Corinthians acumula R$ 2,4 bi em dívidas; Flamengo lidera com R$ 1,3 bi em receitasPor Jeronimo Santos
Atualizado 7 min de leitura
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O futebol brasileiro viveu um 2024 de contrastes financeiros, com receitas recordes de R$ 11,3 bilhões entre os 24 principais clubes, mas também uma dívida acumulada de R$ 20,9 bilhões, conforme levantamento do ge. O Corinthians encabeça a lista de endividamento com R$ 2,4 bilhões, impulsionado pelo financiamento da Neo Química Arena, enquanto o Flamengo lidera em arrecadação, com R$ 1,3 bilhão, seguido pelo Palmeiras, com R$ 1,2 bilhão. O Botafogo, apesar de uma receita histórica de R$ 719,7 milhões, registrou o maior déficit do ano, de R$ 299 milhões, ao lado do Atlético-MG, também com o mesmo valor. Esses números, divulgados em 8 de agosto de 2025, expõem a dificuldade dos clubes em equilibrar finanças, mesmo com o aumento de fontes de receita como transferências de jogadores e direitos de transmissão. A situação levanta debates sobre a necessidade de maior transparência e sustentabilidade financeira no esporte.
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Os dados financeiros de 2024 mostram um cenário de crescimento econômico, mas também de desafios persistentes. Enquanto clubes como Flamengo e Palmeiras colhem frutos de gestões estruturadas, outros, como Corinthians e Botafogo, enfrentam problemas para conter os gastos. A análise abrange os 20 clubes da Série A de 2024, além de quatro equipes que ascenderam da Série B, como o Santos, que arrecadou R$ 408,5 milhões.
A CBF, em reunião recente no Rio de Janeiro, discutiu medidas de fair play financeiro para conter o endividamento, com a criação do Regulamento do Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF). A iniciativa busca limitar gastos com base nas receitas, visando maior equilíbrio no setor.
- Principais números do futebol brasileiro em 2024:
- Receita total: R$ 11,3 bilhões.
- Déficit agregado: R$ 1,5 bilhão.
- Dívida acumulada: R$ 20,9 bilhões.
- Clubes com receita bilionária: Flamengo, Palmeiras e Corinthians.
Gestão financeira em destaque
O Flamengo se consolidou como líder em arrecadação, com R$ 1,3 bilhão, impulsionado por conquistas como o Carioca e a Copa do Brasil, além de um novo contrato de patrocínio, anunciado como o maior do futebol brasileiro. O clube carioca diversificou suas fontes de receita, com destaque para direitos de transmissão (R$ 3,3 bilhões no total do futebol brasileiro) e transferências de jogadores, que geraram R$ 2,9 bilhões para os clubes analisados. O Palmeiras, com R$ 1,2 bilhão, também se beneficiou de vendas de atletas, arrecadando R$ 440,3 milhões, quase o dobro do orçado, além de R$ 153 milhões vindos do Allianz Parque.
Por outro lado, o Corinthians, apesar da receita bilionária de R$ 1,1 bilhão, enfrenta uma crise financeira agravada pelo financiamento do estádio, que responde por R$ 668 milhões de sua dívida total. A gestão atual, sob Augusto Melo, reconheceu obrigações de administrações passadas, o que elevou o passivo. O clube busca reestruturação por meio de programas como o Recuperação do Crédito Esportivo (RCE) e negociações com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional.
- Fatores que impulsionaram as receitas em 2024:
- Transferências de jogadores: R$ 2,9 bilhões.
- Direitos de transmissão: R$ 3,3 bilhões.
- Marketing e patrocínios: R$ 1,9 bilhão.
- Bilheteria e matchday: R$ 1,1 bilhão.
Cenário de déficits e superávits
Apenas oito dos 24 clubes analisados encerraram 2024 com superávit financeiro. O Palmeiras liderou com R$ 198,1 milhões no azul, seguido por Cuiabá (R$ 64,8 milhões), Grêmio (R$ 43,6 milhões) e Red Bull Bragantino (R$ 31 milhões). O sucesso do Palmeiras veio de uma gestão eficiente, com receitas acima do planejado em quase todas as áreas. O clube superou metas orçamentárias, especialmente nas vendas de jogadores e na exploração do Allianz Parque, administrado em parceria com a WTorre.
Já o Botafogo, apesar de conquistas em campo, como o título da Libertadores, enfrentou um déficit de R$ 299 milhões, o maior do ano, empatado com o Atlético-MG. O clube carioca, gerido como Sociedade Anônima do Futebol (SAF), destinou recursos significativos ao Lyon, clube do mesmo grupo Eagle Football, o que impactou negativamente seu balanço. O Atlético-MG, também SAF, registrou receitas de R$ 615 milhões, mas os altos custos com futebol, que consumiram 80% das receitas dos clubes, contribuíram para o prejuízo.
- Clubes com superávit em 2024:
- Palmeiras: R$ 198,1 milhões.
- Cuiabá: R$ 64,8 milhões.
- Grêmio: R$ 43,6 milhões.
- Red Bull Bragantino: R$ 31 milhões.
- Fluminense: R$ 100 mil.
Dívidas bilionárias no radar
O endividamento do futebol brasileiro atingiu níveis alarmantes, com 10 clubes acumulando passivos acima de R$ 1 bilhão. O Corinthians lidera com R$ 2,4 bilhões, sendo R$ 1,27 bilhão de dívidas de curto prazo, que precisam ser quitadas em até 12 meses. O Atlético-MG aparece em segundo, com R$ 1,8 bilhão, após ajustes de receitas antecipadas e caixa. Outros clubes com passivos elevados incluem São Paulo (R$ 1,8 bilhão), Botafogo (R$ 1,5 bilhão) e Palmeiras (R$ 1,4 bilhão).
A relação dívida/receita é um indicador crítico. Clubes como Cruzeiro (2,63) e Bahia (2,75) têm dívidas que superam em mais de duas vezes suas receitas anuais, sinalizando risco de insolvência. O Flamengo, com uma relação de 0,26, demonstra maior equilíbrio, enquanto o Corinthians (1,7) enfrenta um cenário delicado, agravado pelo custo do estádio.
- Clubes com maiores dívidas em 2024:
- Corinthians: R$ 2,4 bilhões.
- Atlético-MG: R$ 1,8 bilhão.
- São Paulo: R$ 1,8 bilhão.
- Botafogo: R$ 1,5 bilhão.
- Flamengo: R$ 1,11 bilhão.
Impacto das SAFs no equilíbrio financeiro
A adoção do modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF) prometia maior profissionalização, mas os resultados ainda são mistos. Clubes como Cruzeiro, Vasco, Botafogo e Bahia, que operam como SAFs, apresentaram déficits expressivos, indicando que a transição para esse modelo não resolve automaticamente os passivos herdados. O Cruzeiro, por exemplo, viu sua dívida crescer 66% em um ano, alcançando R$ 981,1 milhões.
Por outro lado, clubes tradicionais como Palmeiras e Flamengo mostram que a gestão associativa, quando bem executada, pode ser eficaz. O Palmeiras, por exemplo, mantém uma relação dívida/receita de 0,65, uma das mais saudáveis entre os grandes clubes. A transparência exigida pela Lei Geral do Esporte, que obriga a publicação de balanços até 30 de abril, tem pressionado os clubes a melhorarem a governança, mas o cumprimento ainda é irregular, especialmente entre equipes menores.
- Desafios das SAFs em 2024:
- Cruzeiro: Aumento de 66% na dívida.
- Botafogo: Déficit de R$ 299 milhões.
- Bahia: Déficit de R$ 246,5 milhões.
- Vasco: Passivo de R$ 1,2 bilhão.
Caminhos para a sustentabilidade financeira
A CBF, em conjunto com clubes e federações, está elaborando o Regulamento do Sistema de Sustentabilidade Financeira, com previsão de conclusão em 90 dias a partir de agosto de 2025. A iniciativa visa limitar gastos com base nas receitas, inspirada em modelos como o da UEFA. Clubes como Athletico-PR e Cuiabá, que encerraram 2024 sem dívidas líquidas, servem como exemplos de gestão cautelosa. O Athletico-PR, com receita de R$ 572,8 milhões, demonstra que é possível manter equilíbrio financeiro mesmo em um cenário de alta competitividade.
A diversificação de receitas, como patrocínios e exploração de estádios, é apontada como essencial. O Flamengo, por exemplo, se beneficia de contratos robustos com casas de apostas, enquanto o Palmeiras maximiza a receita com o Allianz Parque. A venda de jogadores também continua sendo um pilar importante, com R$ 2,9 bilhões gerados em 2024, mas os clubes precisam investir em infraestrutura e formação de atletas para garantir sustentabilidade a longo prazo.
- Estratégias para reduzir dívidas:
- Adesão a programas como o RCE.
- Negociação com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional.
- Diversificação de receitas com patrocínios e matchday.
- Investimento em formação de atletas.















