a falsificação sistemática de exames.
As buscas realizadas em 15 de agosto revelaram anotações sobre contratos de R$ 2 milhões com a Prefeitura de Cuiabá e movimentações financeiras de R$ 100 milhões. A Polícia Civil, com apoio das delegacias de Sorriso e Sinop, identificou que a Bioseg descartava amostras biológicas, como sangue e secreções, sem análise, emitindo laudos forjados para enganar pacientes e contratantes.
Repercussão na Câmara Municipal
A exoneração de Igor Ferraz da Câmara de Cuiabá ocorreu horas após sua prisão. Gustavo Padilha, vereador interino, afirmou que desconhecia as atividades ilícitas de seu assessor, que recebia R$ 2.250 mensais. A Câmara esclareceu que o contrato com a Bioseg, voltado para serviços de saúde ocupacional, foi encerrado em maio de 2025, antes da operação.
A Casa Legislativa negou vínculo atual com a Bioseg Medicina Laboratorial e afirmou que as anotações apreendidas, mencionando vereadores, referem-se apenas a contratos antigos. A gestão atual da Câmara reforçou que não renovou os serviços da empresa após as primeiras denúncias.
- Ações da Câmara Municipal:
- Exoneração imediata de Igor Ferraz.
- Encerramento do contrato com a Bioseg em maio de 2025.
- Esclarecimento sobre ausência de vínculo atual com a empresa.
Envolvimento da Prefeitura de Cuiabá
A Prefeitura de Cuiabá informou que denunciou a Bioseg em abril de 2025, após identificar falhas em contratos da gestão anterior. A administração atual interditou uma unidade da empresa e está revisando todos os acordos firmados, que envolviam valores significativos. A prefeitura também se comprometeu a repetir exames potencialmente fraudados para pacientes do SUS, garantindo a segurança da população.
Riscos à saúde pública
A Bioseg atendia cerca de 50 pacientes por dia, totalizando 400 atendimentos mensais em Mato Grosso. A falsificação de exames como HIV, sífilis e hepatites comprometeu diagnósticos e tratamentos, especialmente no SUS. A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) está investigando se prestadores terceirizados utilizaram a Bioseg e planeja retestar pacientes afetados.
O caso de uma criança de 5 anos, cujos laudos foram fraudados durante tratamento em home care, destaca a gravidade do esquema. Embora não haja comprovação de que a fraude causou sua morte, o caso reforça os riscos à saúde pública.
- Impactos na saúde pública:
- Comprometimento de diagnósticos de doenças graves.
- Atrasos em tratamentos de pacientes do SUS.
- Necessidade de reexame de laudos emitidos pela Bioseg.
Posicionamento da Bioseg e próximos passos
A Bioseg Saúde e Segurança do Trabalho negou relação operacional com a Bioseg Medicina Laboratorial, afirmando que seus sócios William de Lima e Bruno Cordeiro Rabelo eram apenas investidores. A defesa de Igor Ferraz não emitiu comunicado. A Polícia Civil analisa o material apreendido, incluindo documentos financeiros, para determinar a extensão do esquema e o número de vítimas.
- Medidas judiciais contra a Bioseg:
- Interdição das unidades em Cuiabá, Sinop e Sorriso.
- Suspensão do registro profissional de Igor Ferraz.
- Proibição de contratos com o poder público.
A Operação Contraprova abalou a confiança nos serviços laboratoriais em Mato Grosso. As autoridades seguem investigando para punir os responsáveis e garantir assistência aos pacientes afetados.







