Novo BRICS Pay, inspirado no Pix, promete mudar comércio internacional

Brics Foto: Brics - Foto: Poetra.RH / Shutterstock.com

Em agosto de 2025, o bloco econômico BRICS, formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e novos membros como Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Irã e Indonésia, lançou o BRICS Pay, um sistema de pagamento digital inspirado no Pix brasileiro. Anunciado na cúpula de Kazan, na Rússia, o projeto utiliza tecnologia blockchain para facilitar transações internacionais em moedas locais, reduzindo a dependência do dólar americano. O Brasil, com sua experiência no Pix, lidera a integração tecnológica, enquanto China e Rússia conduzem testes iniciais. A iniciativa responde às sanções econômicas ocidentais e busca maior autonomia financeira no comércio global. O sistema promete transações rápidas, seguras e de baixo custo, com projeção de movimentar bilhões até 2030. A criação do BRICS Pay marca um passo estratégico para redefinir o comércio internacional, mas enfrenta desafios técnicos e geopolíticos.

O projeto surge em um momento de tensões globais, com os Estados Unidos reagindo à possível ameaça à hegemonia do dólar, que domina 84% das transações mundiais. A plataforma, já em testes bilaterais entre Rússia e China, conecta sistemas nacionais de pagamento, como o Pix brasileiro e o UPI indiano. O Brasil, que assumirá a presidência do BRICS em 2026, vê no sistema uma oportunidade para expandir exportações, especialmente no agronegócio e mineração.

  • Objetivos do BRICS Pay:
    • Reduzir custos de transações internacionais.
    • Promover uso de moedas locais, como real e yuan.
    • Garantir independência frente a sanções ocidentais.
    • Aumentar competitividade de exportações do bloco.

Tecnologia do Pix como base do sistema

O Pix, lançado pelo Banco Central do Brasil em 2020, tornou-se referência global em pagamentos instantâneos, processando 49% das transações não físicas no país no primeiro trimestre de 2025, totalizando R$ 7 trilhões. Sua estrutura, que permite transferências 24 horas por dia com custo zero ou reduzido, inspirou o BRICS Pay. A economista Carla Beni, da Fundação Getulio Vargas, destaca que a tecnologia do Pix é adaptável para transações internacionais, eliminando barreiras técnicas. O Brasil lidera a integração do Pix ao sistema global, com testes previstos para 2026.

A expertise brasileira é reforçada pelo desenvolvimento do Drex, o real digital, que pode ampliar a funcionalidade do BRICS Pay. Durante a cúpula de julho de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o sistema como um marco para a soberania econômica do bloco. A liderança tecnológica do Brasil fortalece sua posição no BRICS, mas exige investimentos em infraestrutura para garantir compatibilidade com outros sistemas.

  • Vantagens do Pix no BRICS Pay:
    • Transferências instantâneas com alta escalabilidade.
    • Baixo custo operacional para usuários e empresas.
    • Experiência consolidada em cinco anos de operação.
    • Integração com moedas digitais, como o Drex.

Blockchain e descentralização no centro do projeto

O BRICS Pay utiliza o Decentralized Cross-border Messaging System (DCMS), desenvolvido pela Universidade Estatal de São Petersburgo. A tecnologia blockchain garante transações seguras e rápidas, com capacidade de processar até 20 mil mensagens por segundo. Diferentemente do SWIFT, controlado por bancos ocidentais, o DCMS é descentralizado, com cada país gerenciando seu próprio nó, o que reduz a vulnerabilidade a interferências externas.

A escolha do blockchain reflete a prioridade do BRICS em criar um sistema moderno e independente. A Rússia, afetada por sanções desde 2022, e a China, que busca expandir o uso do yuan, lideram os testes iniciais com transações em rublos e yuans. O Brasil planeja integrar o Pix até o final de 2026, enquanto outros membros conectam seus sistemas, como o UPI indiano e o IBPS chinês.

  • Características do DCMS:
    • Estrutura descentralizada para maior autonomia.
    • Criptografia avançada para segurança de dados.
    • Capacidade de operar sem conexão direta entre usuários.
    • Código aberto após fase inicial de testes.

Reações globais e tensões geopolíticas

O lançamento do BRICS Pay gerou reações intensas no cenário internacional. Os Estados Unidos, onde o dólar domina 84% das transações globais, veem a iniciativa como uma ameaça. O ex-presidente Donald Trump ameaçou impor tarifas de 100% a países que adotarem sistemas alternativos ao dólar, escalando tensões geopolíticas. Apesar disso, o economista russo Sergey Glazyev defende que o BRICS Pay é essencial para a soberania financeira do Sul Global.

No Brasil, o sistema é visto como uma oportunidade para fortalecer setores como agronegócio e mineração, que dependem de exportações para China e Índia. A conversão direta para yuan ou rúpias pode reduzir perdas cambiais e aumentar a competitividade. O professor Marco Aurélio dos Santos Sanfins, da Universidade Federal Fluminense, destaca que o BRICS Pay pode proteger o Brasil de sanções econômicas externas, reforçando a autonomia comercial.

Integração de sistemas nacionais

A implementação do BRICS Pay depende da conexão entre sistemas de pagamento nacionais, como o Pix (Brasil), SBP (Rússia), UPI (Índia), IBPS (China) e PayShap (África do Sul). Essa interoperabilidade exige harmonização técnica e regulatória, um desafio significativo para o bloco. O Brasil, com 227 milhões de transações diárias via Pix em setembro de 2025, lidera os esforços de integração, aproveitando sua experiência em pagamentos instantâneos.

A inclusão do Drex, previsto para 2026, pode facilitar a adoção de moedas digitais no sistema. No entanto, diferenças regulatórias e a volatilidade de moedas emergentes complicam o processo. O Brasil, como presidente do BRICS em 2026, terá a tarefa de coordenar soluções para barreiras técnicas e tributárias.

  • Sistemas integrados ao BRICS Pay:
    • Pix: 227 milhões de transações diárias no Brasil.
    • SBP: Usado por mais de 200 instituições na Rússia.
    • UPI: Interface unificada com forte adesão na Índia.
    • IBPS: Suporta transferências em yuan na China.

Benefícios econômicos para o Brasil

O BRICS Pay pode transformar o comércio brasileiro, especialmente em setores estratégicos. A eliminação da conversão para o dólar reduz custos para exportadores de soja, carne e minérios, que têm China e Índia como principais mercados. Novos destinos, como Emirados Árabes Unidos e Irã, podem aumentar a demanda por alimentos e combustíveis brasileiros.

O Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) planeja criar uma linha de garantia multilateral para reduzir riscos em transações, atraindo investimentos. Economistas projetam que o sistema movimentará centenas de bilhões em transações anuais até 2030, desafiando a dominância do SWIFT. Para o Brasil, a iniciativa fortalece laços com o Sul Global e amplia a competitividade no mercado internacional.

Obstáculos técnicos e políticos

Apesar do potencial, o BRICS Pay enfrenta barreiras significativas. A integração de sistemas financeiros de países com legislações distintas exige cooperação intensa. Questões como volatilidade cambial e harmonização tributária são desafios centrais. Além disso, a resistência de potências ocidentais, como os Estados Unidos e a União Europeia, pode gerar retaliações comerciais.

A China, maior economia do bloco, busca maior influência, o que preocupa membros como a Índia. O Brasil adota uma postura equilibrada, defendendo uma plataforma multilateral que beneficie todos. A liderança brasileira em 2026 será crucial para mediar tensões e avançar a implementação.

  • Principais barreiras:
    • Compatibilidade entre sistemas financeiros nacionais.
    • Volatilidade de moedas emergentes.
    • Pressões geopolíticas de potências ocidentais.
    • Necessidade de consenso entre membros do BRICS.

Liderança brasileira na presidência do BRICS

O Brasil emerge como protagonista no BRICS Pay, aproveitando a expertise do Pix e o desenvolvimento do Drex. O chanceler Mauro Vieira destacou, na cúpula de 2025, a importância de um sistema que promova inclusão financeira. A presidência brasileira em 2026 será decisiva para superar obstáculos técnicos e políticos, consolidando o BRICS Pay como alternativa ao SWIFT.

A iniciativa também responde às críticas dos Estados Unidos, que investigaram o Pix por supostamente prejudicar empresas como Visa e Mastercard. A integração do Pix ao BRICS Pay reforça a soberania financeira do Brasil e do bloco, posicionando o país como líder em inovações de pagamento global.

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