Consumidores latino-americanos reduzem compra de Coca-Cola e Pepsi em supermercados
Consumidores na América Latina, incluindo Brasil, México, Colômbia e Argentina, estão comprando menos Coca-Cola e Pepsi nos supermercados, segundo o relatório Brand Footprint 2025 da Worldpanel by Numerator. A redução, observada em 15 países da região, reflete uma combinação de fatores econômicos, como a alta da inflação, e uma crescente preocupação com a saúde, que impulsiona a busca por alternativas mais baratas e saudáveis. Marcas locais, como Itubaína no Brasil e Red Cola no México, ganham espaço, enquanto legislações de rotulagem destacam o alto teor de açúcar nos refrigerantes. Apesar da queda, as gigantes americanas mantêm forte presença, mas enfrentam desafios para se adaptar às novas demandas do consumidor.
O México lidera o consumo de refrigerantes, com 270,9 litros por domicílio ao ano, contra 76,6 litros no Brasil. Mesmo assim, a frequência de compra de Coca-Cola e Pepsi caiu 4,7% e 4,9%, respectivamente, em 2024, conforme os Consumer Reach Points (CRP) do relatório. A mudança reflete uma reconfiguração no comportamento de consumo, com famílias equilibrando orçamentos e priorizando produtos mais acessíveis ou saudáveis.
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- Fatores econômicos: Inflação de alimentos reduz o poder de compra.
- Consciência saudável: 89% dos latino-americanos veem refrigerantes como negativos.
- Crescimento de marcas locais: Itubaína cresceu mais de 50% em CRP no Brasil.
Aumento de preços pressiona consumidores
A inflação, especialmente em alimentos, impactou diretamente o consumo na América Latina. Famílias, enfrentando orçamentos mais apertados, reduziram a frequência de compra de marcas globais como Coca-Cola e Pepsi, que sofreram aumento de preços acima da média da categoria. Marcela Botana, especialista em hábitos de consumo, explica que os latino-americanos são hábeis em ajustar gastos, optando por alternativas mais baratas. No Brasil, por exemplo, a Itubaína, do Grupo Heineken, registrou um salto de mais de 50% em alcance, atraindo consumidores por seu preço competitivo e apelo nostálgico.
Marcas locais como Red Cola no México, Cunnington e Pritty na Argentina, e Colombiana na Colômbia também se beneficiaram. Essas marcas, mais acessíveis, conquistaram espaço nas gôndolas, desafiando o domínio das gigantes americanas. A repetição de compras indica que essas opções não são apenas experimentações, mas escolhas consistentes.
- Red Cola: Ganhou popularidade no México por preços mais baixos.
- Cunnington e Pritty: Alternativas econômicas na Argentina.
- Colombiana: Cresce na Colômbia, atraindo consumidores locais.
- Itubaína: Destaque no Brasil com forte apelo regional.
Preocupação com saúde reduz consumo de refrigerantes
A percepção de que refrigerantes são prejudiciais à saúde é outro fator central na queda das vendas. Um levantamento da Worldpanel revelou que 89% dos latino-americanos consideram bebidas açucaradas negativas, e 38% planejam reduzir o consumo nos próximos meses. Essa tendência é reforçada por legislações de rotulagem que destacam altos teores de açúcar, sal e gordura em alimentos ultraprocessados.
No Brasil, a obrigatoriedade de selos de alerta, implementada em 2022, aumentou a atenção dos consumidores aos rótulos. Países como Equador, Chile, Peru, Argentina, Colômbia e México adotaram medidas semelhantes, com sistemas como o “semáforo nutricional” equatoriano, que usa cores para indicar teores nutricionais. Essas regulamentações, segundo Botana, não eliminaram o consumo, mas reduziram sua frequência, com consumidores optando por água engarrafada e isotônicos.
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- Legislação de rotulagem: Adotada em seis países, com mais cinco em implementação.
- Impacto no consumo: Redução na frequência de compra de refrigerantes.
- Alternativas saudáveis: Água e isotônicos ganham preferência.

Marcas locais ganham força no mercado
O crescimento de marcas regionais é uma resposta direta às pressões econômicas e à busca por identidade local. No Brasil, a Itubaína se destaca como um caso de sucesso, combinando preço acessível com um forte apelo cultural. Na Argentina, Cunnington e Pritty atraem consumidores com sabores tradicionais e custos menores. A Colombiana, na Colômbia, e a Red Cola, no México, seguem o mesmo caminho, consolidando-se como opções viáveis frente às gigantes globais.
Essas marcas não apenas oferecem preços mais baixos, mas também se beneficiam da percepção de proximidade com o consumidor. Botana destaca que, ao entrarem nos lares, essas marcas têm a chance de construir relevância, especialmente em um mercado historicamente dominado por Coca-Cola e Pepsi. A ausência de rejeição significativa indica que os consumidores estão abertos a manter essas escolhas.
Estratégias de adaptação das gigantes
Apesar da queda, Coca-Cola e Pepsi continuam líderes na América Latina, com a primeira ocupando o topo do ranking Brand Footprint 2024 e a Pepsi em terceiro. Para enfrentar os desafios, ambas investem em inovações. Bebidas “zero açúcar” e embalagens menores ou retornáveis respondem às demandas por opções mais saudáveis e sustentáveis.
- Inovações: Lançamento de bebidas com menos açúcar e embalagens retornáveis.
- Presença de mercado: Coca-Cola mantém liderança apesar da retração.
- Resiliência: Marcas globais têm grande capacidade de recuperação.
Essas estratégias visam reconquistar consumidores sensíveis a preços e preocupados com saúde. No entanto, a concorrência com marcas locais exige esforços contínuos para manter a relevância.
Fatores externos e boicotes limitados
A possibilidade de boicotes relacionados a políticas americanas, como as tarifas de Donald Trump, foi investigada, mas não há evidências significativas na América Latina. Botana aponta que, ao contrário de países nórdicos, onde boicotes a marcas americanas são mais perceptíveis, na região o preço é o principal driver de consumo. A influência de tensões geopolíticas é mais evidente entre consumidores hispânicos nos EUA, onde rumores sobre práticas da Coca-Cola geraram impacto temporário.
- Boicotes na América Latina: Sem evidências significativas de rejeição política.
- Contraste global: Países nórdicos mostram maior sensibilidade a questões geopolíticas.
- Foco regional: Preço e saúde predominam nas escolhas dos consumidores.
Perspectiva para o mercado de refrigerantes
O mercado de refrigerantes na América Latina enfrenta um momento de transição. A combinação de inflação, maior conscientização sobre saúde e o fortalecimento de marcas locais cria um cenário desafiador para Coca-Cola e Pepsi. Ainda assim, a força dessas marcas, aliada a estratégias de inovação, sugere que elas continuarão relevantes.
A ascensão de alternativas regionais, no entanto, indica uma mudança no comportamento do consumidor, que busca equilíbrio entre custo, saúde e identidade cultural. A capacidade das gigantes de se adaptarem a essas tendências será crucial para manter sua dominância em um mercado cada vez mais competitivo.















